Está criada a ideia que entre os principais problemas do país
estão o excesso de endividamento dos particulares e a falta de liquidez da
banca. O que, no segundo caso, estará a impedir o acesso das empresas ao
crédito bancário e, por consequência, a causar sérios problemas ao crescimento
da economia.
Tenho, cada vez mais, sérias reservas quanto à credibilidade desta
tese. É que, ciclicamente, a caixa de correio é invadida por propaganda como a
que a imagem documenta. Acompanhada, esclareça-se, de um monte de documentação,
aparentemente válida, que inclui um contrato de crédito pessoal já devidamente
assinado e que bastará devolver pelo correio para ter acesso a uma simpática
quantia que poderei esturrar como muito bem me apetecer.
Não parece, portanto, que exista falta de liquidez à banca
nacional. Tal como não se afigura que se verifique algum problema com o endividamento
dos particulares. Se assim fosse este dinheiro estaria reservado para financiar
projectos inovadores de um qualquer dinâmico empreendedor e jamais ao dispor de
um gajo como eu, com manifesta tendência para viver acima das minhas
possibilidades, com pouca vontade de trabalhar e a mania de fazer vida de rico à
custa do dinheiro dos esforçados e produtivos trabalhadores alemães.
Num momento de rara sagacidade e de um invulgar sentido patriótico,
decidi não usufruir de tão tentadora oferta. Fica para a próxima. Por agora a
papelada vai ficar arquivada. Se a crise apertar talvez ainda venha a servir
para limpar o cu.