Há duas coisas – haverá mais, mas fiquemos pelas boas - que deixam qualquer autarca prestes a afogar-se na própria baba. Fundos comunitários e investidores dispostos a investir nos seus Concelhos. Dos primeiros já muito rezou a história. Nomeadamente para nos endividar. Quanto aos segundos é uma pena as “estórias” não serem mais conhecidas. Há de tudo. Deliciosas, a maioria. Como, por exemplo, a daquele príncipe da Transilvânia que estaria disposto a investir em fábricas de aviões e que levou à certa meia-dúzia de Presidentes de Câmara.
Percebo o voluntarismo dessa malta. Os eleitores gostam de ver obra. Mas, uma vez por outra, convinha ter juízo. Aceitar, por exemplo, a instalação de um centro internacional de realojamento de animais que, logo à partida, servirá para acolher seis centenas e meia de galgos vindos directamente de Macau, não me parece a mais feliz das ideias. Verdade que essa bicheza corre como o caraças mas, digo eu, podiam ficar lá pela zona. Na China, por exemplo. É que só para os trazer para o Alentejo deve ser preciso um grande monte de massa.
É por estas e por outras que ainda não perdi a esperança de, mais cedo do que tarde, ver surgir num qualquer Município alguém a propor-se construir um centro de acolhimento a visitantes de outros planetas. Ou, até, um pavilhão de negócios intergalácticos. Isso é que era uma ideia do outro mundo.
Caro Kruzes:
ResponderEliminarClaro que ainda não vi essa dos marcianos. Mas vi outra e todos a podemos ver: - Uma marina para barcos de recreio e iates oceânicos, a 15 quilómetros do mar e num rio completamente assoreado e que só permite acesso a barcos de fundo chato e só com a maré a encher. Foram gastos meio milhão de contos (valores de 1980) e a coisa construiu-se. Só não se inaugurou pois não conseguiram que nenhum veleiro de 40 pés ou menos lá chegasse, nem a reboque de qualquer jangada. Ainda se alvitrou carregar os ditos veleiros no comboio, mas era preciso tira-lhes os mastros, o que saía caro, pois tinham que passar uma ponte (em Caminha) e dois tuneis ferroviários (Seixas e Gondarém) e a coisa não pegou, nem se cortaram fitas nem houve discursos de governantes e autarcas. A marina virou praia fluvial e parque de estacionamento, para dois bares de praia e para os amantes da pesca á cana. tornou-se um local previligiado para o "chuto" e para transações comerciais de "pó", de "erva" e de "cavalo", dada a proximidade da ponte fronteiriça e ser um local recatado para consumo e tráfico. Foi. É. A "marina de vila Nova de Cerveira"! Um lugar aprazível como tantos outros da margem do rio Minho, mas que saiu a peso de Ouro, dos bolsos dos contribuintes. Nesta não houve dinheiros da CEE, pois ainda não pertencíamos a essa confraria.
São esses "investimentos" que nos colocaram nesta situação. Mesmo os outros, aqueles que consideramos bons, têm custos que raramente se estimaram quando da sua construção e que se vão prolongar durante toda a vida útil do bem. Um centro cultural, por exemplo?! Quanto custa um brinquedo desses por ano?! Uma barbaridade, para que conste.
ResponderEliminarConcordo contigo e os famosos estádios de futebol que foram feitos e que alguns estão em total abandono? 20 anitos a pagar...e já se terão passado? Obras em que ganham uns em detrimento de nós que pagamos tudo.
ResponderEliminarBeijocas e um bom domingo
20 anos?! Então e o resto? Aquilo só pelo facto de estar ali custa os olhos da cara.
ResponderEliminarBoa semana!