quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Há gente com cada ideia...

“Os sacrifícios têm de ser equitativamente distribuídos por todos”. É o que acha um bispo da Igreja católica portuguesa. Vá lá saber-se porquê existem pessoas com a mania de distribuir coisas. Nomeadamente as más. Devem pensar que são uma espécie de Pai Natal mas ao contrário. Justo, mas mesmo justo, seria dividir as coisas boas por todos. Isso sim. Agora dividir as más – assim tipo...os sacrifícios – parece-me muitíssimo mal. Cá para mim os  ditos sacrifícios devem ser distribuídos pelo menor número e, de preferência, pelos do costume. Assim como assim já estão habituados.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Mouro queixinhas

Um extremoso papá muçulmano, a viver em Espanha mais a sua numerosa prole, ficou irritado porque na escola pública espanhola frequentada pelo seu rebento – um pequeno Mohamed, presumo – o professor cometeu o atrevimento – heresia, como eles dizem – de citar o presunto como exemplo para melhor explicar a matéria que estava a leccionar. É, de facto, chocante e justifica perfeitamente a atitude daquele seguidor do profeta que, chateado com tamanho dislate, tratou de apresentar queixa contra o docente. Bem feita, porque isto de falar das pernas de um porco na presença de muçulmanos a residir na Europa, ainda para mais numa escola oficial, não lembra a ninguém. 
Se a atitude do queixinhas já é suficientemente parva, nem sei como qualificar a da policia. Ao que parece não só aceitaram a queixa, como se deslocaram à escola no intuito de ouvir o professor e suposto criminoso. Que por enquanto – e sublinho por enquanto - ainda não foi preso. Não tardará, qualquer referência a coisas que a mourama considere blasfémia, ainda que feita em território europeu, constituirá um crime punível sabe-se lá com que pena. Talvez, até, a morte por apedrejamento. Tudo, claro, com o alto patrocínio dos multiculturalistas.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Finalmente uma grande ideia!

Um jornal online pediu a algumas personalidades - umas mais conhecidas que outras – que, cada uma, desse uma ideia para o país. A maioria dos inquiridos não revelou grande imaginação e as respostas obtidas não constituirão, seguramente, grande contributo nem para a melhoria da nossa situação nem, com toda a certeza, merecerão especial atenção por parte de Sócrates e seus sócretinos. 
Cooperação, exigência, qualidade, são chavões mais que batidos e que, quanto mais são repetidos menos impacto vão tendo nos destinatários. Apesar disso incluíram a receita de alguns notáveis. Já a “fusão com o Brasil”, a “poupança de energia” e “aumentar o número de nascimentos” me parecem argumentos bastante valorizáveis. Até porque – e provavelmente não serei apenas eu a pensar assim – existe uma curiosa interligação entre eles que nem mesmo a questão da economia energética ali pelo meio consegue disfarçar. Principalmente para aqueles que preferem às escuras. 
Não sei se pode ser considerada como ideia, mas a afirmação proferida por um dos entrevistados é verdadeiramente genial e vale o tempo perdido a ler o conjunto de lugares comuns que até eu, que não percebo nada destas coisas, era capaz de proferir. Garante um dos elementos do painel que “todos os nossos problemas estarão resolvidos quando cada chinês beber uma garrafa de vinho português”. Por dia, acrescento eu.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Comprar, comprar, comprar...

Os portugueses estão a gastar euros aos milhões. Somos, aliás, um dos povos que, no mundo inteiro, mais dinheiro gasta em prendas de Natal. Embora isto do Natal mais não seja, quanto a mim, do que um pretexto para arejar a carteira. Hesito, por isso, entre considerar que seremos uns mãos largas ou que se trata apenas do gozo que nos dá gastar dinheiro. Ou de usar o cartão de crédito. 
Também gostamos de fazer boa figura, nomeadamente no que diz respeito à fatiota e, para andar bem vestidos, compramos trapinhos como se não houvesse amanhã. Deve ser por isso que não há na Europa quem gaste mais do que nós em roupa. Não admira, portanto, que ande por aí muita gente toda janota mas que, só por si, justifica a existência de dois ou três escritórios de agentes de execução. 
Para constatar a fiabilidade dos relatórios que fornecem este tipo de dados, basta dar um volta pelos supermercados e ver que os respectivos parques de estacionamento estão, nomeadamente ao fim de semana, completamente lotados. Mesmo em cidades de pequenas dimensões e diminuto número de habitantes, como é o caso de Estremoz, verifica-se uma verdadeira corrida a este tipo de estabelecimentos. Chega mesmo a ser difícil acreditar que por cá haja gente suficiente para encher quatro superfícies comerciais de média dimensão. 
Talvez, a juntar ao vicio de comprar, os portugueses estejam a antecipar o próximo aumento do iva. Se assim for está bem visto. Trata-se de um investimento seguro que renderá, a curto prazo, um ganho de dois por cento. Pelo menos, porque o aumento dos bens é capaz de incorporar outros custos que as empresas, generosamente, se encarregarão de partilhar com os consumidores.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Os esquemas da Mariana

Mariana tem trinta e sete anos, é funcionária pública, mora em Estremoz e, segundo o Sol online, encontrou uma forma inovadora – alternativa, até – de obter crédito mais ou menos imediato, que paga no mês seguinte, sem juros. O esquema é simples e funcionará mais ou menos assim: Mariana dirige-se à Modalfa compra roupa e no dia seguinte volta lá para devolver o que comprou. Apesar de ter pago com cartão de crédito a loja procederá, segundo a mesma fonte, à devolução do valor da compra em dinheiro. O que, alegadamente, lhe proporcionará a liquidez necessária sem ter de suportar juros. Acrescenta ainda que, neste Natal, voltará a utilizar o esquema que, a acreditar na história, terá repetido por diversas ocasiões. 
Mariana, do alto dos seus trinta e sete anos, teria outras opções menos ingénuas. Mas cada um sabe de si. E, de resto, nem sabemos se usará outras formulas, ainda mais criativas e menos onerosas para os próprios, que são cada vez mais usadas por colegas seus. Até porque, convenhamos, este esquema é fraquinho. Pode, por exemplo, comprar a crédito tudo o que a sua imaginação lhe sugera. Quando a conta aparecer na caixa do correio basta olha-la com desprezo e continuar a comprar como se não fosse nada com ela. Anos mais tarde um qualquer tribunal vai confiscar-lhe uma parte do vencimento. Pequena, diga-se, porque terá de ficar sempre com um valor equivalente ao salário mínimo, para que a Mariana possa continuar a viver com dignidade. O que significa que pode deferir no tempo – vinte, trinta ou cem anos – o pagamento dos seus calotes, enquanto vai vivendo à grande com o produto do crédito que entretanto tinha obteve. 
Tudo isto constituem as pequenas maravilhas da protecção ao prevaricador que as Marianas desta vida aproveitam com sabedoria. Claro que também podia viver a sua vidinha de acordo com um orçamento ajustado ao rendimento mensal. Poder até podia. Mas não era a mesma Mariana.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O que é que vão açambarcar a seguir?

Já se fazem apostas acerca dos bens ou produtos, supostamente de primeira necessidade, que desaparecerão misteriosamente do mercado quando os açambarcadores deixarem de se interessar por açúcar. De recordar que este, por sua vez, sucedeu aos medicamentos alvo de diminuição da comparticipação pelo Estado. Embora no caso dos fármacos, pese todos os esforços desenvolvidos por uma legião de idiotas, apenas em casos muito pontuais é que os stocks se foram abaixo. 
Segundo alguns o próximo bem a escassear poderá ser, também, do ramo alimentar. E, quase de certeza, daqueles que são capazes de suportar um largo período de armazenamento. Outros sugerem os combustíveis. Mas neste caso a constante subida de preços indicia claramente que este tipo de produtos não faltará no mercado. Pelo menos enquanto a tendência ascendente do custo se mantiver. 
Fontes geralmente bem dispostas garantem que serão os preservativos o próximo produto a escassear nas prateleiras dos supermercados, aos balcões das farmácias e até nessas maquinetas que disponibilizam camisinhas em cada esquina. Parece que factores climatéricos adversos estarão a condicionar negativamente a produção de latex das seringueiras brasileiras. Tal facto irá, necessariamente, reflectir-se na industria que trabalha com esta matéria-prima e afectar o sector de forma dramática. 
Daí à ausência deste bem essencial do circuito comercial será um ápice. Alertados por este post, os consumidores encetarão uma demanda por preservativos que só terminará quando não existir um único exemplar disponível para venda. Todas as manhãs, pontualmente, longas filas se formarão à porta dos locais suspeitos de ainda disporem de algumas unidades e rapidamente esgotarão o stock entretanto reposto. E, neste caso, alerto desde já, nem vale a pena ir a Espanha. As camisinhas espanholas são mais pequenas...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Candidatos de aviário

As presidenciais são, de todas as eleições, as mais desinteressantes. Os poderes do Presidente são pouco mais do que protocolares, pelo que se torna completamente indiferente quem ocupa o cargo. Quem vencer pouco ou nada pode fazer e, ainda que queira - e nem mesmo quanto a isso existem certezas acerca da vontade dos candidatos anunciados – pouco poderá interferir no sentido de alterar o rumo que o governo está a dar à politica nacional. Daí que a imagem da luta pelo pedaço de pão no bico da galinha assente que nem uma luva a este acto eleitoral. O lugar em disputa tem tanta importância quanta a fome que pode ser saciada pela migalha de pão pendurada do bico de um galinácio em fuga. 
Calculo que debates como o transmitido ontem sejam penosos para os intervenientes, para os que tem como função comentá-los e, principalmente, para quem assiste. Embora quanto aos últimos um comando à distância possa obviar a penosidade da coisa. Acredito que qualquer dos candidatos que ontem estiveram na TV sejam bons na área de actividade em que se notabilizaram. Também não tenho motivos para duvidar que a curar feridas ou a ligar cabos serão do melhor que existe entre nós. No entanto, pelo nível de argumentação usado no debate, nem  para Presidente da junta da minha freguesia me parece que reúnam qualidades.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Totós

Quase todos já fomos, pelo menos uma vez, abordados por alguém que nos pretendia inquirir, ao vivo ou pelo telefone, acerca de um assunto especifico para fins estatísticos, para a realização de um qualquer estudo de mercado ou desses a que vulgarmente chamam sondagens. Coisas destas há para todos os gostos – e alguns desgostos, também – muitas delas com resultados verdadeiramente surpreendentes. 
É o caso do estudo, recentemente divulgado pelo Jornal de Noticias, segundo o qual sessenta e um por cento dos portugueses não confiava a chave de casa ao alegado engenheiro que por cá nos vai lixando. O facto de trinta e nove em cada cem cidadãos equacionar a possibilidade de confiar a chave da sua residência à criatura, deixa-me absolutamente perplexo. Ao carteiro, ao homem que vai contar a luz, a água, levar a botija de gaz ou reparar a tvcabo, seria mais ou menos normal que assim fizessem. São, por norma, pessoas sérias. 
Apenas encontro alguma justificação para este facto se levarmos em conta que o universo dos inquiridos inclui pessoas que enchem a despensa de açúcar para os próximos dez anos, que adquirem medicamentos que deixam de ter comparticipação ainda que o mais provável seja estes passarem da validade muito antes que tenham tempo de esgotar o stock e que, por duas vezes, elegeu um pantomineiro compulsivo.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Fúria do açucar

A imperiosa necessidade de possuir reservas estratégicas de açúcar, evidenciada nos últimos dias pelos portugueses, é reveladora de sinais preocupantes. De parvoíce, logo para começar. De facto comprar quantidades absurdas de um produto, quando se necessita apenas de uma pequena quantidade, é parvo. 
Fazer uma peregrinação, em busca de açúcar, pelas diversas superfícies comerciais é também sinal de histeria. Bastou a comunicação social anunciar a sua eventual escassez para, num ápice, pessoas aparentemente normais se precipitarem para as prateleiras dos supermercados na ânsia de comprar o maior número possível de embalagens. 
Podia, finalmente, pronunciar-me acerca dos sinais de pouca lucidez que esta gente manifesta. Gastaram dinheiro quando não precisavam de o fazer, adquiriram um bem perecível que possivelmente se vai deteriorar antes que o consumam e criaram todas as condições para terem as suas casas invadidas por formigas. Mas não o vou fazer. Sugiro apenas que vão  tendo cuidado com o pacote.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Produzir mais e melhor?! Talvez bastasse só "produzir"!

A receita parece consensual. Precisamos de trabalhar e produzir mais e melhor. Até a mim, que por norma estou contra, esta ideia se afigura como razoável. Por outro lado sucedem-se os apelos contra o desperdício alimentar, nomeadamente das refeições que sobejam em restaurantes e cantinas, tendo mesmo sido criado um movimento de cidadãos que conseguiu já mobilizar uma parte significativa da sociedade para esta causa. Tal como a anterior também me parece uma intenção capaz de reunir o consenso de todos. 
Pena que não se consiga mobilizar ninguém – pelo menos sensibilizar, vá – para um outro problema bem mais grave, pelo menos na minha óptica, que tem a ver com a ausência de capacidade produtiva de bens essenciais à nossa alimentação e, consequentemente, com a necessidade de importar quase tudo o que consumimos. O que, num futuro que pode não ser muito distante, inevitavelmente nos trará problemas que, por agora, dificilmente imaginamos. 
Ainda sou do tempo em que cada metro quadrado de terreno era aproveitado. Por todo o lado cresciam hortas, searas ou simplesmente se plantavam couves ou semeavam batatas. Hoje nada disso acontece. Pior. Criou-se um circuito de produção que constitui um claro desincentivo a quem pretende produzir alguma coisa. 
Até como estamos na época da azeitona, atentemos neste exemplo. Um olival de pequena dimensão produzirá cerca de duas toneladas. Esclareça-se, desde já, que o proprietário tem emprego que não lhe permite ser ele a apanhar a azeitona pelo que terá de recorrer ao recrutamento de mão-de-obra. Como na região as pessoas em idade activa não abundam e as que restam estão ao serviço da autarquia ou no desemprego, a alternativa é procurar entre os ciganos ou a comunidade de leste quem esteja disponível para fazer o serviço. Se tiver a sorte de encontrar, pagará dezoito cêntimos por cada quilo recolhido. Ou seja trezentos e sessenta euros. Como não possui um tractor ou outro de meio de transporte com capacidade adequada, terá de fretar um para colocar a azeitona no lagar. Coisa para, a preço de amigo, mais uns cinquenta euros. O que totaliza quatrocentos e dez euros, portanto. Chegados ao lagar o preço proposto será de vinte cêntimos por quilo. Ou seja quatrocentos euros. O que representa para o proprietário, só nesta fase do processo, um prejuízo de dez euros. 
Claro que, perante este cenário, a azeitona irá ficar na árvore, apodrecer e cair ao chão. O pequeno olival produziu matéria-prima para cerca de duzentos e cinquenta litros de azeite. No entanto, por uma estranha lógica que influencia os factores de produção, o produto final nunca chegou a existir. Se calhar, também nestes casos, a culpa é dos mercados...

sábado, 11 de dezembro de 2010

Pimbagaga

Diz que passou por aí uma senhora gaga que, por sinal, até canta. A criatura, de aspecto esquisito, arrasta consigo uma legião de fans dispostos a tudo, mesmo pernoitar à porta do local do espectáculo, para a ouvir cantar. Ou lá o que ela faz. Até, pasme-se, pagar entre cinquenta a oitenta e cinco euros por bilhete, mais os custos da deslocação para quem não reside pelas redondezas. 
A vinda da exótica senhora a Portugal terá representado a saída do país de mais de um milhão de euros. Mais coisa menos coisa. Quando, no Verão passado, o Presidente da República apelou a que os portugueses não fizessem férias no estrangeiro, porque isso representaria um incremento das importações, teria sido bom que tivesse igualmente lembrado este tipo de acontecimento. Não que tenha nada contra quem canta ou gosta de ouvir cantar. Mas, assim como assim e já que estamos na miséria, não percebo porque raio não se hão-de contentar com a Ana Malhoa, a Ruth Marlene, a Micaela ou com a Romana. Até porque qualquer delas é muito melhor que a tal Gaga.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Limpar as mãos à parede

As paredes dos wc's públicos constituem locais privilegiados para a exibição de mensagens mais ou menos exóticas. Chamemos-lhe generosamente assim. É, também, comum encontrarmos apelos ao asseio, à higiene ou, no mínimo, para que mantenhamos o local como o gostaríamos de encontrar. Este pedido, recomendação ou o que lhe queiramos chamar vai, convenhamos, um pouco mais longe. Mas o caso, há que reconhecê-lo, não é para menos. 
Limpar as mãos à parede, seja qual for o prisma pelo qual se olhe a coisa, não é bom. Estejam elas – as mãos, claro – cagadas ou não. No sentido literal do termo porque a parede fica suja e as mãos não ficam limpas. Em sentido figurado porque se trata de uma expressão popular que significa ter vergonha da sua obra e que se usa quando alguém fez mal qualquer trabalho. No caso em apreço ambos os sentidos parecem encaixar na perfeição. Limpar as mãos à parede, para mais cagadas, além de não contribuir para a higiene pessoal ou do lugar onde tão nojento acto é praticado, é de causar vergonha ao autor de tal serviço.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Consumistas iluminadas

Escapam-me os motivos que levam alguns seres, especialmente gajas, a sentir uma estranha necessidade de comprar coisas. Não porque, de facto, lhes sejam indispensáveis, mas apenas porque sim. Porque, dizem, lhes faz bem ao ego, lhes levanta o astral – seja lá isso o que for – para espairecer ou, apenas, porque gostam de comprar coisas que apesar de não lhes fazerem falta nenhuma estavam ali mesmo a suplicar que as comprassem. Não sei se este tipo de comportamento é ou não considerado uma doença. Mas se não é devia ser. Até porque o grupo de risco está, há muito, perfeitamente identificado e caracteriza-se por ter a carteira cheia e a cabeça vazia. 
Deve ser a este tipo de gente que se destinam as luzinhas que na quadra natalícia alumiam as nossas cidades. Embora haja quem não necessite de incentivos para consumir, acredita-se, vá lá saber-se baseado em quê, que o facto de as ruas estarem iluminadas constitui um estimulo ao consumo. A mim, sinceramente, não me parece. Excepto, claro, ao consumo de energia eléctrica e às demais alcavalas com que a EDP nos compõe a factura.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Bater? Talvez não seja má ideia.

Segundo relatos que se podem encontrar em diversos sites de informação, nos Estados Unidos uma mulher terá sido sovada pela policia na sequência de um desaguisado com os agentes de autoridade, durante o qual se terá recusado a recolher o cócó que a sua cadela largou na via pública.
Na terra do tio Sam as autoridades policiais não brincam em serviço nem, tão-pouco, se brinca com o serviço destas. Como, infelizmente, é vulgar noutras paragens. Haverá, com toda a certeza, muitas situações de abuso por parte dos agentes. Esta poderá ser uma delas. No entanto, e apesar disso, essas situações serão infinitamente menos numerosas do que aquelas em que por cá outros poderes ridicularizam a actuação da nossa policia.
Não pretendo com isto concordar que se desate por aí a malhar nessa malta que passeia os canitos e não recolhe a merda que estes vão largando. Mas, confesso, quase me sinto tentado a fazê-lo. Até porque a alguns apenas se perdiam as que caíssem no chão. Mas que se tem de fazer alguma coisa, lá isso tem. Sejam as policias, as Câmaras ou as Juntas de Freguesia. Senão, um destes dias, ainda alguém se vai lembrar de dizer que a quantidade de merda nas ruas é inversamente proporcional à qualidade dos nossos políticos.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

E porque não o "Dia do empréstimo"?!

Tal como se esperava o “movimento” iniciado pelo ex-jogador de futebol Eric Cantona, que pretendia levar os cidadãos a levantarem as suas economias dos bancos, não deu em nada. A ideia era parva e, em qualquer circunstância, condenada ao fracasso. 
Tenho, cá para mim, que era capaz de obter um apoio muito mais significativo se, ao invés, fosse lançado um movimento à escala europeia ou mundial em que, num determinado dia, todos nos dirigíamos a uma agência bancária para pedir um empréstimo. De montante elevado, claro. Isso sim é que tinha piada. Era parvo na mesma, lá isso era, mas muito mais divertido.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Pontes

Admito que seja da minha má vontade mas, por mais que me esforce, não vejo qual o problema – gravoso ao que parece – da existência no próximo ano de vários feriados à terça e à quinta feira. Para haver as chamadas pontes que, ao que dizem, custam largos milhões de euros ao país, é necessário que o governo conceda tolerância de ponto e, mesmo assim, será uma situação que afectará apenas os funcionários públicos. O que, tratando-se de uma cambada de improdutivos, não deverá afectar assim tanto a economia nacional. A menos que essa coisa da improdutividade sirva apenas para outros argumentos. Nomeadamente àqueles que reclamam do excesso de funcionários públicos e que fazem exactamente o mesmo porque não está um em cada esquina para o servir. 
Uma “ponte”, na ausência de tolerância de ponto, é sempre feita à custa de um dia de férias de quem opta por prolongar os dias de descanso. Sabendo-se que o aumento da duração das férias não é coisa que se preveja venha a acontecer, parece lógico que quantos mais dias o trabalhador gastar em “pontes” menos de dias de férias irá gozar. O número de dias de ausência ao trabalho será, portanto, sempre o mesmo. Com “pontes” ou sem elas. Assim sendo não consigo entender o motivo de preocupação pela generosidade do calendário. Não é por nada, mas sempre gostava de saber se as criaturas que espalham estas atoardas vão conceder tantos dias de descanso às suas empregadas domésticas...

domingo, 5 de dezembro de 2010

O pior cego...

Lamento escrever isto assim, mas não encontro maneira mais simpática ou galhofeira de o fazer: Quem ainda apoia este governo em decomposição, quem permanece ao lado do actual Partido Socialista ou quem continua a considerar como boa a governação de José Sócrates é intelectualmente pouco sério. Pior. Se estiver convicto que governo, actual PS e o primeiro ministro, estão de boa-fé a fazer o melhor para o país e para os portugueses, então, não passa de um indigente mental. 
De inicio pensei que fossem apenas incompetentes. Depois apercebi-me que eram, afinal, oportunistas. Embora continuassem incompetentes. Pelo meio desconfiei que podiam ser ladrões. Vigaristas, até. Há quem assegure que são loucos. Suspeito de algo pior. Acho que nos querem exterminar. Tenho apenas uma certeza. “É preciso acabar com os pobres antes que eles acabem com os ricos”.  Como disse, alguém, em tempos idos. O facto desta gente não perceber isto não augura nada de bom... 
Sou suficientemente tolerante com opiniões diferentes da minha e não tenho qualquer dificuldade em reconhecer quando estou errado. Sei, também, que vivemos uma época de inversão de valores. Custa-me, no entanto, a aceitar – e já nem digo perceber – porque razão tantos andam há anos a ser enrabados por esta camarilha e, ainda assim, parecem continuar satisfeitos. Porra, não pode haver tanto paneleiro!

sábado, 4 de dezembro de 2010

Acção directa

Muitas vezes manifestei neste blogue a minha opinião acerca de movimentos grevistas e de como isso não tem a mesma eficácia de outras acções, concertadas ou não, quando promovidas com determinado fim. Independentemente da bondade das suas reivindicações, se é que existem, ou do que seja lá o que for que pretendem obter com a sua atitude, os controladores aéreos espanhóis demonstraram que é possível afectar muitíssimo mais o poder politico e económico com formas de luta alternativas. 
Nem todas as classes profissionais ou grupos de cidadãos têm, como é óbvio, o mesmo poder de causar prejuízos aos diversos poderes. Acredito, ainda assim, que a soma da acção de cada um, visando o mesmo objectivo, produz um efeito muito maior do que o obtido com uma qualquer greve. Argumentam alguns com o perigo que estes movimentos representam, quer em termos de ordem pública, de segurança ou, até, de comportamento cívico. Parece-me que não. Se calhar haverá é quem esteja preocupado com a ausência de controlo politico do protesto. Ou, os detentores dos diversos poderes, saberem que estas acções, por incontroláveis, afectarão bem mais os seus interesses.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Esqueceram-se dos robalos, foi?

O país recebeu com alivio a confirmação que o Mundial de Futebol de 2018 não se realizará, ainda que apenas uma pequena parte dele, em Portugal. É que, apesar de os optimistas de serviço nos garantirem que os custos seriam mínimos, nestas coisas que envolvem financiamento público o risco fica sempre por conta dos mesmos. Argumentos como o impacto que tal evento teria na economia nacional são, para mim, o principal motivo de satisfação por o campeonato do mundo se realizar noutro lugar. Basta lembrar os Estádios construídos para o Euro - que inexplicavelmente ainda não foram demolidos – e pensar na necessidade imperiosa de realizar investimentos que muitos assegurariam serem imprescindíveis. TGV, aeroporto e acessos a qualquer coisa teriam, caso nos tivesse calhado a fava, constituiriam de agora em diante mais um motivo para o auto intitulado engenheiro insistir na sua construção. 
Para além de tudo isso, ver o gajo de trombas também dá um gozo do caraças.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Poupança. Ou a falta dela.

A questão da poupança está na ordem do dia. Não há orgão de comunicação social que não nos forneça, gratuitamente sublinhe-se, as mais variadas dicas para poupar alguns trocos que, todos somados, no final de um determinado período de tempo representam uma quantidade considerável de euros. Isto porque apenas agora surgiu a convicção que refrear o elevado nível de consumo a que temos assistido ao longo dos últimos anos e estimular hábitos de aforro, constituirá uma das principais condições para melhorar a situação do país.
Receio que esta seja uma campanha condenada ao insucesso. Em matéria financeira os portugueses não têm juízo, não sabem gerir o seu pequeno orçamento doméstico e anseiam constantemente dar o passo maior que a perna. Que é como quem diz gastar mais do que aquilo que realmente podem. E, por mais estranho que pareça, gostam que o seu clube, a sua associação, a sua Freguesia, o seu Município ou o Estado façam o mesmo. Embora, relativamente a este último, até defendam algumas poupanças desde que estas, claro, não os atinjam. 
Mais do que poupar importa ser racional. Por isso muitas das sugestões de poupança que ultimamente têm vindo a lume, mais não são do que regras básicas que todos devíamos seguir no dia a dia. Recorrer ao crédito apenas na medida do estritamente necessário ou gastar o nosso dinheiro somente naquilo que nos é útil e indispensável são algumas delas. Outra, igualmente importante mas que todos parecem descurar, é exigir que a associação ou o clube de que somos sócios e que a autarquia onde exercemos o nosso direito de voto tenham igual comportamento.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Espionagem blogosferica

Consta, mas se calhar é só mais um mito urbano, que haverá pessoas mandatadas para analisar diariamente a blogosfera a fim de recolher dados a respeito de quem critica o governo. Serviço que, muito naturalmente,  estará a ser devidamente remunerado. A acontecer não me parece mal de todo. Será uma maneira de manter entretida uma certa gente, com pouca habilidade para fazer coisas úteis mas muita vontade de lamber coisas. Sapatos, nomeadamente. Ou até, quem sabe, botinhas de lã. Mesmo que estas, apesar do aspecto ternurento que possam evidenciar, vão deixando um ou outro borboto. 
Não sei se essas pessoas verificam o que vou escrevendo aqui pelo Kruzes nem se recolhem informações sobre o autor. Eu, no caso. Desconfio que não. Mas se estiver enganado e este sitio for visitado por quem alegadamente estará incumbido de transmitir as informações ao chefe, peço-lhes, encarecidamente, um favor. Já que se dão ao trabalho de ler as alarvidades que vou postando, sejam fofinhos e cliquem nos anúncios, inscrevam-se nos sites e comprem as coisas que publicito. Estarão, dessa maneira, a contribuir para que empresas nacionais vendam os seus produtos e a ajudar o nosso querido líder a não se sentir tão sozinho na árdua tarefa de puxar pelo país. Vão ver ele ainda vai agradecer. E eu também. Para além que, se fizerem isso, prometo não contar nada àquele linguarudo da wikileaks.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

As aventesmas do costume

O rigor informativo não é propriamente o forte da maioria dos nossos orgãos de comunicação social. Durante o fim de semana a maioria deles colocou particular ênfase no facto de o primeiro prémio do euromilhões ter saído a um grupo de apostadores madeirenses, entre os quais se incluirão algumas pessoas carenciadas. Ao que foi revelado, o custo semanal da aposta seria de dezoito euro por apostador. O que, a ser verdade, representará um encargo mensal de setenta e dois euros. Convenhamos que para carenciado é uma quantia considerável. 
Fico satisfeito por mais alguns portugueses se verem livres das leis sócretinas. Embora, como é natural, ficasse muitíssimo mais se o libertado fosse eu e todos os restantes vinte e oito sócios que comigo partilham a esperança de um dia nos tocar em sorte algo do género. Todavia acho completamente descabida essa necessidade informativa, talvez para romancear a coisa, de salientar a pretensa carência económica dos felizes contemplados. 
Pior só facto de agora haver já quem sugira que a vencedora é a dona da tabacaria. A senhora, como promotora da sociedade em causa apesar de não a integrar, é quem está na posse dos originais dos boletins. Pelo que, perante a Santa Casa da Misericórdia, é a legitima vencedora. Houve mesmo orgãos de informação que solicitaram a opinião de juristas e especialistas diversos acerca da matéria. Repugnante, quanto a mim, suscitar dúvidas quanto à titularidade do prémio. Quererão, provavelmente, os mentores destas questões provocar guerras e desavenças onde não há qualquer motivo para isso. Espero que toda a gente saiba manter a cabeça no lugar e aplicar o dinheiro que a sorte lhes atribuiu com ponderação e bom-senso. De preferência longe de jornalistas que apenas pretendem fabricar noticias. Alegadamente, claro.

domingo, 28 de novembro de 2010

Eco-deputados

O actual PS não pára de surpreender os portugueses com medidas verdadeiramente importantes. Na ausência de novas causas fracturantes os deputados – ou quem manda naquela malta – do partido que ainda ocupa o poleiro, entretêm-se a propor coisas que realmente importam ao país e que podem contribuir decisivamente para o fim do triste ciclo que actualmente se vive. Infelizmente nenhuma delas inclui o suicídio colectivo daquela trupe mas, ainda assim, são propostas louváveis. Ou de se lhe tirar o chapéu, vá. 
Ao que se sabe o grupo parlamentar do actual Partido Socialista - não confundir com outro partido, que por acaso tem o mesmo nome e a quem os portugueses muito devem – pretende, de ora em diante, obrigar os supermercados a conceder um desconto de cinco cêntimos, por cada cinco euros de compras, a quem prescindir dos habituais sacos de plástico para acondicionar as ditas. Livres da obrigação de dar o descontinho ficarão os agentes económicos que decidam cobrar um valor, admite-se que simbólico, a quem insistir em levar o saquito. Gosto particularmente desta medida. Há que acabar com o plástico, essa invenção capitalista. Pena não aproveitar a ocasião para regulamentar o modo de transporte e acondicionamento dos diversos tipos de bens entre a loja e o domicilio do comprador. 
O mesmo grupo para lamentar apresentou também uma proposta que visa acabar com a água engarrafada no parlamento e, por consequência, fazer com que os deputados passem apenas a beber água da torneira. Por mim estou quase de acordo. Apenas coloco um senão. Acharia melhor ainda se a proposta incluísse a recuperação da profissão de aguadeiro. Embora modesto, seria um contributo para a criação de postos de trabalho. Daqueles a sério em que se trabalha e tudo. Ah! E antes que me esqueça, aproveito desde já para me demarcar de qualquer proposta tendente a organizar excursões com o propósito de ir mijar para a água da barragem de Castelo de Bode.

sábado, 27 de novembro de 2010

Volta Sandokan, estás perdoado.

Faltam-me as palavras para definir o civismo dos meus conterrâneos quando conduzem um automóvel. Ou quando o estacionam. Este cenário constitui uma moda recente e que resulta, no essencial, de dois factores. A abertura de alguns estabelecimentos comerciais nesta zona do Rossio e o facto de o Sandokan já não chefiar o posto da Policia de Segurança Pública. Podia também mencionar uma terceira circunstância e que tem a ver com a necessidade tuga de levar o carrinho até à miníma distância possível do local de destino. Mas isso até se compreende. Há que poupar as energias para a caminhada do lusco-fusco.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Vigaristas sem classe

Costumo dizer que se algum dia for confrontado com uma situação extrema, que implique a falta de recursos financeiros para satisfazer as necessidades mais básicas e não tiver outro meio de o fazer, não hesitarei em recorrer a métodos pouco lícitos para obter os rendimentos que considere adequados. 
Provavelmente é o que fazem as pessoas que enviam o tipo de email's da imagem ao lado e que diariamente me atafulham a caixa de correio. Podiam e deviam, como já tive ocasião de referir noutros posts em que o nível de desagrado com o volume de lixo acumulado me fez abordar a questão, era ter um pouco mais de respeito pela inteligência daqueles que escolhem como vitimas e adequar a forma de actuação ao público alvo que pretendem atingir. Uma história como a desta carta talvez resultasse, por exemplo, em Fátima num dia de peregrinação se fosse contada a uma das muitas velhotas de xaile e pelos na verruga. Assim, por mail e com um português manhoso de tradutor on-line, está condenada ao fracasso. 
Embora mais rebuscados, e já com um ou outro casos de sucesso, parecem-me igualmente fraquinhos os esquemas que visam caçar os códigos do home-banking. Para além dos constantes alertas dos bancos para estas tentativas de fraude, a coisa tem o senão de o burlão correr o sério risco de mandar um mail a pedir os dados bancários de um banco onde a potencial vitima não é cliente. O que, como é óbvio, a deixa alerta contra este tipo de burla. A menos que – e é sempre um dado a ter em consideração – o destinatário seja parvo. 
Como é bom de ver estes são métodos reprováveis a que não recorreria se me visse na situação descrita no inicio deste texto. Preferia outros igualmente desonestos mas com mais probabilidades de êxito. Como o daquele tuga que, coincidência do caraças, conseguia localizar todos os canitos que se perdiam no país e receber grande parte das recompensas atribuídas pelos desesperados donos...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Poltrões!

Ao contrário do anunciado e do que alguns – coitados – acreditaram, os sacrifícios exigidos, alegadamente para combater uma certa crise que se diz existir por aí, não são para todos. Só os tolinhos podiam pensar o contrário. Com o descaramento próprio das pessoas sem vergonha, PS e PSD viabilizaram a intenção do governo de não aplicar cortes salariais às empresas públicas. Pelo menos àquelas que o governo entender ou  onde a camarilha que por lá ciranda tenha a força de persuasão necessária, junto de um qualquer ministro, para se escapar à austeridade anunciada. 
O argumento dos bandalhos que assim decidiram é notável. Evitar que, por força da redução salarial, se verifique uma fuga de quadros para a concorrência privada é, de facto, uma argumentação digna das cabeçorras instaladas no poder. Como se alguém dos privados andasse permanentemente à pesca de funcionários, altos quadros ou administradores das empresas públicas. E, mesmo que se verifiquem transferências para as empresas privadas da concorrência não parece que daí venha grande mal ao mundo. Nem, mais importante ainda, ao mercado. Basta lembrar que Armando Vara saiu da Caixa Geral de Depósitos para o Banco Comercial Português e o banco do Estado continuou a existir. É verdade que as acções do BCP continuam a desvalorizar e, por este andar, qualquer dia até um sem abrigo pode comprar a sua totalidade. Se calhar é por isso que o governo optou por esta solução. Pagar-lhes bem para os gajos não saírem e, assim, não arruinarem o que ainda resta das empresas privadas em Portugal.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A greve tem destas coisas

Estou siderado com o exacerbado sentimento patriótico que hoje é possível encontrar em muitos portugueses. Nomeadamente entre os que não fizeram greve. Pelo menos a julgar pelas justificações para não aderir à greve e pelas opiniões dos muitos opinadores que hoje tiveram oportunidade, nos mais variados fóruns radiofónicos e televisivos, de manifestar a sua opinião desfavorável à paralisação geral decretada pelas centrais sindicais. Todos eles unânimes, trabalhadores e patrões, em garantir que o país precisa é de trabalho e que greves apenas contribuem para afundar ainda mais a nação. Pois sim. Lembrem-se disso quando forem passar férias ao estrangeiro, comprar inutilidades nas lojas dos chineses, prescindirem da factura para não pagar o iva ou, principalmente no caso dos empresários hoje particularmente patriotas, na altura de entregar a declaração anual às finanças. 
Ontem, pelo contrário, Francisco Van Zeller em entrevista televisiva manifestou a sua concordância com a greve geral. Para o empresário e antigo dirigente patronal existem fortes motivos de descontentamento que justificam a sua convocatória e que até é bom fazer um dia de greve, deitar a indignação toda cá para fora e depois voltar tudo ao normal. No seu entender é preferível este procedimento do que não se fazer nada e cada um optar por outras coisas. Que, obviamente, não especificou mas que se percebem. 
Já expressei neste blogue, em diversas ocasiões, a minha posição acerca das greves que visam objectivos como os que estão em causa. É tempo - e principalmente dinheiro - perdido. Por isso o antigo patrão dos patrões prefere a greve. Ele sabe porquê. Nós, os que somos atingidos pela loucura de quem nos governa, também devíamos saber e optar pelas tais coisas. E, mais do que perder dias de trabalho e de ordenado, usar a nosso favor todos os artifícios a que ainda podemos recorrer para obter algum beneficio. Já que parar a legislação idiota produzida por gaiatos ranhosos de capacidade intelectual duvidosa cujo único mérito é ter um cartão partidário, parece ser apenas possível através de outras lutas.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O regresso do escudo?! Livra...

Começa a surgir uma corrente de opinião, entre afamados especialistas em coisas, que entende que a saída do euro, de Portugal e outros países que se revelarem incapazes de controlar as contas públicas, constituirá uma inevitabilidade. Esta tese colhe, inclusivamente, a opinião favorável de alguns analistas portugueses que a consideram mesmo crucial para a sobrevivência das empresas nacionais, nomeadamente para o sector das exportações e para a retoma da economia. 
Como já escrevi em diversas ocasiões, desconfio dos economistas. De nenhum em particular, os que conheço são todos pessoas estimáveis, mas não gosto das suas ideias, das soluções que preconizam para a saída da crise – das crises, se calhar é mais correcto – nem das suas previsões acerca do que o futuro nos reserva. Mesmo percebendo as “vantagens” de, internamente, se controlar a politica monetária ou as taxas de juro e de ter uma mão-de-obra com o nível salarial do Bangladesh, parece-me, na minha modestíssima opinião, que esta teoria esbarra de frente com um ponto essencial. Mesmo que nós saiamos do euro ele continuará a existir. 
Uma medida desta natureza traria, no imediato, resultados catastróficos para o sistema bancário e para a economia. Seria a falência da nossa sociedade tal como a conhecemos. Toda a gente correria aos bancos a levantar o seu dinheiro ou, quem o pudesse fazer, apressar-se-ia a mudá-lo para lugar mais seguro. Colocá-lo ao largo, de preferência. Antes que ocorresse uma acentuada desvalorização da moeda e, por essa via, visse as poupanças esfumarem-se. Por mim, que não tenho grandes reservas nem sei como se fazem essas transferências manhosas, passava tudo para o paypal... 
Se a saída da moeda única tornaria competitivas as exportações, já do lado das importações iríamos ter um problema sério. Importando o país quase tudo o que consome, incluindo bens alimentares, as consequências de um acentuado e generalizado aumento de preço dos produtos mais básicos e essenciais seriam trágicas. A fome, a miséria e tudo o que lhes está associado atingiriam proporções alarmantes e, acredito, seria o colapso definitivo do Estado. Resta-nos a esperança que, com certeza, os economistas encontrariam uma solução...

domingo, 21 de novembro de 2010

Estacionamento tuga

Umas quantas cabeças pensantes - verdadeiros génios da táctica e sumidades da estratégia – resolveram  há quase três anos revolucionar o trânsito nos bairros da Salsinha, Monte da Razão e Quinta das Oliveiras. Lembro-me até de,  na altura, ter recebido um e-mail a dar conta da satisfação dos moradores dos referidos bairros por tão genial mudança. Obviamente que poucos residentes destas urbanizações estarão de acordo com as alterações introduzidas à circulação automóvel nestes locais. Conforme já escrevi em diversas ocasiões as distâncias a percorrer são bastante maiores, o que se reflecte nos consumos de combustível e no compreensível desrespeito por uma sinalização perfeitamente estúpida. Com as desagradáveis consequências que daí podem advir. 
Quem elaborou o plano actualmente em vigor – presumo que reputados técnicos com vasta experiência e nulo conhecimento do terreno – optou por não ouvir os moradores. Se o tivessem feito as preocupações que teriam ouvido prender-se-iam com aspectos completamente diferentes. Um deles seria de certeza o estacionamento de camiões de longo curso na entrada do bairro da Salsinha junto ao cruzamento para o Redondo, bem como nas ruas e nos locais para estacionamento de viaturas ligeiras. Verdade que as entidades a quem está atribuída a responsabilidade pelo arranjo urbanístico do bairro, pouco ou nada fizeram aos longo dos últimos vinte cinco anos no sentido de reabilitar o espaço não edificado. Verdade, também, que a falta de organização da zona e o visível desleixo a que a mesma tem sido votada ao longo do tempo potencia este tipo de abuso. Mas situações como as que mostra a foto que acompanha este texto podiam ser evitadas. 
Não é de esperar uma atitude cívica da parte dos proprietários e condutores das viaturas pesadas que por ali pernoitam e passam fins de semana. Qualquer arranjo urbanístico, desde que passe da fase de ideia até estar pronto, pode demorar largos anos. Mas, constituiu uma obrigação de quem tem soluções tão brilhantes para a regulação do trânsito - como as que pôs em prática nesta zona da cidade - tomar rapidamente medidas que ponham fim a uma situação que incomoda moradores, aborrece quem precisa estacionar o automóvel e desagrada a quem depara com mamarrachos deste quilate plantados em locais inadequados.

sábado, 20 de novembro de 2010

Gente séria

Presumo que a quantidade de manifestantes que desfilou hoje à tarde na Avenida da Liberdade irá variar consoante a fonte da noticia tenha origem nos organizadores do passeio, na policia ou no palpite dos jornalistas que acompanharam o acontecimento. Pelas imagens que as televisões mostraram não terão sido muitos. Nem, provavelmente por culpa do aparato policial, tão violentos como noutras paragens onde se realizaram cimeiras deste género. O que também não é de estranhar. Várias razões concorrem para isso: Somos um povo de brandos costumes, na manifestação havia uma elevada percentagem de velhotes ou de malta a ficar entradota, os estrangeiros que eram esperados não conseguiram entrar em Portugal e, por último mas não menos importante, o PCP e todas as organizações por si patrocinadas só querem aparecer e proporcionar aos seus apaniguados um motivo para exibirem as bandeiras e as causas. Perdidas, quase todas. 
Destas coisas das manifestações aprecio essencialmente as curtas entrevistas que as televisões fazem aos intervenientes. Extravasam superioridade moral e intelectual, irradiam cultura, mostram um conhecimento politico ao alcance de poucos – basta ver os resultados eleitorais – e evidenciam uma petulância que me suscita uma enorme vontade de rir. Foi o caso de hoje. Apesar do notório mau aspecto da maioria, alguns com evidentes sinais de não se aproximarem de água há meses, transmitiram-me ensinamentos importantes e que desconhecia por completo. Entre outras coisas fiquei a saber que a NATO é má. Faz maldades. Que as bombas atómicas matam que se fartam - excepto se forem do Paquistão, Índia, Coreia do Norte ou Irão – e que portanto há que acabar com o arsenal nuclear da Aliança Atlântica. Descobri também que não gostar de guerra é exclusivo da esquerda. O que me levou a uma preocupante conclusão. Varreram-se completamente da memória as gigantescas manifestações contra a a invasão soviética do Afeganistão, que o PCP organizou na década de oitenta.