sexta-feira, 27 de maio de 2022

Oportunistas de serviço

Parece que temos uma estranha necessidade de imitar tudo o que os espanhóis fazem. Especialmente as parvoíces. Agora deu-lhes, lá no parlamento, para com o sentido de oportunismo que lhes é característico, propor a semana de quatro dias e a licença menstrual. Nem vou estar para aqui a dissertar acerca das inegáveis vantagens da primeira proposta e da possível bondade da segunda. Isso fica para os especialistas nestas especialidades que, em breve, se pronunciarão sobre a temática. Mas, conhecendo relativamente bem o funcionamento da administração pública, não sei se os portugueses, mesmo aqueles que aplaudem estas medidas, estarão a ver bem o esforço fiscal que vão ter de fazer. É que, assim de repente, já estou a imaginar a quantidade de gente que vai ser necessário contratar para compensar os – pelo menos – sete dias por mês que as funcionárias públicas vão deixar de trabalhar. E nem vale a pena pensar que a medida apenas se aplicará a algumas. Todas irão ter dores horríveis. Será como a “gravidez de risco”. Hoje, no sector público, raramente existe uma grávida que não seja de risco e, por conta disso, esteja larguíssimos meses sem bulir.


Podem, reitero, ser duas medidas simpáticas, justas e cheias de boas intenções. O pior é o resto. Por mim, se tivesse uma empresa, sei o que faria. Os empresários, acredito, também.

4 comentários:

  1. Anónimo1:55 p.m.

    Duas medidas, propostas por enquanto, com benefícios diferentes. A primeira é aceitável, dependendo da conjuntura económico financeira do país. A segunda, absolutamente disparatada. É como diz, caro KK, a partir do momento em que a coisa entre em vigor em formato lei, os vendedores de paracetamol e congéneres não vão ter mãos a medir.
    Permita-me discordar de um pormenor: serão as mulheres TODAS e não apenas as funcionárias públicas. Sim que as leis, como o sol quando nasce, é para todas.
    Cumprimentos, bom fim de semana.

    ResponderEliminar
  2. No privado não acredito que seja o mesmo regabofe. A lei, existir, constituirá uma oportunidade para as mulheres com mais de cinquenta anos que hoje têm dificuldade em arranjar emprego.

    Cumprimentos

    ResponderEliminar
  3. Como sou velho, lembro que já nos anos de 1960 havia um papelinho do tamanho A5 que as funcionárias públicas preenchiam e entregavam antes "daquele" dia à sua Chefe. Chamavam-lhe "o artigo 4" e dispensava a mulher de ir trabalhar "naquele" dia.
    Nada de novo debaixo do Sol.

    ResponderEliminar
  4. O problema é o oportunismo. Todas se iriam aproveitar, como agora aproveitam cada hora que podem "benesse" que podem sacar.

    ResponderEliminar