sábado, 25 de fevereiro de 2023

Direitos?! A sério que querem mesmo falar disso?

1 – Nunca, como agora, a Constituição foi tão citada. Nomeadamente aquela parte do “todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar”. Cambada de ignorantes, os portugueses. Se têm direito por que raio andam trinta ou quarenta anos a pagar uma casa? É o que dá não conhecer as leis, seus totós.


2 – Mas vamos por partes. O que é uma “habitação de dimensão adequada” para uma família comum? Daquelas com pai, mãe, filho, filha, cão e gato. Sem grande esforço parece-me licito concluir que terá de ser um alojamento com, pelo menos, três quartos e um pequeno logradouro para os patudinhos esticarem as suas patinhas peludas. Uma vivenda, portanto, pois também só assim se cumpriria aquela parte da privacidade e da intimidade. Sim, que não ouvir gaiatos aos berros, cães a ladrar e vizinhos a discutir afigura-se-me como um dos mais elementares direitos de qualquer um. No centro da cidade, que é isso que a malta reivindica, complementado por um serviço de limpeza prestado pelo Estado, de maneira a assegurar o direito às “condições de higiene”.

3 – Uma parte muito significativa dos proprietários de imóveis arrendados são reformados. Um número que, num futuro não muito distante, crescerá exponencialmente. Pessoas que fizeram sacrifícios para comprar as suas casas – ou as herdaram de quem também os fez – e que completam a pensão com o rendimento que obtém do arrendamento. Gente que não fez férias instagramáveis, que poucas sextas-feiras terá ido refeiçoar fora de casa e por quem os urbano-depressivos esquerdalhos, a quem a comunicação social dá voz, nutrem um profundo desprezo. Quase tão grande como aquele que o país real tem por eles.

6 comentários:

  1. Gostei. Ponto!

    Abraço

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  2. Deixe-me só acrescentar que quem invoca os direitos à habitação no centro da cidade não são só os urbano - esquerdalhos - depressivos.
    Também há esquerdalhos reformados com casas arendadas.
    A questão é que as pessoas (esquerdalhas ou não) habituaram-se a só ter direitos, inclusivé aquele direito a ter trabalho, nomeadamente aquele que supostamente lhes é roubado pelos imigrantes e que, obviamente, esse não querem, como também não querem ir para morar para o interior.
    Se a habiotação é exigida pelos tais esquerdalhos, onde é que eles estão, uma vez que cada vez são menos a votar nos tais partidos de esquerda?

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  3. Olá boa tarde,
    Espero que se perceba o porquê de existirem inquilinos, família de 2 pessoas, que vivem num t5 por 300€/mês de renda e famílias de 6 pessoas num t0 por 1000€/mês...mas há coisas que nunca irei perceber e apesar de concordar com o que aqui se escreve, devo poder incluir-me nos tais portugueses ignorantes...

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  4. Obrigado.

    Bom fim de semana

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  5. Tem razão quanto a isso de cada vez menos eleitores optarem pelos partidos tradicionalmente considerados de esquerda (PCP e BE). Só que esses partidos têm muito mais voz no espaço público (Redes sociais e comunicação social) do que todos os restantes juntos. Fazem tanto barulho que até parece que são muitos quando na verdade não passam de uma infima minoria que no entanto e estranhamente vai conseguindo impor a sua agenda à esmagadora maioria da população.

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  6. O país está repleto de desiquilibrios. Desde as rendas antigas vs rendas mais recentes, litoral vs interior e muitos, muitos mais...daí não surpreender a existência de tanta gente desiquilibrada!

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