Os portugueses estão a gastar euros aos milhões. Somos, aliás, um dos povos que, no mundo inteiro, mais dinheiro gasta em prendas de Natal. Embora isto do Natal mais não seja, quanto a mim, do que um pretexto para arejar a carteira. Hesito, por isso, entre considerar que seremos uns mãos largas ou que se trata apenas do gozo que nos dá gastar dinheiro. Ou de usar o cartão de crédito.
Também gostamos de fazer boa figura, nomeadamente no que diz respeito à fatiota e, para andar bem vestidos, compramos trapinhos como se não houvesse amanhã. Deve ser por isso que não há na Europa quem gaste mais do que nós em roupa. Não admira, portanto, que ande por aí muita gente toda janota mas que, só por si, justifica a existência de dois ou três escritórios de agentes de execução.
Para constatar a fiabilidade dos relatórios que fornecem este tipo de dados, basta dar um volta pelos supermercados e ver que os respectivos parques de estacionamento estão, nomeadamente ao fim de semana, completamente lotados. Mesmo em cidades de pequenas dimensões e diminuto número de habitantes, como é o caso de Estremoz, verifica-se uma verdadeira corrida a este tipo de estabelecimentos. Chega mesmo a ser difícil acreditar que por cá haja gente suficiente para encher quatro superfícies comerciais de média dimensão.
Talvez, a juntar ao vicio de comprar, os portugueses estejam a antecipar o próximo aumento do iva. Se assim for está bem visto. Trata-se de um investimento seguro que renderá, a curto prazo, um ganho de dois por cento. Pelo menos, porque o aumento dos bens é capaz de incorporar outros custos que as empresas, generosamente, se encarregarão de partilhar com os consumidores.





















