sábado, 24 de abril de 2021

O Alentejo não tem direito ao desenvolvimento?

Desde há uns anos a esta parte ouço e leio gente extremamente aborrecida com a nova agricultura que se pratica no Alentejo. Tudo, garantem, está mal. Desde a paisagem em mudança até a uma espécie de tragédia ambiental que não se cansam de profetizar. De caminho lamentam a invasão de migrantes – eles podem lamentar, já eu se o fizer sou racista – que, alegadamente, serão explorados por patrões sem escrúpulos e senhorios gananciosos.


Tenho manifesta dificuldade em perceber o que pretende este pagode ou, sequer, a alternativa que sugerem. Se é que sugerem alguma. Provavelmente desejarão que fique tudo na mesma. Como sempre esteve. Seco, desértico e entregue aos bichos. Preferirão, com certeza, um Alentejo sem pessoas e improdutivo. Por mim prefiro o caminho que está a ser seguido. De preferência percorrido em passo mais acelerado, que já nos chegam as décadas de atraso. Venham mais “culturas intensivas”, venham mais migrantes, venham mais turistas e aqueles que não se sentem cá bem “desamparem a loja”.


Um dos argumentos muito em uso é que este tipo de agricultura não cria postos de trabalho. Para além da evidente contradição, quando lamentam o recurso a mão de obra estrangeira, há que ter em conta a riqueza indirecta que tudo isto gera. A começar nas casas que voltam a ser habitadas por estes trabalhadores e a acabar nos profissionais do activismo, que têm aqui um apreciável nicho de mercado. Que habilmente já estão a explorar, diga-se.

17 comentários:

  1. Concordo Kruzes subscrevo
    É lamentável que se critique o que está a ser feito só por criticar, por ser do contra, sem apresentarem nada que sustente a crítica ou algo melhor!

    Beijinhos
    Feliz Sábado

    ResponderEliminar
  2. Ana Branco2:26 p.m.

    O progresso da civilização não é impulsionado por aquilo que os Seres Humanos pensam, mas por aquilo que os salva ou economiza, de pensar. Abomino o “progresso”. Defendo a humanização.

    ResponderEliminar
  3. A "humanização" deve ser difícil de alcançar onde não existem seres humanos.

    ResponderEliminar
  4. Há quem sonhe em transformar o Alentejo numa espécie de reserva de índios. Devem achar que isto so é bonito e sustentável se apenas cá houver pedras, pasto e cobras.

    Cumprimentos

    ResponderEliminar
  5. Anónimo7:01 p.m.

    Não sei se será oportuno falar do Alentejo em pleno '25 de Abril'. Não vá a malta escrever algo que não agrade aos 'camaradas' ... ah pois é!
    Fuiiiiiii

    Cumprimentos, caro KK.

    ResponderEliminar
  6. Ana Branco9:35 p.m.

    É um facto. O Verão aproxima-se e, com ele, o recado camarário: "A água é um bem precioso, não a desperdice. Já agora, pelo sim, pelo não, vai ter de pagar mais qualquer coisa para ajudar nas despesas". Entretanto, ali mais para o lado, 6 a 7 furos por km, bombeiam água para as abençoadas oliveiras.
    Sem água, nem humanos nem oliveiras.


    ResponderEliminar
  7. O Alentejo finalmente tem água, oliveiras, vinhas e outras novas culturas. Que venham muitas mais. E gente para trabalhar, viver, passear...

    ResponderEliminar
  8. "Camaradas" são uma espécie em vias de extinção...o que, parece-me, não é necessariamente uma coisa boa. Era gente ingénua que acreditava em tudo o que o "partido" mandava acreditar. Actualmente foram substituidos por uma nova trupe de "revolucionários", esses sim, perigosos. Têm a mania que são os donos da verdade...

    Cumprimentos

    ResponderEliminar
  9. Ana Branco10:57 p.m.

    Sim, aproveitem.
    Quem vier atrás que feche a porta.
    Independente de serem nossos filhos, ou netos.

    ResponderEliminar
  10. Concordo em absoluto com tudo que dizes e quem está à procura de emprego rejeita o trabalho...Á pois é!!!!

    Beijos e um bom domingo

    ResponderEliminar
  11. Sem dúvida. Ali o resort está cheio de calões a "emborcar" cerveja e a procriar. Cada filho é mais uma fonte de rendimento...assim trabalhar para quê?!

    Bom domingo!

    ResponderEliminar
  12. Ana Branco3:22 p.m.

    No Alentejo, ou em qualquer outro lugar do mundo, deveríamos ser conscientes da necessidade de produzirmos e consumirmos de forma sustentável.

    Se for uma questão de lucro, nunca haverá soluções positivas e consensuais. Se for uma questão de nos sustentarmos e de respeito pela vida – a nossa e a dos demais -, podemos apostar na agricultura, na criação de animais, no turismo, na conversão de produtos e numa série de serviços.

    ResponderEliminar
  13. Não existindo a perspectiva de lucro nunca houve e nunca haverá aposta em coisissima nenhuma. Mas isso é tão óbvio que nem sei porque lho estou a recordar, deve ser coisa que sabe há muito tempo...

    ResponderEliminar
  14. Ana Branco4:20 p.m.

    Por essa razão, comentei que defendo a humanização.
    Nascer humano, não nos garante humanidade. Aprender a diferença entre valores humanos e valores materiais; aprender que a hierarquia individual de valores, afecta a justiça, ou injustiça, do mundo em que vivemos; aprender que para vivermos em sociedade temos de abdicar do egocentrismo; é mais do que relevante.
    Em última instância, a escolha é nossa. As consequências são, sempre, de todos.

    ResponderEliminar
  15. Não poderia estar mais de acordo com aquilo que afirma.
    Já vivi e trabalhei alguns anos no Alentejo, onde cheguei a fazer agricultura.
    Vejo com enorme alegria o gigantesco passo dado pela agricultura em algumas regiões alentejanas. Não faltarão aqueles que preferiam continuar a ver os campos ao abandono, pois deles tiravam o seu benefício, fruto de uma política de subsidiação do não cultivo dos solos.
    Felizmente temos novos agricultores que bom proveito sabem fazer da água disponível, sobretudo aquela que provém da barragem do Alqueva.
    Convém referir que a água não é um bem perecível, como muitas vezes nos querem fazer crer. Ela entra no normal ciclo de vida das plantas e dos animais, regressando, sempre, ao seu estado inicial.
    Claro que não estou a falar de água potável para consumo humano, pois esta poderá estar disponível em maior ou menor quantidade, fruto, muitas vezes, da gestão humana.
    Acabemos com os fundamentalismos ambientais, ou outros, pois apenas são um travão ao normal e desejado desenvolvimento.

    ResponderEliminar
  16. Sem dúvida. Há gente que só se lembra do Alentejo quando por aqui se quer fazer alguma coisa...

    ResponderEliminar