
De que modo a guerra na Ucrânia influencia o preço da alface no mercado de Estremoz? Esta inquietante questão persegue-me desde que, a meio da manhã, o produtor/vendedor habitual de alfaces me garantiu que o aumento de preço em vinte e cinco por cento, face ao sábado passado, daquele vegetal constituía uma das consequências da invasão da Ucrânia. Perante a minha estupefação – justificada por, de uma semana para a outra, nenhum dos componentes do processo produtivo da alface ter aumentado em valores sequer parecidos com aquela percentagem – acabou por me assegurar que os restantes vendedores de alfaces também praticavam aquele preço e que, portanto, ele não era mais parvo que os outros para estar a vender mais barato. Estratégia que revela claramente a existência um fenómeno de concertação de preços. Procedimento muito usual em todos os sectores de actividade, diga-se, sem que as entidades fiscalizadoras se importem muito com isso.
Não vou, obviamente, comparar o drama da guerra com a carestia de vida. São coisas incomparáveis ainda que a segunda seja, nalgumas circunstâncias, consequência da primeira. Mas, tal como os ucranianos, também a nossa carteira está sob ataque. A subida vertiginosa dos preços constitui, em muitos casos, uma manobra especulativa sustentada pela ganância. Gosto do lucro, aprecio o mercado e não vou pela conversa do camarada Jerónimo e outros malucos que defendem o tabelamento dos preços. Nem mesmo o da alface. Prefiro o principio da livre escolha. Eles escolhem especular e eu escolho plantar as minhas próprias alfaces.
Escolhe muito bem. Até tem uma "cultura de crise".
ResponderEliminarAbraço
Lembra-se de me dizer que não abastecia o seu carro porque andava a pé? pois a alface viaja de carro, é mais fina e, como os combustíveis estão mais caros, voilá, o comprador de alface é que paga!
ResponderEliminarÉ desculpas atrás de desculpas e algumas tão absurdas. Gostaria era de ter um pedaço onde pudesse criar uma "cultura da crise" e a que mostras é apetecível:)
ResponderEliminarBeijos e um bom domingo
Ao que parece, a guerra na Ucrânia (só?) é responsável por tudo o que aumenta de preço.
ResponderEliminarE que dizer deste disparate do aumento da energia em mercado não regulado?
Ai que vontade de rir!!!
Cumprimentos, caro KK.
Mais duas ou três semanas e a agricultura da crise regressa em força!
ResponderEliminarCumprimentos
Até podia ser esse o caso quando a alface viajava numa viatura abastecida a mais de dois euros o litro. Agora não.
ResponderEliminarDepois queixam-se que vendem pouco...isto é quase como aquela história de quem tudo quer tudo perde.
ResponderEliminarCumprimentos e bom domingo.
Como não me canso de dizer gosto do mercado, da livre concorrência e essas coisas. Não aprecio é que me levem por parvo e isso - levar-nos por parvos - é o que estes comerciantes, desde os de alfaces aos de energia, andam a fazer. Ás tantas, só para chatear, ainda faço uma lareira...
ResponderEliminarCumprimentos, carissimo.
Basta ir à BP ou à nossa GALP, o gasóleo está a mais de dois euros o litro.
ResponderEliminarHoje de manhã o gasóleo estava a 1,84 na Galp e 1,82 na BP.
ResponderEliminarPercebo como se forma um preço, nem esse é o problema. No caso da alface é especulação pura e dura. Tal como em muitas outras coisas, obviamente.
é um absurdo esta tendência generalizada de aumentar os preços astronomicamente pelas razões que disseste. Dantes era o covid, agora é a guerra a justificação para tudo. E olha que nas feiras aqui da zona é mais barato que nas grandes superfícies. Os kiwis ontem eram mais baratos 0.50 € num pequeno supermercado na minha zona do que numa grande superfície que começa em "merca" e acaba em "dona".
ResponderEliminarRegra geral nos mercados tradicionais encontram produtos mais baratos e de melhor qualidade.
ResponderEliminarÉ o capitalismo. Portugal é o país na Europa que menos depende da Rússia mas ainda assim a inflação dispara.
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