segunda-feira, 20 de outubro de 2025

O cu e a feira de Borba

A chamada “lei da burka” está a suscitar reacções inusitadas. Mesmo pessoas que se assumem como uma espécie de vanguarda da sociedade, uma linha avançada contra o obscurantismo, criaturas que se acham dotadas de mentes intelectualmente superiores, feministas militantes em particular e defensores dos direitos das mulheres em geral estão todos contra esta lei. O argumentário usado gira em torno de dois pontos. Um deles a comparação ridícula com trajes e vestimentas que por cá se usavam há cinquenta anos atrás ou, ainda mais ridículo, com gorros, cachecóis ou véus de noivas. Ou, mais aceitável, criticando a intromissão do Estado na forma como as mulheres se devem vestir quando saem à rua. Quanto ao primeiro argumento, parafraseando os próprios autores, se não percebem a diferença, o problema não está na fatiota, mas sim neles. Nomeadamente ao nível da cabecinha, coitados. Quanto ao segundo, o do Estado não ter nada de se meter na maneira de vestir das mulheres, estarei completamente de acordo quando se revoltarem, com igual indignação, contra aquela lei que proíbe as mulheres de andar na rua - ou, vá, pelo menos na praia - com as mamas ao léu.

8 comentários:

  1. É ver a quantidade de "bloguistas"(além de comentadores a granel ou pataco),presumidos iluminados das tolerâncias e de outras causas do "bem" ,ou apenas cinicos armados em bons,que sairam nos últimos dias a defender o uso da dita coisa sinistra e aberrante,só não vê isto quem não quer ou "não pode".
    Mas isto era de prevêr(e foi),pois é apenas consequência de outro problema mais vasto e arrasador,a entrada de pessoas que não deviam ter permissão para tal pois não são integráveis,a não ser numa sociedade já ela mesma desintegrada e entregue à bicharada.

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  2. Hugo Miguel Silva Sousa12:48 p.m.

    Em Roma sê romano, em Portugal, sê Português. Andar de cara tapada não me parece aceitável em público. A burca é um símbolo de uma religião retrograda e castradora das mulheres, isto para além dos argumentos de segurança que levanta...

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  3. Anónimo7:18 p.m.

    É a esquerda a funcionar, segundo eles, as mulheres devem de ser livres para usar a burca.
    Aqui se vê como funcionam, para eles Cuba é livre de viver em comunismo, não há imposição nenhuma, são livres para serem comunistas.

    A palavra LIVRE para a esquerda tem um significado muito diferente do nosso, mesmo muito, pior isso o discurso deles e muito perigoso, pois utilizam as mesmas palavras e linguagem que nós, mas atuam de forma muito diferente com elas.

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  4. Há cinquenta anos as mulheres persas, afegãs ou egipcias vestiam-se segundo os padrões ocidentais. Hoje, até mesmo no ocidente, estamos nisto...parece-me fácil adivinhar como estaremos (os que cá estiverem) daqui por outros cinquenta.

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  5. A esquerda está actualmente a viver uma profunda crise de identidade. Perdeu o apoio dos seus seguidores habituais e virou-se para vários nichos de mercado que a vão abandonar mal consigam singrar na vida - os imigrantes - e outros que contribuirão para afastar os poucos cidadãos decentes que ainda por lá andam.

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  6. Esta deriva esquerdista tem tudo para correr mal. Principalmente para a própria esquerda, que nada aprendeu com o que está a acontecer ao BE e ao PCP. E o PS, se ninguém com juizo agarrar naquilo, irá pelo mesmo caminho. Espero que mude de rumo, a bem da democracia.

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  7. Eis como muita gente continua equivocada com a questão burcas(ignorando aliás que essa é apenas uma consequência de uma questão mas importante, a Política de portas abertas que permitiu a entrada de populações que não são integráveis na Europa por razões evidentes)

    Por exemplo, do post sobre as ditas burcas e a lei em causa,no blog Barulho-de-fundo:

    "Queremos viver num país livre, plural, tolerante, mas continuamos a desconfiar daquilo que não se parece connosco" ----------------------------------------------------------- A seguir o meu comentário no referido post ;
    Aqui está outro grande equivoco, ser tolerante com a intolerância é acima de tudo uma tolice,pois promover a dita pluralidade sem regras claras(e essas têm de ser obviamente de quem recebe) é perigoso e até suicidário a médio prazo.

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  8. Anónimo10:48 a.m.

    Tem toda a razão.
    E até não sei porque é que não fazem a reflexão ao contrário, em vez de verem a lei pelo lado da mulher e da sua obrigação de usar a burca, porque não pelo lado do homem que a obriga a usar a burca?

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