segunda-feira, 19 de abril de 2010

Sejamos tolerantes

Já escrevi acerca do assunto mas não resisto a voltar ao tema. Constitui para mim um mistério a indignação que vai grassando por aí relativamente à concessão de tolerância de ponto aos funcionários públicos aquando da visita papal. Os argumentos contra, ou a favor, da decisão governativa são mais que muitos e cada um mais espectacular que o outro.
Entre a argumentação mais rebuscada dos que se manifestam contra encontrei a opinião, partilhada por um número significativo de intervenientes, que o dia de descanso da função pública vai custar largos milhões de euros ao país. Provavelmente entre os que perfilham este argumento encontrar-se-ão alguns que consideram os funcionários do Estado uma cambada de calões que pouco produzem. Excepto, evidentemente, nos dias em que o Papa vem a Portugal. Aí não há funcionário que não produza o dobro. Ou mais. Deve ser algo parecido com a influência que o Jesus exerce sobre os jogadores do Benfica… 
Há também quem alegue que o mesmo principio se deve aplicar quando outros chefes de Estado visitam Portugal e citam, a título de exemplo, a visita de Barack Obama a realizar lá mais para o final do ano. Sou tentado a pensar que debaixo de marosca. Embora pela minha parte ache muitíssimo bem essa coisa das tolerâncias – devemos ser tolerantes, não é? – hesito em achar boa ideia que se tome tal medida na altura da visita do Presidente norte-americano. Ou muito me engano ou essa malta quer é ir para lá manifestar-se contra o homem e a sua politica imperialista.

domingo, 18 de abril de 2010

Cobardemente, sob pseudónimo.

A blogosfera constitui um espaço onde todos podem - de forma anónima, sob um pseudónimo cobarde ou de maneira perfeitamente identificável – exprimir a sua opinião acerca de tudo. Percebam alguma coisa ou sejam manifestos ignorantes relativamente ao assunto sobre o qual estão a opinar. Ao contrário de muita gente, defendo e acredito que qualquer das opções não é determinante para a validade das ideias que se pretende transmitir.
Relativamente ao anonimato, diabolizado quando critica e tolerantemente aceite quando elogia, constitui um direito de qualquer cidadão não querer ser identificado quando exprime a sua opinião. Deve ser por isso que o voto é secreto. Deve, também, ser essa a razão porque na nossa sociedade democrática tanto se criticam os partidos e organizações de vária índole onde as votações ainda se realizam de braço no ar, método pelo qual inevitavelmente se ficam a conhecer as opiniões de cada um. Não estou, mas aceito facilmente que seja problema meu, a ver grande diferença entre uma e outra situação. Com a inegável vantagem de, no caso de comentadores, o webmaster poder com toda a facilidade eliminar as opiniões divergentes. Coisa que nos tais partidos e organizações nem sempre é possível. E sublinho nem sempre. 
Já quanto aos cobardes que se escondem por detrás de um pseudónimo é, de facto, intolerável. Nem sei como é que a legislação nacional – ou comunitária que estas coisas não conhecem fronteiras – não se encarregou de regulamentar esta matéria. E já agora de proibir artistas, escritores, jogadores de futebol e outros palhaços de usar um nome diferente daquele que pais ou padrinhos lhes atribuíram. 
Escrever e assinar por baixo, de preferência com fotografia ao lado, não me parece – mas isso é só a minha opinião – acto de particular coragem. Atente-se num caso ocorrido, não há muito tempo e certamente ainda fresco na memória dos mais atentos à blogosfera, onde alguém perfeitamente identificado escreveu as maiores bacoradas, ofendeu e ameaçou de forma que poucos anónimos ousaram fazer, todos os que agiram ou pensaram de maneira diferente daquilo que parecia correcto ao opinante cabalmente identificado. Argumentar-se-á que será possível pedir responsabilidades a quem assim procede. Pois sim. Vê-se. Quando muito a única vantagem é saber a quem se pode dar um murro nos cornos.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Calinadas

O português é uma língua muito traiçoeira. Disso já sabíamos. Também não nos é desconhecido que é muito maltratada. Mesmo ao mais alto nível. Veja-se, literalmente porque ouvir não se ouve nada, a resposta do primeiro-ministro ao chato do Anacleto Louçã. “Manso é a tua tia, pá!” constitui um enorme pontapé na gramática, como qualquer puto ranhoso do quarto ano do ensino básico tem obrigação de saber e todos os que – ranhosos ou não – se sentam no parlamento tem igualmente o dever de conhecer. 
Garanto que se no meu tempo de instrução primária mandasse uma atoarda desse calibre seria valentemente sovado. Embora nessa altura, justiça seja feita, nem fosse necessário nenhum motivo em especial para a facínora que me leccionou as primeiras letras malhar qualquer um. O facto de frequentar a sua escola já era razão suficiente. 
O pretenso insulto proferido por Sócrates enferma, portanto, de um erro fundamental. “Manso é o teu tio, pá!” estaria, isso sim, correcto. No entanto, vá lá saber-se porquê, não teria o mesmo impacto nem atingiria com a mesma intensidade aquele que se pretende ofender. Sabe-se que constitui uma ofensa muito maior a referência aos membros femininos da família. Coisa que, agora que penso nisso, se revela um intrigante mistério. Neste contexto, e partindo do principio óbvio que o adjectivo “manso” seria sempre de incluir na ofensa, o primeiro-ministro devia ter afirmado “Manso é o teu pai, pá!”. A construção da frase estaria correcta, evitando uma confrangedora calinada ao nível de outras construções pelas quais também é responsável, e, simultaneamente, ofendia Anacleto Louçã fazendo uma implícita referência a um elemento feminino da família daquele. A menos que a lembrança dos cornichos do seu ex-ministro Manuel Pinho tenham feito José Sócrates, no último momento, trocar o parentesco…

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Finalmente boas noticias

Quando tudo parecia correr mal para as finanças nacionais, eis que começam a surgir as boas notícias. Um daqueles fulanos que manda uns bitaites lá para as europas veio a público ameaçar os estados com défices excessivos que essa condição poderá levar a União Europeia a fechar a torneira dos fundos comunitários. Apesar do alarme que essa eventualidade, a concretizar-se, possa causar às construtoras e a todos os que, de uma ou de outra forma, obtém alguns proveitos dos dinheiros europeus, esta é uma excelente noticia para os portugueses. Aquilo que é tido como uma represália pelo mau comportamento das nossas finanças públicas poderá afinal constituir um excelente ponto de partida para a recuperação das contas nacionais e, eventualmente até, contribuir para alguma moralização da sociedade.
A falta de financiamento poderá por em causa os investimentos megalómanos já anunciados pelo governo, bem como outros, embora de menor dimensão mas de utilidade igualmente duvidosa, promovidos pelas autarquias locais. Ao contrário daquilo que nos querem fazer crer, a comparticipação comunitária representa um valor que oscila entre os cinquenta – às vezes nem isso – e os setenta e cinco por cento do total do investimento. Significa isso que uma obra financiada terá sempre uma forte componente nacional que será tanto maior quanto menor for o financiamento europeu. Ou, exemplificando, se o arranjo de um qualquer largo tiver um custo de dez milhões de euros, e obtiver um financiamento de cinquenta por cento, o promotor nacional terá de entrar com cinco milhões de euros. Como não possui esses recursos irá, inevitavelmente, recorrer à banca para se financiar o que, como é fácil de ver, aumentará o seu nível de endividamento. De recordar que muitos analistas consideram esse – o endividamento – o maior dos nossos problemas. Mal comparado, seria o mesmo que alguém me desse quinhentos mil euros para comprar uma casa de um milhão e eu ficasse com a obrigação de pagar o resto…Nestas circunstâncias haveria muita gente a pensar que seria um bom negócio?

quarta-feira, 14 de abril de 2010

"Bento de Jesus Carcaça"?! Cum caraças!

Há muito que não faço menção às buscas no google que dão origem às visitas dos leitores que, por um ou outro acaso, acabam por vir parar até ao Kruzes. Verdade que ultimamente não tem aparecido nada de muito especial. Até hoje. Não sei se sou só eu que acho, mas “Bento de Jesus Carcaça” parece-me uma pesquisa a atirar para o sui generis…

Não chateiem o Zé Rato!

Apesar de algumas tentativas de pressão em sentido contrário, o governo resolveu – e bem – conceder um conjunto de tolerâncias de ponto nos dias em que o Papa visita o país. Treze de Maio, dia em que a dispensa de comparecer ao serviço se estende a todo o país, é feriado cá na terrinha e, por isso, os benefícios da visita papal não se farão sentir por aqui. Ainda assim, reitero, acho muitíssimo acertada a decisão governativa. O que me parece pouco acertada é a contestação que alguns sectores da sociedade, embora marginais e muito menos representativos do que o eco das suas vozes pode fazer crer, estão a evidenciar relativamente a esta questão.
Por detrás da contestação à visita de Joseph Ratzinger - o Zé Rato - estarão os movimentos e associações da paneleiragem e os interesses de uns quantos que, alegam, terem sido abusados por padres pedófilos quando eram miúdos. Esta situação levou alguns membros do clero a fazer a associação óbvia, que qualquer mortal faria, entre pedofilia e paneleiragem. Admito que nem todos os paneleiros sejam pedófilos mas, no caso, não sei que nome chame aos padres que, alegadamente, terão abusado dos senhores que agora se queixam de, em crianças, terem sido vítimas de abusos sexuais. Talvez homossexuais. Ou gays, vá. 
Os assuntos religiosos, desde que não interfiram com o meu modo de vida, são coisa que não me interessam absolutamente nada. Como tal a visita da criatura é-me indiferente. O que já não me é tão indiferente é a indiferença que alguns – agora tão ofendidos com estes casos de pedofilia, paneleiragem ou lá o que lhe queiram chamar – manifestam relativamente a outras ocorrências semelhantes. Bem mais próximas de nós no espaço e no tempo. Deve ser, parece licito concluir, por os intervenientes em lugar das batinas e sotainas usarem fatos e gravatas de marcas famosas.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Homenagem?!

A Câmara de Lisboa homenageou hoje o Marechal António de Spínola, assinalando a data em que, se fosse vivo, completaria cem anos. Está bem que o homem, escassos seis meses depois do golpe militar que o colocou na presidência da república, optou por outro estilo de vida mas, que diabo, também não havia necessidade de atribuir o seu nome a uma avenida que vai dar a Chelas. Ainda assim o senhor foi presidente deste país, porra!

Os patetas do politicamente correcto são a maior ameça à liberdade de expressão


A comunicação social, a blogosfera, a classe política e uma pequena parte do país real discutiram não há assim tanto tempo, de forma acalorada, se em Portugal havia ou não condicionalismos que limitavam a liberdade de expressão. Fui um dos subscritores da petição on-line que sobre esta matéria circulou pela internet mas, provavelmente, por razões diferentes da maioria dos que subscreveram o tal abaixo-assinado virtual. Pese todas as tentativas de controlo da comunicação social por parte do poder político, ou das ameaças e chantagens dos seus apaniguados para controlar a bloga, não me parece que a liberdade de cada um exprimir as suas opiniões políticas esteja em causa. Afirmar o contrário é, para não lhe chamar outra coisa, patético. 
Como venho a afirmar há muito tempo a liberdade de expressão está, de facto, ameaçada mas por outros motivos. Que – e aí reside, quanto a mim, o verdadeiro perigo – vão muito para além das opções politicas de cada cidadão. Vivemos a época do politicamente correcto, onde uma elite supostamente bem pensante define os termos e as condições em que nos devemos pronunciar acerca das coisas mais banais. O pior é que nem sempre damos conta dos seus avanços, dos tentáculos com que vão silenciando a sociedade e da forma, como quase sem nos apercebermos, vamos expulsando da nossa linguagem palavras ou expressões que sempre utilizámos. 
Como todas as ditaduras também esta é ridícula. Veja-se um recente episódio em que um ouvinte da rádio pública se queixou ao provedor do ouvinte da dita estação por o jornalista que fazia a transmissão radiofónica do jogo de futebol entre o Sporting e o Everton ter usado, durante o relato, expressões como “ graças a Deus”, “Deus queira” ou “oxalá”. Argumenta a criatura que “a utilização destas expressões é injustificável precisamente porque a linguagem na comunicação social laica deve ser a adequada”, entre outros argumentos, verdadeiramente risíveis, que evoca para sustentar a sua critica relativamente ao trabalho do profissional que assegurou a cobertura do evento desportivo em causa. 
Se a existência deste tipo de queixa já de si seria motivo para preocupação – pelo menos pela sanidade mental de quem a faz – a coisa piora quando o provedor lhe dá razão. Vai mesmo mais longe e afirma que “não fazem sentido expressões destas numa transmissão radiofónica” e que “a melhor forma de as evitar é o exercício de uma atenção crítica e autocrítica permanentes na área profissional”. Um pouco de auto censura, portanto. 
Se episódios destes não são condicionadores da liberdade de expressão, então não sei como os classifique. Até porque se repetem com uma frequência inusitada em todos os sectores da sociedade. Mesmo na classe politica, que também é vitima desta nova e repugnante classe de ditadores. Ou ainda ninguém reparou como o termo “autista”, outrora tão em voga independentemente do evidente mau gosto, desapareceu misteriosamente do debate político?

domingo, 11 de abril de 2010

Estacionamento tuga

Vão-me faltando as palavras para qualificar o comportamento dos condutores quando chega a hora de estacionar os seus carrinhos. Faltam-me na mesma proporção em que me sobram as imagens de constante atropelo às normas que regulam o trânsito na via pública e, principalmente, ao civismo e ao bom senso que deviam estar sempre presentes quando se tem um volante nas mãos.

sábado, 10 de abril de 2010

As teorias do Dr. Frasquinho

Ainda nem oito dias tinham passado desde a publicação deste post e já o Dr. Frasquinho se encarregava de me dar razão. Ao discursar em mais um congresso do PSD, o ex-secretário de estado de Manuela Ferreira Leite no governo em que esta foi ministra das Finanças, defendeu que o partido a que pertence devia propor a redução dos vencimentos dos funcionários públicos. Acerca disto já manifestei a opinião, em muitos textos publicados aqui no blogue, que tal medida, a efectivar-se, apesar de numa primeira fase até poder contribuir para o equilíbrio das finanças públicas, acabaria por se revelar catastrófica para a economia. Recorde-se que o governo a que o Dr. Frasquinho pertenceu foi pioneiro no congelamento de salários – durante dois anos consecutivos os vencimentos acima de mil euros estiveram congelados – e os resultados demonstraram claramente que tal medida foi absolutamente ineficaz e não produziu qualquer efeito no combate ao deficit. Todos se recordarão que, apesar disso e das muitas receitas extraordinárias cozinhadas à pressa, o desequilíbrio das contas do Estado não parou de aumentar.
Acredito que o Dr. Frasquinho seja um brilhante economista. É, até, Mestre em “Teoria Económica”. Perceberá destas coisas, como é óbvio, muitíssimo mais do que eu. Pelo menos em teoria. Do que eu e do que muita gente. Mais até do que o Belmiro que, apesar de forreta e de ter fama de pagar mal aos seus empregados, não lhe parece bem que haja uma redução de salários. Porque, diz ele, o consumidor com menos dinheiro compra em menor quantidade, o vendedor não consegue vender os seus produtos e, por consequência o produtor terá de produzir menos ou, pior, encerrar o estaminé e mandar o pessoal para o desemprego. O que se reflectirá em menor receita fiscal – desempregado não paga irs e diminuindo a actividade comercial baixa a receita gerada pelo iva – e maior despesa publica porque aumentarão os encargos com o subsidio de desemprego e com o Rendimento social de inserção. Mas isso deve ser o Belmiro a divagar porque o Mestre em “Teoria Económica” é o tal Frasquinho do PSD.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Soltem os prisioneiros!


Tem sido noticiada ao longo do dia a entrada em vigor  do novo código de execução de penas na sequência do qual passará a ser possível a qualquer meliante que se encontre detido passar a sair em liberdade após cumprir um quarto da pena a que foi condenado. Apesar de alguém do governo - ou do PS, não sei ao certo mas também não faz grande diferença – já ter vindo a público garantir que afinal não será bem assim, a verdade é que a medida está a deixar muita gente indignada. O que, como adiante se verá, é manifestamente exagerado. 
Argumentam os detractores deste governo, para quem tudo está mal e cada medida é pior que a última, que com a entrada em vigor do novo código um homicida condenado a vinte anos de cadeia deixará o xelindró ao fim de cinco. Ora esta é uma forma absolutamente redutora de ver o problema. Só não vê quem não quer – e os bota abaixistas não querem ver - que o dito assassino passará uma longa meia década na choça antes de poder vir de novo para a rua continuar a assassinar. O que é muito tempo, concordarão. 
Há também quem sustente que esta medida, aprovada no parlamento apenas com os votos favoráveis deste Partido Socialista, foi tomada à cautela. Uma espécie de medida de prevenção. Com tantos processos por aí a correr – correr é uma forma de expressão porque a maioria está tão imóvel como o Cardozo – e com novos escândalos a surgirem diariamente, que não são poucos os que consideram isto obra de  uma certa malta a prevenir-se contra algum juiz mais descontrolado que tenha a improvável ideia de mandar prender alguém. 
Por mim não concordo com esta última teoria. Inclino-me mais para a tese que esta será uma nova causa fracturante deste PS. Quase tão crucial para o desenvolvimento do país como o casamento dos rabetas ou a limitação do teor de sal no pão.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Oportunidade de negócio


A crise, a falta de juízo ou a baixa educação económico-financeira - ou tudo em simultâneo - da generalidade dos portugueses, a par da eficiência da máquina fiscal, estão a contribuir para fazer disparar o número das penhoras efectuadas pela Direcção-Geral dos Impostos. Como o azar de uns constitui a sorte de outros, esta pode ser a altura certa para realizar bons negócios. Basta para isso estar atento ao que vai sendo posto à venda e ter alguma liquidez. Não muita, como se pode ver pela imagem anexa. Afinal, por pouco mais que o preço de um café é possível comprar um T1.
Obviamente que não se poderá esperar grande coisa deste imóvel. Provavelmente será algo ao nível de um pardieiro, capaz de provocar uma enorme dor de cabeça a quem arrisque fazer uma licitação. E nem sequer estou a pensar na eventualidade da ocorrência de uma derrocada do edifício sobre a cabeça de um eventual comprador. Recordo-me, antes, de casos similares que de vez em quando vem a público e que relatam os sarilhos em que se metem aqueles que adquirem imóveis através deste processo. 
O valor pelo qual o bem é colocado à venda revela, suponho, uma divida insignificante e a forma quase sempre ridícula como se esbanja o dinheiro público em nome de conceitos absolutamente estúpidos. Há, no entanto, quem lhes chame objectivos. Objectivamente sairia muito mais barato perdoar ao caloteiro…

Discriminados?!

De vez em quando surge um intelectual, normalmente da esquerda fracturante ou da direita caritativa, a lamentar a marginalização e a discriminação de que são alvo as comunidades ciganas em Portugal. São, à sorrelfa, quase sempre apontadas umas quantas críticas à sociedade, que é como quem diz à generalidade dos portugueses, por manifestar uma percepção pouco positiva dessa etnia. O que, eufemismos à parte, significa para essa intelectualidade da treta que somos todos racistas e xenófobos. 
Rejeito em absoluto, pela minha parte, essa classificação. Embora, se quisesse ser racista, xenófobo ou  seguidor de outra qualquer fobia era e pronto. Afinal cada um é o que quer e ninguém tem nada a ver com isso. Mas, como acabo de escrever, não discrimino ninguém com base na raça, na nacionalidade ou noutra coisa qualquer - não gosto de islâmicos, mas isso fica para outro post - contudo incomoda-me que um grupo de pessoas com elevada liquidez e evidentes sinais exteriores de riqueza seja sistematicamente apontado como discriminado, estigmatizado, desfavorecido da sociedade e mais umas quantas parvoíces que os profissionais da sua defesa gostam de afirmar.
Veja-se o exemplo do "nosso" Ciganário e dos seus habitantes. Beneficiarão do Rendimento Social de Inserção e do Subsidio de Desemprego espanhol – muitos terão documentos de identificação do país vizinho – e dedicar-se-ão aos mais variados negócios que, acredita-se, lhes trarão lucros significativos. É o que se pode concluir das viaturas de alta cilindrada em que se passeiam e do facto de todos eles apresentarem um aspecto em nada compatível com quem passa por dificuldades de carácter alimentar ou de evidenciarem carências de qualquer outro bem essencial à vida.
As condições exteriores das suas habitações não são, de facto, as melhores. Embora, garante quem já viu, o interior seja bem mais sofisticado. Paciência. Não se pode ter tudo. O dinheiro do Jaguar era capaz de dar para um T1 em segunda mão, mas o facto de terem optado pela sua compra em lugar de uma habitação não lhes dá o direito de reclamarem, ou de outros reclamarem por eles, uma casinha grátis. Isso sim é discriminação relativamente a todos aqueles que trabalham e fazem sacrifícios para pagar a sua casa ao banco.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Porque será que lá fora não há quem os queira?!

Anda por aí uma legião de indignados com o ordenado, prémios e rendimentos diversos que constituem o simpático pecúlio arrecadado, no espaço de apenas doze meses, pelo manda chuva da EDP. Uns invejosos digo-vos eu, é o que é. Então o homem trabalha que nem um mouro - talvez este não seja o melhor exemplo porque a mourama não consta que seja muito dada ao labor, mas diz que o senhor trabalha quem nem uma besta – e depois vem para aí uns quantos badamecos, que não sabem fazer mais nada do que praticar o bota-abaixismo, pôr em causa os honorários do distinto gestor?! Tá mal pá. Bem esteve o nosso primeiro, que se desfez em elogios à gestão levada a cabo na empresa em causa. Pena não se ter referido ao aumento do preço da energia nem à manifesta falta de concorrência no sector que, digo eu feito alarve, é capaz de ter dado uma ajudinha aos resultados obtidos.

Ainda sou do tempo em que este tipo de indignação era quase exclusivamente dirigido aos jogadores de futebol. Hoje, se repararem, já ninguém questiona os ordenados que os profissionais da bola auferem. Os que por cá jogam, mesmo nos principais clubes, seriam as segundas linhas de qualquer clube europeu e se algum revela uma maior aptidão para a arte do pontapé no esférico é de imediato “requisitado” por clubes estrangeiros que, esses sim, pagam a peso de ouro.

Ora é precisamente esse mesmo princípio não se aplicar aos profissionais da gestão que me faz uma confusão do catano. Se esta gente é assim tão boa a gerir empresas, porque raio não vem cá nenhuma grande empresa estrangeira recrutar um destes gurus da gestão, à semelhança do que fazem os clubes de futebol?! Apenas vejo dois motivos. Ou não pagam tanto ou, afinal, os tais gestores de ordenados chorudos não são assim tão bons.

Para que se perceba melhor o meu ponto de vista. Até o Fernando Santos – que treinou o Sporting e o Benfica com os resultados conhecidos e conseguiu não ser campeão no Porto ainda com o Jardel – treina um dos maiores clubes gregos. Já quanto aos nossos mais bem pagos gestores, pese toda a sua genialidade, não consta que haja nenhuma empresa europeia interessada nos seus serviços. Nem mesmo na Grécia. Vá lá saber-se porquê.

terça-feira, 6 de abril de 2010

O amor é uma coisa muito linda!


Não sei de que se envergonha a senhora da fotografia. O amor é uma coisa muito linda e os gestos de ternura não devem deixar ninguém embaraçado. Não havia, por isso, necessidade de esconder o rosto da objectiva. O que os une, mulher e animal, deve ser algo muito forte. De tal forma que, se repararem com atenção, ambos usam uma fatiota que apenas difere na cor.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Esclarecimento deveras esclarecedor

Pouco depois de ter publicado o último post, tomei conhecimento de um comunicado emitido pelo gabinete de José Sócrates onde este reconhece a existências dos projectos de construção de várias moradias particulares, que hoje fazem manchete na comunicação social, ao mesmo tempo que  esclarece terem sido elaborados de forma gratuita, a pedido de amigos. Fica, portanto, esclarecida a questão que suscitei acerca da existência ou não de recibo relativamente aos honorários pelos serviços prestados. Quando muito – e não há mal nenhum nisso, acrescente-se - a retribuição, ou o agradecimento, pode ter sido feita sob a forma de presentes. Uma caixa de robalos pelo Natal, por exemplo.

Campanha negra!


A campanha negra contra o nosso honrado e impoluto primeiro-ministro não dá sinais de parar. Os episódios rocambolescos que lhe são atribuídos, as calúnias, a maledicência tornaram-se uma constante e tudo parece servir para denegrir a imagem do homem que os portugueses adoram. Pelos menos os suficientes para o eleger chefe do governo e para o defender nos jornais, nos blogues, nos cafés ou à volta do Rossio. 
Anuncia hoje o Público, com honras de primeira página, que José Sócrates terá assinado – o que, acrescento eu, não é a mesma coisa que ter elaborado, mas isso é outra história que não vem ao caso – mais de vinte projectos de casas quando já era deputado na Assembleia da República. Coisa que não devia ter feito porque, acrescenta o periódico, usufruía do regime de exclusividade no Parlamento. 
A este propósito diversas questões se podem aqui suscitar. A primeira que me ocorre é se a assinatura dos projectos será mesmo de um engenheiro. E, a sê-lo, se será a do agora primeiro-ministro. Por fim, mas não por último nem menos importante, será curioso saber se – a confirmarem-se como positivas as respostas às duas primeiras questões – o engenheiro José Sócrates, então deputado e engenheiro projectista de moradias, terá passado recibo das quantias auferidas em resultado desta sua actividade privada. Na óptica do pagador, os honorários cobrados por este tipo de serviços não são nada simpáticos e poderá ter existido pelo meio aquela velha ameaça de “com recibo tenho de cobrar o iva” a que poucos conseguem resistir. 
Tudo isto, claro, partindo do principio que a noticia publicada hoje tem algum fundo de verdade. Coisa em que tenho dificuldade em acreditar. O nosso primeiro não seria capaz de uma coisa dessas. Se uma legião imensa de seguidores garante a honorabilidade do senhor, enquanto afiança que o homem é quase santo e que todas estas questões mais não do que manifestações de ódio e perseguição pessoal promovidas por um jornalismo de sarjeta, não sou eu quem vai dizer o contrário.

domingo, 4 de abril de 2010

Quem é que o Coelho quer tramar? Os do costume, obviamente...


O PSD está afastado do governo há mais anos do que aquilo que sempre esteve habituado. Sendo uma das tradicionais forças de poder é normal que não conviva bem com a situação e os seus sucessivos dirigentes vão procurando, de forma mais ou menos desesperada, inverter o actual estado de coisas e colocar o partido de novo na rota governativa. Para isso, ao invés de procurarem politicas alternativas, vão-se agarrando às politicas do Partido Socialista e afirmando que iriam, ainda, mais longe. O que não augura nada de bom e, ao contrário do que pensarão os seus actuais dirigentes, não constitui garantia de uma mais rápida aproximação ao poder.

Com a chegada de Passos Coelho à liderança do partido esta tendência acentuou-se de forma preocupante. Garante, entre outras coisas, o recém-eleito líder social-democrata que o PSD preconiza ainda mais cortes na despesa pública como forma de controlar o défice. O que, a mim, me parece muitíssimo bem. O que já não me parece assim tão bem e revela antes o enveredar por um populismo fácil, é aquilo que é anunciado como prioritário. Pretendendo ir ainda mais longe que o governo, garante o líder laranja que com ele apenas entrará um novo funcionário público por cada cinco que saírem. Ou seja, um novo médico por cada cinco que se forem embora do serviço nacional de saúde, um novo policia ou GNR por cada cinco que abandonarem as forças de segurança, um novo juiz por cada cinco que deixarem os tribunais, um professor e um auxiliar de acção educativa por cada meia dezena que deixarem as escolas e assim sucessivamente até ao encerramento do país.

Lamentavelmente Passos Coelho não propõe a redução do número de deputados. Já nem digo na mesma proporção, mas pelo menos de duzentos e trinta para cento e vinte. Ou de ministros, secretários de estado, sub-secretários, directores-gerais e a extinção dessa invenção pós-Abrilada que são os assessores. Hoje toda a gente que ocupe cargos políticos, por mais insignificantes que sejam, tem uma legião de assessores. Desconfio que até os assessores terão outros assessores a assessorá-los! Digo eu, que gosto muito de dizer coisas, era capaz de levar a uma poupança de recursos bastante superior a que poderá ser alcançada através de congelamento de salários ou do despedimento de funcionários públicos, que é uma ideia que também corre por muitas cabeças sociais-democratas.

Mas, até compreendo a opção de Passos Coelho. Afinal o PSD está há muito tempo longe do poder e é necessário arranjar lugares para tantos e tantos militantes laranja, que esperam - e desesperam - que a rosa murche para poderem ocupar o espaço deixado livre no canteiro. Afinal até no chefe os dois partidos são, agora, iguais.

sábado, 3 de abril de 2010

Remate kruzado

Tenho estado à espera das reacções ao jogo de ontem que opôs o Braga e o Guimarães. Nomeadamente daqueles arautos da verdade desportiva, da transparência e que, invariavelmente, defendem que este é o campeonato dos túneis. Espaço onde, garantem, o actual líder cimentou a sua liderança. É verdade que nas imagens amplamente divulgadas dos incidentes que terão ocorrido no túnel da Luz apenas é possível vislumbrar jogadores do Porto a agredir seguranças privados. Também em Braga, naquilo que é possível ver, o que se descortina são jogadores do clube da casa a malhar em tudo o que ostenta o emblema da águia. Mas, ainda assim, é por causa desses incidentes que o Benfica vai à frente do campeonato. Opiniões. 
Esperava ver e ouvir - que inocência a minha! – ondas de indignação, vindas especialmente daqueles opinadores que tem visto o Benfica ser beneficiado pelos árbitros em todos os jogos e graças aos quais, e apenas por isso, segue na liderança. Depois do escândalo que constituiu a arbitragem do jogo de ontem, dificilmente acreditei que Pinto da Costa – esse acérrimo defensor da lisura de processos no futebol português – ficasse calado e não manifestasse o seu veemente protesto pelo facto de continuar a ver o segundo lugar a cinco pontos. Tão pouco achei possível que Domingos Paciência não fosse para a conferência de imprensa arrasar a actuação do árbitro. Nem, muito menos ainda, me pareceu plausível que hoje os muitos bloggers portistas que aí pululam não desancassem em todos os  que contribuíram para a imensa palhaçada a que o país, incrédulo perante tanta incompetência, pode assistir ontem ao fim da tarde. 
A menos que toda essa gente tenha um ódio tão grande ao Glorioso que prefira ver o seu clube prejudicado desde que isso represente uma hipótese, ainda que remota, de afastar o Benfica do título. Talvez seja isso. De resto nem lhes interessará por aí além ir à liga dos campeões. Assim perderia sustentação a tese de terem sido prejudicados pela ausência do Givanildo e, consequentemente, a razão da choruda indemnização que reclamam da Liga de Clubes. E toda a gente sabe a importância do homem naquela equipa. O Meireles que o diga.

Águas limpidas

 
A julgar por aquilo que a comunicação social nos vai dando a conhecer, os negócios que envolvem água não serão dos mais transparentes. Seja quando estão em causa coisas que submergem, que flutuam, ou simplesmente quando o precioso líquido se destina à ingestão a suspeita de que haverá qualquer coisa a turvar o negócio parece estar sempre presente. 
Pena que não seja tudo tão claro como no desporto que se pratica dentro dela. Aqui a qualidade vem sempre à tona. Fanfarrões e grunhos, que também os há como em tudo na vida, são facilmente desmascarados no curto espaço de vinte cinco metros… 
Serve isto de pretexto para publicar este vídeo de uma prova em que a mais jovem membro do clã (na pista dois com touca vermelha), diversas vezes campeã e vice-campeã regional nos escalões etários que tem ido percorrendo, participou na presente época. E também para provar, se isso ainda fosse necessário, que é muitíssimo melhor a nadar do que o pai a filmar.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Negócios subaquáticos.


Desconfio que vem aí mais uma campanha negra. Ou, para continuar a não ser original, uma cabala. Provavelmente voltaremos a assistir a telejornais travestidos de ódio e perseguição pessoal em que será feita uma verdadeira caça ao homem. Teremos igualmente motivo para mais umas quantas comissões de inquérito, às não faltarão razões para convocar diversos ex-ministros, ou outros ex-qualquer coisa, a fim de serem ouvidos acerca dos negócios subaquáticos em que estiveram envolvidos antes de serem ex-fosse o que fosse. Tudo normal, portanto. 
Enquanto isso lá para os lados da Alemanha esses mesmos negócios já deram origem a uma prisão e a várias acusações pelo Ministério Público alemão. Coisa que, obviamente, não se entende. Devem, quase de certeza, ser ainda os resquícios do regime nazi que não foram devidamente expurgados da legislação germânica. Deviam era pôr os olhos em nós, portugueses, que quando se trata de julgar estes casos estamos na vanguarda do direito, da justiça e da defesa dos inocentes. Ou não fossemos uma sociedade e uma democracia muito mais avançadas do que as desses boches! 
De referir, finalmente, a nossa – pelo menos de alguns de nós – propensão para os negócios. É espantoso que este país, onde até com sucata se fazem fortunas e se mete dinheiro ao bolso quando o mais normal seria meter água, não constitua um exemplo de progresso, de modernidade e os seus cidadãos não tenham um nível de vida muito acima da média europeia.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Remate kruzado

Sem que se perceba bem porquê, três canais entenderam ocupar parte significativa do seu horário nobre com entrevistas a figurões ligados ao futebol. Que se saiba, nenhum deles, nos largos anos – pelo menos em dois casos – em que andam metidos no meio desportivo, terá marcado um golo ou feito algo merecedor de ser aplaudido dentro de um relvado. Farão, quando muito, umas fintas estonteantes que deixam os seguidores mais fanáticos à beira do delírio. O que, ainda assim, não constitui mérito suficiente para entrar casa dentro das pessoas honestas. 
O velhote careca terá sido, ao que rezam as criticas, o mais divertido. Daí não me arrepender de não ter visto o programa em que senhor participou. É que sempre me ensinaram que não nos devemos rir da miséria alheia nem “fazer-pouco” dos mais velhos, e, pelo que tem vindo a lume, ser-me-ia difícil manter alguma seriedade perante tão hilariantes declarações. 
É por demais notório que a pessoa em causa está mentalmente fragilizada. Nem será necessário perceber nada de medicina para diagnosticar ali um quadro clínico revelador de uma percepção distorcida da realidade, em que manifesta uma evidente falta de memória e onde a demência toma conta de um discurso que intercala o patético com o ridículo. Ou, por vezes, ambas as coisas em simultâneo. Seja como for, causa-me alguma tristeza assistir ao declínio intelectual de alguém que já foi bom naquilo que fez. Mesmo não tendo feito nada de bom.

terça-feira, 30 de março de 2010

Kruzes Kanhoto Memória


Não acredito que os meus leitores se lembrem deste post, publicado no longínquo dia catorze de Julho de 2006. Primeiro porque já lá vai muito tempo, segundo porque têm mais em pensar – coisas importantes, nomeadamente – terceiro porque se estão nas tintas para o que aqui é publicado – fazem muitíssimo bem – e, finalmente, porque ninguém lê blogues. Principalmente os meus leitores. 
Mas eu, que até leio blogues, lembro-me. Achei, na altura, piada ao facto de alguém – um “zovem”, provavelmente - ter perdido algum do seu precioso tempo a pintar as unhas da estátua. Tarefa inglória, acreditava eu, porque mais dia menos dia alguém, munido de uma ferramenta apropriada ao efeito, trataria de limpar os pezinhos do Santo André. Afinal não foi tão rápido quanto supunha mas, muito mais tarde do que seria de esperar, o santo deixou de ter o aspecto abichanado que durante tanto tempo exibiu.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Estacionamento tuga


São muitos os que se queixam da maneira caótica e pouco civilizada como inúmeros papás e mamãs estacionam os seus bólides à porta das escolas, nomeadamente da preparatória, enquanto esperam pelas suas crias. Embora tal comportamento provoque o bloqueio da circulação na zona, ainda poderá encontrar alguma justificação na elevada quantidade de pessoas que para lá se deslocam usando as suas viaturas e no tráfego, de certa forma significativo, com origem ou destino a Mendeiros.
Nenhum desses problemas sucede no Bairro da Salsinha. Mas existe uma escola. E, consequentemente, progenitores que depositam e recolhem os seus rebentos. Por sinal alguns deles a pé. Ainda assim, apesar de não faltarem lugares para estacionar, há sempre alguém que, por vício ou para mostrar que a sua carripana até é capaz de subir passeios, opta por estacionar da maneira que é mostrada pela imagem. Mesmo que não tenha necessidade absolutamente nenhuma de o fazer. 
Aproveito para esclarecer que, ao contrário do que já aqui sugeriram alguns comentadores a propósito de outros posts que versavam sobre este mesmo tema, o veículo não é meu, nem pedi ao dono – que não sei quem é – que estacionasse no passeio só para eu poder tirar uma fotografia.

domingo, 28 de março de 2010

A grande poda


Corria o ano de dois mil e oito quando os plátanos que ladeiam o percurso por onde em tempos passava a antiga estrada nacional quatro, umas centenas de metros antes da Fonte do Imperador para quem se desloca de Évora para Estremoz, foram alvos de um ataque selvático em forma de poda. Apesar do argumento que aquele tipo de intervenção não prejudicaria as árvores e que é de todo o interesse retirar ramos secos, que podem constituir uma ameaça à segurança das pessoas que eventualmente por ali passem, nunca me convenci da inocência da coisa. 
Passado todo este tempo dou a mão à palmatória. Sou mesmo parvo. Afinal as árvores voltaram a crescer e não tarda - afinal a Primavera está aí – vão estar cobertas de folhas e proporcionar sombras magníficas. Tal como acontecia antes da inteligente intervenção de carácter técnico que as amputou de todos os seus ramos mas que lhes proporcionou um revigorado e saudável crescimento. 
Apenas um pequeno senão me continua a inquietar. Uma coisa insignificante que, com toda a certeza, os técnicos que decidiram a dita selvajaria – sim porque decidir estas coisas é assunto para técnicos, não foi? – explicarão facilmente. Não consigo entender porque razão os plátanos de um dos lados estão a crescer e a voltar ao normal, enquanto os do outro continuam como no dia em que foram cortados. Do lado dos que crescem está plantada uma vinha e do lado dos que não crescem foram, pouco tempo antes da dita “intervenção”, plantadas árvores de fruto. Será que está provado cientificamente que plátanos públicos não crescem se por perto existirem árvores de fruto privadas, mesmo que os primeiros tenham sido plantados dezenas de anos antes das segundas?!

sábado, 27 de março de 2010

O abanão

O tremor de terra que hoje sentimos foi de baixa intensidade mas, ao contrário do que já vi escrito por alguns sábios comentadores, não me parece que tenha sido apenas mais um dos muitos abalos que acontecem todos os dias e dos quais nem nos damos conta. Verdade que não senti a mesa a que estava sentado a abanar. Tão pouco senti a terra a fugir-me debaixo dos pés. Mas aposso afiançar que as portas e janelas vibraram de forma bastante perceptível o que, também estou em condições de garantir, não acontece com frequência. Contudo o que mais me impressionou foi o imenso barulho originado pelo sismo. Já, ao longo da minha assim não tão curta vida, senti alguns fenómenos destes e jamais algum se assemelhou em tamanha algazarra. Peço, por isso, licença aos especialistas para discordar. Tremores de terra como este não há todos os dias. E se, por acaso os houver, são muitíssimo mais silenciosos. Garanto-vos eu, que apesar de andar por cá há uns anitos ainda estou em muito bom uso. Pelo menos de ouvido.

Estacionamento tuga


O trânsito em Estremoz é – em certos dias, determinadas horas e em alguns locais – extremamente irritante e de tirar a paciência a qualquer santo. A quantidade de viaturas a circular é absurda, tendo em conta a dimensão da cidade e o número de habitantes, e o comportamento dos automobilistas revelador de uma falta de civismo próxima de um incapacitado mental. 
O estacionamento em segunda fila, em cima do passeio e/ou em locais onde impedem a passagem dos outros veículos ou simplesmente parar em plena faixa de rodagem para dar dois dedos de conversa com o amigo ou conhecido que não vê há dez minutos, são práticas correntes e rotineiras para muitos dos que rolam pelas nossas ruas. Impunemente, quase sempre. 
Não foi o caso do condutor/a deste jipe. Após larguíssimos minutos estacionado em cima do passeio lá apareceu um polícia a colocar o papelinho da ordem no pára-brisas. Bem feito! Estacionar desta maneira, num Sábado de manhã, em pleno centro da cidade e a provocar constantes congestionamentos é de quem está mesmo a pedi-las.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Os prémios da ira


Os gestores das empresas públicas, ou detidas maioritariamente pelo Estado, anunciaram já a sua intenção de processar o accionista maioritário pela anunciada medida de não atribuir prémios. Esta atitude é bem reveladora das qualidades morais dessa gente e da coerência das suas atitudes relativamente aquilo que advogam para os outros. Quando os “sacrifícios” lhes tocam a eles - se é que se pode chamar sacrifício ao facto de receber apenas catorze meses de chorudo ordenado – reagem mal e entendem que têm direitos adquiridos que não podem ser postos em causa. 

Concordo que pode até ser uma medida meramente populista e que não será por aí que a conjuntura vai melhorar. Trata-se, no entanto, de um sinal. Nomeadamente quando se pedem sacrifícios aos portugueses e se apela ao espírito de mobilização para ultrapassar esta hora difícil. Espera-se por isso que o governo não ceda às pressões que, inevitavelmente, surgirão dentro do próprio partido socialista, pois é lá que quase todos os gestores agora queixosos foram recrutados. 

Compreendo também que os visados se estejam nas tintas para tudo isso e queiram mas é receber o deles. Eu próprio me estou borrifando para o verdadeiro buraco negro em que nos meteram. Quem o criou que se desenrasque, que eu não tenho culpa nenhuma das asneiras e farei o mesmo para contornar a asfixia financeira em que pretendem sufocar-me. O que verdadeiramente me lixa, muito mais que a indignação dos fulanos por perderem umas maçarocas simpáticas, é que eles não queiram tomar o mesmo remédio que nos prescrevem.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Só?!

Um estudo recentemente divulgado revela-nos que um em cada cinco portugueses tem alguma espécie de problema de índole mental. São, portanto, malucos. Melhor, entre cada cem, vinte de nós são doidos varridos. Dois milhões, mais coisa menos coisa. Nada que constitua grande novidade ou que motive reacções de espanto. Poderá, quando muito, suscitar uma leve interrogação. Assim do género: “Só?!”
Identificar o quinto de cidadãos envolvidos nesta problemática é que não me parece tarefa fácil. Como distingui-los dos outros oito milhões que, tal como eles, também se julgam pessoas normais?! Mais difícil ainda quando a maioria dos cidadãos não reconhecem os seus erros, os seus defeitos e, regra geral, são perfeitamente incapazes de assumir os seus problemas ou os que causam aos outros. Diria antes que vivemos num país de narcisos. Pior. De narcisos malucos.