Morar no resort – bairro, acampamento, ou lá o que lhe queiram chamar – das Quintinhas não constituirá o sonho de qualquer estremocense. Mesmo não pagando renda pela ocupação do espaço, ainda que a casa tenha sido construída com materiais “encontrados” aqui ou ali, com água de borla e luz paga pela Câmara, aquele local não fará parte do projecto de vida que o cidadão médio fez para si.
Apesar das manifestas contrariedades que atormentarão a vida dos que por ali moram, nem tudo é mau para os escolheram o local como poiso permanente, temporário, ou como refúgio mais ou menos seguro para escapar às consequências de uma ou outra tropelia própria de quem leva uma vida repleta de ócio e pouco consentânea com o cumprimento dos deveres de cidadania. Os notórios sinais exteriores de riqueza, nomeadamente ao nível do parque automóvel, são disso um bom exemplo. A par da invejável localização. Que permite, por exemplo, uma ida às compras ao supermercado situado mesmo ao lado e levar comodamente o carrinho das compras até à porta de casa.
O inverso, levar o carrinho para ir às compras, é que parece não ocorrer com frequência. Donde facilmente se conclui que todas as teorias que garantem a pouca apetência daquela malta para a realização de tarefas que envolvam esforço são, manifestamente, desprovidas de fundamento. Parece evidente que eles preferem manobrar os ditos carrinhos quando estão carregados e pesam muito mais, do que quando estão vazios e o esforço a despender será significativamente menor.










