domingo, 1 de junho de 2025

Histórias da velha à soalheira

Um trabalho de investigação jornalística permitiu concluir que uns quantos médicos terão ganho uma pipa de massa - umas centenas de milhares de euros, no caso – num espaço de poucas semanas. Tudo, ao que parece ter concluído a tal investigação, graças a um esquema manhoso qualquer. Uma coisa, alegadamente, assim do tipo “marquem lá essa operação para o dia em que eu estou de folga, que assim ganho mais uns trocos”. Isso ou algo parecido. Vai dar ao mesmo.


Não consegui evitar um sorriso quando ouvi a noticia. Lembrei-me da minha avó. Nomeadamente das histórias que ela inventava para me entreter. Ocorreu-me uma em que, de acordo com a sua mente delirante, os funcionários das autarquias de um país longínquo eram tão mal pagos, mas tão mal pagos, que para terem um ordenado decente "trabalhavam" muito para além do horário. Um deles terá até, em certa ocasião, "trabalhado" vinte seis horas num só dia. Contava-me ela – calculo que tenha inventado, mas não interessa nada – que, apesar de quase todos ganharem apenas o salário mínimo, recebiam sempre o dobro disso no final do mês. Graças, tal como agora acontecerá com os médicos, a um conjunto de esquemas manhosos. Alegadamente, como sempre acrescentava.


Por mim, nada sei destas cenas. Nem dos médicos de cá nem dos trabalhadores das câmaras de países distantes. Sei apenas que, a ser verdade, o dinheiro que foi parar aos bolsos de uns e outros – muito ou pouco – saiu do bolso de quem paga impostos. Não espero que essa malta se envergonhe do que, a ser verdade, tenha feito ou continue a fazer. Nem eles nem quem – a acontecer - permite essas mahosices. 

8 comentários:

  1. Anónimo10:05 a.m.

    É por estas e outras parecidas que o "monstro " continua a engordar! Todos assobiam para o lado porque é o Estado a pagar, esquecendo-se que para pagar tudo o que se faz e o que não se faz são os nossos impostos que os sustentam.

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  2. Anónimo11:19 a.m.

    Sou funcionário publico e tenho um vencimento fixo mensal que me é atribuído com base no valor estipulado na carreira em que estou inserido.

    Porque é que esses médicos que trabalham para o estado* com um vencimento mensal terão direito a um vencimento altamente variável?
    Se trabalham 35 horas por semana o vencimento é sobre as 35 horas semanais. E nem mais um tostão.
    Tem que cair uma inspeção em todos os hospitais públicos e ver o processamento de salários que foi feito e retornar o excedente aos cofres do estado, caso contrário prisão com a direção do hospital, têm que responder criminalmente pelo sucedido.

    *Duvido que nos hospitais privados se passe o mesmo, numa clinica particular do próprio aí é com ele, daí haver a carreira de empresário...

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  3. A culpa não é dos médicos mas sim das experiências que o Ministério da Saúde e a sua maiorial andam a fazer para baixar as listas de espera fazem experiências coberta de falhas. Há gente bem mais competente mas o que mais interessa é pertencer ao partido que está no puleiro!
    Pergunto: se fosses médico cirurgião e se a lei admitia sem ligar aos avisos fazias ou não fazias o mesmo?
    Já agora falo de outra coisa: Em Sintra fizeram um centro de saúde novo com tudo que precisa para dar vazão ao que está aberto e muito visto na tv quando falam da saúde!
    Pronto há 3 anos e fechado? Qual a razão? Cabe na cabeça de alguém que uma grávida tenha o serviço fechado e anda de um lado para o outro? Brincamos?
    Desculpa o desabafo mas concordo com o que dizes!
    Beijos e um bom dia

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  4. Longe de mim pretender atirar culpas para cima de médicos ou trabalhadores. Coitados. Já lhes basta terem de trabalhar nas folgas ou 26 horas por dia...

    Cumprimentos

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  5. Vivemos num mundo cada vez mais ao contrário. Se o Ministério Público em lugar de se preocupar com os anti-okupas investigasse as alegadas tramóias na saúde ou os alegados esquemas das autarquias para pagar mais aos empregados, entre outras coisas, isto era capaz de ficar um bocadinho melhor.

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  6. Paulino Artur Rebola Pereira4:13 p.m.

    O país longinquo - tem autarquias aqui tão perto, digo eu - há muito que proporciona e permite essas tais horas extra. Os jobs for de boy's há muito tempo que ganharam maior abrangência, a prioridade eleitoral está muito à frente de qualquer processo de marketing. É necessário satisfazer a clientela, não se caçam moscas com vinagre, as ditas apreciam um bom docinho e ficam muito satisfeitas, mesmo que os outros insectos da comuna se sintam prejudicados. Por estas e por outras é que Portugal não passa da cepa torta

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  7. Enquanto mais de metade da população desconhecer o conceito de imposto, alimentar o monstro nunca será um problema.

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  8. Por cá não sei, mas no tal país longinquo os restantes insectos também votam...

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