terça-feira, 10 de maio de 2011

Não há "jovens" maus. Alguns não deviam era existir.

Os portugueses mentem cada vez melhor. Até os estrangeiros que escolheram o país para assentar arraiais depressa apanharam o jeito e conseguem mentir com uma desfaçatez de fazer inveja ao mestre. Debitam mentiras a uma verdade alucinante e constroem uma verdade alternativa com uma perícia ao alcance de poucos. Estou mesmo em crer que eles próprios, às tantas, se convencem que estão a falar verdade. 
A rebaldaria provocada ontem em Odivelas, por uns quantos meliantes, será um exemplo que ilustra na perfeição a extraordinária capacidade para pregar petas que os portugueses – e os que à nossa terra vieram parar – estão a desenvolver. Um bando de energúmenos terá entrado em confronto com a policia, na tentativa de evitar a detenção de um ladrão – do qual seriam colegas de actividade, provavelmente – tendo provocado uma série de desacatos e danos em bens públicos e privados. Mas, ainda assim, conseguem garantir que foram vitimas de racismo e de violência policial. Conseguiam até permanecer sérios enquanto, perante as câmaras de televisão, juravam terem sido eles, pacatos cidadãos, os atacados. 
Não sei como é na selva. Nunca lá estive. Contudo numa sociedade civilizada, como a nossa ainda é, a quem a policia solicita a identificação tem, naturalmente, que se identificar. Quem não o faz, resiste à detenção ou, no caso do bando em causa, ataca as autoridades para evitar que os amigos, tão meliantes quanto eles, sejam levados para a esquadra, não pode esperar que lhes sejam oferecidas flores. Nem um cházinho com bolos. O mais natural é que seja tratado com dureza e, se insistir, que leve uns murros nos cornos. 
Nestas circunstâncias é normal surgirem – demoram um pouco a chegar porque normalmente moram longe de onde estas coisas acontecem – agitando a bandeira do racismo, os gajos dos direitos humanos e outros palhaços de nível semelhante. Para eles o comportamento daquela gente é para lá de angelical. Pena que tenha de aparecer a policia, qual diabinho, a estragar a paz celestial em que aqueles anjinhos vivem e perturbar o seu cândido relacionamento com as outras pessoas. 
O que verdadeiramente me perturba é que são capazes de nos olharem nos olhos e dizerem-no sem se rirem. Quem é capaz de o fazer é perigoso. Muito perigoso. Atente-se no exemplo de um individuo que o faz todos os dias à hora dos telejornais.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Poli...quê?!

No exercício dos direitos de cidadania qualquer um pode dirigir uma petição à Assembleia da República que, estou em crer, receberá dos representantes da nação a melhor atenção. Seja o assunto qual for. Desde o mais abrangente e de relevante interesse público até ao mais parvo. 
Face aos argumentos invocados, hesito quanto à maneira como classificar o texto que o peticionante da matéria constante do documento que publico em anexo a este post, dirigiu às mais altas individualidades da hierarquia do Estado. Por um lado parece óbvio que o homem está a gozar, mas, por outro, porque não levá-lo a sério?! Embora a coisa tenha uma relativa piada. Principalmente quando, na parte final da sua exposição, baralha os canais e revela alguns equívocos quando ao tipo de casamento que pretende ver legalizado. 

Clicar na imagem para aumentar ou ver aqui o documento original.

domingo, 8 de maio de 2011

Em português é pior. Principalmente depois de lido.

Há quem tenha dos blogues e dos seus autores a pior das ideias. Injustamente, acho eu. É nestes espaços que, quase sempre, é possível conhecer antecipadamente factos e noticias que apenas muito mais tarde chegam aos meios de comunicação social e ficar a par de outras que nunca lá aparecem. Trata-se, em algumas circunstâncias, de verdadeiro serviço público. 
É o caso do blogue Aventar. Os seus autores meteram mãos à obra e resolveram traduzir para português o documento da chamada troika, que esteve a passar a pente fino as contas nacionais, para estabelecer os termos do negócio através do qual o país vai poder honrar os seus compromissos a troco de um empréstimo de proporções épicas. 
A divulgação das conclusões a que chegou a embaixada estrangeira deixou toda a gente quase radiante – graças, em grande parte, à intervenção televisiva de José Sócrates – por ter afastado aquilo que muita gente contava como inevitável e, também, percebi agora, por o documento estar redigido em inglês. Língua que, à semelhança do primeiro ministro, os portugueses dominam mal ou desconhecem de todo. 
Incompreensivelmente - ou talvez não - não houve quem traduzisse aquilo de imediato para português e, mesmo os gajos que analisaram as determinações da troika, não fizeram uma abordagem detalhada das medidas que terão de ser tomadas. Que, como se pode ler aqui, serão durissimas. O que dará – provavelmente, porque não conheço o grego - razão aos que defendem ser este um plano mais exigente do que o aplicado à Grécia. 
Mantenho o que, em tom irónico, escrevi há poucos dias acerca das dúvidas, quase certezas, quanto ao cumprimento daquilo que nos querem impor. Mas se assim não for e o futuro governo revele capacidade para cumprir à risca tudo o que foi delineado, o modo de vida que temos mantido ao longo das últimas décadas estará irremediavelmente condenado. A única alternativa que vislumbro é emigrar. De preferência para aquele país em que vive o José Sócrates.

sábado, 7 de maio de 2011

Cultos

Nada tenho contra as religiões nem contra quem as pratica. Desde que os seus seguidores não andem por aí à espadeirada, a rebentar bombas e que, principalmente, não me causem aborrecimento. Ou seja, que se dediquem às práticas religiosas nos locais reservados para o efeito. E a rua, nomeadamente a minha, não se me afigura como o local mais indicado para manifestações de fé. Ainda mais quando a minha liberdade de circulação é limitada, ou de todo cortada, porque um grupo de devotos, mesmo que minúsculo, resolveu demonstrar publicamente a sua devoção. 
Pese o exposto reconheço, no entanto, o seu direito a incomodarem-me. Tal como espero que os participantes nestes préstitos revelem a mesma paciência quando eu os incomodar, um ano destes, ao celebrar mais uma conquista do Glorioso. Embora também reconheça – neste caso com uma profunda mágoa - que os santos são em muito maior número do que os títulos ganhos pelo Benfas.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

"O FMI não manda aqui!"

Não andarei muito longe da verdade quando penso que, por esta altura, a esmagadora maioria – para não ser peremptório e dizer a totalidade – dos que detém cargos públicos, com poder de decisão, já estarão a engendrar um qualquer esquema manhoso para contornar as medidas anunciadas pelo triunvirato e continuar com a vidinha que sempre fizeram atá agora. “Como é que vamos dar a volta a isto?!” será, tão certo como eu estar a escrever, a pergunta mais repetida perante o conjunto de intenções que nos foi imposto. Para a qual, não duvido, depressa surgirão respostas cada uma mais imaginativa do que a outra. 
Já escrevi noutra ocasião que o pessoal do FMI e respectivos comparsas, não sabe com quem se meteu. Atrevem-se, coitados, a pensar que nos metem na ordem com um cardápio de regras que, supostamente, devemos seguir na sua ausência. Assim uma espécie de trabalho de casa. Um rol de ideias, espalhado por trinta e quatro longas páginas, que o mais atento dos nossos responsáveis políticos lerá na diagonal. Após o que, não me devo enganar muito, arrotará, convicto, um sonoro “tá bem abelha, mas quem manda aqui sou eu”. Isto enquanto manda todos esses alarves para uns quantos sítios pouco recomendáveis. 
Excepção feita ao aumento de impostos, meia-dúzia de cortes que dependam apenas da aprovação de umas quantas leis mal-amanhadas e deverá ficar por aí o cumprimento do plano que nos tentam impor. Extinguir municípios é coisa que, aposto, não vai acontecer. Muito menos fundações, governos civis, institutos e outros albergues. Com sorte serão extintas uma ou duas dezenas de freguesias, despovoadas e no meio de nenhures. Reforma da justiça, essa, tá-se mesmo a ver que sim...e, finalmente, trazer o endividamento do Estado, regiões autónomas e autarquias locais, para níveis próximos daquilo que recomenda o bom senso e a razoável gestão, é algo mais improvável do que o Sporting ser campeão.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

As não medidas

É indisfarçável na maioria dos desabafos deixados nas caixas de comentários dos blogues, fóruns e sites onde estas coisas se discutem, uma certa frustração por entre as não medidas ontem anunciadas pelo alegado não constar o despedimento em massa, a redução de vencimento dos funcionários públicos ou, no mínimo, o anúncio que ficariam sem o subsídio de férias e de natal. O argumento para defender esta posição era tão simples quanto básico: “São os meus impostos que pagam o ordenado deles”. A isto pode contrapor-se algo igualmente simples e não menos básico: “É o meu ordenado que mantém o emprego deles”. Ou seja, todos precisamos uns dos outros.
Apesar da azia que possa provocar, num lado, ou da injustificada satisfação que pode causar no outro, não me parece que ninguém saia a ganhar. A inexistência de mais cortes nos vencimentos não se deverá, como sustentam alguns, ao facto do FMI ter aprendido com a Grécia e a Irlanda. As causas mais prováveis talvez se encontrem entre a proximidade das eleições, os baixos salários que por cá se praticam e as alternativas encontradas a obter o mesmo resultado mediante ao recurso a uma forma mais maquilhada. 
Seja como for, a comunicação ao país feita ontem à noite pelo alegado tratou-se de mais uma encenação ridícula, despropositada e que dá mais uma vez um sinal completamente errado. Afinal, ficámos a saber, estamos no melhor dos mundos. Perto do paraíso, quase. Por mim fiquei tão optimista e confiante num futuro radioso que senti vontade de agarrar no cartão de crédito e desatar a endividar-me.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

"Tablets"

Segundo as previsões dos especialistas na matéria, as vendas de tablets em Portugal deverão crescer oitocentos por cento. Por saber que os especialistas revelam uma estranha tendência para não acertar quando fazem palpites acerca das matérias nas quais são especialistas, confesso que fiquei de pé atrás com tão elevadas expectativas. Céptico, digamos. É que, mesmo não conhecendo os números, pareceu-me que isso daria muitos quilos de chocolate por habitante. 
Percebi depois que, lamentavelmente, afinal os tablets – ou as tablets, não sei se aquilo é gaja – não são coisa que se coma. Embora, ao que se me afigura, muita gente se coma por ter uma gigajoga daquelas nas unhas. Sei agora, houve quem tivesse a paciência de me explicar, que se trata de uma categoria de objectos muito úteis para fazer coisas. Algumas, até, importantes. Mas que justificam cada um dos muitos euros pelos quais são postos à venda. 
Apreciadores, como somos, dos prazeres da vida - ter um tablet entre mãos diz que dá muito prazer – é natural que procuremos investir o dinheiro que temos e o que pedimos emprestado em algo que nos dê gozo. Daí que o mercado destas traquitanas em Portugal vá crescer quase três vezes mais do que no resto do mundo. Não admira. Um aparelho destes é mesmo, mesmo, mesmo, o que nos está a fazer mais falta. Face a estes números arrisco-me a concluir que muitos estarão à rasca para ter um. Embora, mas isso sou eu a especular, alguns vão ficar à rasca por o terem.

domingo, 1 de maio de 2011

Perguntas parvas

Na inauguração da escola secundária de Vila Viçosa o ainda primeiro-ministro, referindo-se ao líder do PSD, dizia mais ou menos isto: “Se não gostam do investimento do Estado na educação, então que digam onde é que devemos investir”. Significa isto que José Sócrates ainda não percebeu a alhada em que nos meteu. Nem ele, nem os que o rodeiam e que abanam servilmente a cabeça a cada tonteria do chefe. 
A resposta à questão suscitada pelo alegado engenheiro é, obviamente, não dispomos de recursos para investir em coisa nenhuma. Qualquer bom pai de família – coisa que os nossos dirigentes políticos não aparentam ser – sabe que nos momentos de aperto, em que o dinheiro escasseia, as prioridades não podem ser gastar o que não se tem à custa de endividar ainda mais o país. Isso é o que fará qualquer vigarista.

Espertos, aldrabões e outros manhosos

Quando, já lá vão uns anos, a Drª Maria José Nogueira Pinto manifestou a sua discordância relativamente à maneira como estavam a ser distribuídos alguns apoios sociais a idosos, não faltou quem se indignasse. Argumentava a senhora que o dinheiro devia ser usado de outra forma porque, assim, seria mal gasto pelos velhotes que, segundo ela, o gastariam em cervejas e doces ou, pior, seriam as famílias a esbanjar desregradamente esses subsídios estatais. 
Também a opinião do Dr. Leite Campos, do PSD, recentemente emitida acerca dos beneficiários de certas prestações sociais, que terá afirmado serem recebidas pelos mais espertos e aldrabões e não pelos que verdadeiramente precisam, suscitaram a fúria de muita gente com voz activa na comunicação social e na blogosfera mais esquerdista. 
Eu, que não sou de me indignar facilmente, repúdio veementemente qualquer uma destas posições. Quer a das personagens em questão, quer a dos indignados, ofendidos e furiosos com o teor das declarações. Isto porque os cinquenta e poucos euros do abono de família que me está a ser roubado – e sublinho roubado – não só não era gasto em cervejas nem bolos como, garanto, o dinheiro que deixou de vir para o meu bolso não está a contribuir para o equilíbrio das contas nacionais.
Não tenho dúvidas que muitos dos que continuam a receber prestações sociais são bêbados, drogados e gastam o dinheiro que lhes é dado de forma leviana. Basta, para comprovar isso, ir a qualquer café, pastelaria ou ao Continente cá do sitio. Igual certeza manifesto quanto ao facto de alguns espertos – aldrabões, talvez – continuarem a receber os apoios que a outros são retirados. Provavelmente até no meu local de trabalho.

Reprovo, no entanto, as generalizações. São perigosas. É em circunstâncias como as actuais que o Estado não se pode demitir de apoiar quem realmente necessita de apoio. Mas de forma criteriosa. O que, duvido, esteja a acontecer. Daí apetecer-me salientar a espantosa  coincidência de ser o Porto o distrito do país onde existem mais beneficiários do Rendimento Social de Inserção e, simultaneamente, onde a venda de bolas de golfe mais subiu no último ano. Ele há coisas...

Opinião irrelevante (ou nem por isso) do dia

Portugal é um caso de policia, de incúria e mau uso dos dinheiros públicos! (Autor desconhecido)

sábado, 30 de abril de 2011

Sinalização tuga

Que a justiça seja célere é o que todos desejamos. E, já agora, que tenha lugar para estacionar. Pelo menos alguns dos seus intervenientes.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Poupar?! O que é isso?

Os conselhos quanto à necessidade de poupar e as sugestões acerca da melhor maneira de o fazer têm-se sucedido nas últimas semanas. A comunicação social, falada e escrita, não tem poupado esforços para nos mostrar onde podemos deixar de gastar uns trocos que, todos somados, representam no final do mês uma maquia considerável. Sem, com isso, afectarmos de forma significativa a nossa qualidade de vida. Como fazem questão de assinalar. 
Apesar de louvável e de revelar um interessante sentido de serviço público, não me parece que obtenha resultados significativos. Pelo menos por enquanto. Os portugueses (já) não sabem conjugar o verbo poupar na primeira pessoa do singular e, após vinte cinco anos de consumismo desenfreado, não acreditam na necessidade de o fazer. Por alguma espécie de alucinação colectiva continuamos a acreditar que o dinheiro nasce das pedras e que basta pontapear meia-dúzia para, de imediato, os euros desatarem a saltar para as nossas carteiras. 
Face a este comportamento, temo que casos como o da vizinha Filomena - a ser verdade que a senhora faz o que os jornais escrevem - se multipliquem por mais que muitos. De resto o prevaricador deve ser a única espécie que não estando em extinção – pelo contrário, existem cada vez mais – é generosamente protegida por lei. Se este estado de coisas não fôr radicalmente alterado podemos estar perante um perigoso congregar de sinergias entre a fome e vontade de comer. O que pode resultar numa grande merda.

A excepção à regra

Vou hoje quebrar uma regra deste espaço. Aliás todas as regras tem uma excepção e chegou a altura de, também por aqui, confirmar a sapiência popular. A regra tem sido, desde o inicio, criar apenas ligações para blogues que tenham um link para o Kruzes Kanhoto. Mas perante este blogue que acabo de descobrir não resisti. O MÁ DESPESA PÚBLICA é ainda um recém chegado à blogosfera mas que promete. Pelo menos matéria prima não lhe falta. A partir de hoje fica disponível na barra lateral para todos os que gostam de saber onde o nosso dinheiro é malbaratado.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Metam o estado social no cú grandes filhos da puta!

Estou emocionado. Comovido, mesmo. A defesa do Estado Social – hesito quanto ao uso de maiúsculas mas o meu lado inocente acaba por levar a melhor – deixa-me assim. A protecção dos mais pobres é coisa que mexe comigo. Daí até já ter esquecido que, a bem de quem realmente precisa, deixei de receber abono de família. Ou que, quando insisto em adoecer, tenho de pagar oito euros e quarenta cêntimos por uma consulta no Centro de Saúde cá do sitio. É bem feita. Ninguém me manda ser um alarve dum ricaço,  com filhos, que adoece de vez em quando.
Isso do Estado Social é para os pobrezinhos. Coitadinhos. Como aquele comerciante, com várias lojas espalhadas pela cidade, possuidor de automóveis de gama alta e que - eu vi numa ocasião- deposita uma enorme quantidade de notas em instituições bancárias. Muito justamente receberá abono de família e tem consulta grátis no serviço nacional de saúde. O que é bom. Principalmente para mim que não tive de esperar que o funcionário lhe fizesse o troco. 
Estou inequivocamente rendido às maravilhas do estado social. Ou socialista, sei lá. Após mais um ou outro ajustamento, que certamente não tardarão, desconfio que sou gajo para entrar em êxtase com tão elevado nível de justiça social. Quem sabe se me retirarem mais três ou quatro privilégios – o que para mim não é nada porque os que tenho são incontáveis, para além de escandalosos e injustificáveis - possa contribuir com mais alguma coisinha que melhore ainda mais a qualidade de vida de comerciantes como aquele. Isso é que era!

terça-feira, 26 de abril de 2011

O cuecão

Há quem não esconda a sua indignação perante o velho e popular hábito de estender roupa à janela, na varanda ou em qualquer outro lugar ao alcance da vista de quem circula na via pública. A mim não é coisa que me choque, incomode ou pareça especialmente mal, quando tal acontece na sequência da barrela periódica Há, sem dúvida, coisas piores. Como, por exemplo, deixar o cuecão exposto ao olhar de quem passa. E sublinho cuecão. Trata-se, convenhamos, de uma visão desagradável. Principalmente pelas dimensões da coisa. Mete respeito.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Passarões

Provavelmente por influencia de ambientalistas urbano-depressivos que sonham com um mundo sem outras pessoas para além deles, algum legislador - desses que abundam em Lisboa e em Bruxelas - tão iluminado quanto inútil, achou, num daqueles dias aborrecidos em que não tem nada de útil para fazer que justifique o vencimento que os contribuintes lhe pagam, que os pássaros estão em via de extinção. Mesmo aqueles que, reconhecidamente, existem em tal abundância que constituem verdadeiras pragas. 
Assim de repente, sem grande esforço, estou a lembrar-me de andorinhas, pardais ou melros. As primeiras causam uma imundice, como aquela a que podemos assistir à entrada de muitos edifícios públicos, porque, apesar de serem aos milhões, não é permitido derrubar os ninhos. Os pardais são mais que muitos e devoram tudo o que lhes aparece à frente mas, ainda assim, ai de quem ousar atirar sobre eles ou montar umas miseras armadilhas com a finalidade de os apanhar. Já matar melros pode, inclusivamente, dar cadeia se o juiz tiver tendências ecologistas. Foi o que aconteceu a um incauto cidadão que, farto de ver esses passarões atacar-lhe o pomar, resolveu pôr mãos à obra e dar sumiço a uns quantos. Atrocidade que lhe valeu seis meses de cadeia como punição por tão perverso crime. 
Não sei, por isso, que metodologia usar – táctica de guerra é capaz de ser mais apropriado – para proteger o quintal dos bandos de malfeitores alados que, constantemente, fazem devastadoras incursões sobre os bens alimentares que tento produzir. De momento são as cerejas – que começam a ficar vermelhas – que apresentam maior vulnerabilidade e que constituem o alvo mais apetecido. Receio que cd's, fitas de cassetes ou um espantalho, não constituam elementos suficientemente dissuasores. Preciso, portanto, de ideias para combater esses malditos invasores e afugentá-los do meu espaço aéreo. Ou exterminá-los. À sorrelfa, claro.

domingo, 24 de abril de 2011

Fiape

A Fiape será, segundo os entendidos, uma das maiores e melhores feiras dedicadas à agricultura, artesanato e actividades correlativas. O espaço onde se realiza é, a todos os titulos, magnifico. Muito longe já vai o tempo em que o evento decorria num indescritível lamaçal, bem no centro da cidade e infernizando a vida a quem por ali tinha de fazer o seu dia-a-dia. A justificar, portanto, uma visita. Principalmente agora que o pior – a chuva e o espectáculo do Quim Barreiros - já passou. 

P.S – O corrector ortográfico do OpenOffice insiste em mandar-me substituir “Quim” por “Ruim”. Uns brincalhões, estes informáticos.

sábado, 23 de abril de 2011

É possivel tropeçar três vezes no mesmo calhau?!

Só a indigência mental de um povo pode justificar a expressiva votação que se prevê venha a obter, nas próximas eleições, o actual primeiro ministro ou, até, a sua eventual reeleição. Não é que a oposição seja muito melhor nem, sequer, que qualquer que venha a ser o vencedor do próximo acto eleitoral, tenha grande margem de manobra para se desviar daquilo que o FMI e a Europa – leia-se Alemanha – mandar executar. Mas, que diabo, não penalizar quem nos arrastou para o abismo ou, pior ainda, acreditar que quem nos colocou lá é o gajo indicado para nos tirar, já é coisa para suspeitar que se trata de um caso do foro psiquiátrico da maior gravidade que afecta significativa parte do eleitorado nacional.
Podem os seus apoiantes mostrar os indicadores que quiserem. Publicitar os gráficos que muito bem entendam. Torturar os números até à exaustão por forma a que digam aquilo em que eles querem que nós acreditemos. Podem fazer tudo isso e muito mais. O que não vão conseguir é esconder a realidade. E essa vai revelar dentro de pouco tempo a qualidade da gente que tem dirigido este país. Pelo menos aos que ainda acreditam neles, porque os outros há muito que perceberam o calibre dessa gentinha. 
Ainda a propósito de números, surpreende-me, a mim que não sou de intrigas, que a síntese da execução orçamental, divulgada mensalmente pela Direcção-Geral do Orçamento, não inclua “o” mapa de controlo da execução orçamental da receita e da despesa. Seriam apenas mais meia-dúzia de páginas – o que num documento que tem quarenta e oito não seria muito – e sempre permitiria a cada um tirar as suas próprias conclusões. Não é que eu vá duvidar da análise feita pelo governo. Nãããããão...

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Os donos da bola

Segundo alguma comunicação social os vencimentos dos jogadores de um clube de futebol dos Açores terão sido pagos pelo governo regional lá do sitio. Não sei se é ou não verdade mas, a ter acontecido, não é coisa que me surpreenda. Afinal, trata-se do mesmo orgão executivo que não aplicou a redução salarial determinada pelo governo da república - a que ainda pertencem - aos funcionários públicos da região pelo que, a  ter acontecido o que os jornais relataram, este tipo de tropelias não constitui grande novidade. 
O caso não será, no entanto, virgem. Muito pelo contrário. Desde que o poder local democrático espalhou tentáculos pelo país têm-se sucedido rumores – desconheço se confirmados - acerca de ordenados de craques do pontapé na bola que, alegadamente, serão suportados pelo respectivo Município. E quem diz futebol diz outro qualquer desporto. Envolva ou não o uso de bolas. E quem diz desporto diz, também, cultura. Nas suas mais diversas expressões. E quem diz cultura diz, também, outras coisas. 
Não consigo descortinar razão para tanto espanto por causa desta decisão do governo socialista dos Açores. Se é que foi assim que as coisas se passaram. Pagar ordenados por portas travessas será - a acreditar em tudo o que se diz, escreve ou ouve - prática mais ou menos corrente. Mas, se calhar, ainda bem. Mesmo que de forma enviesada sempre vai mantendo e povo feliz. E um pouco menos desempregado. Tudo isto, reitero, alegadamente.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Reduzir o salário do vizinho é bom. Reduzir o meu é mau.

Embora muitos falem do assunto como se tratando de uma afastada fatalidade, que apenas atingirá os outros e à qual escaparão incólumes, tentar adivinhar quais serão as medidas que a chamada troika irá propor tem constituído uma espécie de desporto nacional. Uma das que tem sido sugerida atá à exaustão, nomeadamente na comunicação social, é a redução de vencimento dos funcionários públicos. Basta dar uma rápida vista de olhos – a qualidade dos comentários não merece grande atenção e é bem reveladora da inteligência de quem os produz – pelos diversos fóruns e outros sítios da Internet onde se debatem estes assuntos para perceber que, a ser adoptada, esta seria uma decisão que reuniria a concordância – mais do que isso, o aplauso - de uma significativa margem de portugueses. Que, suponho, trabalham ou se dedicam a actividades no sector privado. 
Já escrevi o que penso, de uma forma geral e não apenas na função pública, acerca da redução de salários bem como das consequências desastrosas que isso provocaria na economia. Nomeadamente o aumento do desemprego. Mas, o que hoje me faz voltar a escrever acerca do tema, são as opiniões que acabo de ler nos mesmo sítios – talvez, até, escritas pelas mesmas pessoas - em reacção à proposta de redução de salários nas empresas privadas, que os representantes dos patrões entregaram aos fulanos do FMI e associados que por cá andam a vasculhar as nossas contas. De uma maneira geral a tónica é esta: “Aquilo que ontem era bom e devia ser aplicado de imediato aos outros, hoje já não presta e deve motivar uma revolta generalizada porque me toca a mim”. Talvez, há quem o sugira, constitua mesmo motivo para pegar em armas. Esclarecedor, portanto, quanto ao que verdadeiramente motiva muito boa gente. 
Infelizmente os portugueses são assim. Mesquinhos, egoístas, aldrabões, trafulhas, incapazes de pensar no bem-estar colectivo e preocupados apenas com o seu umbigo. Deve ser por isso que se preparam para reeleger aquele cujo nome não me apetece escrever. Um dos que, entre nós, melhor personifica o “ser” português.

terça-feira, 19 de abril de 2011

O ponto da tolerância

Embora o conteúdo dos posts que por aqui vou deixando possa por vezes – muito raramente, vá – dar uma ideia diferente, a verdade é que sou um gajo tolerante. Aprecio a tolerância. Principalmente a de ponto. Que, por mais estranho que pareça, é a menos tolerada. Há mesmo quem a veja como algo absolutamente intolerável e revele em relação a ela – a tolerância – uma atitude preocupantemente intolerante. 
Não esperava que, desta vez, o alegado engenheiro dispensasse a função pública de trabalhar na tarde do próximo dia vinte e um. Ainda que, ao contrário de muita gente, não considere que daí venha grande mal ao mundo ou que a economia do país sofra prejuízos assinaláveis, não me parece que esta seja uma decisão sensata. No actual contexto, os sinais que se transmitem são quase tão importantes como as medidas que se tomam. E este não é, manifestamente, o melhor nem o mais adequado sinal de que os portugueses precisam. 
Esta decisão, para além da concessão de uma tarde de descanso, tem a grande vantagem de me tranquilizar. Fico com a certeza de que entre as más noticias que um destes dias nos serão dadas a conhecer não constará o aumento do horário de trabalho. Seria uma incongruência dificilmente justificável. Embora, convenhamos, vindo de um sujeito incongruente não era coisa para me surpreender por aí além.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Dia de Rendimentuuuu

A julgar pela clientela que, antes das nove da manhã, se começava a juntar à porta da estação de correios deve ter sido dia de distribuição do “rendimentuuu”. O que significa que esta é uma zona a evitar e um serviço a que, por estes dias, não se deve recorrer. O aglomerado de pessoas, a má educação que evidenciam, o desrespeito pelo espaço e por quem tem o azar de não poder adiar uma ida ao balcão dos CTT assim o aconselham. 
Não tenho nada contra o RSI nem, ainda menos, contra as pessoas que pelas vicissitudes da vida são obrigados a recorrer a esta prestação social. Acredito que muitos dos que o recebem de bom grado trocariam a sua situação de dependência por qualquer outra forma de sustento igualmente digna. Apesar de toda a controvérsia que este apoio tem causado na sociedade portuguesa, que se trata de uma boa medida e que, apesar de todas as entendo dificuldades ou principalmente por causa delas, deve ser mantida. 
O que acho verdadeiramente lamentável é a forma como a sua aplicação foi generalizada. São por demais conhecidas situações, que ultrapassam o absurdo, de pessoas que fazem do RSI uma forma de vida, dos que o recebem sem dele necessitarem e, ainda mais revoltante, dos que ostentam de maneira absolutamente escandalosa os seus sinais exteriores de riqueza, em tom claramente provocatório, quando vão receber um subsidio que não lhes devia ser atribuído. É por estas e por outras que muitos tem dificuldade em acreditar na existência da crise. Apenas um país rico se pode permitir ao luxo de distribuir dinheiro por quem foge do trabalho como o diabo da cruz ou Maomé do toucinho. E, por mais estranho que pareça, por cá distribui-se.

domingo, 17 de abril de 2011

Estacionamento tuga

A proprietária deste carrinho – uma senhora daquelas por quem a passagem dos anos parece não deixar marcas assinaláveis – estaria, acredito, cheia de pressa. E se calhar, mas isso sou eu a especular, de pressão. Daí ter estacionado de forma deficiente o seu meio de transporte. Á tuga, portanto.

sábado, 16 de abril de 2011

Burgessos!

As televisões gostam de dar voz aos “populares”. Principalmente àqueles populares parvos ou que aparentam ter capacidade para emitir uma opinião suficientemente parva que mereça ir para o ar no telejornal. Como foi hoje, mais uma vez, o caso. A propósito da inauguração, numa qualquer aldeia, da iluminação pública com lâmpadas LED, dizia o popular de serviço, ouvido pelo repórter no local, que aquilo era assunto que lhe interessava muito pouco. Isto apesar da nova tecnologia utilizada permitir poupar ao Município lá do sitio cerca de vinte por cento na factura da luz. Porque, argumentava a besta, se fosse na casa dele é que era um coisa catita. Assim, como é na rua e a Câmara é que vai pagar menos, não é que coisa que lhe diga respeito. Acrescentou com o gargalhar idiota muito característico nos populares que expressam opiniões parvas. 
Não admira, portanto, que tenhamos chegado até aqui. Não existe consciência entre os populares – nem entre a maioria dos impopulares – que o dinheiro público é de todos e não, ao contrário do que muitos pensam, de ninguém. Tenho muita dificuldade em aceitar que não se perceba que para o dinheiro estar numa Junta de Freguesia, numa Câmara Municipal, nos cofres do Estado ou, até mesmo, na União Europeia, alguém pagou impostos e, por causa disso, ficou com um pouco menos do fruto do seu trabalho no bolso. Mas vá lá fazer perceber isso a certos burgessos.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Uns chatos, esses finlandeses.

Compreendo os finlandeses. É, de facto, aborrecido trabalhar e pagar impostos para sustentar uns quantos fulanos com pouca apetência para viver dentro das suas possibilidades. Gente que mal ganha para manter um modo de vida espartano mas que insiste em viver à grande e à finlandesa. Entendo – até porque eu também não gosto dessa cambada e não hesito em atribuir-lhes uma significativa quota de responsabilidade pelo estado a que isto chegou – mas desagrada-me. Os tugas que levaram isto à ruína são uns sacanas convencidos e uns parvalhões endividados mas, porra, são os nossos convencidos e os nossos endividados. Para lhes chamar nomes estamos cá nós. Eles que insultem os sacanas e os parvalhões lá da terra deles. 
Como vingança acho que vou trocar o meu telemóvel Nókia por um de outra marca qualquer. De preferência daqueles que até dão para fazer tostas. Nem que para isso tenha de me endividar. De caminho, até sou gajo para abandonar o Linux. E, já que esses nórdicos alarves nos acusam de não gostarmos de trabalhar e de só querermos ficar estendidos na praia a apanhar sol, fiquem sabendo que foi isso mesmo que fiz nos últimos dias. Portanto eles que metam as notas no cú e se atirem para o fiorde mais próximo.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Tropa fandanga

A imprensa de hoje – a sensacionalista, como seria de esperar – fez manchete com as alegadas dificuldades da tropa em honrar os compromissos salariais até ao final do ano. Pois que não posso acreditar. Uma noticia destas tem, forçosamente, de ser falsa. Ou, então, quem manda naquilo é burro, incompetente ou coisa pior ainda. De outra maneira não se compreende que, nos últimos meses do ano passado, tenham sido promovidos centenas de militares de todos os ramos das forças armadas. Alguns com retroactivos a perder de vista. 
Parece-me, mas isso sou eu que tenho a mania de ser prudente, que não havendo dinheiro para garantir o integral cumprimento das obrigações assumidas, com os salários a constituírem a primeira das prioridades, mandava o bom senso que as promoções – por mais justas que fossem - aguardassem por melhores dias. Provavelmente quem decidiu será um dos muitos portugueses que consideram ser impossível o Estado não ter dinheiro e que, por maior que seja o aperto, “ele” aparecerá sempre. Venha lá de onde vier. Talvez o problema seja esse mesmo. Se um dia “ele” não tivesse aparecido não teríamos chegado até aqui. 
É por estas e por outras que começo a dar razão aos que, no estrangeiro, entendem ser melhor deixar-nos cair. Ou seja, não mandar mais graveto para cá e que nos desenrasquemos por nós próprios. Se calhar até é capaz de não ser mal pensado. Será, talvez, a única maneira de fazer muito boa gente entender a nossa triste figura. Que, diga-se, quase todos insistem em continuar a fazer, qual orquestra do “Titanic” que vai continuando a tocar enquanto o barco se afunda. É o que dá entregar a batuta a certos maestros.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Se merda de cão pagasse imposto não precisávamos do FMI

Que cada qual entenda partilhar a cama, a mesa, a casa ou seja o que for, com um animal é assunto da vida privada de cada um. Já forçar os outros – os que mesmo gostando de animais têm a esquisitice de não querer viver como eles – é que não parece correcto nem se revela um acto de cidadania. Acho condenável que as pessoas continuem, com a maior das impunidades, a levar os cãezinhos para as praias, espaços verdes ou esplanadas – muitas vezes onde a sinalização expressamente o proíbe – e ainda, armados em arrogantes e exibindo uma petulância inversamente à educação que evidenciam, se aborreçam quando alguém reclama do seu comportamento nojento. 
A dona do cão da foto – vá lá saber-se para que quer um animal deste porte – assistiu, discretamente e a razoável distância, à sua cagada em plena praia. A única coisa que a terá incomodado a porcazinha foi alguém ter tido o desplante de fotografar o seu bichinho. Nem sei porquê. Nem me interessa por aí além. Estou-me nas tintas e não vou desfocar o focinho do canito. A gaja devia era ter vergonha de poluir descaradamente o espaço público em claro desrespeito pela lei e pelas regras de boa conduta cívica. É, portanto, uma besta. Como todos os outros que tem igual comportamento.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Kruzes!

Ao contrário do que sugerem algumas insinuações maldosas, a ausências de actualizações do Kruzes não se deve à minha alegada participação no congresso do actual Partido Socialista. Nada disso. Qualquer insinuação que relacione o desaparecimento blogosferico com a reunião magna dos socialistas portugueses, para além de se tratar de uma inverdade, não passa de uma piada que mais não pretende do que descredibilizar um blogue sério como este. Embora, como é óbvio, o conclave de Matosinhos não tenha sido uma reunião de malfeitores e entre os presentes tenham estado pessoas estimáveis que, por muitas razões, merecem o meu respeito. Qualidades que não reconheço, como é público e notório, no chefe das “tropas” que ali se reuniram.
Tratou-se, digamos, de um apagão. Momentâneo e, espera-se, ocasional. Mas este foi um apagão dos bons. Daqueles à séria. Com muita água, como convém. Seja como for, quatro dias sem dizer mal – há quem sustente que este é um blogue onde se diz mal de tudo e de todos só por dizer – é muito tempo. Demasiado, até. Há, portanto, que o recuperar. Nem que seja apenas para dizer mal dos que dizem mal daqueles que dizem mal. Sim porque nisto da maledicência não se aplica o principio do ladrão que rouba a o ladrão.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Palhaços novos com ideias velhas

Vivemos dias tristemente históricos. Dramáticos, até. Daí não perceber certas euforias, nem ver motivos para contentamento pela vinda do FMI. Ou do FEEF, como parece que agora se chama essa tropa de elite da alta finança. A receita que nos irão prescrever depressa fará desaparecer os motivos de satisfação que, ou muito me engano, rapidamente darão lugar aos habituais impropérios de desagrado. 
Não vale a pena ter esperança em milagres. A mezinha desta gente é sempre a mesma. Ainda que, sistematicamente, produza resultados catastróficos. Aumento de impostos – que já estão no limite do tolerável – redução de salários e maior flexibilização das leis laborais vão, nem é preciso ser muito esperto para o perspectivar, arrasar o que  resta do poder de compra das famílias e conduzir a uma recessão ainda maior que, por consequência, anulará o efeito da subida dos impostos. Depois, como sempre, voltarão à primeira forma e torna a aumentar a tributação. Foi assim que lhes ensinaram e eles não conseguem discorrer outra coisa. 
Sendo o nosso maior problema o montante desmesurado que atingiu a divida do Estado, das empresas e dos particulares, não deixa de ser estranho que ninguém – nem os palhaços de cá nem os que aí vêm – se preocupe com uma reforma da justiça, que acabe de vez com a escandalosa protecção de que gozam os caloteiros e que torna praticamente impossível cobrar um divida a quem não tenciona cumprir as obrigações que assumiu. 
Pensam alguns inteligentes – já ouvi este fantástico argumento – que, pela via da redução dos salários e do aumento dos impostos sobre o consumo, é possível obter uma diminuição do endividamento das famílias. Acreditam eles que, ganhando menos se recorrerá menos ao crédito e, assim, a divida privada baixará drasticamente. Só pensa desta maneira quem não conhece o povo que habita cá no rectângulo. Se ganharmos menos a primeira coisa que vamos fazer é deixar de pagar as prestações e, a seguir, comprar fiado. Haverá sempre alguém disposto a vender a crédito e um esquema manhoso qualquer a que recorrer para conseguir um empréstimo. Que, obviamente, não será pago. Depois quem se sentir lesado que recorra à justiça. Com sorte, daqui por muitos anos, conseguirá cobrar ao caloteiro o pouco que este receba a mais que o salário mínimo. Isto se o dito não recorrer. Ou interponha uma providência cautelar.