segunda-feira, 29 de maio de 2023

O elogio da miséria

1 – Há quem considere que um dos problemas do SNS é o salário pago aos médicos pelos hospitais privados. Demasiado elevado, segundo alguns. Nada como pagar mal a toda a gente. Assim, somos todos iguais. Igualmente pobres, mas iguais.



2 – Segundo o fisco há cada vez mais famílias ricas. Embora para as finanças quem ganhe oitenta mil euros brutos por ano –liquido, pouco mais de metade – já seja considerado abastado. Péssimo, na óptica de uns quantos. Bom, mas mesmo bom, é os ricos serem cada vez menos. Isso é que era factor determinante para todos vivermos bem.



3 – Também são muitos os que optam por ter dois empregos. Garganeiros.Em vez de ficarem sentados nas esplanadas a praticar o levantamento do copo e o lançamento da beata, enquanto consultam a app do banco para ver se o “subsilio” já caiu na conta, esforçam-se por ter uma vida melhor. Há que proibir este desplante. Quanto antes, não vá esta pratica continuar a aumentar e colocar em causa a caridade socialista.

4 comentários:

  1. 1 - E que tal pagar melhor a todos?
    2 -
    3 - A "caridade socialista" é que faz esta vadiação!

    Beijinhos, Kruzes
    Feliz Dia

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  2. O problema do SNS vai muito além do ordenado dos médicos. Começa no aumento da esperança média de vida, passa por milhentas outras minudências e acaba no acesso generalizado à saúde. Duas grandes conquistas civilizacionais, mas que fazem com que seja completamente inviável usufruir de um SNS como todos gostariamos.

    Cumprimentos

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  3. A criação do SNS — deveria ser SND (de Doença) — nunca passou de um golpe político para poupar dinheiro. E começou no estado novo [década de 1960].
    Fui médico-funcionário do SNS durante 45 anos; sei talvez bem demais que o que o ordenado que recebia não valia um traque de coelho contando com o que se fazia por outrem. Não estou nada arrependido. Quando entrei já tinha a noção de que seria muito mal pago; ajudar quem precisa não tem preço.

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  4. O Estado, seja no SNS ou noutro dominio qualquer, nunca conseguirá competir com os privados no que diz respeito a ordenados. E quando há escassez de profissionais é normal que estes aproveitem. É que meu caro, hoje em dia ninguém dá valor a ninguém e se um profissional prescindir de um ordenado melhor em troca de um ideal ninguém lhe vai agradecer.

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