Ainda me lembro como se tivesse sido ontem – ou, vá, anteontem – quando um grupo de pseudo-intelectuais bem pensantes, chefiados por uma senhora anafada de farfalhuda bigodaça, conseguiu parar a construção da barragem de Foz Côa. As gravuras não sabiam nadar, alegavam. Isso enquanto garantiam que aquilo, em lugar de uma imensa reserva de água, dava era um parque rupestre muito jeitoso. Coisa para trazer ao lugarejo um desenvolvimento inusitado. Desconheço se, estes anos todos e muitos milhões de euros depois, o profético vaticínio se concretizou. Desconfio que não. Mas isso, admito, até pode ser o meu cepticismo, em relação a tudo o que envolve gente da cultura a dissertar acerca de politicas e opções que se desejam sérias e racionais, a falar mais alto.
Diz que uma daquelas gravuras foi vandalizada um dia destes. Um acto condenável, sem dúvida. Alguém, ao lado daqueles riscos, desenhou uma bicicleta na rocha. Mas, como tudo na vida, há que olhar para o lado positivo da acção da besta com queda para a arte rupestre dos tempos modernos. Vejamos aquilo como um investimento de onde os vindouros irão tirar o mesmo proveito que nós tiramos agora dos riscos feitos pelos nossos antepassados. Talvez daqui por dez mil anos, um bando de idiotas, liderado por alguma senhora anafada de farfalhuda bigodaça, venha para a rua berrar que a gravura não sabe pedalar.
Isso não passa de "evolução de arte" através dos séculos. no caso vertente faz-se vincar no xisto o séc XIX, falta gravar um carro e um avião para demarcar o séc XX e ainda não consigo sugerir nada para o séc. XXI. talvez um político a puxar um arado e a abrir leivas nas terras ásperas das margens do Coa, é muito biológico energético e o exercício faz bem (dizem eles) á saúde. Haja voluntários para gravar calhaus, que para os polir não falta gente!
ResponderEliminarE a bike até estava muito bem desenhada ao contrário dos outros riscos...
ResponderEliminarConcordo totalmente contigo e olha que a bike estava muito bem desenhada. Sorte de quem defende os rabiscos de não levarem com os rabiscos que proliferam por todo o lado e feitos pela calada da noite para desespero de muita gente. A semana passada até o monitor do multibanco foi grafitado.
ResponderEliminarUm abraço e bom domingo
Diz que essa coisa dos grafites também é arte...
ResponderEliminarQuanto às gravuras...por acaso até gosto mais da bicicleta dos outros riscos.
Bom domingo!
Pois as gravuras que detesto são os "mirós" seculares:))))
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