Já escrevi acerca do assunto mas não resisto a voltar ao tema. Constitui para mim um mistério a indignação que vai grassando por aí relativamente à concessão de tolerância de ponto aos funcionários públicos aquando da visita papal. Os argumentos contra, ou a favor, da decisão governativa são mais que muitos e cada um mais espectacular que o outro.
Entre a argumentação mais rebuscada dos que se manifestam contra encontrei a opinião, partilhada por um número significativo de intervenientes, que o dia de descanso da função pública vai custar largos milhões de euros ao país. Provavelmente entre os que perfilham este argumento encontrar-se-ão alguns que consideram os funcionários do Estado uma cambada de calões que pouco produzem. Excepto, evidentemente, nos dias em que o Papa vem a Portugal. Aí não há funcionário que não produza o dobro. Ou mais. Deve ser algo parecido com a influência que o Jesus exerce sobre os jogadores do Benfica…
Há também quem alegue que o mesmo principio se deve aplicar quando outros chefes de Estado visitam Portugal e citam, a título de exemplo, a visita de Barack Obama a realizar lá mais para o final do ano. Sou tentado a pensar que debaixo de marosca. Embora pela minha parte ache muitíssimo bem essa coisa das tolerâncias – devemos ser tolerantes, não é? – hesito em achar boa ideia que se tome tal medida na altura da visita do Presidente norte-americano. Ou muito me engano ou essa malta quer é ir para lá manifestar-se contra o homem e a sua politica imperialista.









