Não vou dizer, como o outro parvo, que vem aí o diabo. Não será o caso. Pelo menos para já. Mas que se entreabriu a porta do inferno, disso, não tenho dúvidas. Ou, reformulando a ideia, estamos a entregar a chave do palheiro ao pirómano. Isto porque todos nos recordamos – pelo menos os que têm memória para além daquilo que lhes dá jeito lembrar – do que era a situação financeira da generalidade dos municípios portugueses antes da intervenção da troika. Pois bem, o orçamento do próximo ano manda às urtigas praticamente tudo o que era medida impeditiva do endividamento das autarquias. Daí que não seja difícil adivinhar o que vai acontecer. Vai voltar, a pretexto do aproveitamento dos fundos comunitários, a maluqueira das obras. Principalmente daquelas inúteis e que se traduzem em custos futuros. Ou, removidos os últimos entraves, voltaremos a assistir à contratação de uma chusma de amiguinhos. Daqueles que seguraram o pau nas últimas eleições, vão segurar nas próximas ou apenas porque sim e dá votos. E não, não é pessimismo, catastrofismo ou má-língua. São é muitos anos a virar frangos...
Do que não há dúvida é que este OE reflecte uma melhoria, ainda que ligeira, da carga fiscal directa. Exactamente ao contrário do que a direita vai dizendo.
ResponderEliminarAté me dói ver Coelho a censurar medidas que ele próprio quis implementar/implementou durante o seu reinado, felizmente curto mas demasiado comprido para as classes mais baixas.
Bom fim de semana, KK.
A coerência dos portugueses, politicos ou não, deixa muito a desejar. A direita privilegia os impostos sobre o consumo em detrimento dos impostos sobre os rendimentos e o que faz quando chega ao governo? Aumenta como nunca os impostos. Todos. Directos e indirectos. Mesmo estando o país na bancarrota, para onde foi conduzido pelo PS, não deixa de ser espantoso.
ResponderEliminarDepois vem a coligação de esquerda. Esquerda que sempre defendeu os impostos sobre os rendimentos em detestou os impostos indirectos. È aquela velha máxima comuna de cada um contribui como pode e é dado o que precisa. Mas, no poder, faz exactamente o contrário!!! Coerente, sem dúvida.
Por mim não me incomodam os impostos indirectos. Sempre - basta ver o que aqui escrevo há dez anos - os defendi. Dependem da minha vontade pagá-los ou não. Mas, se houvesse um bocadinho de bom senso em quem nos governa, deviam servir para baixar o IRS e nunca para aumentar despesa.
Há pequenas melhorias, mas ouvir PPC, Maria Luis Albuquerque e Cristas é caso para perguntar o que deixaram por resolver?
ResponderEliminarDe uma coisa eu tenho a certeza: todos são farinha do mesmo saco, dizem uma coisa e fazem outra e nenhum partido até hoje fez o real corte das gorduras do Estado. Deixo apenas duas ou três coisas que podiam ter sido feitas:
- reduzir para metade o número de deputados
- todos terem, melhor usarem o seu carro, sem direito a apoios como gasolina, telemóvel, água, luz e gás...viveriam apenas com o seu ordenado como deputado
- o IMI ser imposto às igrejas e afins
- Acabar de vez com os apoios às Fundações. Se foram criadas, quem as fez que suporte e lute para rentabilizar
Havia ou não dinheiro para muita coisa?
No dia em que um governo tomar estas medidas com coragem com certeza que perderá votos dos tubarões...certo?
Beijos e um bom domingo
O problema é sempre o mesmo. Não há dinheiro. E o que referes, para além do valor moral, representaria quanto? 100, 200 milhões?! Só a baixa do IVA da restauração são 400 milhões em seis meses...
ResponderEliminarPouco me importa o que diz o Passos Coelho ou a Maria Luís. Penso pela minha cabeça e apoio quando acho bem ou digo mal quando discordo.
As melhorias são apenas para uma franja de população que renderá votos à geringonça. De resto piora e muito. O caso que abordo no post é sintomático. A nivel de endividamento autarquico vamos voltar ao mesmo. E, já agora, era só a fornecedores de 12 mil milhões em 2011. Coisa pouca. Portanto, como somos espertos e os outros é que eram parvos, vamos repetir. Parece-me inteligente...
Bom domingo!