quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Muda-se mais depressa uma embaixada do que um instituto

Não consigo descortinar motivos para a ênfase com que hoje as televisões noticiaram aquela cena da mudança das instalações da embaixada americana em Israel para a cidade de Jerusalém. Nem, ainda menos, o fervor com que o assunto tem vindo a ser discutido por cá. Nas redes sociais, nomeadamente. E – mas isso já nem estranho – com a maioria dos comentadores a tomarem as dores dos palestinianos e da mourama em geral. Como se nós, portugueses, tivéssemos alguma coisa a ver com isso ou partilhássemos com os árabes algo de relevante. Eles têm outros valores culturais, religiosos e políticos que nada, mas rigorosamente nada, têm a ver com os nossos. Em qualquer desses aspectos os israelitas estão muito mais, mas mesmo muito mais, perto de nós e do nosso modelo de sociedade. Mas, reitero, não me surpreende esta nossa posição. Somos assim. Por norma medimos o nosso sucesso pelo infortúnio do vizinho. O gajo que, mesmo sendo como nós, gostamos sempre de ver lixado por outro filho da puta qualquer. A quem, só por isso, admiramos.


Diz que houve por aí uma conversa - uma trapalhada, como se dizia noutros tempos - acerca da mudança da sede de um instituto público. Também de uma cidade para outra. Cá, em Portugal. Coisa pouco importante, pelos vistos. 

6 comentários:

  1. alvaro silva10:30 a.m.

    Já D. Filipe I rei de Portugal e de Espanha (como Filipe II) e que por cá viveu uns anos e foi dos melhores reis que alguma vez tivemos, ao contrário do que a "legenda negra" propala. Escrevia este rei a sua filha, Isabel Clara, que o substituía na corte madrilena nos actos de governação:
    " Não percebo este povo que se preocupa mais com as misérias alheias, do que com as venturas próprias."
    Melhor e mais certo não pode haver, 350 anos depois o conceito assenta-nos muito bem.

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  2. pitosga8:21 p.m.

    Na minha NET-cusquice, descobri declarações do (então) senador Obama (bin Laden?) na campanha para ir para a casa branca. O YouTube é giro!
    Afirma (vi e ouvi) que a capital de Israel só pode ser Jerusalém.

    Abraço

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  3. pitosga8:27 p.m.

    Mudar, de uma vila para outra, um trem de cozinha — com o combóio de tachos agarrados — está acima das nossas humanas possibilidades.
    Criar uma companhia de tachos, já é como a do 'cesteiro que faz um cesto'...

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  4. Aqueles que garantiam que não nos sabíamos governar nem deixávamos que nos governassem lá tinham as suas razões...

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  5. E se o capital está onde o querem pôr, por que raio não pode acontecer o mesmo com a capital?! Inbestigue-se!

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  6. Se em Lisboa a habitação está pela hora da morte então mudem tudo para o interior. Cá o que não falta são casas...vazias!

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