Não vou aqui fazer nenhum balanço do que foram os quatro anos de governo socrático que hoje se completam. Apesar de este ser um espaço reconhecidamente pouco sério, merecedor de pouco crédito e onde se privilegiam temas menores, logo parecer o lugar indicado para o fazer, vou resistir à tentação, que é muita, diga-se, de dedicar umas quantas linhas a analisar o que tem sido a acção governativa neste longo quadriénio.
Em vez disso deixo apenas algumas perguntas. Todas de fácil resposta, creio. Até mesmo para aqueles, muitos a julgar pelas sondagens que teimam em colocá-lo perto de nova maioria absoluta, que ainda pensam ser José Sócrates o Ser perfeito e iluminado que, como nenhum outro antes dele, exala competência e irradia sabedoria na condução dos destinos do país. A esses, pergunto se Portugal é hoje um lugar melhor, em que se vive com mais qualidade e onde os cidadãos, nomeadamente do interior do país, têm acesso a mais e melhores serviços. Tenho igualmente curiosidade em saber se os apaniguados do primeiro-ministro entenderão que valeram a pena todas as guerras travadas contra inúmeros sectores da sociedade, bem como a permanente instigação aos sentimentos de inveja de parte da população contra os diversos grupos profissionais ou sociais onde se pretendia intervir. Será que os resultados obtidos com essa intervenção, se é que os houve, contribuíram para melhorar o seu desempenho, para a prestação de melhores serviços aos portugueses e contribuíram decisivamente para o bem-estar geral? Portugal é hoje um país onde há mais liberdade, mais respeito pela opinião alheia e em que qualquer um pode expressar-se sem antes ponderar se aquilo que vai dizer ou escrever desagrada ao chefe?
Nestes quatro anos assistiu-se também, como nunca se tinha assistido em Portugal, ao culto do líder. O Partido Socialista, a quem os portugueses muito devem e com um passado de luta pela liberdade pouco comum entre os seus congéneres, está refém dos humores do seu secretário-geral e respectivo séquito. Transformou-se num partido onde broncos que gostam de malhar, comunistas arrependidos, ex-esquerdistas à procura de tacho, mantêm em sentido verdadeiros democratas, socialistas de sempre e figuras ímpares da família socialista. Mas deles, apesar da fanfarronice que agora evidenciam, não rezará a história.
quinta-feira, 12 de março de 2009
Outras formas de combater a crise
Perante a satisfação geral dos trabalhadores e a inveja dos restantes munícipes, a Câmara de Mafra iniciou a aplicação do novo horário dos serviços municipais que, como foi amplamente divulgado, passarão a estar encerrados às sextas-feiras. Esta opção, a todos os títulos inovadora, embora permita uma significativa poupança de recursos à autarquia, que poderão serão canalizados para outras áreas de actuação, provavelmente não terá sido tomada a pensar na crise nem se inserirá em qualquer pacote de combate à dita mas, ainda assim, constituirá quase seguramente a medida que mais resultados práticos trará nesse domínio.
Pense-se naquilo que cada um pode fazer com mais um dia livre, a juntar a todos os fins-de-semana, e imaginem-se as inúmeras actividades económicas, sociais, culturais e desportivas que disso beneficiarão no concelho. O tempo encarregar-se-á de dar razão aos defensores desta estratégia e de mostrar aos velhos do Restelo e outros invejosos que é este o caminho a seguir. Oxalá outros o queiram percorrer.
quarta-feira, 11 de março de 2009
O fim do "Estremoz em Debate"
Na altura em que escrevo este post desconheço em absoluto o que terá levado o Albino a encerrar o seu Estremoz em Debate. Mas, seja o que for, lamento que o tenha feito. Tratava-se de um espaço de referência na blogosfera local onde muitos e variados temas de interesse para a região foram sendo abordados e debatidos aos longos dos seus cinco anos de existência.
Com o encerramento deste blogue o debate e a democracia local ficam irremediavelmente mais pobres. Até porque a elevação sempre norteou aquele espaço onde o respeito pela opinião alheia foi a nota dominante. Espero, por isso, que este não seja um adeus do Albino à blogosfera. Na pior das hipóteses que não passe de um até já tão curto quanto possível.
terça-feira, 10 de março de 2009
Crise imaginativa
Já perdi o conto às Câmaras municipais que por este país fora estão a tomar as mais diversas medidas, cada uma mais imaginativa que a outra, no sentido de apoiar os seus munícipes neste conturbado período de crise que atravessamos. Confesso-me ligeiramente desiludido por brilhantes autarcas como Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras ou Isaltino Morais não nos terem ainda surpreendido com uma – pelo menos uma, porra, era pedir muito?! – daquelas iniciativas que, mesmo sabendo-se do as figuras são capazes, não deixam de causar espanto geral e uma acentuada irritação aos adversários políticos.
Reduções no preço da água e isenções nas diversas taxas ou serviços municipais, em benefícios dos munícipes mais necessitados, já quase todos os municípios praticam. É, podemos considerar, coisa de um passado pré crise. Há que ser mais ousado, ir mais longe ou, se preferirem, mais perto dos problemas dos cidadãos. Vejam-se estes exemplos que, seguramente, contribuirão para minorar as dificuldades dos destinatários e contribuirão de forma decisiva para o bem-estar de alguns. Agora e num futuro mais ou menos próximo.
A Câmara Municipal de Almeirim deliberou subsidiar cinquenta por cento do valor das propinas dos estudantes do ensino superior que sejam eleitores no concelho;
Em Matosinhos o município local vai apoiar no pagamento de rendas às famílias que vejam bruscamente alterada a sua situação familiar devido a situações de desemprego ou, pasme-se, por causa de um divórcio;
Em Valença foi cancelada uma feira, que custaria cerca de duzentos mil euros, para afectar esse montante ao apoio aos mais afectados pela crise. Entre os apoios a conceder estarão o pagamento de despesas com a renda da casa, do consumo de electricidade e de gás;
Entretanto, ainda no âmbito do combate à crise, em diversas autarquias foram já constituídos gabinetes de apoio às mais diversas situações. Desde o investimento, ao endividamento e até ao aconselhamento, há-os para quase todos os gostos e, como é fácil imaginar, constituem um excelente meio de contrariar os efeitos da crise. Nomeadamente do desemprego.
segunda-feira, 9 de março de 2009
A campanha
Miguel Veloso, mais um daqueles jogadores com o hábito ridículo de falar de si próprio na terceira pessoa, veio a público queixar-se de uma campanha – curiosamente não mencionou a cor – que lhe estarão a mover. Tal como dentro de campo, também nesta pequena entrevista não concretizou. A acusação, obviamente. Pelo que ficámos sem saber por quem a dita – campanha, claro - era dirigida. Sem querer acusar ninguém, até porque não sou dessas coisas, suspeito do cabeleireiro. Alguém que faz aqueles penteados ao rapaz quer de certeza tramá-lo.
Entretanto algumas fontes deste blogue, mal informadas como quase sempre, julgam saber que um conhecido adepto do Benfica já manifestou a sua solidariedade para com o moço e, num rarissimo lampejo de honestidade terá mesmo confidenciado: "Posso não saber governar, mas de campanhas percebo eu."
A rede
Desde que a bilheteira encerrou, o serviço que a “Rede de Expressos” presta aos passageiros que pretendem apanhar o autocarro daquela empresa em Estremoz é, se quisermos ser simpáticos, deplorável. Nomeadamente aos Domingos à tarde quando um maior número de passageiros – embora o habitual para aquele dia da semana - tenciona seguir viagem com destino a Lisboa. Pelo menos é, também, disso que se queixam os seus utentes.
domingo, 8 de março de 2009
Cartão de crédito para tótós
Um cartão de crédito que dá cinco por cento de desconto em todas as compras parece, assim à primeira vista, uma coisa aliciante e capaz de despertar o interesse tanto ao forreta mais militante ou ao consumista mais inveterado. Como eu, que numa estranha miscelânea difícil de justificar, consigo reunir algumas das piores virtudes e melhores defeitos de ambos.
Incoerências parvas à parte, tanta fartura deixou-me desconfiado. Como quase sempre acontece ao pobre quando a esmola é grande ou recebe propostas aparentemente tentadoras. Ainda para mais quando vindas de um banco, mesmo que seja cliente desse banco há mais de vinte anos.
Uma leitura mais atenta do folheto publicitário deixou-me sem dúvidas. É mesmo verdade. Aquele fantástico rectangulozinho de plástico dá os prometidos cinco por cento de desconto em tudo o que puder comprar com ele. Claro que tem essa condição mínima - irrelevante, até – de tal desconto apenas se aplicar no caso de pagar o saldo do cartanito em suaves prestações, que poderão ir até sessenta meses, pelas quais o banco irá cobrar uns simpáticos vinte e três por cento de juros. E no caso, pouco provável, de pretender amortizar o montante em divida apenas terei de suportar uma penalizaçãozinha, quase insignificante, de três por cento sobre o valor amortizado. Ganda negócio!
sábado, 7 de março de 2009
Estratégias ou estratagemas?
Depois de, num tempo não muito distante, a banca ter sido acusada de conceder crédito para tudo a toda a gente, inclusivamente a pessoas que era quase garantido não teriam grandes condições para suportar os encargos daí decorrentes e que na primeira contrariedade deixariam de cumprir com o pagamento das prestações, passou-se para uma fase em que se acusam agora os mesmos bancos de dificultarem o acesso ao crédito. Injustificadamente, garantem alguns, porque as ajudas concedidas pelo Estado visariam fazer com que o dinheiro chegasse à economia.
Tenho dúvidas que assim seja. Até porque o problema da banca portuguesa não estará, pelo menos por enquanto, no crédito malparado. A fazer fé naquilo que se vai ouvindo e lendo será exactamente o contrário. Que o digam os depositantes do Banco Privado Português que não sabem onde pára o seu dinheiro.
Por outro lado, continua a assistir-se a uma estratégia bastante agressiva de alguns bancos no sentido de cativarem os clientes a contrair novos empréstimos. Do banco onde tenho conta recebi ontem um contrato, já devidamente preenchido com todos os meus dados pessoais, onde me bastaria escolher o montante pretendido do crédito – entre dez e vinte mil euros – assinar e devolver pelo correio para de imediato ter na conta a importância desejada. Não é uma coisa catita?! A mim parece-me que não.
sexta-feira, 6 de março de 2009
Afinal quem é evoluido, quem é?
Coisas que se lêem por aí:
"Durante escavações nos EUA, os arqueólogos descobriram, a 100m de profundidade, vestígios de fios de cobre que datavam do ano 1.000. Os americanos concluíram que os seus antepassados já dispunham de uma rede telefónica desde aquela época.
Entretanto, os espanhóis, escavaram também o seu subsolo, encontrando restos de fibras ópticas a 200m de profundidade. Após minuciosas análises, concluíram que elas tinham 2.000 anos de idade, divulgando triunfantes, que os seus antepassados já dispunham de uma rede digital à base de fibra óptica quando Jesus nasceu!
Uma semana depois, em Beja, no diário local, foi publicado o seguinte anúncio: Após inúmeras escavações arqueológicas no subsolo de Beja, Évora, Moura, Estremoz e Redondo, entre outras localidades alentejanas, até uma profundidade de 500m, os cientistas alentejanos não encontraram absolutamente nada. Assim se conclui que os antigos habitantes daquela região alentejana já dispunham, há 5.000 anos atrás, de uma rede de comunicações sem-fios, vulgarmente conhecida hoje em dia pela designação de 'Wireless'."
E que tal congelar certos comentadores?
Os comentadores oficiais do regime, o que não quer dizer afectos ao actual governo, estão a começar a preparar a opinião pública para a necessidade, segundo eles, de proceder ao congelamento – alguns falam mesmo em redução - de salários no próximo ano. Que, como se sabe, é um ano bom para tomar medidas deste tipo. O novo governo terá acabado de tomar posse e estará então na plenitude da sua força para aplicar as chamadas medidas anti-populares. É o período que habitualmente se chama estado de graça e que, quase sempre, constitui uma desgraça para os portugueses.
Congelar salários não é uma medida nova. Nem inovadora. A pretexto de controlar o défice orçamental, o governo em que Manuela Ferreira Leite foi Ministra das Finanças fê-lo, em dois anos consecutivos, relativamente aos vencimentos da função pública acima de mil euros. Quanto aos resultados que daí advieram são por demais conhecidos, falam por si e os seus efeitos no equilíbrio das contas públicas são o que todos sabemos.
A lição parece não ter sido aprendida e como desta vez a coisa é ainda mais séria, quase de certeza, a medida será aplicada independentemente de quem vença as próximas legislativas e o leque de vítimas será muito mais alargado. O que não deixa de ser estranho quando se sabe que um dos factores que mais contribui para o actual estado de crise em que vivemos é a redução do consumo privado. Não ponho em causa, como é óbvio, os conhecimentos académicos de alguns defensores desta medida, nomeadamente o Professor Silva Lopes, mas acho bom que esta gente se decida. Porque, e falo por mim, se para o ano ganhar o mesmo ou ainda menos do que ganho este ano, provavelmente não vou consumir mais. É cá um pressentimento.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Uma questão de lingua
Tenho alguma dificuldade em perceber a razão pela qual muitas pessoas têm a necessidade imperiosa de, sistematicamente, fazer alusão à genitália humana nas suas conversas com os outros. Há mesmo quem, por cada três palavras pronunciadas, não resista a incluir pelo menos uma menção às partes pudibundas e ao uso que delas se faz.
Este mau hábito está a vulgarizar-se também na escrita. Muita gente usa essas palavras em frases onde não se justificam e que, quase sempre, podiam ser substituídas por outras. A generalidade das vezes com inequívoca vantagem. Até porque a língua portuguesa, para além de muito traiçoeira ou talvez por isso mesmo, é pródiga em sinónimos, cada um mais jeitoso que o outro, para designar quase tudo. Em especial os órgãos sexuais e funções afectas, sempre tão presentes na boca e nas mãos dos portugueses.
Para que conste
Mesmo sem saber para que serve, nem lhe encontrar ponta de utilidade, resolvi aderir ao twitter. Talvez um dia descubra e, então, comece a dar uso a isto.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Um blogue também é cultura, estúpidos!
“O acesso à cultura, em todas as suas expressões, é um direito dos povos e da juventude consagrado na Constituição”. É por isso que a JCP entregou uma petição na Assembleia da República exigindo do governo um efectivo apoio para as bandas de garagem. Não discuto, obviamente, a importância das bandas de garagem na formação dos jovens. Principalmente dos jovens músicos ou, se preferirem, dos músicos enquanto jovens. Agora que seja o governo a subsidiar essa rapaziada é que já não me parece nada bem. Até porque, em tempos, um desses grupos reunia-se periodicamente numa garagem perto de mim e o resultado dessas reuniões não parecia nada uma coisa que pudesse ser considerada “cultural”. Pelos menos na parte relativa à chinfrineira com que atordoavam a vizinhança.
Por falar em cultura, creio que a actividade bloguistica – esse nobre entretenimento de escrever patacoadas em blogues – também se enquadra, pelo menos em meia dúzia das tais “expressões de cultura”. Com a inegável vantagem de, relativamente às bandas que tocam nos lugares destinados ao estacionamentos de automóveis, fazer muito menos barulho. Pelo menos daquele que se mede em decibéis. Ora assim sendo parece-me da mais inqualificável injustiça que ainda nenhum partido tenha peticionado ao governo apoio para os bloggers portugueses que, coitados, se fartam de criar verdadeiras obras de arte literária sem verem reconhecidos os seus méritos. Pelo menos um subsidiozinho para desgaste do material. E das cabeças dos dedos, também.
É cultura, estúpido!
Esta magnifica, extraordinária e até mesmo sublime obra-prima esteve, no Verão passado, patente ao público numa exposição de…digamos… arte. Ou lá o que lhe queiram chamar. Trata-se de um livro de guias de remessa de uma firma de mármores onde, ao longo do tempo, os empregados de escritório foram emitindo os documentos que acompanhavam as mercadorias que a firma comercializava. Sem sequer desconfiar que estavam a produzir arte. E da melhor! Afinal quanta criação artística se pode transmitir através de uma guia de remessa, uma factura ou uma venda a dinheiro?! Muita, como se pode ver.
terça-feira, 3 de março de 2009
Coisas que m’atormentam
Detesto parecer pretensioso, mas não há outra forma de o dizer. Acho que sou dotado de estranhos poderes. O que me leva a pensar isso é o facto de qualquer cenário para onde aponte a máquina fotográfica sofrer, inevitavelmente, uma transformação nos dias seguintes. Já andava desconfiado e, nos últimos tempos, as piores suspeitas confirmaram-se. Ou então tudo não passa de uma espantosa coincidência. Daquelas que até chateiam de tanto coincidir. Pena que não funcione com a merda de cão nem com o sinal de sentido único da minha rua!
segunda-feira, 2 de março de 2009
Urbanismo de trazer pelo passeio.
Um arquitecto, ou qualquer outro técnico da área do urbanismo, encontrará facilmente meia dúzia de boas razões para justificar a ocupação do espaço público por este tipo de construção. Acredito que todas plausíveis e que me reduziriam à verdadeira dimensão de ignorante, no que à arte de bem planear e melhor construir diz respeito. Ainda assim não ficaria convencido. Considero um abuso, um aproveitamento descarado do espaço que é de todos em benefício de alguns e, mesmo que existam argumentos que demonstrem o contrário, continuarei a não gostar. Só porque não, se não houver mais motivo nenhum.
domingo, 1 de março de 2009
Tenham medo...tenham muito medo!
De vez em quando dou uma vista de olhos pelo contador de visitas do blogue que, para além de contar o número de visitantes que chegam até aqui, dá um conjunto de outras informações. De pouco ou nenhum interesse, diga-se. Entre elas a palavra pesquisada no Google, o motor de busca mais popular mas pode ser noutro qualquer, que encaminhou o leitor até ao Kruzes Kanhoto.
Não me surpreende a quantidade de pesquisas que envolvem as palavras “gajas”, “mulheres” “nuas”, “peladas”, “gaijas”ou “boas”. Nem mesmo pesquisar “velhas fufas” me parece muito estranho. Agora o que gostava de saber é o que passou pela cabeça dos quatro leitores que no mês passado vieram aqui parar acreditando que “PJ investiga blog de Estremoz”. Da próxima pesquisem no Google se “o Pai Natal e o Coelhinho da Pascoa existem”. Pode ser que tenham mais sorte.
Troca-tintas
Mensagens há muitas. Mas, com os avanços tecnológicos a que assistimos, mensagens escritas nas paredes vão sendo cada vez mais raras. Para isso usa-se o telemóvel e as paredes são agora ocupadas com graffitis de gosto quase sempre tão aberrante e nojento quanto os seus autores.
O conteúdo da mensagem fotografada não é esclarecedor quanto à intenção do autor em informar-nos do seu estranho problema de pigmentação. Todas as conclusões são, por isso, legitimas. Um espírito desocupado e pernicioso como o meu pode até concluir que se trata de um qualquer político troca-tintas, uma espécie de "bacalhau com todos", à procura de partido.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Congresso do Partido Socialista
A acreditar naquilo que garantem os seus apoiantes, Portugal é governado pelo melhor governo da sua história recente e o primeiro-ministro é o mais competente que o país conheceu naquele cargo. Todas as suas medidas são as mais indicadas e oportunas, roçando quase sempre a genialidade, e só uma cambada de burros e ignorantes que não querem abrir mão dos seus privilégios injustificados é que as contestam. Pior. Desarmados perante tamanha sabedoria recorrem a campanhas – invariavelmente negras - para, numa tentativa desesperada e quase sempre falha de argumentos válidos e construtivos, destruir a imagem do engenheiro José.
Não fora a laicidade do partido que o apoia e os tiques supostamente esquerdistas de que por vezes é acometido e não me espantaria que o homem ainda fosse, caso batesse a bota – coisa que, obviamente, não se deseja – proposto para santo.
Ora é por isso que o lema da moção a aprovar no congresso do Partido Socialista – A força da mudança – me causa alguma perplexidade. Se é tudo tão genialmente perfeito na actual governação, mudar o quê e para quê? A menos que ser apenas genial não seja o bastante. Provavelmente pretende-se passar à fase do soberbo. O que, se atentarmos em certas atitudes a que vimos a assistir nos últimos anos, faz todo o sentido.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
A minha rua
Este blogue ganhou parte da pouca notoriedade que tem, muita má fama e alguns inimigos, por causa das postagens que aqui tenho colocado acerca do mau comportamento cívico dos estremocenses donos de cães que permitem aos seus animais cagar na via pública sem que, de seguida, recolham os dejectos que estes vão largando. Recordo que, a este propósito, o KruzesKanhoto foi já citado num órgão autárquico quando um dos seus membros alertava para esta problemática. Muito prestigiozinho, portanto. Embora de merda, convenhamos.
Por isso este tema não podia permanecer por mais tempo longe destas páginas. Até porque, quase diariamente, os canitos das redondezas fazem questão de mo lembrar. Repare-se nesta foto, obtida à minha porta, e onde é possível constatar a profusão de dejectos espalhados pelo passeio. Não que os cachorros tenham especial predilecção pelo passeio fronteiro à minha casa ou os donos, que desconfio nem lêem blogues, os tragam a cagar num local que me incomode. Nada disso. Eles é que cagam em todo o lado e vão contribuindo para nunca falte material para publicar no blogue.
Autárquicas 2009
Em época eleitoral surgem as mais fantásticas promessas com o intuito de cativar o eleitorado. Principalmente quando se trata de eleições para os órgãos locais. Depois daquela extraordinária promessa do Bloco de Esquerda, que prometia criar um serviço de “táxi pijama”, ou seja, um transporte público que recolhesse os bêbados e os levasse a casa ao fim da noite, ou princípio da manhã conforme o ponto de vista, tenho alguma dificuldade em imaginar o que estará para ser prometido nas autárquicas 2009.
Aguardo com expectativa que alguém se lembre de prometer a construção do primeiro “Centro de Contacto, Acolhimento e Boas-vindas aos Visitantes de Outros Planetas”. É um tipo de infra-estrutura de que o país ainda não está dotado e que representa uma lacuna na prossecução de interacções harmoniosas com habitantes de outras galáxias que partilham connosco este imenso espaço cósmico. Urge, portanto, desenvolver sinergias nesse sentido.
Quando às boas, vindas do nosso próprio planeta, também não serão, certamente, esquecidas. Nunca o são.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Causas fracturantes
Não deixa de ser curioso que os chamados temas fracturantes surjam em tempos de especiais dificuldades e lançados a debate pelo partido do poder em vez de, contrariamente ao que seria expectável, serem os partidos da oposição mais à esquerda e sem responsabilidade governativa a suscitar este tipo de discussão.
Regionalização, eutanásia e casamento entre pessoas do mesmo sexo são, para já, as questões pretensamente fracturantes, nomeadamente as duas últimas, com que se quer entreter a sociedade. Obviamente parece-me pouco ambicioso. Devia e podia ter-se ido mais longe. Alvitram alguns que discutir a eutanásia dos homossexuais seria uma coisa ligeiramente mais fracturante e que motivaria uma discussão ainda mais acalorada. Mas nem vou por aí. Já ficava satisfeito se em debate estivessem assuntos como a desigualdade fiscal entre contribuintes casados, solteiros ou divorciados, ou a viver em comunhão de facto (ainda que com pessoas de sexos diferentes), com claro prejuízo para os primeiros. Ou, mas se calhar era pedir demais, que se discutisse a descriminação no acesso aos diversos apoios sociais concedidos pelo Estado e onde os trabalhadores por conta de outrem estão claramente em desvantagem em relação a quem trabalha por conta própria.
Evidentemente que os temas que sugiro não suscitariam grandes discussões nem, quase de certeza, mobilizariam os portugueses. Infelizmente para a maioria dos meus concidadãos parece tão aceitável um par de indivíduos meter coisas que não tem em lugares onde não deve, como outros usarem coisas que não devem em desfavor daqueles para quem essas coisas foram criadas.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
É malha-los!
Episódios como a apreensão de exemplares de um livro em Braga ou a proibição judicial da exibição de imagens de mulheres nuas no Carnaval de Torres Vedras, em ambos os casos por supostamente serem atentatórias da moral e bons costumes, não são novidade. Assim de repente e sem fazer um grande esforço de memória, recordo-me quando, em pleno cavaquismo, o então Subsecretário de Estado da Cultura, Sousa Lara, resolveu cortar da lista de concorrentes ao Prémio Literário Europeu o romance de José Saramago “Evangelho segundo Jesus Cristo” porque, segundo ele, a obra atacava princípios que têm a ver com o património religioso dos portugueses.
Igualmente os casos que a comunicação social tem relatado envolvendo a DREN e a sua inenarrável directora ou declarações como as do pigmeu político – na sua própria definição – Santos Silva, também não constituem nada de novo na vida social e politica portuguesa. Sem necessidade de recuar a tempos mais antigos, recordem-se as intenções de um certo general que ponderava a hipótese de meter uns quantos cidadãos numa conhecida praça de touros – e não, não era para assistir a nenhuma tourada – ou da estória do despedimento de um segurança, em serviço num hospital público, que pediu a identificação a um conhecido político quando este pretendia visitar o pai fora do horário estabelecido para as visitas.
Nada disto, acho eu, constitui qualquer drama. Antes pelo contrário. São estas coisas que nos proporcionam a ocasião para os malhar. Porque os autores destas traquinices, além de fazerem figuras de parvo e se cobrirem de um ridículo que os acompanhará até ao fim dos seus dias, também levam. Eles que se habituem.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Carnaval sem sátira, sem gajas nuas e quase sem minis
No post de domingo acerca do desfile de carnaval lamentei a ausência de sátira e de gajas nuas. Hoje congratulo-me com uma quase ausência. As “minis”. Felizmente foram poucos os “foliões” que desfilavam de cerveja na mão. Excluindo os condutores de dois carros alegóricos e uma senhora já com idade para ter juízo mesmo no carnaval, não eram muitos os que se faziam acompanhar de um apetrecho que, naquelas circunstâncias, não fica nada bem. Até porque se o esforço despendido exige a ingestão de líquidos, de certeza que uma bejeca não é a bebida mais apropriada.
O mundo à janela
A televisão, diz-se, é uma janela aberta para o mundo. Quando, para além dos quatro canais generalistas portugueses e mais dois ou três espanhóis captados pelas antenas vulgares, se dispõe de uma parabólica que permite sintonizar uma quantidade infindável de estações de televisão é todo um maravilhoso mundo novo que nos entra janela dentro. Claro que, em consequência, outras janelas se fecham. Literalmente, no caso.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Fragâncias
Recebo por correio electrónico todo o género de spam. São mais que muitos os avisos que ganhei prémios em concursos de que nem sabia a existência, os pedidos de actualização de dados bancários vindos de bancos onde não tenho conta e as ofertas, a preços generosos, de produtos miraculosos como o viagra e outros que também fazem crescer coisas. Nomeadamente cabelo.
Recentemente, também por mail, chegou-me a mais recente e extravagante proposta de um produto que alguém se propõem vender. Trata-se, garante o anúncio, de um frasco que contém o verdadeiro, sim que nestas coisas também é capaz de haver imitações, odor a vagina. É um conceito original de negócio que pretende empestar os totós que o adquirirem com uma fragrância vaginal completamente natural. As consequências adivinham-se absolutamente imprevisíveis para aqueles que ousarem dar-lhe uso.
Para além de outras questões que este “produto” me suscita, interrogo-me acerca dos métodos que terão sido usados no processo de engarrafamento…
Aselhice
Tal como quase todos os portugueses considero-me um ás do volante. O que na prática se traduz por ser mais um dos muitos aselhas por aí circula. Que o diga este buraco, estrategicamente situado no largo da República em frente à espingardaria e ao talho. Várias vezes por dia passo no local onde se encontra e, desgraçadamente, acerto-lhe sempre com pelo menos uma das rodas, quando não com as duas, mesmo em cheio.
O buraquito, que até nem é muito grande, diga-se, está sempre ali. No mesmo sítio. O pobre coitado não vai a lado nenhum, afinal não passa de uma cova, e à força de tanto passar no local, conheço a exacta localização da micro cratera que, como é de calcular, nunca se desvia à minha aproximação. Não se trata de nenhuma embirração nem, tão pouco, de uma qualquer aposta para testar quantas vezes acerto no espaço do arruamento em que não existe alcatrão. Nada disso. É aselhice mesmo.
domingo, 22 de fevereiro de 2009
E gajas nuas? Porque é que não há gajas nuas?!
Foram seguramente muitos os que contribuíram com o seu tempo e trabalho voluntário para que fosse possível a realização do desfile de carnaval. Esse esforço é, sem dúvida, meritório e ainda que tenha como compensação a diversão que proporciona também aos que nele intervêm, nunca é demais enaltecer quem contribui de forma desinteressada para que eventos como este possam continuar a ter lugar.
Mesmo não sendo um entendido nestas lides carnavalescas, acho que o desfile deste ano esteve fraquinho. Outros, mais especialistas na matéria do que eu, poderão achar outra coisa qualquer, mas isso é lá com eles. Por mim reitero as criticas – não são bem críticas, são antes um lamento – à ausência de dois factores que considero essenciais num desfile com estas características. O primeiro é a ausência de sátira. Coisa perfeitamente incompreensível num ano em que tantos motivos e personalidades das mais variadas áreas podiam ser objecto de umas quantas piadolas. A “responsabilidade” será certamente da falta de espírito crítico ou de iniciativa dos foliões, pois não creio que a organização impusesse qualquer restrição à sua existência. O que, a ser assim, apenas vem dar ainda mais razão aos que garantem não existir massa crítica em Estremoz.
O motivo para o segundo lamento tem a ver com a inexistência – mais uma vez – de gajas nuas. Dirão alguns que não acrescentariam grande coisa nem contribuiriam para que o Carnaval de Estremoz fosse melhor. Pois não. Mas alegrava a rapaziada.
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Manipulações
Que os defensores dos animais protestem contra as touradas é aceitável, apesar da existência do animal que supostamente eles pretendem proteger apenas se justificar pelo fim a que se destina. Que se indignem pela maneira inadequada como muitas vezes são transportados e abatidos os animais que se destinam à alimentação humana, também é compreensível que o façam. Agora o que me deixa completamente boquiaberto é que pessoas inteligentes, que certamente são, os defensores da bicharada denunciem como cruéis e desumanas práticas como “…Na produção de mel, as rainhas são inseminadas artificialmente com esperma de abelhas decapitadas…” ou que se revoltem porque “…Quantidades de fumo são introduzidas nas colmeias para tornarem as abelhas mais facilmente manipuláveis”.
São coisas destas que me fazem levar pouco a sério essa malta das associações de defesa dos animais mas, por outro lado, me fazem simpatizar mais um pouco com os apicultores. É que manipular uma abelha, no meio de uma fumarada, para a inseminar deve ser uma tarefa de fazer perder a cabeça e que requer uma perícia fora do comum…
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
O que é que a Elisa tem?
Nada. Aparentemente não tem nada. Nada de especial, entenda-se. Além de ter a intenção de se candidatar à presidência da Câmara do Porto e de se lançar na tarefa, que não se avizinha fácil, de destronar o social-democrata Rui Rio que há oito anos preside aos destinos da invicta.
Elisa, a Ferreira, não me parece uma boa candidata. Nem sequer uma candidata boa. Noutros tempos talvez, quando os seus globos oculares de dimensão apreciável terão tido mais encanto e brilhavam com outra intensidade fruto, talvez, de então ainda acreditar nos ideais do partido por que concorre e em representação do qual tem exercido diversos cargos públicos nos últimos anos.
Também os apoios já anunciados não auguram nada de bom. Apesar de se apresentar como independente, numa demarcação relativamente ao Partido Socialista que lhe poderá garantir algum eleitorado, a presença de Pinto da Costa e Mário Soares entre os apoiantes constitui uma evidente menos valia. O primeiro porque mobiliza facilmente contra si, ou contra aqueles a quem manifesta o seu apoio, uma imensa legião de pessoas que tem pelo líder portista uma aversão visceral. Já quanto ao segundo apenas poderá ajudar eleitoralmente se, entretanto, levar um par de estalos. Mas isso já seria coisa de muito mau gosto e que não se faz a um velhinho. Por mais socialista que seja.
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