Assisti um dia destes a um
interessante documentário no canal televisivo National Geographic acerca de um
grupo de turistas feito refém pela FARC. Um grupo terrorista, narcotraficante e
alegadamente comunista, que desenvolve as suas actividades na selva colombiana.
O sequestro que motivou a reportagem terá ocorrido por volta de 2003 e entre os
sequestrados encontrava-se uma cidadã alemã. Na sequência das negociações para
a sua libertação a embaixada germânica alugou um helicóptero que se deslocou à
selva para resgatar a senhora e transportá-la de volta à civilização. A
história não acabou sem uma surpresa para a resgatada. É que no regresso a casa
a senhora tinha à espera a factura da operação de salvamento. Por a coisa
envolver custos avultados – treze mil euros, ao que foi relatado – o governo
acedeu a que a sua cidadã pagasse a divida em prestações suaves. Que, diz,
ainda estaria a pagar à data em que a reportagem foi feita.
Este episódio recordou-me
um outro – um bocado mais trágico, é verdade – que envolveu seis cidadãos
portugueses que se deslocaram em visita turística ao Brasil e que por lá foram
mortos pelo compincha que os tinha convidado. Vá lá saber-se porquê o governo português
da época, chefiado por António Guterres, resolveu pagar a trasladação dos
corpos para Portugal. Recorde-se que os mortos eram empresários da construção
civil, que na altura vivia um período áureo, e que se tinham deslocado em
viagem particular.
A Alemanha é um país rico
e desenvolvido. Portugal nem por isso. A diferença entre ambos talvez comece
logo pela maneira como é gerido o dinheiro dos contribuintes. Lá usa-se rigor.
Por cá o desprendimento, relativamente a essas minudências, foi – e continua a
ser - regra geral. É bom que se pense nisso antes de chamar nomes à Merkel.

