Diz que em vinte e três por cento dos municípios – setenta, mais coisa menos coisa - há mais reformados do que trabalhadores. Nada que constitua novidade ou motivo de preocupação seja para quem fôr. De resto a “espuma dos dias” depressa se encarregou de levar este tema para longe da agenda politico-mediatica.
Nisto não há inocentes. A culpa do despovoamento, envelhecimento e desertificação do interior é de todos. Dos políticos que desprezam tudo o que não dá votos, dos autarcas absolutamente alucinados e, em não menor grau, de todos os portugueses. Sim, todos. Porque preferimos o cão a ter filhos e optamos por votar em gente maluca que nos promete um emprego na Câmara. Entre outras parvoíces, claro está.
Pior ainda é o que esta análise não revela. Para além dos aposentados, quantos mais vivem do rendimento mínimo, do desemprego ou de outro apoio social do Estado? E, dos restantes, quantos trabalham para as respectivas autarquias? O cenário, convenhamos, é aterrador. Nestas condições não é possível produzir riqueza, atrair investimento ou promover a fixação de novos residentes. E o que muitos, mesmo entre aqueles que por aqui vivem, ainda não perceberam é que já ultrapassámos o ponto de não retorno.
Pena é que a preocupação que tudo isto causa à generalidade dos portugueses esteja ao nível daquele “é chato” do outro badameco...
Estimado KK,
ResponderEliminarEstou sobrevivendo (76 anos) nessa mesma tristeza.
E ter a noção que estas gentes só andam bem quando bem tratadas como alimárias.
Há mais de uma geração que se esfalfam a preparar o caminho para outra política de força.
Mais valera o PCP em 74-75. Já se tinha acabado a cégada.