O preço do litro de gasolina – nas marcas de referência e nas
outras não tardará a chegar lá - já ultrapassa um euro e setenta cêntimos.
Trezentos e quarenta escudos, para aqueles que ainda se lembram do valor do
dinheiro. Nada que impeça os intrépidos condutores tugas de continuar a usar o
seu tugamóbil como se não houvesse amanhã e o precioso liquido que faz mover o
mundo fosse ao preço da água. Por mais incrível que pareça, até numa localidade
de reduzidas dimensões como Estremoz, o número de automóveis a circular afasta
qualquer ideia de crise ou de dificuldade em enfrentar os elevados preços dos combustíveis.
O que não deixa de ser espantoso por se tratar de uma cidade que se atravessa a
pé, de uma a outra ponta, em meia-hora e onde qualquer lugar não dista mais de dez
ou quinze minutos do centro.
É por estas e por outras que tenho dificuldade em perceber a filosofia
da política fiscal relativamente ao automóvel e à habitação. Que é como quem
diz aos valores que se pagam de IUC – Imposto Único de Circulação e de IMI –
Imposto Municipal sobre Imóveis. Em relação a este último vamos, dentro de um
ano e fruto da reavaliação que está a ser levada a efeito, pagar largas
centenas de euros por uma coisa que é, supostamente, nossa e que, coitada, está
ali parada e não faz mal a ninguém. Já quanto ao carrinho, embora sujeito a
múltiplos impostos, não tem nem de perto a mesma importância que a habitação,
prejudica e incomoda bastante mais. Daí que a sua utilização – e não tanto a
compra ou a posse – devesse ser muitíssimo mais penalizada. Substituir os
actuais impostos que incidem sobre o automóvel e passar a cobrá-los nos combustíveis
era capaz de ser muito mais justo. Digo eu, que gosto de andar a pé.
