Numa daquelas reportagens próprias da sealy season um canal televisivo passou ontem, num serviço noticioso, uma reportagem onde era feita a apologia da gorjeta. O timming foi o mais apropriado para o fazer porque o sector de actividade escolhido como exemplo - a hotelaria - vive por esta altura do ano a sua época alta e nada como estarmos cientes que é de bom-tom presentear monetariamente quem nos presta um serviço que entretanto já pagámos. Parece até haver uma tabela oficiosa para estas gratificações e que terá como mínimo dez por cento sobre o preço oficial!!!!
Por mim não concordo. Não dou gorjetas ao empregado de um restaurante só porque me serviu cortesmente e o bife com batatas fritas não vinha acompanhado de nenhum pintelho, à camareira do empreendimento turístico onde passo férias porque deixa os lençóis exemplarmente esticados quando faz a cama, nem ao gajo da recepção que se desfaz em sorrisos enquanto me explica como encontro o apartamento que reservei. E que entretanto já paguei, recorde-se.
Não vejo porque motivo à hotelaria há-de ser concedido este privilégio. E porque não quando abastecemos o carro com cinquenta euros dar mais cinco ao empregado da bomba que, todo solicito, até abriu e fechou o depósito? Ou à caixa do supermercado que, irradiando simpatia nos meteu as compras no saco poupando-nos a tão complicada tarefa? E porque não à funcionária do Registo Civil onde fomos tirar o cartão do cidadão e que recolheu as impressões digitais sem nos partir um dedo ou conseguiu a fantástica proeza de tirar uma fotografia sem que ficássemos com aquele aspecto de assaltante de bancos?! Bom…se calhar neste último caso é melhor não. Ainda alguém ia pensar que era corrupção…





















