Hoje não havia nada de novo na feira das
velharias.
sábado, 6 de agosto de 2011
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Mentes brilhantes. Ou delirantes, sei lá.
Vindas sabe-se lá de onde, ou sugeridas vá lá saber-se por quem, todos os dias surgem novas e mirabolantes ideias. Gosto, em especial, de duas. A primeira é a já desmentida intenção de portajar, para além das anunciadas ainda no tempo do anterior governo, mais uma quantidade de estradas. Requisito bastante seria, ao que foi noticiado, ter pelo menos duas faixas em cada sentido. Seria, porque afinal, já não vai ser. Talvez, quiçá, se fiquem pelas portagens citadinas para evitar o aglomerado de viaturas nos centros da cidade. Ou, se calhar, nem isso. É que estes ministros geniais, que até chateiam de tão geniais que são, começam a fazer lembrar o tempo do Guterrismo em que qualquer medida, nomeadamente as difíceis, era posta a circular sob a forma de boato para aquilatar as reacções que suscitava, até que, se houvesse muita reclamação, alguém do aparelho se apressava a esclarecer que tal coisa nunca estivera nas cogitações do governo.
A outra ideia absolutamente fabulástica e que me entusiasma a um nível que até a mim surpreende, tem a ver a diferenciação em função do rendimento que se pretende introduzir no acesso aos mais diversos serviços do Estado. Ou seja, quem nada declara em sede de irs é pobre e terá acesso mais barato aos serviços de saúde, transportes, e fornecimento de electricidade e gás. Se alguma critica posso fazer é apenas relativa à pouca ousadia desta tão parva quanto improvável medida. Comunicações, nomeadamente televisão, internet e telemóvel, deviam também estar incluídas no pacote de apoio aos fiscalmente mais pobres. Ou, fazendo verdadeira justiça social, toda a espécie de bens, desde a alimentação aos combustíveis e do vestuário ao calçado, podiam igualmente ter preços menores, devidamente subsidiados pelo Estado claro está, para todos os que são pobres na altura de apresentar a declaração de rendimentos.
Como para pagar todo esse desvario e ao mesmo tempo diminuir o desequilíbrio da escrita será necessário muito dinheiro, suspeito que novas ideias andarão já a fervilhar nas geniais cabeças dos não menos geniais ministros. Colocar um contador na boca e outro no rabo dos que pagam tudo é coisa para lhes ocorrer. Paga-se o ar que se respira – isso de andar por aí a respirar sem pagar nada tem de acabar – e o ar que se expele. Nada de mais se pensarmos no princípio do utilizador pagador ou do poluidor pagador.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Dever é um direito!
A declaração dos banqueiros, produzida há meia dúzia de dias,
reclamando do Estado o pagamento das dívidas à banca passou praticamente
despercebida. Caso tivesse merecido maior destaque por parte da comunicação
social e dos comentadores de serviço teríamos, com toda a certeza, assistido a
reacções indignadas por parte dos sectores do costume. Sendo sobejamente
conhecida a nossa aversão ao rigor e à disciplina, também em matéria
financeira, qualquer posição que se assuma em prol dessa causa, para além de
condenada ao fracasso, faz quase sempre despoletar um coro de protestos e
manifestações de gente para quem o “dever” se afigura como um dos seus direitos
mais sagrados. Ou adquiridos, depende da perspectiva. De facto é preciso um
descaramento descomunal para vir a terreiro lembrar – esteja em causa o Estado
ou não, é perfeitamente irrelevante – a necessidade de pagar o que já devia
estar pago há muito tempo.
Quase de certeza que entre os que manifestam o desagrado por esta
estapafúrdia exigência dos bancos, estarão alguns que sofrem na pele,
provavelmente sem perceberem, as consequências deste vergonhoso incumprimento
das administrações públicas. Ainda que as pessoas tenham manifesta dificuldade
em entender, o que está em causa é a sobrevivência das empresas e a manutenção
de postos de trabalho. Quer nas empresas que estão directamente a “arder”, quer
das outras a quem as primeiras não pagam e por aí fora numa bola de neve que
acabará, mais cedo do que tarde, numa enorme avalanche que a todos irá esmagar.
A ligeireza com que se olha para os calotes e caloteiros – sejam eles
pessoas, empresas ou administração pública – deixa-me boquiaberto. A
benevolência, a tolerância e, por vezes, até admiração com que são olhados pela
“vida” que ostentam, provoca-me, mais do que alguma espécie de irritabilidade,
um sentimento de compaixão pelas débeis capacidades intelectuais dos que assim
agem e pensam. Coitados, não conseguem perceber que é muito por causa deles –
dos caloteiros de toda a espécie – que os ordenados descem, os impostos sobem,
o desemprego aumenta e o trabalho escasseia. E depois a crise é que paga…salvo
seja!
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Coisas que não m'aquecem nem m'arrefecem mas que me divertem
António
José Seguro, talvez o menos socrático dos socialistas, tem agora o apoio da
esmagadora maioria dos socialistas mais socráticos. Ele há coisas…
Coisas que m’atormentam
A
quantidade de gente que vem aqui parar através da pesquisa “gaijas” no Google.
Mas o que raio é uma “gaija”?!
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
"Cãotidiano"
O
canito, coitado, manifestamente mais ajuizado que o dono, demonstra séria
relutância em caminhar sob a chuva intensa que, na altura, se abatia sobre a
cidade. De nada lhe valeu. A trela sobrepôs-se
à sua vontade e fê-lo prosseguir no encalço do outro maluco. É, portanto, uma
imagem clássica do nosso quotidiano.
sábado, 30 de julho de 2011
A cultura das boas contas. Ou a falta de ambas.
Da
leitura de blogues de uma localidade não muito distante concluo que a autarquia
lá do sítio terá uma divida colossal à banca, a fornecedores e aos chamados
agentes culturais e desportivos do concelho. Nada que, relativamente à divida
financeira, inquiete alguém. Tão pouco o atraso na regularização dos pagamentos
às empresas que venderam bens e prestaram serviços à autarquia é merecedor de
grandes preocupações. O mesmo não se pode dizer da falta de cumprimento dos
compromissos assumidos pela edilidade para com os tais “agentes”. Isso aí é que
“alto lá e pára o baile”, que não pode ser.
Obviamente
que as dividas, seja qual for a sua natureza, são para pagar. O que não se
percebe é que o movimento associativo lá da terra exija um tratamento de
excepção e que se arrogue no direito de receber o que lhe é devido, de forma
prioritária relativamente aos restantes credores. Fizeram, com certeza, a
planificação das suas actividades na perspectiva de receberem atempadamente os
valores em causa e o incumprimento autárquico estará certamente a causar transtornos.
Mas, e isto não se afigura difícil de perceber, o mesmo sucederá com as
empresas que aguardam a regularização de dezassete milhões de euros há mais de
trezentos e sessenta dias.
Perante
este cenário, nem sei como classificar argumentos do tipo “o chavão da falta de
dinheiro já não convence”, usado para criticar o atraso no pagamento das
quantias acordadas com as associações. Há quem tenha dificuldade em perceber,
especialmente na área cultural onde por norma as pessoas são mais avessas a
números, que o dinheiro, tal como tudo, também pode acabar. Ou, no mínimo, que
se trata de um bem escasso para ser usado com ponderação. O que, dadas as
evidências, não terá acontecido no caso em apreço. E é a ausência de crítica
das gentes da cultura à gestão desastrosa que os conduziu até este estado de
coisas, que me deixa verdadeiramente perplexo. Pior. Se reclamam é apenas
porque a tal Câmara promoverá, na opinião deles, poucas actividades culturais. Ou
seja, a divida até podia atingir valores ainda mais astronómicos que, desde que
eles recebessem, estaria tudo bem. Com uma cultura destas não admira que o país
esteja neste estado!
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Ora assoem-se lá a este guardanapo!
Assim que tomou posse o primeiro-ministro apressou-se a comunicar ao país que este ano os deputados não teriam férias. Embora agora pareça que afinal não vai ser bem assim, a verdade é que a malta gostou. Bem-feita, terá pensado a maioria dos eleitores para quem a profissão de representante da nação no hemiciclo não é lá muito bem vista e acha que os ditos figurões ganham demais para o serviço que apresentam.
A necessidade de manter a Assembleia da República a funcionar, justificava-se o então recém-eleito chefe do governo, teria a ver com a imperiosa aprovação das medidas indispensáveis à salvação do país. Tratar-se-ia de aprovar coisas importantes, pelo que era fundamental não perder tempo. Férias e outras minudências teriam que esperar.
Ficámos, portanto, todos na expectativa. Uns mais ansiosos que outros, é verdade, mas isso depende do feitio de cada um e, também, daquilo que cada qual considera importante. Tão importante que impeça até um ilustre deputado de gozar uns dias de descanso. Ora sabe-se – ou pelo menos calcula-se - que um deputado cansado não deputará com a qualidade que nós desejamos que depute e – há quem garanta isso - a deputação é uma actividade muito exigente, capaz de deixar a maioria de rastos se praticada de forma contínua e sem os necessários períodos de recuperação.
Pelo exposto fácil é concluir que sou a favor das férias dos representantes do povo. A última coisa de que precisamos é de deputados esfalfados, cansados de tanta actividade deputativa, a aprovar medidas cruciais e determinantes para o desenvolvimento do país. Como, por exemplo, a “Promoção e valorização dos bordados de Tibaldinho da Freguesia de Alcafache”. Para quem não sabe, como era o meu caso, “Nestes panos é bordada uma panóplia de motivos decorativos: os ilhós simples, espirais de ilhós (enleios), arcos de ilhós (cadeia), arcos ogivais, quadrados de nove ilhós, espirais de cordão, espirais de borbotos, círculos simples e concêntricos, rodízios, estrelas, óculos em cruz, corações simples, floridos ou com chave, com hastes, pétalas, malmequeres, girassóis, cravos, botõezinhos, folhas abertas e fechadas, folhas redondas, alongadas, pontiagudas e serrilhadas, folhas de feto, carvalho, trevo de quatro folhas, composições florais, laços, silvas, bolotas, tranças, pevides, pássaros, borboletas, Cruz de Cristo, dois oitos em cruz, crivos simples e de duas pernas, recorte ondeante, bainha aberta, machocos redondo, alongados (de pevide) e bicudos (serrilha ou dentes de rato), curvas espiraladas, cordão ondeante, canutilhos, pompons, letras maiúsculos, monogramas”.
Perante factos destes não consigo calar o meu regozijo. Temos, finalmente, deputados que se preocupam com o essencial. O que claramente vem desmentir todos os que insistem em menorizar a actividade parlamentar. Ora assoem-se lá a este guardanapo!
terça-feira, 26 de julho de 2011
Mau sinal
Da
sinalização que alguns iluminados pela ignorância se lembraram de espalhar
profusamente, aqui há atrasado, pelos bairros da Salsinha, Monte da Razão e
Quinta das Oliveiras, este sinal é talvez o único que faz todo o sentido. No
entanto já foi vandalizado em diversas ocasiões. Terá, portanto, inimigos de
estimação que não suportarão a imposição de parar. Ou, então, será
outra coisa qualquer no âmbito das doenças mentais. Daquelas que alguns
insistem em classificar como vandalismo. Seja como for, a “obra” deu trabalho e
o derrube do sinal não foi uma tarefa simples. Pena que estas bestas não
concentrem as suas energias em atitudes mais cívicas. Como, por exemplo, fechar
as tampas dos três contentores situados poucos metros mais abaixo e que,
misteriosamente, NUNCA estão fechadas. Mas isso, além de constituir assunto
para outro post a publicar um destes dias, deve ser coisa que envolve muito
esforço.
domingo, 24 de julho de 2011
Curiosidades da execução orçamental da administração local
A
síntese da execução orçamental recentemente divulgada pela Direcção-Geral do Orçamento apresenta valores, no que diz respeito à administração local, que
simpaticamente me limitarei a classificar apenas como perturbadores. Isto
porque, contrariamente ao que seria expectável, a despesa do conjunto dos municípios
não está a encolher relativamente ao ano anterior. Bem pelo contrário. Até
final de Junho a despesa, do total de toda a administração local, registou um
aumento de 2,4 por cento. Isto apesar das despesas com pessoal – os eternos
culpados – terem caído, por comparação com igual período do ano passado, em 3,3
por cento.
Estes
números não reflectem, na minha opinião, apenas má gestão por parte de quem
lidera os municípios portugueses. O caso será muito mais grave do que isso. O
que estes indicadores nos mostram é que estando o poder local muito mais perto
das pessoas lhe é praticamente impossível ir contra o que dele exigem os
eleitores e, vivendo os portugueses um estranho estado de negação da realidade,
é muito difícil a qualquer autarquia reduzir seja o que for no âmbito das suas
despesas sem ter de se confrontar com a reacção dos que se habituaram a viver,
de alguma forma, à conta do orçamento municipal. De resto apenas um totó acreditará
que um autarca, por mais corajoso ou empenhado em prosseguir uma gestão
racional da coisa pública, será capaz de olhar nos olhos os seus munícipes e
dizer-lhes que a “festa” acabou. Excepto, como os números claramente
demonstram, se os cortes forem no pessoal. Aí ninguém se importa de ser mauzão
porque sabe que a populaça fica satisfeita.
A
título de exemplo – podia ser outro, mas este parece-me sintomático – até final
de Junho, foram pagos pelas autarquias mais 9,8 milhões de euros em
transferências correntes - os vulgares subsídios - do que em período homólogo
do ano anterior. Ou seja, mais de metade da poupança gerada com a redução das
despesas com pessoal não serviu para reduzir o défice, equilibrar as contas
públicas, salvar o país da bancarrota ou, o que me parecia sério, pagar as dívidas.
Foi, antes, parar às contas bancárias dos inúmeros subsidio-dependentes,
verdadeiros peritos na arte de mostrar trabalho – tipo, sei lá, comer camarão -
com o dinheiro que lhes é dado de mão-beijada. Espero que façam bom
proveito. Na verdadeira acepção da palavra.
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