sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Não regulam bem...

Nos últimos tempos a actividade de regulador tem estado em foco, quase sempre, pelas piores razões. Embora muitos, agora, a entendam como essencial e exijam cada vez mais regulação para tudo e mais alguma coisa, não creio que esse seja o caminho. Quando as coisas dão para o torto, ou correm mal o que é quase o mesmo, é aos tribunais que compete fazer com que os prevaricadores paguem pelos seus actos, enquanto quem cumpre vai continuando a fazer a sua vidinha sem necessidade que venham uns quantos figurões, de uma alta autoridade qualquer, armar-se em reguladores.

Aplicado a tudo o que envolva comunicação, seja qual for o meio, o conceito de regulação será sempre confundido com censura ou, no mínimo, como algo condicionador da liberdade de opinião. Incluo aqui os blogues. As regras são impostas pelas empresas que disponibilizam as plataformas de alojamento, com as quais se concorda ou não e não concordando procura-se outro serviço, e os conteúdos aqueles que os seus autores entenderem como mais apropriados ao fins que procuram atingir com a sua criação. Matérias como inclusão de propaganda política, publicidade ou qualquer outro tipo de mensagens terão de, forçosamente, ficar ao critério de cada autor desde que respeite os termos de utilização do serviço de alojamento.

Tentar regular a blogosfera é contra a essência do que são os blogues e dar o primeiro passo para o seu fim. E, se calhar, para o fim de outras coisas que hoje damos por garantidas.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O post pode esperar

Aborrecido, chato, desagradável ou ligeiramente irritante é como qualifico o desaparecimento do texto que tinha preparado para hoje. Ou melhor para amanhã dado que estou a escrever hoje, ou seja o meu hoje não é o mesmo hoje – e ainda menos o mesmo amanhã - de quem tem o azar de me estar a ler.

Pior ainda. Com o dito texto sumiram-se mais uns quantos escritos que, num raro momento de inspiração, tinha preparado e que pensava publicar ao longo dos próximos dias. Talvez, se a memória ajudar e me conseguir lembrar das alarvidades que escrevi, possa recuperar alguma coisa. Caso contrário não se perde nada de muito especial. A manifestação de regozijo pela quase absolvição de Fátima Felgueiras, essa padroeira da capital do calçado a quem alguns queriam dar com os pés, pode esperar.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Dona Milú, as quase beijocas e os ovos.

Não tenho qualquer espécie de admiração pela Ministra da Educação, nem devo ser o único a achar que a senhora, com ares de uma respeitável e preocupada dona de casa, que doravante será mencionada neste texto como Dona Milú, nada deve ao bom aspecto, à simpatia e, sobretudo, ao tacto político.

Esta quase antipatia não tem, no entanto, a ver com as questiúnculas em que a senhora tem estado envolvida nos últimos tempos. Que é como quem diz desde que chegou ao governo. Data do inicio deste ano, quando numa cerimónia realizada em Évora me preparava para a cumprimentar, arrefindado-lhe duas beijocas – com todo o respeito que a senhora e o cargo que exerce me merecem – e a Dona Milú me estendeu secamente a ministerial mão. Não é, obviamente, pela beleza, mas porra nunca beijei uma ministra e quando tenho oportunidade de cumprimentar uma ela estende-me a mão! Não lhe perdoo.

Ainda assim não gostei da recepção, direi mesmo que foi deplorável, que uns quantos alunos fizeram ontem quando a senhora ministra se preparava para distribuir mais uns quantos diplomas. Atirar ovos acima de alguém é de um mau gosto atroz e de uma falta de educação quase ao nível do ministério da dita. Em consequência disso a Dona Milú deu às de vila Diogo e ninguém mais lhe pôs a vista em cima. Nem mesmo aqueles que só lhe queriam dar uma beijoca. Tá mal, pá!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ostentações de merda

Bairro da Salsinha à porta de quem não tem cão
Bairro da Salsinha junto ao infantário "Os Fofinhos"
Monte da Razão junto ao lar da Cerciestremoz

No último número de um dos jornais cá da terra, no caso o “Ecos”, são entrevistados vários cidadãos que têm em comum o facto de serem donos de cães. Instados a pronunciarem-se sobre o que fazem aos dejectos dos respectivos animais de estimação quando os levam a passear, todos garantem que os recolhem com um saco plástico e os depositam no lixo. Obviamente que, quanto aos cidadãos em causa, não tenho a mais pequena razão para duvidar que assim procedam. Diria mesmo que deles nem esperaria outra coisa.

Pena que o seu exemplo não seja seguido por outros habitantes, nomeadamente pelos moradores dos bairros da Salsinha, Quinta das Oliveiras ou Monte da Razão. Mesmo não querendo generalizar - as generalizações são sempre perigosas - muitos dos que por aqui moram não têm igual cuidado com os seus animais. A prática corrente é soltá-los ou conduzi-los pela trela, para que estes façam as necessidades fisiológicas longe das suas casas ou quintais, preferencialmente à porta ou até mesmo no quintal dos outros, sem qualquer preocupação pela limpeza das ruas nem com a saúde de quem por ali circula.

Muitos dos que tem estas atitudes são pessoas com instrução acima da média, algumas com responsabilidade nas áreas da formação e da educação de crianças, pelo que este tipo de comportamento lhes fica ainda pior. Gostava de acreditar no contrário mas, infelizmente, não creio que os exemplos oportunamente divulgados venham a ter eco junto de gente que ostenta tudo menos consciência cívica.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O Ranking

O ranking das escolas, recentemente divulgado pela comunicação social, tem provocado as mais espantosas reacções. Desde o governo até aos responsáveis pelas escolas que ficaram classificadas nos últimos lugares, passando por teóricos alegadamente especialistas nas mais variadas coisas, todos, ou quase todos, têm opinado contra a comparação que, inevitavelmente, é feita entre os resultados obtidos pelos alunos que frequentam a escola pública e os que estudam em instituições privadas. Também a comparação entre os resultados obtidos em escolas do litoral desenvolvido e as do interior deprimido, merece a reprovação dessa malta que se dedica a teorizar acerca do aproveitamento escolar da nossa rapaziada.

Por mim estou-me perfeitamente nas tintas para todos esses analistas. Resultados são resultados, ainda mais quando, como foi o caso, obtidos na realização de provas de igual dificuldade (?!) para todos. Portanto, como em tudo na vida terá de haver uns melhores e outros piores. Normalmente os melhores são-no porque têm mais capacidades intelectuais ou, na maior parte das vezes, porque trabalharam mais ou melhor. Ou ambas as coisas. Tentar branquear os maus resultados de alguns com desculpas de mau pagador é, antes mais, menosprezar o fruto do trabalho desenvolvido por quem quis trabalhar e se empenhou em obter boas notas. São risíveis alguns argumentos que tentam justificar os piores resultados de escolas do interior, nomeadamente no Alentejo, por, dizem eles, não terem os alunos do interior acesso ao mesmo nível de informação que têm os seus colegas do litoral. Como se, nos dias de hoje, isso fosse possível.

As causas são bem mais simples e só não estão à vista de quem as não quer ver. Reportagens publicadas em alguns órgãos de comunicação social, que nas escolas classificadas no final do ranking procuraram justificações para o insucesso ouvindo alguns dos alunos que as frequentam, não podiam ser mais esclarecedoras. “Nós estudamos pouco, é verdade, mas não merecíamos este resultado”, “O problema é dos alunos que não têm, nem estão interessados em ter um método de estudo” foram, talvez, as respostas mais elaboradas. A maior parte terá respondido que “estudar é bué da chato”, “a escola não é nada cool” e outras coisas difíceis de decifrar.