Mesmo levando em consideração a clara afronta política
ao estado espanhol que envolve a decisão do governo da Catalunha de proibir as
touradas na região, tudo indica que, mais ano ou menos ano, este tipo de tomada
de posição vai generalizar-se e a proibição daquele tipo de espectáculo
estender-se-á a todo o mundo civilizado.* Gostemos ou não, discorde-se ou
aplauda-se, o futuro será assim. Todas as coisas tem o seu tempo e o das
touradas parece estar a chegar ao fim. É a vida, como dizia o outro.
Por mim, devo dizer, acho mal. Não sou
apreciador do espectáculo, não se me afigura que constitua uma tradição imprescindível
de manter e, caso acabasse, não me parece que viesse grande mal ao mundo.
Desagrada-me, no entanto, que o seu fim seja anunciado por decreto, motivando
desta forma o despertar de ódios e paixões absolutamente desnecessários. Mais
ainda me aborrece por o terminar desta actividade acontecer por força de um
insuportável politicamente correcto. Quando acabar que seja por mais ninguém
ligar àquilo, por não ter mercado, não ser rentável e jamais por causa de
argumentos absolutamente badalhocos de uns quantos alegados defensores dos
animais. De resto tem sido esta malta que, nomeadamente em Portugal, com as
suas iniciativas patéticas, mais terá contribuído para evitar um ainda mais
acentuado declínio da chamada festa brava.
*O termo civilizado não envolve qualquer crítica
pejorativa aos amantes das touradas. Até porque elas não existem no mundo que usualmente
não consideramos como civilizado. Aí não precisam de torturar touros porque,
para o efeito de tortura, podem usar pessoas.





