Sou do tempo em que a tropa constituía uma obrigação a cumprir por todos os homens física e mentalmente capazes. Uma discriminação inqualificável, diga-se, capaz de violar uma porrada de preceitos constitucionais. Coisa que, à época, não incomodava ninguém. A começar pelas mulheres ficarem excluidas do cumprimento deste dever e a acabar na maneira como as comissões de recrutamento escolhiam - ou deixavam de fora, no caso – os mancebos que iriam jurar defender a pátria.
Mas isso agora não interessa nada. Essa obrigatoriedade acabou e espero que nunca mais volte. Foi das piores experiências da minha vida. Pouco, ou nada, lá aprendi. Mas hoje, ao passar por este bar, lembrei-me desse tempo. Insistiam os instrutores – três ou quatro perfeitos burgessos – que apanhei na recruta, que todos nós, os “maçaricos”, éramos camaradas uns dos outros. Ou outra coisa qualquer, vá. Tudo menos “colegas”. Isso, garantiam, eram as putas. Não sei, nem quero saber, se aquelas bestas – a quem aproveito para desejar saúde de morto – têm ou não razão. Nem, no que respeita a este antro, me vou certificar da veracidade da afirmação. Mas, convenhamos, neste caso o nome escolhido é sugestivo…
Como soía dizer-se 'quem não tinha jeito para nada' ia para a tropa. Daí as anedotas que nasciam no exército de cá. Só com a guerra do ultramar é que uns espertos perceberam — por serem espertos — que aquilo era um bom futuro, um bom tacho.
ResponderEliminarTenho uma boa recordação: aprendi e vi o que era solidariedade. Nós, "os mancebos" éramos uns pelos outros, dadas as cavaladas a que nos sujeitavam.
Por mim só tive prejuízo com a tropa. Perdi dezasseis meses de ordenado.
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