Fiquei por estes dias a saber – a propósito disto do burkini – que as avozinhas de muita gente também iam à praia naquele preparo. Completamente vestidas e com um lenço na cabeça. Quase todas de preto, garantem. Sem que ninguém ousasse incomodá-las por causa da fatiota. E desenganem-se os que pensam – tal como eu pensei – que quem assim escreve tem mais de cinquenta anos e se está a referir a velhinhas que já entregaram a alminha ao criador. Nada disso. São jovens – de idade, de resto não sei – os que afiançam ser esta a realidade dos areais portugueses trinta anos mais atrás. Aí por volta de mil novecentos e oitenta e seis, para nos situarmos melhor. Há, até, quem queira que nós acreditemos que a sua avó, hoje com sessenta e oito anos, dos quais quase quarenta vividos em Paris, é exactamente assim que, por estes dias, se banha nas águas mediterrânicas do sul de França. Pois. Deve ser, deve.
Desconheço o que andam a fumar. Ou a beber. Mas, decerto, tem pouco tabaco ou está estragado. Há trinta anos – ou mesmo mais – não havia banhistas assim vestidas, contudo, com as mentalidades que por aí existem, daqui por mais trinta não haverá ninguém em bikini. Mas é bem feito, que é para não serem parvos. E, principalmente, parvas.
Caro Kruzes,.
ResponderEliminarHá 30 anos que eu saiba nunca vi tal espectáculo. Mas há cinquenta e tais lembro-me de ver uma coisa parecida, mas sempre de cabeça destapada. estou-me a referir á praia de Vila Praia de Âncora, ao banho das "castrejas" ( Habitantes de Castro Laboreiro, que vinham a banhos de mar, pois era bom para as doenças do peito e para regular a menstruação, entre outras virtudes) . Então estas senhoras juntavam-se á volta dum penedo na praia que ainda é hoje conhecido pela "lapa das castrejas", eram todas familiares ou vizinhas, vestidas com amplas camisas de linho até ao meio da perna. Bem cedo entre as 8 e as 9 da manhã as donas e meninas iam a banhos no meio de muitos gritinhos e alvoroço, após os 15 minutos de prescrição médica, retiravam para a lapa a secar. Era a altura dos marmanjos daquele tempo (já todos avós) irem apreciar o santo sacrifício da "saída das ninfas do mar revolto", tão decantadas pelo nosso vate Camões . A camisa do banho ao molhar-se colava ao corpo, como não usavam "fio dental", podia-se vislumbrar por fugazes instantes o corpo, a forma e outros atributos das ditas. Tal como nas aparições a coisa rápidamente se desvanecia debaixo de xailes e toalhas. Então seguia-se o ritual do almoço (hoje chamam-lhe pequeno ) pois o banho era dado em rigoroso jejum, tal qual como o sacramento da comunhão; saiam as "termos" com cevada ou café com leite, mais a "pada" com manteiga ou marmelada e pouco tempo depois recolhiam a penates, então sim de lenço na cabeça e xaile pelos ombros, não fossem apanhar um "resfriado" que lhes propiciasse uma temível tuberculose ou que lhe parasse as "regras do mês"com as nefastas e temidas consequências de poderam ganhar uma "má fama". Por isso eram sempre vigiadas por bigodudas e pentelhudas donas de respeito e bons costumes mais que comprovados. De notar que nestas "banhistas" o elemento masculino pura e simplesmente não entrava nem tão pouco era visível, só meninos. Tem fácil explicação pois estavam todos emigrados (Lisboa, Estados Unidos e França) e como tinham capacidade económica mandavam os familiares a "banhos" , sempre a conselho médico e pelas razões acima apontadas. Não apanhavam sol pois estimavam muito a pele alva e branca. Bons tempos que nunca mais voltam. Mas que deixam boas lembranças. Pode ser que os "burquinis" façam acender a imaginação.
Confirmo o Anónimo supra.
ResponderEliminarSei que, ainda aí há uns 12 anos, eu via em Altura (Castro Marim) mulheres e homens das serranias — montanhêros como lhes chamavam os da orla, os piscitos — vestidos mas descalços entrar na beira-mar. Eles com as calças arregaçadas e elas com as saias presas, com guita, pelos joelhos. Só se molhavam até aos joelhos. Eles quase sempre de chapéu e elas de lenço. Traziam farnel pois era um fim de manhã na praia.
Desde há uns 50 anos que vi, pelo Algarve fora, estes grupos que vinham, ao Domingo, das serranias até à praia. Então de burrico e de carroça.
Recordando meu Pai que me deu as viagens na minha terra, na infância e na adolescência, vi por todo o litoral do País estas peregrinações ao mar.
Cumprimenta
Acho tudo isto uma estupidez total.
ResponderEliminarQual a identidade de qualquer ser humano? O ROSTO e aí sou totalmente contra que se anda com a cara toda tapada só com o rasgo nos olhos. Agora usarem biquini, triquini(óculos, chinelos e chapéu), sem qualquer roupa ou com roupa e ou burkina, em nada me incomoda. Acho que estamos a voltar à idade média...onde tudo era avaliado pela apresentação...caramba e se a praia é de todos, todos têm direito de ir a banhos da forma que entender.
Mete-me mais medo e nojo são velhos e velhas sebosas a babarem-se por verem "beldades".
Mais, digo-te que levei imensas vezes à praia uma grande amiga minha. Tinha um cancro e não podia apanhar sol. Tomava banho de calças justas, blusa e um lenço na cabeça sem qualquer cabelo...e nunca ligou aos olhares aos burburinhos baixinhos e sei que meu amigo...as aparências aparudem e fico-me por aqui!
Estamos a regredir em termos civilizacionais e este é apenas mais um sinal. Mais ano menos ano isto vai ser obrigatório. Lá se vai a industria dos bronzeadores...
ResponderEliminarSão recreações históricas que acontecem anualmente um pouco por todo o lado.
ResponderEliminarO que está em causa, mais do que outra coisa, é uma mensagem politica. Quanto a isso da liberdade e de cada um vestir o que quer não sei se será bem assim...se eu vestir uma camisola com a cara do Hitler ou com uma suástica e andar a passear com ela pelas ruas de alguns países europeus sou capaz de ter chatices...E no entanto é só uma peça de roupa!
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