terça-feira, 20 de março de 2012

Eu que não sou de intrigas...


Após ter recebido a resposta à carta que enviou aos trezentos e oito presidentes de Câmara, onde solicitava que lhe fosse transmitida informação acerca da divida de cada município, o ministro Relvas concluiu que as autarquias portuguesas devem cerca de doze mil milhões de euros. O que, face aos números supostamente conhecidos até agora, o terá deixado surpreendido.
Não será coisa para tanto. Em termos de espanto, claro. Por mim, que não acredito em bruxas mas que desconfio de bruxedos, foi a expectativa de um resgate anunciado – leia-se entrada de dinheiro fresco nos cofres autárquicos – que terá feito sair de uma qualquer gaveta algumas facturas que antes dava jeito lá estarem.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Vão limpar Portugal


A iniciativa “Vamos limpar Portugal” está de volta. Aquela em que uma quantidade de gente se junta para alegremente recolher o lixo que uns quantos javardolas abandonam nos locais mais inapropriados. Nada de confusões com a limpeza que uma certa maralha anda, já lá vão uns séculos, a fazer ao país. Com uma eficiência notável, diga-se. Mas, escrevinhava eu, o pessoal bem-intencionado que faz agora dois anos andou a recolher o lixo, que outros deliberadamente espalharam, está de volta e tenciona recolher mais umas toneladas de resíduos de toda a espécie.
Trata-se, como é fácil constatar de um trabalho inglório. Admito que os muitos voluntários que no próximo sábado se vão dedicar a esta actividade o façam imbuídos de um invulgar espírito de cidadania. Incontáveis furos acima do meu, concedo facilmente. Ou, hipótese não negligenciável, não tem nada de mais interessante para fazer. Nem menos, talvez. Trata-se, em qualquer dos casos, de trabalhar para aquecer. Basta atentar como ficaram, pouco tempo depois, os espaços que foram limpos na anterior edição desta iniciativa.
Criaturas que deviam ter vivido no tempo em que o homem ainda habitava em cavernas e que, com o seu negligente estilo de vida, provocam autênticas lixeiras como a que a imagem documenta e que pode ser observada junto às muralhas da cidade, não merecem que outros sujem as mãos por eles. A menos que a ideia passe por proporcionar aos que sujaram agradáveis momentos de diversão. Ver uns quantos papalvos recolher o lixo que eles espalharam deve ser, cálculo, motivo de divertimento.
O mesmo cenário desolador, no que diz respeito à profusão da mais variada porcaria,  pode ser encontrado noutros locais. Como as Quintinhas, por exemplo. Embora aí a limpeza, ainda que de outro género, apresente elevados índices de eficácia. Veja-se a vedação metálica do terreno contíguo. Foi limpa num ápice…  

domingo, 18 de março de 2012

"Ele há lá torre mai linda!"


Acabadinha de limpar, tão acabadinha que os andaimes ainda lá estão, a torre de menagem está de cara lavada. Como nunca a vi. Nem, provavelmente, ninguém até agora. E está bonita. Acho eu.

sexta-feira, 16 de março de 2012

O sol (ainda) não paga impostos


Se, por um lado, este tempo esquisito não me está a dar grande ajuda na horta da crise, por outro vai contribuindo para a eficiência energética cá de casa. Cansado de carregar com botijas de gás - nos meses mais frios eram duas por mês – optei, há coisa de um ano, por colocar um painel solar para aquecimento de água. Recuperar o investimento inicial demora, naturalmente, algum tempo mas, mesmo assim, é uma opção que recomendo. O consumo de gás diminuiu de forma drástica, as minhas costas nunca mais se queixaram e, com este inverno solarengo, quase nem tem sido necessário recorrer à energia eléctrica para aquecer a água do banho matinal. O astro-rei tem-se encarregado de a pôr a escaldar.
No processo de aquisição e instalação do sistema apenas um pormenor me deixou escandalizado. O painel foi fabricado na Austrália. Inacreditável. Somos um país em que o sol brilha a maioria dos dias do ano mas, apesar disso, não aproveitamos a sua energia nem desenvolvemos uma indústria que vise a produção de equipamentos que potenciem o seu aproveitamento e precisamos de importar estas coisas. Afinal, ainda que o sol quando nasce seja para todos, parece que do outro lado do mundo ilumina muito mais. Pelo menos no que diz respeito às ideias, à iniciativa e ao que se faz com elas.

quinta-feira, 15 de março de 2012

E que tal pô-lo a juros?


Não falta quem ache o ministro da economia um verdadeiro totó. Talvez seja. Ou então será apenas um académico com pouca noção do que é a vida real. Um teórico, portanto. Daí que hoje tenha teorizado acerca da forma como deverão ser, de ora em diante, aplicados os fundos comunitários do QREN. Para combater o desemprego e gerar riqueza, acha ele, em lugar de servirem para construir rotundas, acrescentou.
Em tese não se afigura como uma ideia despropositada. É, até, algo que devia ter acontecido desde que o primeiro euro – ou, à época, outra unidade monetária qualquer – chegou a Portugal vinda dos cofres europeus. O pior é que não é disso que o povo gosta. E o povo, pelo menos até que o Otelo promova outra Abrilada, é que vota e escolhe quem quer ver no poleiro. Por norma aqueles que fazem mais rotundas e outras obras que não se sabe ao certo para o que servem.
Esta intenção governativa demonstra que o ministro Álvaro conhece mal os portugueses. Se o dinheiro não for repartido – coisa em que não acredito – por inúmeras obras inúteis, bacocas e de rentabilidade rigorosamente nula, voltará direitinho para Bruxelas sem ser utilizado. O que, diga-se, seria preferível a esturrá-lo ingloriamente a endividar ainda mais o país. Assim como assim começo a pensar que, se calhar, a ideia de fazer espectáculos musicais e outras palhaçadas com financiamento comunitário nem será das piores. Pelo menos sempre contribui para diminuir o desemprego entre os “artistas”. Ou lá o que lhes queiram chamar.