domingo, 17 de março de 2013

Aos bancos!


Causa-me uma certa confusão que Chipre tenha necessitado de pedir apoio internacional. Teve até há cerca de dois meses um governo de esquerda – daqueles patrióticos e progressistas, como se reclama por cá, que sabem o que é bom para o povo – pelo que seria suposto estar ao abrigo destas contingências e a salvo das manigâncias do grande capital, especuladores estrangeiros e chulos em geral. Não escapou, pelos vistos, a nenhuma delas.
Em consequência disso os cipriotas foram assaltados. Pela calada da noite, enquanto dormiam, foram vitimas de um assalto em larga escala – um arrastão, digamos - que lhes levou uma fatia significativa das suas poupanças. O crime foi perpetrado pelo governo local, sob indicações da troika lá do sitio e, começo a desconfiar, é um modus operandis que pode começar a fazer escola entre os criminosos do ramo. Um roubo com contornos semelhantes foi, como certamente alguns se recordarão, sugerido igualmente quando do primeiro resgate a Portugal. Escapámos. Se calhar para a próxima não teremos a mesma sorte.
De resto esta é uma opção que recolherá algumas simpatias – em alternativa a outros cortes – em alguns sectores políticos nacionais. Excepto, talvez, no CDS os principais partidos estão contaminados pelo vírus maoísta-blochevique transportado por muitos que, na ânsia de encontrar tacho, procuraram nos partidos do sistema o que não conseguiram obter com o PREC. E, assim sendo, não me surpreenderá muito se, em desespero de causa, o vírus desperte e a opção seja sacar umas massas a esses malandros que têm uma poupançazitas. Até porque o deles, o mais provável, é estar ao “largo”. 

sábado, 16 de março de 2013

Cagaram nos meus poejos!!!!


Que levem os cães a cagar ao jardim ou ao relvado mais próximo, os passeiem pelo bairro onde moram para que os gajos caguem na rua, na calçada ou onde os filhos da puta dos donos entendam por bem, ainda, apesar de bastante javardo, vá que não vá. Agora que um desses animais me invada o quintal e trate de largar um monte de cagalhões em cima dos meus poejos é que, convenhamos, já é demais.
A plantação está, portanto, arruinada. Usar estas plantas para, por exemplo, confeccionar uma açorda está fora de causa. Equacionava dar-lhes uso para produzir um licor mas, depois disto, o melhor é esquecer o assunto. Tudo graças a uma besta qualquer que não sabe educar os seus bichinhos a cagarem naquilo que é seu. Ou, o mais provável, que os ponha no olho da rua – e lhes feche o portão, como já por aqui vi fazer – para que não voltem a casa sem antes terem arreado o calhau. 

sexta-feira, 15 de março de 2013

Cumprir a austeridade gastando mais








Hoje, confirmadas as noticias que já se adivinhavam, o país está ainda mais indignado do que habitualmente. Compreende-se porquê. O que já não se entende muito bem é – reitero o que ando a escrever desde tempos imemoriais – a selectividade da indignação que por aí vou vendo espalhada.
O país está abespinhado. Não gosta da austeridade. Daí que faça tudo o que pode para contrariar as medidas austeras que o governo vai decretando. E se a coisa não revela particular importância se for um qualquer cidadão a tentar, por si, furar o esquema, o mesmo não se pode dizer quando se trata de grupos organizados. Ou, pior ainda, detentores de cargos políticos.
No âmbito do memorando da troika o número de funcionários públicos teria de ser reduzido em, pelo menos, dois por cento ao ano. Não consta que haja, por parte dos diversos organismos obrigados a aplicar esta redução, grandes violações à regra. Mas desenganem-se os que pensam que do religioso cumprimento desta norma resultou uma significativa poupança para os cofres públicos. Pelo contrário. A despesa será agora bastante maior. È que, de imediato, as mentes brilhantes que nos representam lembraram-se de uma forma simples, expedita e bastante cara de dar a volta à lei, aos cortes e à impossibilidade de arranjar emprego ao séquito. Como? Recorrendo ao maravilhoso e transparente mundo das aquisições de serviços. Seja de trabalho temporário ou de consultadoria. E serve para tudo. Desde a limpeza de edifícios até à observação do atum rabilho.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Estacionamento tuga


Este chasso está à venda. Pelo menos a acreditar no papel colado no vidro da porta. Isto apesar de coxo. Porque, como se pode atestar (atestar?! Isto anda tudo ligado..) tem apenas três rodas. Deve ser por isso que não vai a lado nenhum. Ou então é para não estragar o eventual negócio!

quarta-feira, 13 de março de 2013

Apagão blogosferico


Escrevia um destes dias o autor de um blogue que costumo visitar frequentemente, daqueles que estão ali na barra lateral, que os blogues duram sete anos. Alguns, acrescento eu. Outros acabam mal começam. Há, depois, as excepções. Os bons que pela qualidade da matéria publicada se tornaram uma referência e aqueles que, por uma qualquer razão ou mesmo sem ela, insistem em permanecer na blogosfera. É a este último segmento que o Kruzes se orgulha de pertencer. Anda por aqui a aborrecer vai para oito anos e não estará, salvo algum imponderável, perto do fim.
Lamentavelmente – na minha opinião, porque outros pensarão o inverso – o universo bloguistico de Estremoz desapareceu. Sumiu-se. Finou-se, salvo raríssimas excepções, quase tão depressa como apareceu. E ninguém ficou a ganhar com isso. Nem mesmo aqueles que respiraram de alivio perante a ausência de critica. Alguns terão migrado para o Facebook. Mas não é a mesma coisa. Ainda que com perfis falsos. Uma espécie de anonimato que parece ser muito mais tolerada mas – e vamos ver se o futuro não me dará razão – igualmente perigosa.

terça-feira, 12 de março de 2013

Privatize-se, porra!


Dizer que as sucessivas greves nos transportes já aborrecem é, manifestamente, pouco. Pelo menos quando comparado com a ausência de medidas para combater a situação por parte da tutela. Que é como quem diz, do governo. Talvez por isso surgiu agora – um destes dias, não sei ao certo quando – um movimento de utentes do metropolitano de Lisboa contestando a rebaldaria que se vive no sector. Nomeadamente o facto de serem os utilizadores os únicos prejudicados pelas inúmeras greves.
Obviamente que os grevistas têm todo o direito de protestarem. Principalmente quando entendam estar em causa aquilo que consideram ser os seus direitos há muito adquiridos. Tal como os utentes de se manifestarem contra o fraco – ou inexistente, em caso de greve – serviço pelo qual pagaram antecipadamente. O governo, por sua vez, tem a obrigação de assegurar o regular funcionamento da rede de transportes. Se não está em condições de satisfazer as exigências de uns, nem de indemnizar os prejuízos de outros, então que obrigue os primeiros a trabalhar ou que arranje quem o queira fazer.
Não é que me pareça boa ideia, mas, aproveitando esta onda de simpatia póstuma para com Hugo Chavez, podiam copiar algumas das suas medidas enquanto presidente da Venezuela. Como, por exemplo, aquela em que ele despediu cerca de vinte mil grevistas da companhia de petróleos lá do sitio. A julgar pela admiração que as redes sociais dedicam ao falecido, seria coisa para recolher um aplauso quase unânime. E com melhor resultado do que ir cantar a “Grândola” para as estações de metro em dia de greve... 

segunda-feira, 11 de março de 2013

Sacadores ou saqueadores?


O resultado de vinte e tal anos a sacar dinheiro a Bruxelas – como disse em certa ocasião um ex-Presidente da República e da Câmara de Lisboa - para fazer obras, está à vista de todos que o queiram ver. Poucos, apesar de tudo o que estamos a passar, porque a maioria ainda acha que é uma boa ideia gastar o que não tem com obras desnecessárias e arranjar encargos que não vai poder pagar só porque alguém lhe dá uma ajudinha.
Despejar dinheiro em cima dos problemas tem sido também uma prática corrente. Mesmo daquele dinheiro que não temos, que tivemos de pedir emprestado e que agora alguns acham que não temos nada de pagar. As consequências são, tal como em relação ao que sacámos à Europa, as que podemos apreciar.
Diz que agora o governo, que politicamente tanto diabolizou esta prática enquanto os organismos públicos de si dependentes a continuavam a incentivar, vai lançar umas quantas obras públicas e criar uns quantos programas para esturrar mais umas massas e, alegadamente, criar emprego. Para gente vinda de leste e de África, presumo.
Haverá, ao que parece, a intenção de avançar com projectos na área da recuperação de centros urbanos degradados. Pode ser, admito, uma ideia razoável. Os jardins suspensos em que os telhados de muitos prédios, em todas as cidades e vilas, se estão a transformar deviam, digo eu, constituir motivo de preocupação. Embora, em muitos casos, já não haja nada para recuperar. Nem, sequer, razão para o fazer. É deitar abaixo, limpar o entulho e pronto. Ou, quando muito, alargar a rua.

domingo, 10 de março de 2013

Eleições antecipadas


A eleição do sucessor de Bento XVI está a suscitar teorias deveras curiosas acerca do perfil que deve ser tido em conta quando chegar a hora do colégio eleitoral nomeado para o efeito tomar a sua decisão. O novo Papa, alegam uns quantos, deve ser alguém do “sul do mundo”. Presumo que tenham em mente algum candidato australiano ou neozelandês com especiais aptidões para o cargo. Outros preferiam ver no Vaticano um Papa negro. Não se sabe ao certo porquê mas, sendo escuro que breu, ficariam satisfeitos.
Por mim - que não sou dado a essas coisas das beatices e que não podia estar menos interessado no assunto – tanto se me dá. Só não percebo é porque a escolha parece ter de obedecer a critérios de proveniência geográfica, cor da pele, idade ou de outra baboseira qualquer. Pensava eu, pelos vistos mal, que quando se trata de eleger alguém para funções com alguma relevância, a única condição era a competência para o desempenho do lugar. Já que não é assim, se querem algo revolucionário e a atirar para o modernaço, escolham um Papa muçulmano e transexual e não se fala mais no assunto.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Javardolas


Verdade que o contentor está mesmo ali. Mas isso, quando se quer sujar deliberadamente o que outros acabaram de limpar, não interessa nada. Deve dar, calculo, um gozo do caraças atirar lixo para o chão, ver tudo sujo, armar-se em alarve e, às tantas, reclamar que “esta malandragem não quer é trabalhar, vejam lá que nem o lixo recolhem, os patifes”. São javardolas desta estirpe que não faltam por aqui. Nem, se calhar, noutros lados. 

quarta-feira, 6 de março de 2013

Das outras não resultou...Mas desta é que vai ser!


Não vou gastar as pontas dos dedos, nem desgastar ainda mais as minhas quase imperceptíveis impressões digitais, a escrever o que penso acerca das cada vez mais previsíveis reduções de vencimentos na função pública. Já o fiz em inúmeras ocasiões e, não o digo com grande satisfação, tudo o que tem sucedido na sequência dos cortes já efectuados tem vindo de encontro ao que por aqui tenho escrito.
Parece que desta vez a coisa vai ser ainda pior. Os ordenados da generalidade dos funcionários públicos estarão, mais uma vez, sob a ameaça de novos cortes e, consta, agora a titulo definitivo. Será, tudo indica, por aí que o governo vai encolher a despesa pública nos tais quatro mil milhões de que tanto se tem falado ultimamente. Trata-se da opção mais fácil e com menos custos em termos de popularidade mas, ainda assim, tão inútil como as tesouradas anteriores.
Digamos que, pelo menos nesta fase, não estou especialmente preocupado com esta eventualidade. Ou quase certeza. Nunca gastei mais do que aquilo que ganho e é assim que tenciono continuar a agir. Por isso se ganhar menos, gastarei menos. E se tivermos em conta que na economia os meus gastos são os teus ingressos, alguém é capaz de se lixar. Mais ainda.

terça-feira, 5 de março de 2013

Sei o que fizeram no governo passado...


Gosto da democracia. Não sei porquê, mas gosto. E em democracia as pessoas – o povo, portanto – escolhem quem os vai governar, nas urnas de voto através dessa coisa a que chamamos eleições. Por mim prefiro que continue assim. Mesmo que não ganhem aqueles em quem voto e ainda que os escolhidos para governar o façam ao arrepio das minhas convicções.
Quero acreditar que foi por isso que muita gente terá lutado durante o regime salazarento. Nem me passa pela cabeça que a generalidade dos que deram o corpo ao manifesto antes do 25A tivessem em mente algo de diferente. Que idealizassem um país onde os governantes não fossem eleitos em sufrágio livre e universal, mas antes nomeados por um grupo de “esclarecidos”, iluminados e auto-nomeados representantes do povo. Como antes, afinal.
Obviamente que em democracia também é legitimo pretender a queda de um governo. Que a acontecer nada terá de dramático. Elege-se outro e o assunto fica resolvido. Ou não. Porque não me parece que seja isso que muitos manifestantes – profissionais ou gente legitimamente indignada – desejam para o país. Se é que sabem o que desejam. Nem, menos ainda, representam ninguém. A não ser a eles próprios, quando muito.
Insiste-se agora que se deve ouvir o povo. Creio que a referência envolverá eleições antecipadas e não outra coisa qualquer. O que, a acontecer, levaria o PS de novo ao governo e que é bem revelador da fraca memória dos portugueses e da pouca inclinação que têm para os números. Preferem o regresso da festa. Esquecem apenas um pormenor. Já não há quem queira financiar os festejos.


segunda-feira, 4 de março de 2013

Indignação com os indignados


Há quem se escandalize por uns quantos reformados manifestarem a sua indignação pelo roubo de que estão a ser vitimas e, para manifestarem o seu aborrecimento, terem criado um movimento a que deram o sugestivo nome de reformados indignados. O escândalo, em vez da esperada solidariedade, deriva somente do facto de alguns destes reformados auferirem uma pensão para lá de generosa. Que, segundo os próprios, é praticamente toda recolhida de volta pelo Estado. Seja sob a forma de cortes ou impostos.
Por mim estou solidário com estes reformados. Faço, até, minha a indignação deles. Verdade que o valor da pensão que lhes tem sido paga é mais que obsceno. Igualmente verdadeiro que, por mais cortes que sofram ou impostos que paguem, nenhum destes aposentados vai morrer de fome, de falta de assistência médica ou de qualquer outra coisa relacionada com falta de dinheiro. O que me indigna é que estas pensões não sejam cortadas por serem imorais, mas apenas porque, circunstancialmente, o Estado não tem dinheiro para as pagar. O mesmo Estado – em todos os seus níveis de poder - a quem parece não faltar o guito para esturrar em despesas absolutamente parvas, inúteis e que deviam cobrir de vergonha aqueles que as fazem. E, também, todos os que as aplaudem.

domingo, 3 de março de 2013

Bichano esfomeado


Diz que a curiosidade matou o gato. Alegadamente, claro, que eu não sou de acusar ninguém. E se algum bichano morreu por causa da sua bisbilhotice não foi de certeza este que, quando deu pela minha presença, se revelou muito mais assustado do que curioso.
O coitado do bicho mais não é do que um gato vadio que vagueia aqui pelas redondezas. Procura comida no lixo e, em consequência disso, um destes dias ainda é capaz de bater a bota. Basta alguém fechar a tampa do contentor...E aí não vai ser a curiosidade a matá-lo. Será a fome. Ou a vontade de comer.

sábado, 2 de março de 2013

25 de Abril ou uma espécie de D. Sebastião


É preciso outro 25 de Abril, proclama-se. Com armas desta vez, garante-se convictamente, porque os militares têm de fazer qualquer coisa. Se necessário for que haja uma guerra civil, profere alguém num momento de exaltação de que mais tarde se envergonhará. Ainda que as expectativas quanto ao discernimento da maioria dos manifestantes não sejam elevadas, hesito quanto às capacidades mentais de quem assim fala. Ou será que esta malta acha que os militares, ainda que hipoteticamente possam fazer os 25 de Abril que quiserem, têm dinheiro e empregos para distribuir por todos?! Derrubar o governo é fácil. A parte complicada vem depois. Ou talvez não. No caso da coisa dar para o torto faz-se outro 25 de Abril...e outro...e outro...e outro...

E que tal exigir rigor?!


Tal como escrevi por ocasião de manifestações anteriores todos, ou quase todos, temos motivos de sobejo para nos manifestarmos contra o estado a que chegámos. A trajectória que estamos insistentemente a seguir já deu demasiadas provas que é a errada e que, a não se arrepiar caminho, mais cedo do que tarde a coisa estoira de vez.
O que me deixa mesmo lixado é ver muita gente que contribuiu para a tragédia que estamos a viver ter agora a distinta lata de se associar a este protesto. Estou a pensar, entre outros, em inúmeros autarcas, nomeadamente vereadores e presidentes de câmara, que nas suas páginas do fuçasbook apelam à contestação ao governo e fazem questão de demonstrar o seu apoio e entusiasmo perante a “revolta popular”. Esta criaturas, que contribuíram decisivamente para rebentar com o país, são responsáveis em grande medida pelo agravar da situação dos seus munícipes. Veja-se, dentro de poucos dias, a continha do IMI, analise-se a factura da água e olhe-se para as prestações de contas ou simplesmente para as informações que divulgam on-line e é fácil perceber o que esta malta tem andado a fazer. É só ir às respectivas páginas na internet que está lá tudo.
O mesmo se pode dizer de muitos dos que hoje vão manifestar a sua indignação. Durante anos aplaudiram o esbanjamento e a delapidação dos recursos que não tínhamos. Ainda agora não faltam os que continuam a exigir e a congratular-se com obras faraónicas de interesse duvidoso sem perceberem, ou sem quererem perceber, que não há dinheiro e que tudo isso contribui para agravar a situação que tanto criticam. Mesmo com o país falido são também bastantes os que se acham no direito de reclamar subsídios e apoios para as suas organizações ou iniciativazinhas. Muitas delas sem outro interesse que não o gastronómico ou folclórico. Isto para não mencionar todos aqueles que entendem que isso de exigir factura é coisa para gajos com tiques pidescos.
É preciso encontrar alternativas. Mas elas não passam, seguramente, pela esmagadora maioria das palavras de ordem que hoje vão entoar pelas ruas da capital. Por mim, insisto no que escrevo desde o tempo em que ainda nem sequer se sonhava que ia haver crise. Não precisamos de austeridade, apenas de rigor. O rigor, por parte de todos, teria chegado e sobrado para evitar que tivéssemos chegado até aqui.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Neve em Estremoz


Não é que seja especial apreciador de neve. Seria mesmo incapaz de assapar umas quantas dezenas de quilómetros apenas para a ver. A bem dizer nem umas centenas de metros... mas pronto isso sou eu que apenas gosto de ver neve através da janela. Prefiro o calor. Estou como diz o outro:
Ó sol és a minha crença
nem que eu morra queimado
ainda assim não me compensa
dos frios que tenho passado”


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Vem aí o IMI


Vamos, dentro de poucos dias, começar a receber as notas de cobrança do IMI. Abrir a caixa do correio e deparar com contas a pagar é algo que aborrece qualquer um, mas esta missiva das finanças vai ser coisa para deixar a maioria dos proprietários de imóveis com os níveis de irritabilidade em alta. Dependendo do montante a pagar – do tamanho do saque, por assim dizer – a conta será dividida até três prestações. A última, curiosamente, será paga apenas lá para Novembro. Depois da eleições autárquicas. Quando a malta já votou, colocando assim a salvo os muitos candidatos que vão andar por aí ao abrigo de algum percalço mais ou menos desagradável. Pelo menos daqueles relacionados com este imposto desgraçado, inútil e que, nos moldes actuais mais não é do que um roubo descarado aos nossos bolsos.
De positivo neste esbulho vejo apenas um aspecto. O de os portugueses terem finalmente a oportunidade de perceber que é o seu dinheiro que paga as festas de que tanto gostam, as obras que não se cansam de exigir e tudo o mais que tanto apreciam no governo e nos governantes da sua terra. Ou na parte do IMI resultante da reavaliação dos prédios, como vai suceder neste e no próximo ano, para pagar os empréstimos contraídos por estes junto da banca. É que isto não há almoços grátis. Nem promessas “deles” que nós não paguemos.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Deve ser uma espécie de perseguição religiosa

Ainda que baptizado e casado pela igreja não me considero católico. Nem sequer, embora provavelmente as estatísticas me incluam nesse número, católico não praticante. Digamos que as minhas relações com a igreja serão muito mais circunstanciais do que movidas por qualquer espécie de convicção.
Apesar disso não aprecio muitos dos ataques que quase constantemente são dirigidos à igreja, enquanto instituição ou à sua hierarquia, nomeadamente quando as outras religiões não são postas no mesmo patamar de exigência. Desagrada-me sobretudo que se critique de forma despudorada a igreja católica e se deixe impune à critica, seja por cobardia ou em nome do pensamento politicamente correcto vigente, outras religiões que claramente oferecem mais motivos de reprovação. Refiro-me, entre outras, ao islão. Crença acerca da qual todos parecem ter um imenso receio de tecer o mais moderado dos comentários.
A foto que acompanha este post é um dos exemplos mais elucidativos do que acabo de escrever. Tem sido partilhada no fuçasbook e divulgada em sites e blogs como forma – se bem interpreto a mensagem – de denunciar a alegada indiferença da igreja perante a fome de milhares, quiçá milhões, de criancinhas africanas e de outras paragens menos favorecidas. Terão os que partilham este tipo de imagem alguma razão. Se calhar uns quantos indivíduos vestidos de forma abichanada podiam fazer mais qualquer coisa para minorar o sofrimento destas e de outras pessoas. Mas, se mal pergunto, os ayatollahs de toalha na cabeça, que rezam de cú para o ar e a quem também não faltam riquezas, não podiam fazer nada? Até porque estão lá mais perto. E, mesmo sabendo que são estes fulanos que muitas vezes impedem o auxilio a estas crianças, não há por aí umas quantas fotos desses seguidores do profeta que se possam colar às destas criancinhas?
Não se pode exigir que quem partilha e divulga estas palermices pare muito tempo para pensar. Ou que, em muitas circunstâncias, tenha sequer grande capacidade para o fazer. É por isso que aquela rede social substitui quase na perfeição a parede do WC. Sinal dos tempos e da evolução tecnológica. Que não, necessariamente, do utilizador.


domingo, 24 de fevereiro de 2013

Onde é que está a dúvida que andámos a viver acima do que podíamos?


São muitos os que ficam com os cabelos em pé quando ouvem dizer que vivemos – e se calhar continuamos a viver – acima das nossas possibilidades. Isto enquanto país, obviamente. Não gostam e acham que os problemas estão algures noutros pontos quaisquer da nossa vivência em sociedade. Terão, sem dúvida, toda a razão relativamente a muitos argumentos que evocam para rebater a tese, que abominam , de termos andado a esbanjar o dinheiro que tínhamos, o que não tínhamos e o que provavelmente nunca chegaremos a ter.
O pior é que a razão deles não chega. O problema vai muito para além dela. E o gráfico junto é por demais elucidativo. Os juros e encargos com a divida representam a mais importante parcela da despesa financiada com os nossos impostos, superam até os gastos com a saúde, o que, somando o BPN, torna o país praticamente ingovernável. Digamos que se fosse uma empresa, ou mesmo um particular, um destes dias era declarado falido. 
Ora estes encargos resultam de empréstimos que foram contraídos para financiar investimentos e para irmos mantendo o nosso simpático nível de vida. O mesmo que muitos portugueses fizeram, portanto. Desgraçadamente todos os créditos têm aquela parte chata, aborrecida e muito desagradável que envolve o seu reembolso e o pagamento dos respectivos juros. Coisa para a qual não temos graveto porque não geramos riqueza para isso. Se isto não foi viver acima das possibilidades, então não sei o que lhe chame. Talvez mania das grandezas, querer fazer figura com dinheiro alheio ou não ter onde cair morto mas fazer vida de rico, é capaz de não ser, também, desajustado de todo. 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Peçam muitas facturas em meu nome que eu não me importo!


Desatar a trautear a Grândola vila morena quando nas imediações se encontra um qualquer membro do governo pode parecer um bocadinho a atirar para o estranho mas, enfim, ainda se tolera. Mesmo correndo o risco de o fulano que democraticamente se pretende silenciar desate, também ele, a cantar a dita cantiga. O que, convenhamos, tira todo o brilho ao putativo protesto.
Já fazer uma compra, paga-lá e no fim pedir factura em nome de outro é, para ser simpático, das atitudes mais parvas de que já ouvi falar. Apesar disso, parece, é o que andarão a fazer uns quantos totós. Diz que será uma forma de protestar contra a obrigação de pedir factura. Desconheço o que ganhará com isso quem assim procede ou em que medida ficará prejudicado o possuidor do número de contribuinte a quem a factura foi emitida. O efeito é, desconhecerão os idiotas mentores desta acção, exactamente o contrário. Eles ficam a perder e os contribuintes identificados a ganhar. Por causa de palermas desta estirpe PPC, Relvas e outros terão já direito a pagar menos 250 euros de IRS. ¹
A ideia é tão estúpida que já tem milhares de seguidores no facebook - um local onde as ideias estúpidas surgem a uma velocidade estonteante. De estranhar é apenas ter surgido agora. Se a intenção de mandar facturar em nome de outro tem a ver com a possibilidade deste vir a ser investigado para determinar a origem dos proveitos que lhe permitiram adquirir bens acima dos seus rendimentos, porque raio ninguém se lembrou de pedir facturas em nome de um alegado engenheiro desempregado até há uns dias atrás?! Ou da senhora sua mãe? Ou de outra pessoa qualquer que compre apartamentos de centenas de milhares de euros quando ganha apenas uma reforma miserável.

¹ Se quiserem pedir factura em meu nome é só deixar o contacto na caixa de comentários que eu disponibilizo o meu NIF para o efeito. Abater 250 euros ao IRS dá sempre jeito. 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O que o álcool faz... a um pobre diabo!


Que os vinhos de Estremoz são dos melhores que se produzem no país parece ser, a acreditar na opinião dos especialistas em matéria vinícola, uma realidade incontornável. Por mim, que não não sou grande entendido nessas coisas da pinga, posso apenas garantir que possuem qualidades insuspeitas. Pelo menos ao nível do efeito que produzem na fluência do discurso e clareza do raciocínio dos seus consumidores. Sobretudo daqueles que o consomem em quantidades mais elevadas.
Foi por causa desses efeitos que um destes dias num popular tasco cá da terra, enquanto aguardava o registo do euro-milhões, tive a oportunidade de assistir a um verdadeiro comício improvisado em torno de umas quantas garrafas de um tinto aqui da zona. O orador improvável, um borra-botas qualquer incapaz quando sóbrio de dizer burro duas vezes seguidas, discorria fluentemente sobre o carácter e a conduta de um conhecido politico local. Fluente, mas em termos que a decência aconselha a não reproduzir. Mesmo num espaço como este.
Nada de mais se atendermos ao que todos os dias se diz dos políticos, pensará quem se dá ao trabalho de me ler. De facto, o episódio não teria nada de especial não fosse a piece de resistance da história. É que para gáudio dos que assistiam,  o homem terminava invariavelmente cada frase com um sonoro “e eu sou amigo dele”. Nem quero pensar o que a criatura dirá, quando com os copos ou até mesmo sem eles, de quem não grama.
Ainda assim o discurso inflamado do bêbado contribuiu involuntariamente para a divulgação do produto. Alguém por perto pediu “um daqueles que o gajo está beber”.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Autárquicas 2013


À semelhança do que aconteceu em 2005 e 2009, em 2013 o Kruzes Kanhoto vai acompanhar as eleições autárquicas com toda a atenção que elas merecem. Pouca, portanto. Mais uma vez serão as promessas extravagantes, as ideias delirantes e as candidaturas mais ou menos excêntricas em que estes actos eleitorais costumam ser pródigos, que vão merecer destaque aqui pelo blogue. Ainda que outras patetices e até mesmo as coisas relativamente sérias não sejam esquecidas e possam, de vez em quando, merecer uma referencia. Necessariamente breve, como é óbvio, que isto há que manter o padrão a que os leitores já se habituaram.
Comecemos, como nas outras ocasiões, por Estremoz. Parece que um dos candidatos afinal já não é. Deixou de ser antes que fosse. Nunca chegaremos, por isso, a saber se a pessoa em causa, com a sua vastíssima experiência neste ramo de actividade, seria uma mais valia para o concelho. Isto se ganhasse ou se, sequer, fosse eleito. Hipóteses que – a primeira - os auto proclamados especialistas em matéria de previsões nem colocam ou, quanto à segunda, manifestam as mais sérias reservas. Garantem até saber que nem o ex-candidato votaria nele próprio. Mas isso agora, como diria a outra, não interessa nada. São contas, se houver outro volte-face e o agora ex-candidato for mesmo a votos, para fazer lá mais para o inicio do Outono.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Governo alternativo precisa-se


Como aconteceu no tempo do governo do Partido Socialista, também agora Passos Coelho e os seus ministros são apupados para onde se deslocam. Estarão, portanto, a governar mal e com isso a provocar um elevado nível de irritabilidade aos portugueses. Tal como Sócrates e seus acólitos o fizeram antes, recorde-se.
Já no poder local, agora como nos últimos vinte anos, a deslocação do presidente da câmara, seja de que partido for, a qualquer parte do território que administra constitui uma festa. Estarão, portanto, a governar bem e com isso a provocar um elevado nível de satisfação aos portugueses. Tal como todos os seus antecessores o fizeram antes, recorde-se.
Se calhar, digo eu que gosto muito de dizer coisas, era capaz de não ser má ideia promover a constituição de um governo de união nacional, onde estivessem representados todos os partidos, integrado exclusivamente por presidentes de câmara. Seriamos, acredito, um povo muito mais feliz. E o país seria, seguramente, um lugar divertido, com muita animação e onde tudo constituiria motivo para uma festa. Fosse a colocação de uma máquina de multibanco numa aldeola ou a oferta de uma gaita de beiços para uma filarmónica qualquer.  

domingo, 17 de fevereiro de 2013

À vontade!


Num tom de voz claramente irritado e em circunstâncias que não vêm ao caso, porque pouco ou nada acrescentariam à historieta, alguém me fez notar que era “autarca da Câmara do (…) só para o pôr à vontade”. Dada a grande velocidade a que o alegado autarca produziu esta afirmação nem dei conta da ligeira pausa, que daria sentido à frase, e que significaria a existência de um ponto final a seguir à identificação da autarquia. Apesar disso admito que a criatura a tenha feito. Até porque será muito mais coerente que o homem desempenhe o cargo que alega por amor à sua terra do que para me pôr à vontade. Admiti, por isso, que o senhor terá afirmado que é “autarca da Câmara do (uma determinada terra). Só para o pôr à vontade.”
Lamentavelmente ficaram por esclarecer as inquietantes duvidas que manifestei perante o interesse da extemporânea revelação. O alegado autarca tratou de desviar a conversa. Apesar de não ter visto esclarecido o motivo porque ficaria à vontade perante a informação que me estava a ser transmitida, acredito que foi melhor a troca de palavras ter seguido outro rumo e, principalmente, ter terminado pouco depois. É que entre as muitas coisas que me irritam, as referências aos lugares que se ocupam estão no topo da lista. Nomeadamente quando isso envolve a intenção de deixar o interlocutor à vontade. Seja lá o que for que isso queira dizer.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Temos piada nós


Tantos anos a reclamar de serem sempre os mesmos a pagar impostos, a lamentarmos a generalizada fuga ao fisco e a criticar a inépcia da máquina fiscal para caçar aqueles que em nada contribuem para as finanças do país e, agora que podemos fazer alguma coisa para contrariar esta situação, o que fazemos nós? Zombamos da possibilidade de, finalmente, aquilo que sempre exigimos – pôr muitos dos que não pagam a fazê-lo – se tornar realidade. Pior ainda. Barafustamos e recusamos participar no esforço colectivo que deve mobilizar a sociedade contra a fuga e evasão fiscal. Achamos que controlar a cobrança de impostos é um acto pidesco e manifestamos a nossa repulsa por nos pretenderem obrigar a exigir a factura que nos é devida por cada compra que efectuamos. Somos uns tristes. 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Estacionamento tuga


O Rossio, um dos maiores “largos” do país, fica tão longe quanto o outro lado da rua. Ainda assim demasiado distante quando o objectivo é estacionar o popó o mais perto possível do local de destino.
Esta imagem, cada vez mais frequente nas placas da zona lateral do Rossio Marquês de Pombal, faz-me sentir saudades do Sandokan. Aquele policia excessivamente zeloso das suas funções que, durante a permanência no comando da polícia local, aterrorizou os automobilistas estremocenses e muitos dos incautos visitantes desconhecedores do seu modus operandi.
A julgar por aquilo que se vai assistindo começo a suspeitar que as horrorosas barracas de lata, que estão paulatinamente a desaparecer, vão acabar substituídas por automóveis. Entre uns e outros venha o diabo e escolha. 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Carnaval II





Para o ano, se houver mais, volto a refilar da ausência de gajas nuas e da quase inexistente sátira política ou social. Por hoje o destaque, não necessariamente por esta ordem, vai para a Cergal, a Sagres e a Argus. E para o “assalto” à loja dos chineses. 

A vasta gama de tolerâncias governativas não inclui o carnaval


Só os papalvos acreditarão na bondade da justificação do governo para não conceder tolerância de ponto na terça-feira de carnaval. Os motivos que se prendem com esta decisão não estão, obviamente, relacionados com a produtividade, a presença da troika, nem com a crise. Primeiro porque a relação custo beneficio para o país deste dia de intolerância de ponto estará por demonstrar. Segundo, porque se de facto estivessem preocupados com os argumentos que mencionam, não permitiam, entre outras coisas, a verdadeira vergonha nacional que são as greves nos sectores dos transportes.
Estamos a ser governados, tal como aconteceu anteriormente, por um bando de catraios mal-educados, incompetentes, inconsequentes mentais movidos por preconceitos ideológicos e orientados apenas para resultados financeiros. E também, convém não ser ingénuo, por uma agenda eleitoral manhosa. As pessoas, a economia, o futuro do país e das gerações futuras, esse pouco importa. Só assim se percebe a tolerância com a greve dos estivadores e a ausência de vontade em acabar com as sucessivas greves dos transportes das regiões de Lisboa e Porto. Autocarros e comboios parados e funcionários a descontar os dias sem trabalhar representam uma enorme poupança de recursos para as respectivas empresas. Todas públicas, por sinal. Como a receita com a venda dos títulos de transporte está previamente assegurada é fácil perceber o quanto a situação agradará ao governo e aos geniozinhos traquinas acabados de largar as fraldas que cirandam pelos corredores do poder.
Acredito, mas isso sou eu que só sei dizer mal e escrever pior, que meio-dia de greve nos transportes provoca muito mais estragos à economia e causa muitíssimo mais transtorno aos portugueses do que a tolerância de ponto no dia de carnaval. Mas disso aquela malta não quer saber. Nem lá está para se preocupar com minudências dessa natureza. 

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Carnaval






Todos os anos lamento a ausência de gajas nuas no carnaval cá do burgo. Prefiro, desta vez, dirigir as minhas queixas para a falta de público. Admito que possa estar enganado mas, assim de repente, parece-me que este terá sido o corso com menor assistência de sempre. Pelo menos dos que me recordo. Seja do tempo, da crise ou do pessoal não ter grande vontade para carnavais, o que se afigura evidente é que o número de visitantes não justifica a despesa. Já quanto aos figurantes, mesmo deixando de parte a falta das moçoilas desnudadas, pode dizer-se que a coisa estava jeitosa.