A malta de esquerda tem uma visão romântica e quixotesca da vida. Pelo menos o pessoal de esquerda na verdadeira acepção da palavra. Esses são genuínos, por norma honestos, e não devem ser confundidos com uma certa maralha que se diz de esquerda porque acha que o facto de se dizer posicionado mais para o lado canhoto dá ares de uma pretensa superioridade intelectual. Tão pouco devem ser comparados com a esquerda rosácea. Estes alegados esquerdistas apenas o são por uma questão de conveniência ocasional, embora tenham o cuidado de não praticar, excepto, claro, quando eleitoralmente lhes dá jeito jogar pelo flanco esquerdo.
Vem isto a propósito deste cartaz. Achar que os Correios, ou qualquer outra empresa pública, são do povo é de uma ingenuidade comovente. Quase de ir às lágrimas. Podemos questionar a sua privatização. Podemos, até, questionar as vantagens e desvantagens de muitas das privatizações que já foram feitas e das que se anunciam. Agora afirmar que qualquer uma dessas empresas foram ou são do povo é próprio de quem vive num mundo de fantasia. No mundo real, o poder – e tudo o que com ele se relaciona – foi tomado por uma mafia, agora rosa e num futuro próximo laranja, que tudo controla. Incluindo as tais empresas que alguns ainda querem que sejam do povo.
No caso concreto dos Correios, além de ser uma instituição magnifica para dar emprego a bóis que conseguem invariavelmente chorudos prémios de desempenho, não é mais que um local onde o povo espera uma hora para levantar uma carta registada. Onde, em certos dias do mês, mais vale não ir porque está apinhado de malta mal-cheirosa a receber o “rendimentuuuu” - com prioridade no atendimento sobre os outros clientes - e qualquer cidadão se arrisca a ser ofendido. Ou coisa pior.
























