terça-feira, 6 de novembro de 2012

Ai aguenta, aguenta (II)



Levar velhinhos - ainda estou para perceber porque raio lhes chamam seniores - a passear constitui uma das actividades preferidas das câmaras municipais e juntas de freguesia. Encher-lhes a pança de comida e bebida sempre que a ocasião se proporcione, também é coisa que não descuram. Se, como parece ser o caso, podem fazer tudo isso na mesma oportunidade melhor ainda.
Deve ser para fomentar este tipo de iniciativas que os autarcas nacionais conseguiram que o governo não cumprisse as determinações a que se tinha obrigado com a troika no sentido de cortar nas transferências para a administração local. Podiam aproveitar o exclusivo da generosidade governativa, pensará qualquer cidadão que goste de honrar as suas contas, para pagar aos credores a quem devem aos milhões. Poder, podiam. Mas no dia do voto não era a mesma coisa.
Este é mais um daqueles casos em que o tal banqueiro tem razão. Se o poder local aguenta mais austeridade? Ai aguenta, aguenta. Deixar de fazer concorrência às agências de viagens até nem se afigura dos cortes mais dolorosos.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Ai aguenta, aguenta!

Muita celeuma têm gerado as palavras de um banqueiro qualquer acerca da capacidade do país e dos portugueses aguentarem mais austeridade. A expressão “ai aguenta, aguenta” já se tornou famosa e vai de hoje em diante, enquanto me apetecer ou sempre que achar oportuno, servir de mote para uma série de posts em que adicionarei imagens de situações que, no meu modesto entender, darão alguma razão à criatura que a pronunciou.
O que penso quanto à austeridade está suficientemente expresso em dezenas – quiçá centenas - de artigos publicados neste blogue. Quem quiser que os leia ou releia. Agora que aguentamos, enquanto povo, muito mais cortes, ai isso aguentamos, aguentamos. Os donos dos bichanos e cachorros da notícia, por exemplo, aguentarão uma vida mais austera. Que, diga-se, até trará benefícios aos animaizinhos.



domingo, 4 de novembro de 2012

Engalfinhai-vos e multiplicai-vos



Notícias inquietantes dão-nos conta do aumento de homicídios entre casais desempregados. Apesar da fraca capacidade para me surpreender sempre que nos factos noticiados há portugueses envolvidos, desta vez fiquei, confesso, para lá de espantado com tão estranha revelação. Cuidava que ia suceder exactamente o inverso. Que, ao contrário do que estará a acontecer, em lugar de morrer gente iríamos assistir a um baby-boom. Resultado – lá está a minha ignorância em constante produção de ideias parvas – do maior tempo que os membros do casal iam passar um com o outro, da provável falta de dinheiro para a tv por cabo e da ausência de guito para outro tipo de diversões, acreditava que estariam reunidas todas as condições para o número de quecas aumentar exponencialmente. Enganei-me, pelos vistos. O engalfinhanço, afinal, é de outra natureza e muito mais trágico.
O paragrafo anterior mais não é, evidentemente, que uma tentativa de graçola com pouca piada envolvendo um assunto que devia preocupar a todos mas a que poucos ligam. O envelhecimento da população e a desertificação de todo o interior do país. Causa-me especial inquietação a falta de visão estratégica e a incapacidade dos políticos – principalmente os autarcas, por serem os que estão mais perto do problema – em, sequer, reconhecer a existência de uma situação dramática com a demografia. Temos uma bomba relógio prestes a explodir nas nossas mãos e continuamos a assobiar para o lado na esperança que o contador pare no último segundo. Mas isso, ao contrário dos filmes, não vai acontecer. Sucederá, isso sim, o desaparecimento da esmagadora maioria dos concelhos do interior e o encerramento das lindas escolas e “centros educativos” em que agora andamos a esturrar o dinheiro dos eleitores contribuintes portugueses e europeus.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Há duas maneiras de gerir o dinheiro dos contribuintes. A alemã e a nossa.



Assisti um dia destes a um interessante documentário no canal televisivo National Geographic acerca de um grupo de turistas feito refém pela FARC. Um grupo terrorista, narcotraficante e alegadamente comunista, que desenvolve as suas actividades na selva colombiana. O sequestro que motivou a reportagem terá ocorrido por volta de 2003 e entre os sequestrados encontrava-se uma cidadã alemã. Na sequência das negociações para a sua libertação a embaixada germânica alugou um helicóptero que se deslocou à selva para resgatar a senhora e transportá-la de volta à civilização. A história não acabou sem uma surpresa para a resgatada. É que no regresso a casa a senhora tinha à espera a factura da operação de salvamento. Por a coisa envolver custos avultados – treze mil euros, ao que foi relatado – o governo acedeu a que a sua cidadã pagasse a divida em prestações suaves. Que, diz, ainda estaria a pagar à data em que a reportagem foi feita.
Este episódio recordou-me um outro – um bocado mais trágico, é verdade – que envolveu seis cidadãos portugueses que se deslocaram em visita turística ao Brasil e que por lá foram mortos pelo compincha que os tinha convidado. Vá lá saber-se porquê o governo português da época, chefiado por António Guterres, resolveu pagar a trasladação dos corpos para Portugal. Recorde-se que os mortos eram empresários da construção civil, que na altura vivia um período áureo, e que se tinham deslocado em viagem particular.
A Alemanha é um país rico e desenvolvido. Portugal nem por isso. A diferença entre ambos talvez comece logo pela maneira como é gerido o dinheiro dos contribuintes. Lá usa-se rigor. Por cá o desprendimento, relativamente a essas minudências, foi – e continua a ser - regra geral. É bom que se pense nisso antes de chamar nomes à Merkel.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Estacionamento Tuga…em Borba




Num outro blogue que se dedica em exclusivo a mostrar situações como esta, o tuga do Polo vermelho seria chamado de “parvo a estacionar”. Vá lá saber-se porquê deve ter-lhe parecido boa ideia estacionar de forma diferente de todos os outros, não ligar nenhuma à sinalização e ocupar dois lugares de estacionamento. Esperto, o gajo.