Aconselho vivamente que
quem pretenda estacionar nesta rua de Vila Viçosa o faça sensivelmente a meio
da via e nunca junto ao passeio. Mesmo que aí exista lugar para encostar o
carro. Se, por acaso ou parvoíce, deixar o automóvel devidamente estacionado o
mais provável será não o conseguir tirar de lá enquanto a besta que parou ao
lado não emborcar uma cervejola, puser a conversa em dia ou fizer outra
qualquer coisa não menos importante que as duas anteriores.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
terça-feira, 12 de junho de 2012
Taxas, taxas e mais taxas!
Vamos, dentro de pouco
tempo, pagar novas taxas e sofrer aumentos significativos das existentes. Garantidas
estão já as taxas municipais. Pelo menos para quem elegeu autarcas gastadores. O
que, diga-se, me parece uma medida acertadíssima. Sim, porque convenhamos, é justo
que quem beneficiou do desenvolvimento proporcionado pelos milhões em divida
contribua agora para o seu pagamento. Uma coisa assim a modos que o utilizador
pagador mas a posteriori.
Especula-se também quanto
à possibilidade de virmos a pagar, na factura do serviço de televisão, uma taxa
destinada a financiar o cinema português. Aqui o caso afigura-se-me
ligeiramente pior. É que, não sei porquê, fico com a sensação de estar a
contribuir, à força, para uma actividade privada que devia subsistir por si
própria graças à venda – a mim, por exemplo – dos produtos por ela produzidos e
que eu estivesse na disposição de comprar. Não sei onde fui desencantar esta
ideia mas, a ser assim, fico a pensar que a receita cobrada mais não servirá do
que para sustentar umas quantas pessoas que não sabem ou não querem fazer
produtos com a qualidade suficiente para colocar no mercado.
O pior é que isto é capaz
de não ficar por aqui. Se financiamos quem anda a fazer fitas provavelmente
também iremos financiar os que fazem cenas. A malta do teatro, se a do cinema
conseguiu arranjar quem os continue a sustentar, também há-de querer que se
arranje uma taxazinha qualquer para eles. E a das cantorias…e do bailado…e da
opera…
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Cortes a sério
As fotos não documentam
as consequências de um furacão, tornado ou qualquer outro fenómeno meteorológico
que se tenha abatido sobre estas árvores. É apenas o resultado dos estragos
causados – por mim e pela minha Maria – após decidirmos que já era tempo de
limpar as quatro velhas e enormes oliveiras lá da propriedade. Hesito quanto à
possibilidade de um dia voltarem a dar azeitonas, mas de uma coisa tenho a
certeza: Tão cedo não voltam a fazer sombra. Foi portanto uma grande poda. Ou
melhor, quatro! E todas de seguida.
domingo, 10 de junho de 2012
Rio de indignações
Como era de prever, as
palavras de Rui Rio, sugerindo que nos Municípios endividados não se
realizassem eleições, porque quem ganhar nada mais pode fazer senão pagar
dividas, suscitaram as reacções mais indignadas desde que o outro badameco
arrotou em defesa da redução de ordenados. Obviamente que essa não é, nem nunca
poderá ser enquanto houver democracia, a solução a adoptar. Mas, acho eu,
pode-se andar lá perto.
Em primeiro lugar, faça-se
justiça, o homem sabe do que fala. Por todos os motivos. Colocou em dia as
contas do município a que preside, moralizou uma série de aspectos da
actividade municipal e colocou em sentido uns quantos figurões mal habituados e
a quem poucos ousaram antes – e ainda menos depois – dizer não.
Naturalmente que a
democracia deve correr o seu curso e, em devido tempo, o povo ter oportunidade
de julgar quem governou. Tem, no entanto, Rui Rio toda a razão quando afirma
que quem ganhar eleições nada pode fazer para além de pagar dívidas. Mas isso
nem é ele que diz. É a própria lei. Aprovada, publicada e em vigor. Claro que
esta lei, como qualquer outra, pode ser sempre desrespeitada. Embora nem me
passe pela cabeça que possam existir políticos dispostos a infringir as leis da
Republica e a arcar com as consequências criminais e financeiras daí
decorrentes. Tal como me é difícil acreditar que os eleitores estejam dispostos
a eleger quem tiver como objectivo, no seu programa eleitoral, violar as leis do
país. Apesar de más, como é o caso.
O que já me parece
perfeitamente razoável – e lógico, acima de tudo – é que, no actual cenário,
não seja possível aos futuros autarcas constituir aquilo a que chamam gabinete
de apoio ou, sequer, nomear vereadores a tempo inteiro. Se aquilo que há para
fazer é apenas gestão corrente, estão impossibilitados de realizar seja o que
for e a prioridade única é pagar divida, então, para isso – ou seja, não fazer
nada – não precisam de ajuda. A menos, reitero, que não queiram cumprir as leis
pelas quais nos regemos. Mas desses o povo não gosta, pois não?
sábado, 9 de junho de 2012
Feijão-verde da crise
Esta coisa da agricultura
nunca foi a minha praia. Daí que a produção do meu exíguo e maltratado quintal não
se possa comparar à conseguida por outros hortelões que, apesar de igualmente
recém iniciados nestas lides agrárias, dispõem de outras condições logísticas
e, principalmente, de jeito para a actividade de amanhar a terra. Que, diga-se,
é uma expressão um bocado manhosa mas que agora veio mesmo a calhar.
Cá pelo quintal –
logradouro, vá – depois das favas e das ervilhas da crise, é agora a vez do
feijão verde. A sementeira foi um destes dias e, surpreendentemente, as plantas
apresentam já este aspecto. Magnífico, atendendo ao seu curto período de
existência. O único senão, por enquanto, continua a ser a bicharada que vai devorando
as folhas e para a qual não estou a conseguir desenvolver um método eficaz de
combate. Se relativamente às lesmas foi possível diminuir de forma significativa
a população residente, o caso da passarada parece mais bicudo. Meia dúzia de
baixas infligidas constitui um resultado insignificante face ao esforço de
guerra envolvido, ao contingente do inimigo e aos estragos provocados pelos
invasores.
Noutro recanto, que um
destes dias merecerá igualmente destaque, crescem – pelo menos assim espero -
pepinos, courgettes, batatas e morangueiros. Com sorte o único morango que
conseguiu vingar será comido em breve.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Temos pena
Tenho o maior respeito
por todos – infelizmente muitos – que passam por dificuldades bem maiores do que
aquelas que me afectam. Nomeadamente por quem, face a situações de desemprego,
doença, divórcios ou outras contingências da vida, se vê impossibilitado de
pagar a prestação da casa e corre o sério risco de ficar sem ela. É, sem
dúvida, um drama pelo qual todos dispensamos passar.
Apesar disso não me
parece apropriado que se institua uma tolerância ao incumprimento, como
pretendem alguns partidos. Tal, para além de constituir um estímulo perigoso a
que se deixe de cumprir - com as nefastas consequências que daí poderão advir -
será forçosamente encarado como uma injustiça em relação aos que, sabe-se lá
com que sacrifícios, sempre honraram os seus compromissos perante a instituição
credora.
É notório e por demais evidente que muitos aproveitaram
o crédito fácil para comprar casas desajustadas das necessidades dos seus
agregados familiares. Outros tantos utilizaram o dinheiro que jorrava dos
bancos para as mais variadas inutilidades. Quase todos, durante o tempo em que
viveram sem dificuldades e com alguma folga orçamental, não optaram por
amortizar a divida ao banco e aligeirar assim as suas responsabilidades. Pelo
contrário. Aproveitaram para fazer mais créditos, ir de férias para lugares
exóticos ou fazer as mais disparatadas opções em termos financeiros. Todas
muito legítimas, reconheça-se. Hoje têm um problema. Temos pena.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Sol e dó
Acredito que este seja um cenário capaz de agradar aos accionistas da EDP. A mim, que não sou accionista de coisa nenhuma, desagrada-me profundamente. Talvez esteja a ver mal mas, mesmo sabendo quanto os portugueses são aselhas a estacionar, não me parece apropriado que às vinte horas, em pleno mês de Junho, exista necessidade de iluminar um parque de estacionamento. E manter a luz acesa custa dinheiro. Muito dinheiro. Nomeadamente daquele que não há.
terça-feira, 5 de junho de 2012
Ainda há boas noticias
No meio de um turbilhão
de más noticias, ainda há um ou outro facto noticioso que me deixa bem-disposto.
Hoje, bem pela manhã, foi o relato de uma viagem de idosos o causador da minha
boa disposição. Tratou-se de uma iniciativa – não sei quem promoveu, mas isso
agora também não vem ao caso – que levou um grupo de velhotes a dormir com os
tubarões. Dormir é como quem diz. Queixava-se um participante que não pregou
olho em toda a santa noite. Estranhou a cama, garantiu para quem o quis ouvir.
Também da parte dos
tubarões a coisa não correu pelo melhor. Para além dos visitantes nocturnos
estarem na parte errada do aquário, ainda tiveram de dormir sob o olhar indiscreto
de um grupo de mirones. O que, como se compreende, é aborrecido. Capaz até de
comprometer o desempenho na hora de juntar a barbatana com a patroa. E o pior
de tudo é que isto deve ser ideia para ganhar adeptos. Eu, que não
sou de intrigas, desconfio que uma certa rapaziada já arranjou pretexto para
mais umas quantas passeatas.
Outra noticia que me
deixou satisfeito foi a da maneira como algumas comunidades, em diversos países
europeus, lidam com a horda de muçulmanos que, com a complacência dos diversos
poderes, está a invadir a Europa. Em lugar de manifestações que podem conduzir
a conflitos desnecessários e que, por norma, nada alteram, escolheram uma
maneira original de lutar pela sua terra. Quando se sabe ser intenção da malta
que reza de cú para o ar construir uma mesquita em determinado lugar, logo aí
são espalhados pedaço de porco. O que, face às crenças daquela maralha, de
imediato inviabiliza para todo o sempre a utilização do terreno para esse fim. Simples,
eficaz e um bom exemplo da maneira como, sem grandes alaridos, se conseguem
atingir os objectivos.
domingo, 3 de junho de 2012
Esta gente não se cansa de errar?
A opinião veiculada por
muita gente, alguma com obrigação de saber do que opina, que os primeiros
indicadores de retoma do crescimento da economia irão surgir no segundo
semestre deste ano - não sei se repararam, mas já estamos em Junho e nicles -
sempre me tem deixado ligeiramente confuso. Quase tanto como a tese,
normalmente defendida por gente com rendimentos obscenos de tão elevados que
são, segundo a qual os salários terão de sofrer uma redução significativa para,
então sim, as coisas começarem a melhorar. Uns e outros, por mais reputadas que
sejam as qualificações que ostentam no currículo, parecem-me manifestamente deslocados
da realidade que se vive por cá.
Relativamente aos
primeiros invejo-lhes o optimismo. Apesar da evidente demência das suas
previsões se encontrarem a um nível muito próximo dos meus prognósticos quando
escolho os números do euro milhões. Terão, esforço-me por acreditar,
indicadores que lhes garantam que apesar de nos últimos seis meses do ano parte
significativa da população deixar de receber dois meses de ordenado, das
receitas fiscais irem sofrer o trambolhão resultante desse corte e de, como vem
sendo hábito, no regresso de férias muitos trabalhadores encontrarem as
empresas encerradas, ainda assim, entraremos numa fase de crescimento. O Pai
Natal, o Coelhinho da Páscoa ou até mesmo o Sócrates, não diriam melhor.
Quanto aos segundos, para
além de lhes desejar saúde de morto, desconfio que acreditam existir em cada
aldeia, vila ou cidade, uma fábrica a produzir coisas destinadas à exportação.
Ou, pelo menos, sonham que assim venha a ocorrer. Mas entre isso e o que
realmente acontece vai uma distância que nunca percorreremos porque, por mais
que corramos atrás desse desígnio, haverá sempre quem chegue primeiro. Esses
lunáticos desconhecem que, principalmente no interior, a economia privada se
baseia no pequeno negócio – o café, o cabeleireiro, a boutique e outros de pequena
dimensão – sempre dependentes do dinheiro que os moradores da terra tenham na
carteira. E, parece evidente, quanto menos estes tiverem, mais negócios
encerram as portas. O que, mas isto sou eu a especular, me parece difícil de
conjugar com as tais oportunidades de que falava o outro parvo.
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