terça-feira, 20 de novembro de 2012

Estes gajos têm um trauma com os funcionários públicos...

Da enfadonha conferência de imprensa do ministro das finanças fica a perspectiva de, no tocante aos funcionários públicos, mais um ataque àquilo que uns quantos badamecos – com tanto de invejoso como de ignorante – apelidam de direitos adquiridos ou, noutros dias, privilégios inqualificáveis.
Uma das medidas que ficou a pairar foi a intenção de aumentar a carga horária dos trabalhadores da função pública para quarenta horas semanais. O que não me parece desapropriado uma vez que esse é o horário praticado pela generalidade de quem trabalha no sector privado. Como é possível constatar no arquivo do Kruzes, defendo esta ideia há muito tempo. Lamento apenas que estes idiotas que nos governam sejam incapazes de definir um rumo para o país e não tenham, em lugar de roubar salários, começado exactamente por aí.
Para lá do lado moral – que, como referi, se afigura por demais evidente – esta medida a concretizar-se irá ter efeitos perniciosos que, receio, não estejam a ser equacionados. Primeiro porque a produtividade que se pretenderá alcançar, dado o actual estado de espírito reinante entre os funcionários públicos, dificilmente será conseguida. Depois porque o aumento da jornada de trabalho implicará um aumento de custos, os tais consumos intermédios, nomeadamente energia e seguros. Finalmente, porque será expectável a redução do intervalo para almoço ou até adopção da jornada contínua, veremos o impacto desta alteração nos cafés, restaurantes ou pastelarias que se situam nas imediações dos organismos públicos. Nomeadamente nos centros urbanos de maior dimensão onde muitos, na impossibilidade de – como eu – ir almoçar a casa, ainda conseguem ter dinheiro para comer uma sopinha e um croquete na espelunca mais próxima.
Anunciam-se também mexidas na ADSE. Mas quanto a isso nem vou perder mais tempo a comentar. Alguém que acha que vai conseguir poupanças com a sua extinção nem merece resposta. De tão estúpida que é a ideia.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Quem paga a limpeza?


Continuo a achar que a existência em profusão de merda de cão nas ruas das nossas cidades é, claramente, revelador da má formação cívica dos moradores que possuem um canito como animal de estimação. Ainda assim não deixo de, também, responsabilizar por esta pouca-vergonha todos aqueles que, a qualquer nível, têm algum tipo de responsabilidade na gestão da coisa pública. Taxas mais elevadas pelo licenciamento de canideos, adequada fiscalização da legalidade do animal e aplicação de coimas em conformidade, seriam algumas das medidas mais fáceis de implementar e que teriam como consequência a diminuição da população canina e, por força disso, a existência de dejectos na via pública.
Mas naturalmente ninguém usará o poder de que foi investido para mexer uma palha. Nesta como noutras coisas o melhor é não levantar ondas. Fingir que não passa nada. Os porcos são mais do que muitos e também votam. Daí que aborrecê-los com minudências de que mais tarde, na altura do voto, venham à memória é coisa de todo desaconselhável.


sábado, 17 de novembro de 2012

Mas esta gente julga que somos parvos?!


Das muitas propostas de alteração ao orçamento de Estado para 2013 há uma de que gosto particularmente. Aquela - da autoria dos partidos da coligação - que altera a data de pagamento do IMI. O tal imposto que mais não é do que uma renda que cada um dos que compraram casa tem de pagar ao respectivo Município. Pois parece que o pagamento do dito imposto, em lugar de ocorrer – como até agora - em Abril e Setembro, vai passar para Abril e Novembro.
Longe de mim sequer imaginar que esta mudança possa ter a ver com o facto das eleições autárquicas se realizarem em Outubro. Eu era lá capaz de insinuar que aquela malta pretende fazer de nós parvos. Nada disso! Eles pensaram apenas no nosso bem estar. Em Setembro muitos ainda estão de férias e, portanto, sem tempo para ligar a essas minudências. Depois há o regresso às aulas e os encargos associados. Assim sendo nada melhor que adiar o pagamento do IMI para depois das eleições dessas preocupações. Quem é amiguinho, quem é? O PSD e o CDS, pois então...

Aiiiii...róbaram mi burro!


Estes animais passeavam-se tranquilamente um destes dias pela zona industrial de uma cidade vizinha. Diz – não sei se verdade – que será prática mais ou menos corrente. Tudo indica que serão propriedade de uns cavalheiros que residem numa espécie de bairro situado em terreno contiguo ou dos seus compinchas que, de vez em quando, vão montando acampamento na dita zona residencial.
Acredito que, atendendo ao volume de transito no local, a circulação desta bicharada possa não causar males maiores. Os donos causarão, provavelmente, mais estragos. É também por coisas como esta que, ao contrário do que alguns pretendem, considero a actuação que os responsáveis cá do burgo têm tido desde sempre quanto a esta matéria, como altamente sensata. Quem quiser “casinhas”, de qualquer espécie, que as compre. Ou arrende. Ou, melhor ainda, vá-se embora.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

PAEL fofinho


Mais de oitenta municípios assinaram hoje com o governo um contrato de empréstimo que vai permitir às autarquias aderentes saldar as dividas mais antigas. É o denominado PAEL - Programa de Apoio à Economia Local – que, na sua versão fofinha, quase não tem obrigações para as câmaras que a ele recorrem. Excepto, claro, aquela parte chata, aborrecida e desagradável que envolve o seu reembolso. O pagamento das prestações. Vinte e oito, no total. Ou seja, os juros e a amortização do empréstimo a saírem das contas municipais a cada seis meses durante catorze anos.
Trata-se de uma operação financeira que vai trocar divida de curto prazo por divida a médio e longo prazo. O endividamento total fica na mesma – a divida à financeira cresce em igual montante da diminuição da divida comercial – e portanto, assim à primeira vista, a adesão a esta medida do governo pode, a alguns, parecer uma boa opção de gestão. A mim, substituir uma divida por outra nunca me pareceu boa ideia. Trata-se, mal-comparado, de pedir emprestado ao amigo porreiraço para pagar ao gajo lixado que leva o tempo a moer o juízo.
Pretende-se com o PAEL colocar o “contador” das dividas a zero e começar uma vida nova. E é precisamente aqui que começa o meu cepticismo. Não acredito que quem sempre viveu a construir divida – a estrutura das autarquias e os autarcas em geral – sejam capazes ou, sequer, queiram mudar de vida. De hoje a um ano, mil milhões de euros e um acto eleitoral depois, a maioria das autarquias que hoje assinou o programa e as que dentro de dias irão assinar vão estar, seguramente, mais endividadas. Algumas, talvez, até incapazes de cumprir as obrigações para com a banca. Mas isto sou a profetizar, porque se calhar muitas até conseguirão obter descontos de pronto pagamento...

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Perderam-se as que caíram no chão...


Discordo o mais possível dos que consideram a actuação das forças policiais, ontem frente ao parlamento, como tendo sido adequada às circunstâncias. Por mim foi tudo menos isso. Não me parece adequado que uma policia, que tem como finalidade manter a ordem, seja condescendente para com um bando de desordeiros. Principalmente quando a desordem ocorre mesmo nas suas barbas e se prolonga por um período de tempo bastante significativo.
Impõe-se, como defendem uns quantos – embora por outros motivos – que seja instaurado um inquérito à maneira como a policia agiu. Nomeadamente porque permitiu, impávida e serena, a destruição de mobiliário urbano, de infraestruturas e de outros bens públicos e privados, que agora terão de ser pagos por todos nós. Não é tolerável que um aparato daquela natureza seja mobilizado para conter eventuais desacatos e depois se limite, muito para lá do aceitável, a assistir a um triste e deprimente espectáculo protagonizado por vadios e outros marginais que se interessam tanto por politica quanto eu por folclore nepalês.
Perante aquele cenário não são muitos os que se queixam da cacetada distribuída pela policia quando, finalmente, se dignou intervir. Até agora apenas a Amnistia Internacional, como não podia deixar de ser, se colocou do lado dos arruaceiros. Deve ser por posições desta natureza, perante factos por demais evidentes, que são poucos os que levam aquela organização a sério. Pretenderia, provavelmente, que em vez de serem expulsos à bastonada tivessem sido convidados para tomar um chazinho. Ou fumar umas brocas. 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Os likes da greve



A greve de hoje constitui o tema forte das redes sociais. As opiniões, como seria de esperar, dividem-se entre apoiantes e críticos, cada um com as suas razões que acha, invariavelmente, melhores e mais consentâneas com a realidade do que as daqueles que pensam de maneira diferente. Tudo normal, portanto.
Não foi, no entanto, isso que verdadeiramente me interessou. Principalmente depois de encontrar declarações como as da imagem. O senhor em causa é presidente de uma câmara municipal e, no seu espaço pessoal no fuçasbook, dá conta que na sua terra os serviços camarários contaram com uma adesão à greve de noventa e nove por cento. Só não consigo perceber se está triste ou contente. Mas parece-me, assim à primeira vista, que estará satisfeito por praticamente ninguém ter trabalhado na organização que dirige. O que a mim, mas se calhar sou eu que estou a ver mal, se afigura um bocadinho estranho...A menos que o autarca esteja a pensar nos euros que o município poupou.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Xunning



Este modelo da Fiat conheceu os seus tempos de glória há mais de vinte anos. Agora, em plena decadência, é alvo da irreverência do seu proprietário que o vai artilhando como pode e com o mau gosto que se vê. Colar fotos de gaja – para mais tipo passe - na carripana não lembra a ninguém. Ainda que, provavelmente, a ideia seja tapar um outro buraco provocado pela ferrugem.

domingo, 11 de novembro de 2012

Luta selectiva




Satirizar a próxima greve geral não terá sido – digo eu, mas não é que tenha a certeza - o objectivo de que quem “vestiu” algumas estátuas e bustos da cidade com a indumentária alusiva à jornada de luta da GCTP a ter lugar dentro de dias. Embora hesite que seja coisa - a greve -  para levar muito a sério. Isto porque olhando para a Grécia – a nossa bola de cristal onde olhando para o seu passado podemos ver o nosso futuro – se constata que, mais de uma dezena de greves gerais depois, tudo tem ido de mal a pior.
Continuo a insistir que existem motivos de sobra para a indignação. Por exemplo a escandalosa maneira como o dinheiro público continua a ser esturrado. Basta fazer uma pequena busca nos sites da especialidade e constatar-se-á que a quadra natalícia irá ser comemorada em muitos locais como se a crise morasse ao lado. Iluminações de natal, festas, jantaradas, cartões e presentes diversos – estou, naturalmente, a referir-me a actividades oficiais porque das outras não temos nada a ver com isso –  vão animar o eleitorado a malta  durante as semanas que se seguem. Mas contra esses desmandos, que também saem dos nossos impostos, ninguém “luta”. Nem os profissionais do protesto. Porque será?

sábado, 10 de novembro de 2012

Uma enxada para cada português



A julgar pelo que se lê nas redes sociais os portugueses estão encantados com a solução islandesa e parecem desejar que por cá se adopte solução idêntica. Desconfio é que o entusiasmo não terá muito a ver com as opções políticas e económicas encontradas – até porque, se calhar, não as conhecem – mas apenas com o facto de os responsáveis governativos na altura em que rebentou a crise terem sido levados a julgamento.
Admito que a maioria ficasse satisfeita, numa primeira fase, caso deixássemos de pagar a divida. Talvez alguns não se mostrassem especialmente preocupados se saíssemos do euro e a nossa moeda desvalorizasse, logo de seguida, setenta ou oitenta por cento. Agora o que – quase de certeza - deixaria a esquerda esquizofrénica, muito activa em tudo o que é espaço online onde se publicite opinião, à beira de um ataque de nervos, seria a garantia do primeiro-ministro que ninguém morreria à fome enquanto o governo pudesse oferecer uma enxada a cada português. O equivalente nacional à cana de pesca que o presidente da Islândia prometeu ao seus concidadãos para evitar que morressem à mingua.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Não gosto



Continuamos – ou pelo menos muitos de nós continuam – a não perceber o que nos está a acontecer. Todos os dias surgem novos sinais da nossa ignorância quanto à realidade dos tempos que vivemos e da falta de percepção que temos acerca dos que estão para chegar. Só assim se justificam as reacções idiotas relativamente às declarações da responsável pelo Banco Alimentar. No fuçasbook, por exemplo, a parvoíce assume proporções verdadeiramente assustadoras. O que não surpreende. Foi aí que encontrei, na página da mesma pessoa que chama tudo menos mãe à doutora Isabel Jonet, a imagem que anexo e que diz muito quanto à noção que, quem a colocou, tem acerca do momento que o país e os portugueses estão a viver. Mas depois a Merkel é que tem a culpa.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Taxa turistica (Nem se pode dormir descansado)



Já são algumas as autarquias que resolveram cobrar uma taxa – no valor de um euro, ao que julgo saber – por cada dormida, em unidade hoteleira, no território que administram. A finalidade, ao que tem sido divulgado, será ajudar os mais carenciados. Assim uma espécie de roubar aos ricos para dar aos pobres. Mas numa versão cobarde porque, ao contrário do Robin dos Bosques, fazem-no à socapa, por interposta pessoa e quando apanham os que consideram mais abonados a dormir.
O argumento para a cobrança desta taxa é mais do que ridículo. Servirá, quando muito e nem isso dou como adquirido, para tentar equilibrar as depauperadas contas das autarquias que a estão a lançar. Até porque a medida pode produzir um efeito exactamente ao contrário. É que eu não sei se esta malta sabe fazer contas, mas um euro por dormida dá para uma família de quatro pessoas que passe uma semana de férias na terra desses iluminados pagar qualquer coisa como vinte oito euros de taxa a somar ao custo do alojamento. A menos que esta gente acredite que vão ser os operadores turísticos a suportar o custo desta ideia completamente parva.
Os nossos bolsos estão a ser atacados por todos os lados e sob os pretextos mais estapafúrdios. Há que resistir. Não sei exactamente como fazer face a todos os ataques mas, quanto a este, a forma de resistência é por demais evidente. Evitar pernoitar em municípios onde esta taxa seja cobrada. E, já agora, incentivar os outros a fazer o mesmo. Eles que façam caridade ou acertem as contas com o dinheiro deles. Já que acabar com comes e bebes, passeatas e festarolas é capaz de ser pedir de mais…