Encontrei hoje no mercado cá da terra um ex-colega e amigo a quem, desde que se aposentou há mais de vinte anos, raramente ponho a vista em cima. Reformou-se em bom tempo, ele. No tempo em que a pensão era igual ao último vencimento o que, em termos líquidos significava que se passava a ganhar mais do que quando se trabalhava. Mas hoje estava preocupado. Homem de esquerda, comunista desde que o conheço, manifestou-me a sua preocupação com o governo da AD e a sua desilusão com a política e os políticos. Garante que não paga as quotas do partido há meia-dúzia de anos, não vota e apenas quer saber das dezenas de cabras que tem lá pela propriedade. Continua, no entanto, a detestar a direita e teme que a história se repita e, tal como em dois mil e treze, lhe voltem a cortar a reforma. “Cento e tal paus foi o que me roubaram na altura”, recorda visivelmente aborrecido com a possibilidade de lhe voltarem a atacar a pensão de dois mil e setecentos euros que agora aufere. Não o pude tranquilizar quanto a isso. Só manifestar a minha solidariedade. Compreendo perfeitamente o seu drama. Até porque, enquanto ele só tem a expectativa, eu tenho a certeza que a minha reforma vai mesmo ser roubada. Se amanhã me reformar roubam-me mais de seiscentos euros. Ligeiramente mais do que a ele, acho eu.
Não se preocupe, o mercado resolve a questão, basta ir investindo num fundo, num qualquer banco perto de si e vai ver que quando chegar à reforma, vai ser dourada!
ResponderEliminarNão percebi a ligação dos meus eventuais investimentos com o valor da reforma que o Estado garante a uns e não a garante a outros...
ResponderEliminarNem eu, mas como já fui chamado a salvar bancos com o meu dinheiro pensei que tinha sido por uma boa causa.
ResponderEliminarPor outro lado, quando se diz que o Estado cobra impostos a mais, pensei que também, seria por uma boa causa (se calhar nem na pandemia foi) daí que recorrer à poupança privada foi um conselho do tipo que não arrisca não petisca.
Também eu. E a juntar a tudo o que muito bem diz eu salvo as pensões dos actuais reformados com a minha.
ResponderEliminar..e como gostaria eu de ter de reforma quatro mil euros, ou dois mil e setecentos, que fosse, e ser "roubado" em cem ou duzentos. Como gostaria...
ResponderEliminarMas como ainda não cheguei a ela e nem mesmo a trabalhar desde os 12 o valor da mesma chegará a essa "miséria" da pensão desse camarada comunista, e como também desconfio que a caixa do milho entretanto se esgotará, também tenho investido em qualquer coisa que possa ser um extra.
Porventura se as reformas não tivessem padecido dos desmandos do sistema de há dezenas de anos, com funcionários públicos a escassos meses de se reformarem, já em fim de carreira, a fazerem uma formaçãozeca qualquer para acrescentar mais umas boas centenas à choruda reforma, talvez a caixa do milho tivesse agora uma maior reserva. Mas como então foi à tripa farra, a alimentar ratos bem gordos, agora habituem-se! Talvez por isso a função pública, no geral, gosta de regimes que alarguem o furo da caixa. Depois lá terá que vir alguém, a "roubar", a apertar a bica, de modo a que ainda possa continuar a dar. É a vida!
Tenho a certeza que a minha também vai ser "roubada".
ResponderEliminarBeijinhos, Kruzes
Feliz Dia
Verdade. E é por causa dessas "vacas sagradas" em que não se pode tocar que agora as reformas levam o corte que levam...
ResponderEliminarCumprimentos
Bem-vinda de volta, Luísa.
ResponderEliminarAh pois vai ser roubada, vai. E o roubo não deve ficar por aqui. Para o ano mais três meses de avanço na idade da reforma já estão garantidos...
Cumprimentos