Tenho o maior respeito pelos reformados. Até porque,
se outro motivo não houvesse, um dia destes – espero - serei um deles. Isso não
me impede de ficar com os nervos à flor da pele e com vontade de chamar nomes
feios, até esgotar o repertório, quando ouço a generalidade dos opinadores
defenderem as pensões de reforma como intocáveis perante os cortes de
rendimento a que a generalidade dos portugueses têm vindo a ser alvo.
Naturalmente que pensões miseráveis, a maioria abaixo
do salário mínimo, devem ser protegidas. Era mesmo o que mais faltava que assim
não fosse. Agora tratar todas os pensionistas por igual, excluindo-os aos
sacrifícios que nos estão a ser impostos tal como defendeu, entre outros,
Manuela Ferreira Leite, é uma aberração tão grande como cortar aos que recebem
menos. É, pelo menos para mim, difícil de entender que quem ganha mil e cem
euros seja espoliado de 14% do vencimento e se defenda que quem tem uma reforma
de dois, três ou cinco mil euros deve continuar igual passando incólume por
esta crise.
Talvez, digo eu assim de repente, estejamos antes
perante uma reacção corporativa e de defensa de interesses pessoais. Se
analisarmos com atenção os diversos painéis de comentadores que enxameiam as
televisões, encontraremos com facilidade uma legião de ex-políticos que auferem
chorudas pensões do Estado. Uma espécie de prémio por terem contribuído para
arruinar o país. Não me surpreende, portanto, que falem assim. Escusam é,
apesar de já não estarem no activo, de continuar a querer fazer de nós parvos.
