Uma criatura conhecida por mandar bitaites nas televisões terá feito, segundo a própria, um escarcéu numa padaria por lhe terem exigido o pagamento por via eletrónica de uma conta de cinquenta cêntimos, não aceitando que a cliente pagasse em metálico. A situação tem constituído motivo de chacota nas redes sociais, não faltando quem pretenda ridicularizar a senhora e todos aqueles que, veja-se o desplante, ainda insistem em usar essa coisa do dinheiro vivo quando têm ao seu dispor tantos outros meios de pagamento muito mais modernos. E também higiénicos, como alguns sublinham.
Terão todos muita razão. O combate à corrupção, à criminalidade, à fuga ao fisco e mais o que se queira pode, até, justificar muita coisa. O dinheiro digital, pela pegada que deixa atrás de si, será uma arma de extrema importância nessas lutas. Mal estaremos é se em nome disso acabarmos com o dinheiro físico. Nesse dia é a liberdade que está em causa. Os governos ficam com a possibilidade de fazerem o que quiserem com o dinheiro dos cidadãos e, no limite, de determinarem onde, quando e quanto podemos gastar o que é nosso.
Não faltam, ainda assim, adeptos da abolição do papel-moeda. Gente modernaça e com muitas preocupações sociais, fiscais e outras que tais. Provavelmente como pouca experiência de vida ou muito guito digital para gastar, também. Experimentem, então, chamar um canalizador para substituir aquela torneira que irritantemente não para de pingar, um electricista para trocar o interruptor que deixou de funcionar, um carpinteiro para trocar o puxador que se partiu ou outro especialista de outra especialidade qualquer. Quando chegar a hora do pagamento ele conta-lhes uma história. Se gostam de histórias, tudo bem. Eu, destas, dispenso-as.
Todos os argumentos têm sido validos para convencer a carneirada a deixar-se dessa coisa tão démodé que é o dinheiro físico. Consoante os tempos evoluem, assim evolui a narrativa. Começou com o pretexto do combate ao terrorismo e tráfico, a pandemia foi perfeita para passar a questão de saúde pública e agora claro está,,,a pegada ecológica. quando na verdade o grande argumento nunca é dito, passe as teorias de conspiração, é saber exatamente o que gastamos e onde. Se para uns é tranquilo que as nossas informações pessoais possam ser bisbilhotadas por qualquer um legitimamente ou não, pessoalmente não quero fazer parte desse rebanho só porque sim. Da mesma forma que não tenho o mínimo interesse pela vida alheia, não desejo satisfazer o eventual interesse de terceiros pela minha vida. A isto dantes chamava-se liberdade, hoje cada vez mais parece algo exótico.
ResponderEliminarE depois quando houver outra crise em que os bancos são especialistas, se não a criar, a deixar acontecer ou a menosprezar, é muito mais fácil irem ao nosso guito para pagar as asneiras e depoiis, dinheiro debaixo do colchão não há e mesmo que exista, não serve para nada.
ResponderEliminarAlguns só mostram preocupação com certos assuntos, quando são eles a escrever sobre eles. Perceberam?
ResponderEliminarEntendi-te...
ResponderEliminarGuardar o dinheiro debaixo do colchão é uma prática desaconselhada por muitos ortopedistas...
ResponderEliminarÉ mais uma faceta do Estado-paizinho que muito apreciamos.
ResponderEliminarposso e devo elogiar o impacto que tem o cabeçalho, devo conter-me quanto ao post, isto é, se ignorasse o historial, admirava, aplaudia este post.
ResponderEliminarMas tá bom. Digo mais : mais que bom, pois o autor nao deixou pontas soltas.
Impacto, impacto vamos nós sentir quando ficarmos sem ele. O guito, o pilim ou o graveto.
ResponderEliminarA ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, garantiu hoje, no parlamento, que a Segurança Social está preparada para acionar o fundo de garantia salarial para os trabalhadores do grupo Global Media, caso as empresas recorram ao mecanismo.
ResponderEliminarE VAI SER TUDO EM METÁLICO, só para baralhar o Tribunal de Contas.
Só que não...
ResponderEliminar