segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Agricultura da crise

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Feijão verde e abóboras. São, por assim dizer, os restos da época de Verão da agricultura da crise. Desta vez com algumas atribulações. Nomeadamente visitas inoportunas dos amigos do alheio, sequência prolongada de dias com calor extremo e ausência de cuidados por períodos demasiado longos terão ditado uma produção abaixo do esperado quando comparado com o ano anterior. Excepção feita às abóboras. Não foram semeadas – as sementes foram incluídas no estrume produzido no compostor doméstico cá de casa – mas, talvez por isso, o resultado foi o melhor de sempre. Resistiram a tudo e, agora que foi necessário arrancar as plantas, ainda havia toda esta quantidade.


Não sei se ainda existem as famosas “hortas urbanas” tão em moda nos anos da troika. Uma necessidade a que os portugueses, coitadinhos, se tiveram de dedicar nos anos de governação de Passos Coelho. Aquele malvado cujo único propósito era levar as pessoas à miséria. Provavelmente agora, que graças ao Costa somos todos ricos outra vez, ninguém precisará dessas coisas. Ou, se calhar, nem haverá tempo para agriculturas. A julgar pelas imagens das festas e romarias a crise não anda por estas bandas, o dinheiro abunda nos bolsos do pagode e a inflação, quando chega a hora de festejar, não é coisa que incomode. Ou, então, é a consequência da mudança dos tempos e das vontades. Antes dava-se terra para cultivar bens comestiveis, agora dão-se “apoios sociais”. Opções.

8 comentários:

  1. Abrençoada natureza e que bela colheita. Não posso comer feijão verde mas admiro a tua bela dose.
    As três do lado direito pensei que ricas melancias, mas são abóboras mesmo? Se são nunca tinha visto.
    Quanto aos amigos do alheio deixa pra lá ou investiga:) se necessita mesmo. Era o que eu faria.
    Beijos e um bom dia extensíveis aos teus e sobretudo à tua mulher pela obra

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  2. Mas com tudo isto, cada um de nós vai necessitar de fazer uma hortinha e cultivar os seus produtos.
    Porque os subsídios não duram sempre!

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  3. Por acaso não me lembro de se dar terra para cultivar. Lembro-me bem é de aparecerem pessoas a pedir comida e estadia a troco de empregarem a sua força a cavar e lembro-me de pessoas que cultivavam em terreno alheio (cedido gratuitamente) para cultivo de subsistência.
    E independemente dos governos que já passaram pelo país, lembro-me paulatinamente se deixar de cultivar e criar galinhas, ora porque eram os pesticidas, ora porque paisagem destoava ao lado dos jardins, ora porque saltavam penas e cheirava mal no quintal do vizinho.
    E depois nasceu uma geração modernaça (alguns costuma fazer passeio pedestres comigo) que quando passam ao pé de uma casa de campo que tem animais domésticos, acha muito giro, exceto, quando tem que se limpar o esterco das casotas.

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  4. Anónimo5:20 p.m.

    Apenas uma (significativa) curiosidade: o feijão verde está a vender-se a 19 euros/quilo.
    Está tudo doido, é?
    Cumprimentos, caro KK.

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  5. São abóboras que ainda não estão maduras, mas houve necessidade de mesmo assim as colher. Na foto, lá atrás e do lado direito está uma melancia. Foi a única e não atingiu dimensões que mereçam relevo. Nem dimensão nem o resto...

    Cumprimentos

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  6. E seria uma boa maneira de ocupar o tempo!

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  7. Nos anos da troika não havia Câmara Municipal ou Junta de Freguesia que não promovesse as "hortas comunitárias" onde quem queria tinha um espaço para cultivar o que lhe apetecesse. Hoje é mais festas...

    O pessoal de hoje pensa que os ovos, a carne, o leite e demais alimentos nascem nas prateleiras do supermercado!

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  8. 19 euros o quilo?!!!! Não sabia. No Mercado de sábado cá da terra estava pelos seis euros. O que, convenhamos, mesmo assim é carissimo. Se calhar esse vendedores também deviam ser taxados pelos lucros excessivos.

    Cumprimentos

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