Se há coisa que me aborrece a um nível difícil de expressar sem recorrer ao vernáculo é a indignaçãozinha selectiva. Ou seja, ter posições diferentes sobre situações iguais ou comparativamente próximas entre si. Motivos para me indignar não têm faltado. Veja-se, por exemplo, a ideia alucinada do PCP de trazer de volta a reforma agrária “aos campos do sul”. Ninguém se indignou com a ameaça de roubo nem - se em vez de roubar a ideia for nacionalizar -fez as contas ao rombo que esse dislate causaria aos bolsos dos contribuintes. Já outras propostas igualmente parvas mereceram ampla e consensual reprovação. Com as continhas todas feitas e tudo…
Também ninguém se importou com esta arruaça dos agricultores. Ao contrário do que acontece sempre que os arruaceiros dos apanhados do clima fazem o mesmo, nenhum valentão se atreveu a remove-los da via. Nem a policia ou a GNR, entidades que até tinham obrigação de o ter feito. Mas não, é muito mais fácil multarem-me a mim – um perigoso transgressor que se atreve a circular a 64/km por hora numa zona onde, por qualquer motivo que não se vislumbra, o limite é 60 – do que autuar quem impede a livre circulação dos cidadãos. Coisa que até, imagine-se, é severamente punida pela legislação nacional. Mas ninguém se indigna com isso. Não admira. Estorvar os outros é uma cena absolutamente normal desde que se trate de uma causa da moda ou os empecilhos possam causar algum estrago eleitoral.
Já ontem vi muitos (nomeadamente sportinguistas)incomodados com a psp e a sua luta.
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Bom domingo.
O país está em saldos e por isso é normal todos quererem aproveitar! Professores, agricultores, policias e o que mais adiante de verá... o verdadeiro incomodo virá quando chegar a conta!
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