domingo, 30 de maio de 2010

A contradição já não é o que era

Na anterior crise o importante era gastar. Criar incentivos às empresas, distribuir generosamente dinheiro pelas famílias mais carenciadas e fomentar o crescimento económico mesmo que isso significasse fazer disparar o deficit para valores estratosféricos. Isso, na altura, era visto como algo de necessário e apresentado até como um acto de boa gestão. Dizia-se, à época, que tinha acabado a era dos economistas e que de então em diante prevaleceria a lógica da política. 
Esta teoria disparatada foi rapidamente seguida por muitas autarquias. De um dia para o outro desatámos a ter notícias de planos anti-crise que iam surgindo um pouco por todo o lado. De resto neste campo as autarquias estavam como peixe na água, porque distribuir de maneira generosa e magnânima o dinheiro dos contribuintes está-lhes na génese. 
De repente – em três semanas, diz o outro pantomineiro – o mundo mudou, a crise também e onde antes se punha dinheiro é agora urgente tirá-lo. Assiste-se agora a idêntico frenesim autárquico, mas de sentido contrário, e são às dúzias as Câmaras a anunciar a tomada de medidas visando a contenção de despesas. De resto não é difícil escolher onde cortar. Ao longo dos anos as autarquias habituaram-se a gastar, investir dizem eles, como se não houve amanhã ou se o dia seguinte fosse de uma radiosa prosperidade. 
É bom que seja este o caminho a seguir. Mais tarde ou mais cedo será inevitável extinguir municípios e freguesias e se os gregos optaram por extinguir os que têm menor número de habitantes – dez mil no caso – nada nos garante que, por cá, alguém não possa ter a ideia de acabar com os mais endividados…

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Se "escutados" e "filmados" trabalham todos no mesmo ramo porquê proceder de maneira diferente?!

Da mesma forma que a divulgação de escutas, ainda que alegadamente reveladoras de potenciais crimes, não é autorizada sendo até punida criminalmente, também a exibição de imagens de um assalto a uma estação do CTT, pelos vários canais televisivos nos seus espaços noticiosos, não devia ter sucedido. Ocorrem-me razões de vária índole para sustentar o que afirmo. A saber:
 - A falta de autorização dos jovens – é assim que agora são conhecidos os meliantes – para a divulgação da sua imagem. Este procedimento, altamente condenável, pode constituir uma violação da sua privacidade e dar azo a que estes interponham uma acção contra quem autorizou a divulgação do filme. De estranhar até que não tenham interposto uma providência cautelar ou, melhor ainda, se tenham apoderado das câmaras antes de abandonar o edifício. Uma coisa assim do tipo acção directa;
 - A relativa facilidade com que o trabalhinho foi feito e o êxito da operação podem suscitar o interesse de outros pacatos cidadãos que, por uma ou outra razão, têm ficado privados dos seus meios de subsistência. Sabe-se que, por enquanto, na actividade dita criminal ainda não existe desemprego, embora a existência de cada vez mais pessoas a procurarem esta carreira possa alterar radicalmente esta realidade;
 - A tentativa de agressão de que foi alvo um dos intervenientes na operação. Como é perfeitamente visível nas imagens foi atirado um objecto que, a atingi-lo, podia ter colocado em causa a sua integridade física. Este mau exemplo, se seguido por futuras vítimas, pode influenciar o actual equilíbrio de forças e vir a condicionar o desempenho dos técnicos de angariação de bens alheios. O que, principalmente numa altura de crise, não é nada bom. Injustamente esta é ainda uma profissão não reconhecida, com poucos direitos laborais e como os profissionais do sector nem sempre cumprem com as suas obrigações com a segurança social, qualquer acidente em serviço é susceptível de causar sérios prejuízos no rendimento mensal obtido pelo técnico atingido.
Temos, felizmente, uma Justiça sensível a estas questões. Estou, por isso, em crer que em breve serão tomadas medidas sérias que evitem a exposição inqualificável dos "jovens" que, abnegadamente, se dedicam a estas causas. E, já agora, que se identifique o patife que atirou o balde, ou lá o que era, na direcção do profissional que, de forma honesta e briosa, fazia o seu trabalho. Coisas destas não podem ficar impunes sob pena de a justiça cair na rua.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A falta de fair-play da paneleiragem

Não me canso de afirmar que o verdadeiro ataque à liberdade de expressão não vem, como nos últimos anos muitos nos têm feito crer, dos políticos que ocupam os mais variados cargos aos diversos níveis do poder. Nem mesmo José Sócrates, apesar de todas as manigâncias em que é acusado de estar envolvido, conseguiu calar ninguém. Mesmo quando circunstancialmente levou a sua avante e obteve o afastamento de uma ou outra voz mais incómoda, muitas outras se levantaram e as consequências das suas tentativas – a terem existido - revelaram sempre que não é possível silenciar as vozes discordantes nem calar aqueles que se opõem ao poder.
Entendo, já o referi vezes sem conta, que a verdadeira censura que se vive hoje em Portugal tem muito mais a ver com o pensamento politicamente correcto, padronizado por uma esquerda pedante e em muitos casos rabeta, que impede a maioria das pessoas de exprimir livremente a sua opinião sobre assuntos,acerca dos quais está instituído uma linha de pensamento oficial da qual não se pode divergir sem ser vítima de uma adjectivação insultuosa que, já me tem acontecido, apenas se entende o significado com um dicionário por perto.
Veja-se, a este propósito, as reacções da paneleiragem e actividades correlativas ao último trabalho discográfico de Quim Barreiros. Denotando uma falta de fair-play e poder de encaixe – característica que não posso deixar de estranhar nessa malta – os insultos ao cantor não se fizeram esperar. Por mim não aprecio - detesto é capaz de ser mais apropriado - as músicas do dito cantor. Mas detesto ainda mais aqueles que o  criticam, não por o homem cantar mal ou aparentar um estilo a atirar para o javardola mas porque ousa parodiar o casamento gay no seu último trabalho. E, imaginem a ousadia, atreve-se a tratar por paneleiros, larilas ou maricas aquela rapaziada que fez a opção – legitima, evidentemente – de o ser.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Orçamento para lamentar

Mesmo correndo o risco de ser acusado de populismo, ou de estar a enveredar por um perigoso caminho que é geralmente percorrido por aqueles que atacam a democracia e as suas instituições, não posso deixar de me indignar – poder até podia, mas não quero – com o agravamento dos custos que o país tem suportar com os seus representantes, vulgo deputados, na chamada casa da democracia. Pior ainda quando em simultâneo o restante país está sob fogo cerrado de medidas altamente restritivas que, não raras vezes, raiam o ridículo e visam apenas poupar uns míseros trocos sem significado. 
Não consigo vislumbrar argumentos que justifiquem a absoluta necessidade democrática de pagar subsídios de reintegração, viagens ou de melhorar significativamente as ajudas de custo dos deputados. Nem, sequer, que se gaste uma pequena fortuna a proporcionar-lhes um ambiente de trabalho ainda mais agradável. Podem os apreciadores desta democracia argumentar que tudo isso contribuirá para elevar a qualidade das nossas leis e, por consequência, das nossas vidas e que, no fundo, os beneficiários de todas estas pequenas extravagâncias não são eles, somos nós. Podem, mas é melhor que não o façam perto de quem vai ser espoliado de centenas de euros que, entre outras coisas, vão servir para melhorar a qualidade de vida de um certo surripiador de dispositivos de gravação.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Sai um pastel de...qualquer coisa!

A Deco andou por aí a investigar pastéis de bacalhau e rissóis de camarão. Daqueles ultra-congelados que se vendem nos supermercados, e outras superfícies comerciais, que constituem um dos alimentos preferidos das donas de casa pouco dotadas na arte de bem confeccionar refeições decentes. Fez, aquela associação de defesa dos consumidores, muito bem. Afinal, segundo o que os resultados da investigação acabaram por revelar, os ditos pastéis do fiel amigo tinham muito pouco e os rissóis de camarão quase nada. As surpresas não ficaram, no entanto, por aqui. Pior do que aquilo que não tinham e deviam ter é que tinham aquilo que não deviam ter. Terá sido, a serem verdadeiras as conclusões, encontrada em algumas embalagens uma quantidade significativa de bactérias de nome esquisito que também habitam, entre outros locais, no nariz de um vulgar – não necessariamente pouco asseado – ser humano. Macacos, portanto. 
Não sei se a segurança alimentar dos portugueses está ou não garantida, mas noticias como esta não são de maneira nenhuma tranquilizadoras. Até porque o mundo mudou – e não foi apenas nas últimas três semanas – pelo que hoje poucos concordarão com aquela velha máxima de outros tempos que garante que tudo “o que não mata engorda”.

domingo, 23 de maio de 2010

O mercado das festas

Não vale a pena tentar encontrar desculpas para o falhanço de certos eventos. Muito menos recriminar os habitantes de uma determinada localidade pela fraca adesão a esta ou àquela iniciativa. Não vale a pena argumentar com essa vaga desculpa das mentalidades, nem disparar um sem número de chavões sem qualquer significado, para tentar justificar o injustificável. A cultura, a arte, o espectáculo ou até mesmo o desporto e todos aqueles que os promovem – ou se querem prover à sua conta - tem que compreender primeiro, e aceitar depois, as regras do mercado. É inútil querer dar ao mercado aquilo que ele não quer, não precisa ou para que se está nas tintas. Arranjar outros argumentos faz lembrar a velha história do soldado que aos olhos da família era o único com o passo certo.
Parece-me ser esta a altura apropriada para que o país pondere se deve continuar a financiar realizadores de cinema, produtores de eventos ditos culturais, clubes de futebol e toda uma panóplia de “organizações” que apenas têm lugar graças ao financiamento público. Ou seja ao dinheiro de todos os contribuintes.  Os mesmos que agora são chamados a "salvar a pátria". É tempo de toda essa gente perceber o que o mercado quer e, com os seus meios ou com aqueles que o mercado estiver disposto a conceder-lhes, mostrarem o que valem. Porque isto de fazer festas e festinhas com o dinheiro dos outros é coisa que não parece muito complicada. Mesmo que o público não apareça.

sábado, 22 de maio de 2010

O "comprimento" do dever...

Não conheço Fornos de Algodres. Nunca lá fui. E se até ontem não lamentava esse facto, depois de ver as notícias num dos telejornais da noite tudo mudou e passei a ter uma enorme vontade de conhecer essa terra. Ao que parece, a serem verdadeiras as informações veiculadas pela SIC, aquela autarquia é das mais endividadas do país. A confirmarem-se as notícias, terá uma divida de trinta e cinco milhões de euros! O que, para um município com uma área de cento e trinta e um quilómetros quadrados e uma população de cinco mil e trezentos habitantes, menos catorze quilómetros quadrados e dois mil e cem residentes do que – por exemplo - Borba, é algo de absolutamente surreal. Nomeadamente se tivermos em conta que se trata de uma Câmara que, a título de Fundos Municipais, recebe pouco mais de quatro milhões e trezentos mil euros e que as receitas próprias andarão pouco acima dos dois milhões. 
Terão feito, com certeza, muitas obras. Todas importantes, acredito. Com um tal volume de divida é provável que tudo esteja revestido a ouro, ou então que a cada passo se tropece em infra-estruturas de fazer inveja a qualquer eleitor de uma qualquer cidade de um qualquer país rico. Terão, também, atribuído subsídios de forma mais ou menos generosa que se revelaram determinantes para o progresso, bem-estar e qualidade de vida dos residentes no concelho. O pior é pagar a conta. E parece que chegou a altura de o fazer. 
A reportagem televisiva terminou sem que nos tenha sido dado conta se os responsáveis por esta situação calamitosa estarão ou não presos. Num país decente, habitado por gente honesta, regulado por leis elaboradas por pessoas sérias e aplicadas por profissionais competentes, não tenho grandes dúvidas que “políticos” deste calibre seriam responsabilizados por tamanho descalabro. Por cá ainda lhes fazem uma estátua…

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Coisas (pouco) sérias

Esforço-me por acreditar naqueles que as televisões e outros órgãos de comunicação social escolhem para nos manter informados acerca das incidências da actual crise e das possíveis soluções para a ultrapassar. Acredito que, na sua maioria, são pessoas sensatas e, quase todos, saberão daquilo que falam. Torna-se, no entanto, cada vez mais difícil levá-los a sério e, à semelhança dos membros do governo ou do pessoal ligado ao PS, é crescente o número de supostos analistas políticos, económicos e financeiros a dizer alarvidades. Ora esse era um papel que tinha como reservado para gajos que escrevem em blogues parvos. Como este, por exemplo.
Cito apenas dois casos. O presidente da Confederação da Indústria Portuguesa sugeriu que os funcionários públicos recebessem os subsídios de férias e de natal em certificados de aforro. Medida que, defende, constituiria um incentivo à poupança. E nada melhor que começar pelos trabalhadores do Estado que, à semelhança do patrão, são uns esbanjadores pouco dados a essa coisa de manter um pé-de-meia. A proposta, principalmente vinda de onde vem, é no mínimo suicida. Até porque representaria uma quebra dramática no consumo e acabaria por se virar contra quem a propõe. 
Também Belmiro de Azevedo se saiu, um destes dias, com uma tirada genial. As dificuldades que se avizinham legitimam, segundo o patrão da Sonae, que os pobres roubem para se alimentar. Uma afirmação destas na boca do dono de uma cadeia de supermercados que vendem, nomeadamente, bens alimentares não me parece lá muito sensata…Mas pode ser um bom argumento a usar em Tribunal por um qualquer larápio apanhado a gamar uns “morfes” para o pic-nic. 
A maior evidência dos tempos estranhos que vivemos não veio, quanto a mim, da área económico-financeira. O Presidente da República falou ao país acerca de paneleiros, fufas e actividades correlativas. Quando o mais alto magistrado da nação ocupa uma parte do seu tempo, por mais ínfima que seja, com assuntos de merda – literalmente – como esse, é porque estamos realmente em crise.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Ainda os plátanos da Fonte do Imperador

Como já escrevi noutro post todas estas árvores, de ambos os lados da antiga estrada nacional quatro junto à Fonte do Imperador, foram podadas, de uma forma radical e absolutamente despropositada, na mesma altura. As do lado esquerdo da fotografia recuperaram, enquanto as do lado direito estão num estado deplorável e apresentam apenas tímidos sinais de recuperação. Coisa que, naturalmente, não acontece por acaso e que apenas se verifica porque enquanto umas crescem livremente, sobre as outras têm sido exercidas, ao longo dos últimos anos, várias acções com o evidente propósito de as matar. 
Obviamente não sei quem é o criminoso que assim procede. Sei apenas que estas acções ocorrem desde que, no terreno mesmo ao lado, foi plantado um nogueiral. Será também consensual que os plátanos não se auto-mutilam, e se aparecem sistematicamente cortados é porque alguém o fará. Pensa-se, mas isso são as más-línguas a sugerir porque eu dessas coisas nada sei, que se tratará de um passarão que estará por detrás desta manigância. Uma espécie de pato-bravo que por aqui tenta esvoaçar de rosa no bico e motosserra debaixo da asa…

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Que dizem os rotos à nua?! Nada, ao que parece.

Surpreende-me que, por estes dias, não se tenha ainda levantado uma onda nacional de indignação pela atitude da Câmara de Mirandela relativamente à professora daquela localidade que entendeu por bem deixar-se fotografar, tal e qual veio ao mundo, para a revista “Playboy”. Nem mesmo a intelectualidade bem pensante, sempre tão empenhada em manifestar-se contra qualquer coisa que lhe cheire a discriminação, esboçou o mais leve protesto. Nem, ao menos, uma obscura organização de direitos humanos, um sindicato pró-comunista ou uma associação que ninguém conhece, mas que garante defender intransigentemente o direito a qualquer um, ou uma, se despir quando muito bem lhe apetece, surgiu a defender a esbelta senhora. Incrivelmente nem os tresloucados do Bloco de Esquerda vieram a público insurgir-se contra a decisão da autarquia e protestar pela atitude alegadamente discriminatória de que a docente estará a ser vítima. 
Este é um caso que me parece extremamente grave, atentatório da liberdade individual e revelador, da parte daqueles que assim decidiram, de uma mentalidade que até mete dó. Provavelmente para todo o alheamento que se tem verificado em relação a esta situação contribuirá o facto de a senhora não ser – digo eu que não a conheço de lado nenhum – fufa. Porque se o fosse o caso mudaria imediatamente de figura e, desde há dias, assistiríamos a intermináveis telejornais transmitidos directamente de Mirandela, debates onde a Câmara e população local seriam tratados abaixo de energúmenos e, quase de certeza, existiriam já algumas dúzias de processos em tribunal. Assim, sendo ao que parece uma cidadã perfeitamente normal, que se lixe.

domingo, 16 de maio de 2010

Produtividade

Um dos nossos problemas enquanto país é a produtividade. Ou, no caso, a falta dela. Argumenta-se quase sempre que o Estado possui uma máquina pesada, desadequada à realidade actual, pouco produtiva e, em consequência disso, constitui um sorvedouro de recursos essenciais que deviam ser colocados à disposição do tecido empresarial que, ele sim, é o verdadeiro motor da economia e o único capaz de gerar riqueza  por possuir uma capacidade de optimizar os meios que tem à sua disposição de uma forma muito melhor do que o Estado alguma vez fará.
Acredito em tudo isso. Ou quase. Apenas me faz confusão, quando no sector público isso é absolutamente banal, que muitas empresas não tenham ainda um site na internet. Ou, sequer, um contacto de correio electrónico. Já nem refiro a relutância que muitos ainda demonstram em fornecer o número de identificação bancária, mesmo que isso signifique uma forma de agilizar procedimentos e antecipar recebimentos de clientes.
Elejo, no entanto, como símbolo máximo da falta de produtividade aquelas empresas – e não são poucas – que, apesar de facilmente o poderem fazer, continuam a enviar toda a sua facturação ou outro tipo de correspondência, nomeadamente para organismos públicos e para outras empresas, por via postal. Cada carta custa trinta e dois cêntimos mas, ainda assim, este continua a ser o meio preferido de os nossos empresários comunicarem. Ainda que o façam para a mesma cidade e que, provavelmente, até passem à porta do destinatário antes de chegarem à estação dos correios…

sábado, 15 de maio de 2010

As medidinhas

Ao contrário do que muitos reclamam, não considero desajustado o conjunto de medidas de combate ao défice anunciadas pelo governo. Se não vejamos:
- Considero preferível subir impostos a baixar salários. O IRS baixará na próxima oportunidade, que é como quem diz quando as eleições se aproximarem. Já os vencimentos, caso tivessem sido reduzidos, só muito dificilmente voltariam a subir. Para além da inegável vantagem de, pelo facto de outros países terem seguido essa via, nos estarmos a aproximar da média europeia em termos salariais;
- A diminuição do montante das transferências para as autarquias locais afigura-se também acertada e dotada da mais elementar justiça. Os municípios estão há muitos anos a passar ao lado da crise, continuam a gastar como se não houvesse amanhã e estão a endividar-se a um ritmo alucinante. Pode a medida não representar uma poupança orçamental por aí além mas é, pelo menos, um abanar de consciências para eleitos e eleitores. Talvez de agora em diante todos comecem a pensar que afinal nas tesourarias municipais não existe nenhuma máquina de fazer dinheiro;
- O aumento do IVA, embora seja um imposto cego e socialmente pouco justo, constituía uma daquelas inevitabilidades…inevitáveis.

Por fim a pergunta que se impõe. E aquele pessoal que em certos dias do mês enche as estações de correio, em que medida é afectado por esta crise e de que forma é chamado a dar o seu contributo?! Assim de repente lembrei-me que o IVA das cervejas também aumenta mas, de imediato, veio-me à memória que os pack´s de seis latas à venda no Modelo são frequentemente constituídos apenas por cinco…

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Ainda a (in)tolerância de ponto

A tolerância de ponto concedida por ocasião da visita papal provocou reacções que, simpaticamente, classifico apenas de surpreendentes. A mais original foi-nos proporcionada pelo Presidente da Câmara de Castelo de Vide que entendeu não seguir a orientação governativa – nada o obrigava a isso, é bom que se saliente – e, no uso dos seus poderes, resolveu manter os serviços do município a funcionar. Uma decisão inteiramente legitima e que, muito naturalmente, não poderá ser objecto de qualquer contestação.
Argumenta o dito autarca que na actual conjuntura não é aceitável a concessão de tolerâncias de ponto e que o país em geral e a autarquia a que preside em particular precisam é que se trabalhe. Coisa que, obviamente, não se lhe afigura compatível com a Câmara fechada e o pessoal em casa a ver o Papa. No entanto, assegurou, os trabalhadores não vão ficar prejudicados relativamente aos seus colegas de outras autarquias que puderam usufruir de um dia sem trabalhar. Promete, numa tirada que nem a mim – que também gosto de dizer parvoíces – me ocorreria, que vai compensar a rapaziada com tolerâncias a cinquenta por cento para os feriados de Junho. Bem visto, sim senhor! Ou a crise está quase a passar e dentro de um mês já não faz mal a malta ficar um dia sem bulir ou então a produtividade é muito maior quando o chefe da Igreja católica está entre nós. Existe, claro, ainda a hipótese de o homem gostar de ser do contra, ou ter, digamos, algum problemazito…mas isso é lá com ele e com quem o elegeu.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

E agora, gostam?!

José Sócrates garante não ter medo de uma eventual onda de contestação social caso o governo tenha mesmo de tomar as medidas que, ao longo do dia de hoje, foram sendo anunciadas como possíveis, por uns, e inevitáveis segundo outros. O primeiro-ministro vai mais longe e relembra que na anterior legislatura teve igualmente de equilibrar as contas públicas e que nem por isso deixou de contar com o apoio da opinião pública.
O problema do engenheiro – e dos portugueses, principalmente – é que a coisa, agora, chia muito mais fino. Ao contrário da outra vez, em que o alvo das decisões mais drásticas foram os funcionários públicos, prevê-se que seja necessário tomar medidas que tocarão a todos. Mesmo aos que se regozijaram com a perda de direitos dos servidores do Estado e com o congelamento das suas remunerações. Agora, caso se confirme o pior cenário, também eles vão ser chamados a dar o seu contributo aos cofres do Estado. Aguardo, com alguma expectativa, a reacção dessa malta que, quando o combate ao défice era problema de outros, aplaudia entusiasticamente a genialidade governativa do Zézito.

domingo, 9 de maio de 2010

Quem toma a última?


Não posso, por esta hora, adivinhar qual o resultado dos jogos de futebol que definirão o campeão da presente época futebolística. Espero que seja aquele que eu desejo e esse é um sentimento que, seguramente, partilho com a esmagadora maioria dos portugueses.
Já vivi muitas vezes a sensação de ver o Benfica campeão. Esta, contudo, não será, a confirmar-se, apenas mais uma. Nunca, nas anteriores conquistas, houve tanta gente a torcer por fora e a fazer de tudo – acredito que façam mesmo de tudo – para que o título rume a outras paragens que não o Estádio da Luz. Tal atitude, para além de revelar uma ingratidão inqualificável para com quem lhes encheu os estádios de gente e as tesourarias de dinheiro, é reveladora de um comportamento que até agora julgava apenas exclusivo dos grunhos do norte. O ódio que têm ao Glorioso, a Lisboa e de uma maneira geral ao sul, é uma coisa doentia, própria de gente debilitada intelectualmente de que é símbolo máximo o velhinho careca e caquéctico, que se faz rodear de gaijas boas convencido que elas o seguem pelas suas aptidões físicas e não pelo conteúdo da sua carteira. 
Desde há muitos anos que exulto – quase todos os benfiquistas o fazem, mais ou menos exuberantemente – com as cada vez mais frequentes derrotas da equipa de Campanhã. De igual modo procederei, de ora em diante, com todas os outros clubes. Nomeadamente quando, lá para Setembro, começar a sua mais que previsível miserável participação nas competições europeias. Não tenho dúvidas que, com o actual comportamento, essas agremiações conquistaram em cada adepto do Benfica um potencial adversário.

sábado, 8 de maio de 2010

Lamentações lamentáveis


Não foram poucas as ocasiões em que me expressei, aqui no Kruzes ou noutros locais, a favor de ordenados dignos. Dão-me estas circunstâncias o direito de me indignar perante um excerto de uma entrevista a uma professora do ensino secundário, já com bastantes anos de profissão e perto da aposentação, que hoje encontrei por acaso ao folhear uma revista antiga. Antiga mas apenas com alguns meses, saliente-se.
O que mais me revolta é que o vencimento não é mesmo nada compatível com a função que exerço”, lamentava-se a docente quando inquirida acerca dos aspectos menos positivos da sua função. Admito que a carreira docente tenha sido muito atacada nos últimos anos. Admito com facilidade que o papel do professor tem sido substancialmente desvalorizado, a sua autoridade colocada em causa, as escolas estejam repletas de alunos mal-educados e negligenciados pelos pais ou que o sistema de ensino tende a beneficiar os burros e a não valorizar os bons alunos. Deve ser, tudo isso, a que chamam a tal escola inclusiva. Agora o que não admito – no sentido de discordar, obviamente – é que esta classe profissional, nomeadamente aqueles que estão na faixa etária da professora que proferiu as declarações que reproduzi, se queixem do vencimento que auferem. Podem, os professores, ter muitas razões de queixa, mas no que diz respeito à retribuição mensal não é coisa de que se possam lamentar.

Imagem obtida daqui (Lista de aposentações da Caixa Geral de Aposentações – Junho 2010)

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Malta que, irreflectidamente, se apodera de coisas...


A fraude hoje divulgada pela comunicação social envolvendo, alegadamente, alguns funcionários públicos de um hospital portuense que, segundo as fontes difusoras da notícia, burlaram a ADSE em cerca de cem mil euros não me causa a mais pequena surpresa. Quanto muito apenas me espantam os pequenos montantes envolvidos e, face ao número de supostos intervenientes, ao valores irrisórios que terão cabido a cada um deles.
Recordar-se-ão com certeza os meus leitores de ter escrito num post, ou até mesmo em mais, que este tipo de actuação é uma consequência dos baixos salários, da inexistência de expectativas de carreira, dos congelamentos salariais e, em suma, da forma como os funcionários públicos tem sido tratados nestes últimos anos. E, também, como é evidente da ganância, da má formação moral dos intervenientes e dos maus exemplos que a cada dia lhes são transmitidos por outros muitíssimo melhor colocados na hierarquia profissional, social e outras. 
Obviamente que, apuradas as responsabilidades, as pessoas envolvidas no esquema deverão ser punidas. Não se brinca assim com o dinheiro público. Para mais numa altura em que todos os cêntimos são importantes para o nosso engenheiro brincar aos comboios. De resto a este tipo de comportamento - altamente condenável, é bom sublinhar – chama-se roubar e merece ser severamente castigado. Escusam, no entanto, de vir para aqui – ou para outro lado qualquer – argumentar que fulano, sicrano ou beltrano roubaram milhões e nada lhes aconteceu. Isso não passa de populismo. 
É por essas e por outras que temo pelas consequências que certamente advirão para o deputado que irreflectidamente se terá apoderado de dois gravadores pertença dos jornalistas que o entrevistavam. Vão ver o homem ainda se trama. É que com coisas deste valor nunca se sabe…

terça-feira, 4 de maio de 2010

Ideias parvas


O país enlouqueceu. Só pode. Pelo menos aquele país que na televisão, nos jornais e nos blogues sugere soluções para essa tal crise que alguns insistem em garantir que anda por aí. A cada dia surgem as ideias mais ousadas – foi a maneira mais simpática que encontrei para não lhes chamar disparates – e chegaram já ao ponto de sugerir a redução do número de feriados para quatro e de acabar com os subsídios de férias e de Natal. 
Por mim acho que podem ir ainda mais longe. Acho até lamentavelmente pouco aquilo que propõem estes malucos. Bom, mas mesmo bom, era terminar com essa invenção – desconfio que foram os comunistas, esses malandros – das férias, que só servem para prejudicar as empresas. E a mesma coisa para o Natal. Vai sendo tempo de pôr fim a essa festa cristã ridícula que discrimina de forma provocatória as restantes confissões religiosas. Com a vantagem da malta poupar uma pipa de massa em presentes e, no caso das férias, as praias algarvias não estarem repletas de bimbos a dizerem palavrões. 
Ainda bem que este pessoal só pensa em cortar na despesa e não tem ideias para aumentar a receita. Ou muito me engano eram gajos para defender de forma intransigente um imposto sobre a queca. O que, pensando bem, não estaria mal visto. Afinal não são os que mais podem que devem pagar a crise?!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

domingo, 2 de maio de 2010

A má moeda (ou a falta de memória)

Numa altura em que se procuram explicações para a situação que vivemos, são já muitos os que não hesitam em apontar a nossa adesão à moeda única como um dos principais factores que contribuiu para chegarmos a este estado de coisas. Há mesmo quem sugira a nossa saída do euro e o regresso ao velhinho escudo. Voltar a ter controlo sobre a política monetária será, garantem alguns teóricos, a única forma de ultrapassar a crise em que nos encontramos.
O retorno à antiga moeda nacional era capaz, digo eu, de ser coisa para ter a sua piada. Ao contrário do que aconteceu com os “réis”, que noventa anos depois da sua extinção ainda eram recordados - sou do tempo em que vinte mil réis, que é como quem diz vinte escudos ou, hoje, dez cêntimos, tinham direito a nota – actualmente já quase ninguém se lembra do escudo nem, muito menos, da sua valia. Com a entrada em vigor do euro perdeu-se por completo a noção do valor do dinheiro e gasta-se de uma maneira desregrada e sem a percepção de quanto estamos realmente a gastar. Daí que o regresso ao escudo tivesse, pelo menos, a grande vantagem de nos trazer de volta à realidade e de nos fazer acordar de um sonho. Que poderá estar muito perto de se tornar o maior pesadelo que a minha e as gerações mais novas viveram. 
Só por curiosidade vejamos quanto nos custariam hoje em escudos, ou poderão vir a custar amanhã se a equivalência à entrada se mantiver à saída, alguns bens ou serviços pelos quais pagamos sem nos apercebermos bem do valor que estamos a despender: 
Café – 110$00;
Pastel de nata – 160$00;
Cerveja (numa espelunca) – 190$00;
Moeda para o arrumador – 200$00;
Litro de gasolina – 288$50;
Entrada na Fiape – 400$00;
Bilhete para o futebol (2ª divisão distrital) – 800$00;
Maço de cigarros – 900$00;
Viagem de autocarro Estremoz-Lisboa e volta – 4.972$00;
Bilhete de um dia para o Festival Optimus Alive – 10.000$00 (Dez contos!!!).

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Sacrificios

Pergunta hoje uma estação de televisão que sacrifícios estaremos dispostos a fazer para salvar o país. Pela minha parte a questão é de fácil resposta. Nenhum. Pelo menos voluntariamente. A classe politica tem, durante as ultimas dezenas de anos, sugado os recursos da nação e, por isso, se alguém tiver que se sacrificar que sejam eles. De resto, nenhuma politica de austeridade que não implique cortes sérios nos sectores mais privilegiados da sociedade merecerá qualquer credibilidade nem produzirá os efeitos pretendidos.
Claro que quando chegar a hora de fazer sacrifícios ninguém nos vai perguntar se estamos ou não dispostos a fazê-los. Não teremos voto nessa matéria. Com mais ou menos dificuldade, mais ou menos protestos, pagaremos o bem-estar de um grupo de privilegiados e de oportunistas. Deve ser a isso que chamam patriotismo.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Os desempregados que paguem a crise!

Diz-se, com alguma ironia, que o mundo - e no caso o país - não encontra saídas para a crise porque aqueles que seriam capazes de a resolver estão ocupados a cortar cabelo e a conduzir táxis. Ou, acrescento eu, a escrever em blogues. É provável. Quase tão provável como a maior parte daqueles que conduzem táxis, cortam cabelo ou escrevem em blogues, não acreditarem nessa tal crise que, insistem em garantir-nos, anda por aí e, tal como já fez na Grécia,  ameaça instalar-se de armas e bagagens cá pela lusa pátria. 
Tenho dias - e hoje é um deles - em que faço parte desse grupo. Dos que têm dificuldade em acreditar que a tal crise financeira que, garantem, nos pode levar à ruína, existe mesmo e que não passa de uma manobra para os mesmos de sempre ganharem mais uns cobres. Senão vejamos: Apesar de todo o alarmismo provocado por umas denominadas agências de rating*, que terão feito subir os juros do dinheiro de que necessitamos para nos ir governando, as medidas anunciadas pelo governo no sentido de poupar “algum” para fazer face às despesas acrescidas que terá de suportar com o aumento do serviço da divida, implicam apenas alguns cortes nas despesas com o subsidio de desemprego!!!!! Com o acordo do maior partido da oposição, sublinhe-se. É por coisas destas que não consigo levar esta crise a sério. Nem, menos ainda, quem nos governa e quem finge que se opõe mas que afinal até está de acordo. 
Decididamente os gajos que cortam cabelo, conduzem táxis e escrevem em blogues, não percebem nada disto. São tão ignorantes que não viram que a culpa é dos desempregados. Esses malandros que, além de não quererem trabalhar, recebem uma pipa de massa para ficar em casa sem bulir. E o pior é que são cada vez mais. Aposto que fazem de propósito! 

* O corrector ortográfico sugere-me que substitua rating por ratinha. Eu bem que andava desconfiado…

terça-feira, 27 de abril de 2010

O outro lado da praça de touros.

Por muito que custe aos aficionados e outros saudosistas dos tempos áureos que se terão vivido naquele espaço, a recuperação da praça de touros de Estremoz é coisa que não se me afigura como viável. O edifício está em ruínas e qualquer projecto de reconstrução teria de partir do zero. Ou lá perto. 
Reclama-se com frequência que sejam os poderes públicos a intervir e apontam-se sucessivos exemplos do que terá ocorrido em localidades vizinhas, onde espaços semelhantes foram intervencionados e transformados em modernos locais de utilização multidisciplinar. É bom ter presente que a praça de touros é propriedade privada e que é ao legítimo proprietário a quem cabe a responsabilidade de zelar pela sua conservação. Convém igualmente não esquecer que a tourada é um negócio, normalmente da esfera privada, e que são as entidades vocacionadas para esta área empresarial que deverão criar condições para que o mesmo se realize. 
Como em tudo o que possa contribuir para dinamizar a actividade económica local – e, admito, os espectáculos taurinos até podem dar algum contributo – os poderes políticos locais e nacionais não devem ficar indiferentes e é nesse contexto, e apenas nesse, que não acharia chocante ver dinheiro público envolvido nesse negócio. Não directamente mas, por exemplo, adquirindo todo aquele espaço, demolindo as construções existentes e promovendo a recuperação de toda aquela área ligando-a ao parque desportivo do Caldeiro. Tal arranjo urbanístico proporcionaria, para além da integração da zona desportiva na cidade, a aproximação ao centro das novas urbanizações situadas nas traseiras das escolas, com  inegáveis vantagens para moradores e comércio local.
Quanto à praça de touros pode perfeitamente ser construída noutro qualquer local sem os condicionalismos, técnicos e urbanísticos, que a reconstrução da actual forçosamente implicaria. Seria neste aspecto que a autarquia teria um papel determinante, nomeadamente na construção de infra-estruturas ou na concessão de isenções de taxas e impostos à entidade que promovesse a sua construção. Algo que vá para além disso é capaz de ser pedir demais aos contribuintes estremocenses…

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Bonecos

Sou, seguramente, das pessoas menos indicadas para dissertar acerca dos eventos culturais que se vão realizando cá pela terrinha. Até porque é sobejamente reconhecida a minha vontade de puxar da calculadora sempre que ouço falar em cultura. Não é, hoje, o caso. 
Assisti ontem, na sede da Junta de Freguesia de que sou freguês, a um espectáculo dos “Bonecos de Santo Aleixo”. Para quem não sabe do que se trata é só pesquisar no Google, ou noutro motor de busca qualquer, que está lá tudo. Não farei a crítica à representação. Disso percebo pouco e para além de dizer que gostei e que achei divertido não terei muito a acrescentar. De assinalar a linguagem utilizada pelos actores que dão voz aos bonecos e às personagens. Popular, politicamente incorrecta quanto baste e, se calhar, só possível de utilizar naquilo a que chamam a província. Veja-se o caso do acto “Castigo de Caim”, em que Deus castiga o irmão e assassino de Abel transformando-o em negro. Calculo que para um molusco intelectualóide da capital tal facto constitua algo capaz de pôr os cabelos em pé, se os tiver, e de provocar a publicação de inúmeras postas indignadas nos blogues da esquerda caviar que não poupariam acusações de racismo. 
É apenas um pormenor, mas que não podia deixar de saudar. Principalmente quando se assinala mais uma passagem do vinte cinco do A e numa altura em que a liberdade de expressão, então devolvida ao povo, se encontra seriamente ameaçada pela ditadura do politicamente correcto quase sempre promovido por aqueles que mais se arvoram em defensores dessa mesma liberdade.

domingo, 25 de abril de 2010

Reservado


Á semelhança do Marquês de Pombal em Lisboa, da Rotunda da Boavista no Porto e, provavelmente, muitos outros lugares espalhados por esse país fora, também os benfiquistas de Estremoz já reservaram um local para as eventuais comemorações do título de campeão nacional. A rotunda dos Combatentes evidentemente…

sábado, 24 de abril de 2010

Legalizar a corrupção

Sou do tempo em que muitas práticas hoje legais ou toleradas constituíam crime ou eram socialmente reprovadas e aqueles que as praticavam, na linguagem actual, discriminados em função do seu comportamento. Outros tempos, outros valores e, seguramente, uma perspectiva muito diferente de ver a vida relativamente à maneira como são hoje encarados muitos conceitos. Ou preconceitos, alegarão muitos. 
Recordo-me da legalização do divórcio e de como, antes de ser legalizado, se olhava com desconfiança as pessoas que entendiam colocar um fim ao casamento. Também a legalização do aborto foi uma medida recente e, sabe-se, houve quem tivesse sido presa por o praticar. Até há pouco tempo duas pessoas do mesmo sexo viveram maritalmente seria algo impensável e mesmo quem tinha os gostos trocados não era tratado pela sociedade da melhor forma. Lembro-me ainda do tempo em que alguém apanhado a roubar era de imediato preso. E os exemplos podiam continuar… 
Poucos ousarão contestar a tese que a legalização destes comportamentos constituiu um significativo avanço civilizacional. Mas não chega. Há que inovar. Ser ousado e avançar ainda mais. Legalizar, por exemplo, a corrupção. Se hoje corromper, subornar, untar as mãos ou, simplesmente, ofertar um valor simpático – monetário ou de outra natureza - com vista à remoção de um obstáculo às suas pretensões, não é motivo para levar ninguém à prisão e é socialmente bem visto – vide o resultado de alguns actos eleitorais - porque raio a lei não há-de determinar que tal prática é perfeitamente legal?!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Surpresas e indignações. Ou talvez não.

Discordo dos que se mostram indignados com a decisão parlamentar de suportar as viagens - e respectivas ajudas de custo - entre Lisboa e Paris, onde alegadamente terá residência, a uma ilustríssima deputada da nação. Não acho mal que assim seja. Os bons profissionais devem ser bem pagos, sejam eles gestores, futebolistas ou exerçam outra qualquer profissão. O mesmo se aplica aos deputados. E às deputadas boas. 

Também o alarido relativamente à absolvição do empresário Domingos Névoa da acusação de tentativa de corrupção a um vereador da Câmara de Lisboa me parece manifestamente exagerado. Afinal a douta decisão judicial constituirá uma dinâmica interpretação da legislação em vigor e, principalmente, tratar-se-á do merecido reconhecimento há muito devido ao livre empreendedorismo. Absolva-se, pois, o homem. Melhor ainda. Louve-se o empresário dinâmico, de sucesso e, já agora, ensine-se-lhe que da próxima vez se deve dirigir às pessoas certas…

Por cá tem constituído notícia o desaparecimento, num caso, e o aparecimento, noutro, de coisas com rodas. O sumiço de três tractores do interior das instalações de uma empresa de comércio destes equipamentos, por serem objectos de dimensões apreciáveis, não pode deixar de ser surpreendente. Afinal uma máquina daquelas não se transporta num bolso nem esconde num qualquer canto. Nem, sequer, se vende em mercados semanais.

Surpreendente, ou talvez não, é o alegado aparecimento de umas largas dezenas de carrinhos de supermercado num bairro contíguo a uma superfície comercial. Ao que se diz, a inusitada procura destes apetrechos por parte dos moradores, assíduos frequentadores do estabelecimento em causa, terá a ver com as múltiplas utilizações que lhes podem ser dadas. Entre outras coisas diz que são óptimos como utensílios de cozinha. Grelhas para colocar sobre as brasas, nomeadamente.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Boatos

Alguns, com o sentimento clubistico um pouco abalado, têm andado a espalhar a piada que o espaço aéreo nacional esteve prestes a ser encerrado por causa de uma espessa nuvem de pó. Segundo os piadistas de serviço o encerramento apenas não se verificou porque, atempadamente, o Instituto de Meteorologia detectou que a dita nuvem não tinha origem no vulcão islandês de nome impronunciável, mas que tal quantidade de pó provinha dos cachecóis de milhões de adeptos benfiquistas.
Tem, de facto, alguma piada mas não corresponde, no entanto, à verdade. Até porque a nuvem  vulcânica terá mesmo atingido o nosso país e com uma densidade muito maior do que a verificada noutros países europeus. Apesar disso o espaço aéreo nacional não foi fechado e muitos voos puderam ser realizados normalmente. Há quem garanta que José Sócras, as companhias aéreas e muitos passageiros que puderam regressar a suas casas sem os incómodos que se verificaram noutros aeroportos, já terão agradecido ao Bloco de Esquerda.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A minha quinta

Se forem verdadeiras as conversas que por aí se vão ouvindo, os portugueses voltaram a interessar-se pela agricultura. Estão de novo a tratar a terra, a semear, a colher e, em suma, a dedicarem-se a um tipo de vida mais saudável. Fazem bem. Por mim, devo confessar, não sou apreciador. Nada que envolva a utilização de ferramentas agrícolas me entusiasma e encaro com desagrado qualquer actividade relacionada com o mundo da lavoura.
Felizmente a minha quinta não o chega a ser. É apenas um quintal. Dos pequenos. Digamos que mais ou menos à medida da aversão que nutro pelas labutas rurais. Não dá, ao contrário da maioria dos novos lavradores, para comprar maquinaria pesada, manter animais ou para fazer sementeiras que resultem em fabulosas colheitas. Nada disso. Como partilho com os meus leitores, a coisa não vai além de uns miseráveis espinafres, coentros que hesitam em brotar da terra, salsa raquítica, duas couves manhosas e nabiças que prometem constituir a excepção neste panorama de pré-calamidade que parece vir a tornar-se a presente época agrícola. 
A fauna residente é constituída essencialmente por uns quantos pássaros, pardais e outros de marca desconhecida, e lesmas. Muitas lesmas. Deixo mesmo um apelo aos que têm a paciência de me ler para me enviarem sugestões – que não incluam produtos químicos - que conduzam ao extermínio de tão irritante praga.
Há, também, uma gata. Que, por sinal, até é da vizinha. Bonita. A gata, claro, porque a vizinha… 


terça-feira, 20 de abril de 2010

Promessas por cumprir


É definitivo. Pinto da Costa, o septuagenário que preside ao clube de futebol do Porto, não cumpriu a sua promessa de dedicar o título de campeão nacional ao defunto treinador José Maria Pedroto tal como prometera, chorando baba e ranho, numa reunião de "família". Não constitui surpresa por aí além. De resto é perfeitamente normal que naquela idade já não consiga atingir determinados objectivos nem cumprir tudo o que promete. 
Às senhoras que o acompanham, invariavelmente bastante mais novas, não sabemos que tipo de promessas faz e se as cumpre ou não é coisa que dificilmente chegará ao nosso conhecimento. Nem, diga-se, temos nada a ver com isso. Acredito no entanto que, uma ou outra vez, as possa concretizar. Até porque um golo é muito mais difícil que um gole…