domingo, 20 de novembro de 2022

Afinal (quase) todos gostaram do "enorme aumento de impostos"

Nunca hei-de entender a estranha relação que os portugueses têm com os impostos. Deve ser problema meu, admito. Mas lá que é uma coisa esquisita, isso é. Por um lado adoram eximir-se ao seu pagamento, mas, por outro, reclamam daqueles que lhes conseguem escapar. Quando, na sequência da intervenção da troika - pedida por Sócrates para salvar o país da falência provocada pela governação do Partido Socialista – foi necessário fazer “enorme aumento de impostos”, toda a gente reclamou. E bem, diga-se. Agora, se alguém se atreve a sugerir a necessidade de uma redução dos mesmos impostos – até nem precisa de ser enorme – é, no mínimo, acusado de ser um perigoso liberal que quer ver destruído o SNS, a escola pública ou o que mais calhar. Só falta aos defensores da elevadíssima carga fiscal acrescentarem que “o Passos é que tinha razão”…


Também esta cena do clima lhes está a afectar a moleirinha. Quase rejubilam por na COP-27 se ter chegado a acordo para a criação de um Fundo qualquer que irá, alegadamente, ajudar os países mais pobres a minorar esta problemática. Não sei se eles sabem quem é que vai pagar. Talvez saibam. Mas, das duas uma, ou não se importam ou acham que conseguem escapar ao seu pagamento. Numa ou noutra circunstância encontrarão sempre um culpado. Qualquer um serve. Menos eles.

4 comentários:

  1. Manuel da Rocha7:00 p.m.

    A PORCARIA DOS PARTIDOS DE DIREITA deviam ser obrigados a explicar como é que "reduzir a carga fiscal em 99%" e "reduzir a dívida pública em 198000 milhões de euros", encaixam na mesma governação. Já agora, acrescento a que os líderes, só da Direita, usam "Crescimento do PIB em 700000%, anualmente, com inflação de 0,5% e com superavits de 54000 milhões de euros, no orçamento" .
    Qualquer estudante de contabilidade, economia e gestão desata-se a rir, pois aquelas ideias é tudo contra o que é a economia.
    Não é possível cortar 99% dos impostos (nas empresas, boas propostas são 100% de corte e 30000 milhões em subsídios, a fundo perdido), pagar a dívida pública e ter crescimentos que faziam Portugal ter uma economia maior que a alemã.
    É por isso que a direita chega aos governo, não cumpre nada do que promete, acabando a reduzir os salários e perderam milhares de milhões, para os amigos empresários que patrocinaram as candidaturas. Ver Durão Barroso, que é o mais belo exemplo. Os ingleses usaram a mesma ideia, apresentaram o seu plano (quase o igual ao do PSD-IL-Chega) com um pequeno erro: anunciaram que iriam buscar 520000 milhões de euros, aos mercados. Ora aqueles que iriam financiar aqueles super cortes de impostos, só para ricos, tiraram o tapete ao governo, obrigando o Banco de Inglaterra a despejar as reservas, de moeda estrangeiras, para evitar um colapso de 80% no valor da Libra, que iria provar falências e o colapso de centenas de fundos de pensões e reforma.
    Antes de cair nas promessas de Luís Montenegro (e companhia) de cortar 90% do IA, 96% do IUC e reduzir 99% nos valores das portagens, há que perguntar como é que irá pagar isso. É que NENHUM membro dos partidos de direita vão piar, anunciaram crescimentos do PIB de 700000% como sendo a forma de manter a receita fiscal, evitando anunciar vendas (como foram os CTT e EDP) que dão milhares de milhões aos amigos partidários (caso de Coimbra, onde 3 elementos do PSD fizeram 6 milhões de lucro em menos de 5 horas, a comprar 3 edifícios dos CTT, minutos antes da privatização ser concluída, por 3,14 milhões, ás 9:01 da manhã, vendendo por 10,93 milhões, ás 15:20), assim como cortes loucos (como foi em 2014, com a eliminação dos genéricos, para o cálculo do valor a comparticipar, levando, por exemplo, medicamentos para a tensão arterial saltarem de 7 euros para 193 euros, pois o governo não aceitava os genéricos, fora do ambiente hospitalar, mesmo que custassem 9 euros, por caixa de 60, os doentes tiveram de pagar 118 euros, com o governo a comparticipar a diferença, em Março de 2016, voltou tudo ao normal e os genéricos voltaram a poder ser vendidos aos doentes, impedindo hospitais privados de sacar 186 euros de lucro imediato, fora os 50-80 euros que cobravam aos seus doentes (ou aos seguros de saúde) pela mesma caixa, mais tarde foi notícia que 8 deputados, do PSD, recebiam 62000 euros, mensais, a trabalhar para as 4 empresas de saúde privada, conhecidas por cobrarem 70 euros por um comprimido de Paracetamol genérico, que ficava por 0,19 euros).

    ResponderEliminar
  2. É a mesma razão as esmolas que alguns dão para a Igreja.

    ResponderEliminar
  3. Não sou muito dado às cenas da igreja...

    ResponderEliminar