Tenho manifesta
dificuldade em perceber o que motiva alguém a ter cães dentro da própria casa e
a coabitar com eles. Partilhar a habitação com animais parece-me algo assim a
atirar, digamos, para o javardote. Cada coisa no seu lugar e, queiramos ou não,
o lugar de um animal não é em casa. Pior ainda quando se trata de espaços exíguos,
nomeadamente apartamentos ou vivendas sem logradouros, como acontece
frequentemente nas cidades.
Tratando-se de raças
perigosas, então, entramos já no domínio do deficit intelectual. Por mais
razões que possam invocar nada justifica a posse de animais desse tipo.
Legalizados ou não, mais ou menos obedientes, melhor ou pior treinados,
constituem sempre uma ameaça para os outros cidadãos. E, convenhamos, todos
temos o direito à nossa tranquilidade sem nos estarmos a preocupar com a fera
que algum deficiente mental resolveu adoptar como amiguinho de estimação.
A recente sequência de acontecimentos
trágicos, inclusivamente com várias mortes, vem evidenciar – como se tal ainda
fosse necessário – a urgente tomada de medidas para erradicar dos meios urbanos
este tipo de bicho. Mas, se calhar, tudo tem de começar pelas pessoas.
Nomeadamente estabelecendo regras rígidas, em cada condomínio, que não permitam
a permanência destes animais no interior dos prédios. Depois, exigir que o
governo legisle no mesmo sentido relativamente aos espaços públicos. Por mim,
prefiro um fumador na mesa ao lado dentro de um café do que partilhar uma
esplanada com um cão destas espécies. Mas isso sou eu, que devo ser dos poucos a
achar que realmente importante é proteger as pessoas.



