Sou do tempo em que nas repartições públicas os contribuintes eram tratados abaixo de cão. Dado o tratamento que hoje é dispensado aos canitos, muitos - nomeadamente os mais novos - até poderão pensar que o acolhimento a quem, por azar ou necessidade, se deslocava ao qualquer serviço público era relativamente bom. Mas não. Era mau, mesmo.
Hoje os papéis inverteram-se. A arrogância, a má-criação e a prepotência passaram para o lado dos utentes. Qualquer badameco acha que o funcionário que o atende é seu escravo e que está ali para cumprir as suas vontades, por mais absurdas que elas se revelem. Lamber-lhe as partes pudibundas, até, se esse for o seu desejo.
Para este estado de coisas muito tem contribuído a comunicação social. O caso das finanças do Montijo constitui um bom exemplo. Trataram de elevar à condição de herói um individuo que não só estaria a coagir quem o atendia como também se recusou acatar as ordens de um agente da autoridade. Já para o agente, que se limitou a cumprir o seu dever e a fazer aquilo que se espera que faça numa ocasião como aquela, parece reservado o papel de vilão. A vitima, a funcionária, essa não interessa para nada. Bem diferente do filme que a mesma comunicação social faz quando algum jornalista é untado. Nesse caso os que lhes batem são sempre os maus. Mesmo que às vezes só se percam as que caiem no chão...
Muito boa análise. Aliás como é a sua marca. «Só se perdem...»
ResponderEliminarAliás 'comunicar' vem de Com Munique (Munich)... Velhinha mas boa; do tempo da Censura...
Cumprimenta
Também achei exagerada a "desculpa e visibilidade que deram ao coitadinho do utente. Porque é que não falaram mais no assunto? Pois mas gostaria de saber realmente o sucedido.
ResponderEliminarQuanto ao IRS. Conforme legislado, claro que já dentro do prazo eles não poderiam ajudar ninguém a preencher. Que tivesse lá ido antes, como eu fiz que ajudariam com toda a certeza.
Toda esta cena, pelo menos para mim, é o lado mau das novas tecnologias que conjugado com algum péssimo jornalismo é o que dá.
Um abraço
Ou como diz o outro: Nesta malta bate-se sempre. Mesmo que não saibas porque lhes bates, eles sabem porque apanham...
ResponderEliminarEm pouco tempo passou-se do oito para o oitenta e hoje muita gente que se dirige aos serviços públicos pensam que pode humilhar e dizer tudo e mais alguma coisa aos funcionários. O mesmo acontece com a policia. Aos olhos de muitos desrespeitar a autoridade policial parece-lhes a coisa mais normal deste mundo.
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