Um estudo qualquer concluiu que os funcionários das autarquias gozam mais dias de férias do que aqueles que a lei determina. Um escândalo, portanto. O estudo, presumo, terá sido aturado. Como convém a todos os estudos. Pena é ter de aturar as conclusões. Parvas, diga-se. É que o estudioso – e se calhar até lhe pagaram para estudar o assunto – resolveu incluir, entre os dias que os funcionários autárquicos gozam em número superior ao legal, a véspera de Natal e a terça-feira de carnaval. Dias que, como se sabe, mais ninguém goza em Portugal. Nem são tolerância de ponto, nem nada.
Temos a tendência de fazer comparações. Tudo serve para comparar. Fazê-lo entre ordenados, regalias diversas e quantidade ou qualidade de trabalho na função pública e privado é quase tão velho como o mundo. A mim é coisa que me desagrada profundamente. Por norma mando quem as faz para uns quantos sítios cabeludos que me ocorram na ocasião. E faço-o desde que, já lá vão quase trinta e seis anos e era eu um jovem “administrativo” que ganhava dez contos por mês, um “camarada” me apontava a condição de burguês. Enquanto, garantia, um outro jovem servente de pedreiro, que por acaso levava vinte contos livres de impostos para casa todos os meses, não passava de um pobre proletário. Mandei-o, então, ir ter com a camarada meretriz que o pariu. Não deve ter ido. Ou, se foi, não interrompeu nada. Pelo menos a julgar pelos estudiosos que por aí andam a publicar baboseiras.
A rivalidade entre a função pública e o privado sempre existiu. Mas de uma coisa eu tenho a certeza: é muito mais fácil descartar um trabalhador do privado do que um funcionário público. Em termos de ordenado já não sei porque me deixei de preocupar com isso, mas que os fp têm e gozam mais feriados lá isso gozam, o que para mim são férias.
ResponderEliminarHoje as regras laborais e os ordenados mudaram tanto que já não sei nada, sei apenas que há um enorme desemprego, precariedade e...e...fome!
Um abraço
Trabalho na função publica há quase trinta e seis anos...também por isso gosto de pensar que sei o que digo quando falo destes assuntos!
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