Os portugueses adoram impostos. Nomeadamente os que são pagos pelos outros, porque daqueles que lhes compete pagar tentam fugir o mais que podem. E, quanto a esta última parte, fazem muito bem. Mas, reitero, não havia necessidade de terem uma especial fixação pelos impostos que, acham eles, não se lhes aplicam.
Vem isto a propósito do tão reclamado imposto sobre os lucros excessivos. Ou o grande capital, como gosta de dizer um pequeno partido. O Costa, antes pouco favorável a estas medidas, resolveu finalmente fazer a vontade aos que exigem – e são muitos – esta nova tributação. Indo, até, ainda mais longe ao alargar o campo de aplicação ao comércio. Por mim, como já escrevi noutra ocasião, nem me parece mal de todo. Só discordo por causa daquela parte em que vou ser eu a pagar. É que, como é óbvio, lá vão os merceeiros e os gajos que vendem hortaliça no mercado reflectir também esse custo nos preços. Ah, espera, isso só se aplica às grandes superfícies. O gajo que aumenta vinte cinco por cento as alfaces de uma semana para a outra pode continuar a especular à vontade que não paga mais imposto por causa desse lucro inesperado. Nem por outra coisa, que impostos não é cena que lhes assista.
quinta-feira, 27 de outubro de 2022
E os lucros excessivos das alfaces?!
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Nunca esquecer que a última palavra de Os Lusíadas é inveja.
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Ou fazendo que, mais que a de Medusa,
A vista vossa tema o monte Atlante,
Ou rompendo nos campos de Ampelusa
Os muros de Marrocos e Trudante,
A minha já estimada e leda Musa
Fico que em todo o mundo de vós cante,
De sorte que Alexandro em vós se veja,
Sem à dita de Aquiles ter enveja.
»»»
Os merceeiro trabalham a sério para o seu pão.
ResponderEliminarHá políticos-merceeiros que só riem para o trabalho sério.
A inveja é tramada...mas nós somos um povo de invejosos!
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