terça-feira, 23 de março de 2010
segunda-feira, 22 de março de 2010
Remate kruzado
A todos, seja qual for a profissão que exercemos, já aconteceu ter um daqueles dias em que tudo nos corre mal. São, por norma, a excepção. Contudo, se acontecem com uma frequência que vai para além daquilo que normalmente o senso comum tem como razoável, o melhor é mudar de emprego.
O futebol não foge a esta regra. Anda por lá gente com notória incapacidade para estar num relvado onde, conjuntamente com outras vinte e uma pessoas, disputa um jogo que, por mais interesses que possa mover, é apenas isso. Um jogo. Pior ainda quando o indivíduo a quem as coisas correm sistematicamente mal - no sentido de procurar jogar a bola que, recorde-se, é o objectivo central do jogo – ostenta a braçadeira de capitão. Quando o líder perde a cabeça, exibe uma conduta desvairada e se revela uma fonte de instabilidade para a equipa que comanda, não merece ser líder. Quando o profissional não faz aquilo para que é principescamente pago e manifesta uma verdadeira incapacidade para se concentrar na bola, preocupando-se apenas em malhar os adversários, o melhor que tem a fazer é procurar outro trabalho onde aquilo em que é bom constitua o objectivo a atingir. A bem, neste caso, do futebol e da instituição que representa.
Não raras vezes os maus profissionais gozam de uma estranha e intrigante protecção, quer das suas entidades patronais ou daqueles que têm autoridade para os punir. Também assim é no futebol e, por incrível que pareça, verdadeiros arruaceiros que, apenas contribuem para a má imagem dos clubes que lhes pagam e da profissão que desempenham, beneficiam da protecção daqueles que deviam ser os primeiros a punir exemplarmente gente que é incapaz de exercer de forma séria as funções que lhes estão atribuídas.
O país inteiro assistiu ontem a mais um episódio que ilustra o que acabo de escrever. O comportamento protagonizado por um profissional foi muito mais próprio de um desequilibrado mental, do que de alguém que se pretende seja um exemplo de conduta. E não pode ficar impune. Até porque se repete sistematicamente.
domingo, 21 de março de 2010
Tudo à mostra, já!
Assistimos actualmente ao preocupante fenómeno de, cada vez mais gente dentro do Partido Socialista, estar a perder a noção do país em que vive, do cargo que ocupa ou do exemplo que, por força dos lugares que desempenha – bem ou mal, por mérito ou por compadrio, para o caso pouco importa – deve transmitir aos portugueses. A quem, é bom que se recordem disso, devem prestar contas.
Veja-se a desabrida intervenção do deputado José Lello no plenário da Assembleia da República. Agastado pelo facto de o monitor do seu computador poder estar a ser alvo das objectivas indiscretas dos repórteres fotográficos, o homem evocou supostos direitos à privacidade para tentar condicionar o trabalho daqueles profissionais. Verdade que a resposta do Presidente da Assembleia foi lapidar - nem podia ter sido outra – mas, reconheça-se, qualquer coisa não estará a bater bem dentro de certas cabeças quando é necessário recordar a um titular de um elevado cargo público que no desempenho das suas funções e enquanto utilizador de um equipamento público destinado exclusivamente a ser utilizado ao serviço do órgão de soberania, não pode exigir privacidade. Não é para isso que foi eleito.
Não é que me incomode que os deputados naveguem pelas redes sociais, leiam blogues ou, até mesmo, vejam gajas nuas. Acho, inclusivamente, de extrema utilidade que o façam. Pretender enganar-nos, impedindo que outros nos mostram que o fazem, é que me parece grave, porque temos todo o direito a escrutinar o que se passa no parlamento. Sejam computadores ou decotes mais ousados.
sábado, 20 de março de 2010
Só se perdem as que caem no chão...
Fico sem saber o que pensar quando ouço os “jovens”, a quem inexplicavelmente algumas televisões dão voz, relatar a sua versão dos acontecimentos sempre que está em causa uma intervenção mais musculada das forças de autoridade. Invariavelmente alegam que estão em amena cavaqueira uns com os outros, sossegados, sem fazer mal a uma mosca e que são os policias – conhecidos desordeiros como toda a gente sabe – quem surge do nada e desata a dar pancada como se não houvesse amanhã.
Confesso que por vezes me sinto tentado a acreditar nesta versão. Bem vistas as coisas dar uma carga de porrada em certa malta – nomeadamente aquela que no meio do discurso mete umas quantas palavras estrangeiras - é um desejo comum à esmagadora maioria da população. Por mais que isso custe aos multiculturalistas apaneleirados que de vez em quando também debitam umas patacoadas a propósito dos tabefes que por aí vão sendo distribuídos.
Mas o que verdadeiramente me intriga é que os tais “jovens” nunca alegam ter sido espancados enquanto estão a trabalhar. Das duas, uma. Ou existe aqui uma grave falha da polícia, que não vai aos locais de trabalho dessa “juventude”, ou então essa rapaziada não trabalha. Esta segunda hipótese, a verificar-se, poderá ter como álibi a elevada taxa de desemprego que por cá se regista. Embora, mas deve ser desatenção minha, também não me ocorra nenhum caso de alegada violência policial quando algum destes “jovens” andava à procura de emprego…
Poupança fiscal
Garantem quase todos os analistas que, com a entrada em vigor do PEC, vamos passar a pagar mais impostos. Ou ter menos deduções. O que, como os nossos governantes e o PS em geral não se cansam de sublinhar, não é exactamente a mesma coisa. Pois não. Quando muito passaremos a receber uma quantia significativamente menor a título de reembolso do irs. Só um cego – pior, apenas quem sofre de uma cegueira política absoluta – é que não percebe que estamos da presença de algo completamente distinto de uma subida de impostos.
Pode mesmo acontecer o inverso e haver quem pague menos. Suponhamos o caso de um contribuinte – até pode ser um daqueles que não foi aumentado este ano mas deduz menos despesa em irs - que recorre aos serviços de uma oficina de reparação automóvel e o dono, pela primeira vez em muitos anos, faz um preço de amigo. Do género “são cento e cinquenta euros e esquecemos essa coisa da factura”. Logo ali, sem mais aquelas, há dois cidadãos que pagam menos impostos. Não é que eu saiba de alguém que proceda assim – eu ia lá saber destas coisas! – mas desconfio que vai passar a ser, ainda mais, o pão nosso de cada dia.
sexta-feira, 19 de março de 2010
Kuriosidades
quarta-feira, 17 de março de 2010
Limpar Portugal
É já no próximo sábado que os participantes – muitos, espera-se - no Projecto Limpar Portugal saem para a rua com o intuito de tornar o nosso país um lugar ligeiramente mais asseado. A ideia, ao contrário do que o nome possa sugerir, não visa destituir o governo, correr com a classe política ou moralizar a gestão das empresas públicas e daquelas em que o Estado tem participação. O lixo que se pretende remover é outro. Cheira mal, tem pior aspecto – esta parte é discutível – mas não nos faz tanto mal. Apesar disso vai ser recolhido pelos voluntários que estiverem dispostos a trocar um dia de descanso pela árdua tarefa de recolher a porcaria que outros fizeram.
Os locais onde será efectuada a recolha estão assinalados na página da internet dedicada ao evento e, como seria de esperar, também cá pela zona haverá muito para limpar. Serra d’Ossa, “Alto do Braga” e envolvente às muralhas são os pontos onde os que se disponibilizarem a participar na faxina vão poder dar largas à sua vontade de, no caso, limpar Estremoz. A missão não se augura fácil nem, mas isso sou eu a dizer, capaz de produzir efeitos que perdurem no tempo. As pessoas são porcas por natureza e, mal a limpeza esteja concluída, voltarão a depositar o lixo como sempre fizeram.
Por falar em porcos, porcarias e outros comportamentos pouco sociais, estranho que entre os sítios eleitos para esta jornada de luta não esteja incluído o Bairro da Quintinhas. O resort, portanto. Diz que pelas imediações o lixo é mais que muito e que os habitantes das moradias de construção precária – repararam como nenhuma caiu com os vendavais que recentemente se fizeram sentir?! – apesar de terem vários contentores à disposição, preferem despejar os seus resíduos domésticos para a rua. Que é como quem diz, para o espaço público circundante. É pois uma pena que o resort não tenha sido escolhido para uma intervenção no âmbito deste projecto. Juntar um grupo de voluntários e ir limpar o bairro àquela malta ia ser uma coisa gira. Aposto que eles se iam divertir à brava ao ver meia dúzia de cidadãos bem-intencionados recolher os seus detritos.
terça-feira, 16 de março de 2010
Os bons rapazes não fogem à policia
Há quem se esteja a esforçar - e muito - para colocar na ordem do dia a morte de um indivíduo, alegadamente vítima de um tiro da polícia, após ter sido perseguido durante oito quilómetros depois de se ter recusado a parar quando tal lhe foi ordenado. Não me parece, mesmo tratando-se de uma morte envolvendo violência, que a situação mereça o destaque que alguns lhe querem atribuir. O homem até podia ser uma excelente pessoa. Um santo, quase. Os seus amigos alegarão que era uma jóia de rapaz como não havia outro lá no bairro social. Podem até ter razão. Mas há actividades que envolvem riscos e fugir à polícia é seguramente uma delas. Independentemente dos motivos que levam alguém a fazê-lo e mesmo tratando-se, como parece ser o caso, de um cidadão exemplar. Apesar de, em vida, declamar aqueles versos bacocos em tom esquisito.
segunda-feira, 15 de março de 2010
A oposição que temos!
Lamento não partilhar o sentimento de indignação que assola a blogosfera lusa a propósito da decisão do congresso social-democrata de impor a lei da rolha aos militantes do partido nos sessenta dias que antecedem um acto eleitoral. Não é medida que me surpreenda, nem que mereça tanto alarido, dado que de inédito tem muito pouco. De uma ou outra forma todos os partidos políticos tem, ao longo de todos estes anos de democracia, feito o mesmo relativamente aos seus militantes mais rebeldes ou que ousem levantar a voz contra o líder. Um pequeno exercício de memória, coisa que há muito pouca na política, levar-nos-ia a encontrar um número apreciável de casos em que a pena agora implementada no PSD foi, se calhar de maneira mais encapotada, usada para afastar as vozes mais incómodas.
O que me causa um espanto incomensurável é que uma proposta - qualquer que ela seja - apresentada por Santana Lopes, consiga obter mais que dois votos. Mesmo que isso aconteça num congresso do PSD. É deprimente. Que dois terços dos congressistas sociais-democratas o tenham feito é que é, de facto, algo que devia preocupar o país. Ou, adaptando o lamento que os portugueses tanto gostam de repetir, “é a oposição que temos!”
domingo, 14 de março de 2010
As dúvidas de Cavaco
Como era esperado o Presidente da República enviou o diploma que legaliza o casamento entre pessoas do mesmo sexo para o Tribunal Constitucional. Por mim acho mal. Se o Estado fosse uma empresa, ou dispusesse de contabilidade organizada e tivesse que proceder ao apuramento de custos, seria interessante saber quanto custou já ao erário público toda a discussão, nos órgãos de soberania, à volta deste assunto que de relevante para o interesse nacional nada tem. Era bom que se pudesse quantificar, em nome da tão reclamada transparência, quais foram os custos reais que os contribuintes portugueses tiveram de suportar relativamente ao tempo que duzentos e trinta marmanjos - e marmanjos bem pagos, sublinhe-se – discutiram a aprovação desta medida. Para não falar do tempo que, antes e depois da aprovação, outros da mesma laia igualmente pagos com o dinheiro dos nossos impostos gastaram ou vão gastar com este assunto que, perdoem-me os interessados e os defensores da causa, não passa de um fait-divers.
É por isso que entendo que o melhor era aprovar logo aquilo. Os gajos e as gajas que se casem uns com os outros - ou umas com as outras - sejam felizes, façam grandes festas de casamento, paguem mais irs, divorciem-se e voltem a fazer tudo de novo. Vão ver que é bom para todos. Criam-se mais postos de trabalho, nomeadamente na indústria do casamento, na área da justiça para tratar dos divórcios e dinamizam-se sectores da economia que, com a diminuição dos casamentos normais, corriam o risco de ter de encerrar.
Era por isso escusada esta atitude do Presidente da República. Principalmente quando estamos em presença de um arguto economista a quem estas coisas não deviam escapar, que não se cansa de demonstrar as suas preocupações com a crise e de apelar ao entendimento para encontrar soluções que ajudem a ultrapassá-la. Era tempo, digo eu, de ir dando o exemplo.
sábado, 13 de março de 2010
Só com uma moca!
Receio não estar a compreender. Um professor ter-se-á suicidado, alegadamente por não conseguir resistir à pressão que sobre ele seria exercida por um grupo de alunos mal comportados e com perfeito desconhecimento do que são as regras de boa educação, e o Ministério da Educação – ou alguém que o representa, sei lá – vem manifestar a necessidade de apoiar os “estudantes” a ultrapassar o trauma que esta morte lhes possa provocar!!!!!!
Algo não bate certo. A vítima, digo eu na minha ignorância, terá sido o professor. Os alunos foram os agressores. Culpados ou não as instâncias próprias se encarregarão de apurar, julgar e, se for o caso, punir. Pelo menos é o que se me afigura seria lógico acontecer. Pretender fazer dos “jovens” os coitadinhos que precisam de ajuda é querer fazer de nós parvos. A única ajuda que essa rapaziada precisa é de uns bons açoites.
Não é com “ajudas” que lhes minimizem os traumas – tadinhos, tão traumatizadinhos que até metem dó - que se mete na linha gentalha daquela. E, é bom que se recorde, são eles os homens e mulheres de amanhã. Os mesmos que nos irão atender, dentro de poucos anos, no “Modelo”ou no “Continente”. Dir-me-ão que não serão todos iguais. Claro que não, mas os bons vão-se embora e nós cá ficaremos entregues a esta bicheza.
sexta-feira, 12 de março de 2010
Passagem estreita
quinta-feira, 11 de março de 2010
Preocupações preocupantes
Há quem se preocupe com discriminações. O que, convenhamos, é absolutamente normal e revela, da parte de quem se preocupa, um sentimento de, digamos, preocupação. Faz, reconheça-se, todo o sentido. Ou talvez não.
Há também quem se preocupe com ciganos. Não serão muitos os que se preocupam, mas não será por isso que essa preocupação merecerá menos respeito. Afinal, também há quem se preocupe com o lince da Malcata ou com o sofrimento dos insectos esmagados para fabrico de corantes.
Outros, não muitos ao que se sabe, preocupam-se com a discriminação dos ciganos. Há até quem viva dessa preocupação e faça dela a sua profissão. Não sei se terão razão para preocupações mas, pelo menos aos que vivem disso, convém que haja muita gente a preocupar-se. Com o actual estado de coisas dá sempre jeito criar mercado para o nosso – deles – trabalho. Com a crise que para aí vai ficar sem matéria-prima para trabalhar seria causa para grandes preocupações.
Verdadeiramente preocupante é haver quem se preocupe com a discriminação dos ciganos de Estremoz. Sinceramente não estou a ver motivos para preocupações. Em boa verdade também não sei de ninguém que se preocupe. Para além, claro, do leitor preocupado que acidentalmente veio parar ao Kruzes após pesquisar o motivo da sua preocupação no Google. Estou mesmo convencido que os ciganos de Estremoz também não estarão preocupados com essa coisa da discriminação. Têm mais com que se preocupar. Assim de repente estou a lembrar-me do Jaguar, da playstation, do LCD, do ar condicionado e do jacuzzi. É que a água e a luz lá do resort, apesar de serem à borla, falham de vez em quando. O que é desagradável. E preocupante, também. Para já não falar deste maldito tempo. A humidade infiltra-se na cave da barreca e ainda estraga as munições. Uma chatice.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Opiniões irrelevantemente certas. Mais uma vez.
Este é, reconhecidamente, um blogue pouco sério. Se a seriedade imperasse por aqui, não abordava temas associados à governação, às liberdades individuais e às escolhas dos cidadãos (eheh!), ou, embora raramente, ao futebol. A escrita seria antes dirigida a coisas mais sérias como…sei lá…talvez os direitos dos animais, o aquecimento global ou, porque não, as últimas novidades do mundo fantástico e interessantíssimo do wrestling.
Mesmo assim, no meio de tanta alarvidade e de opiniões pouco fundamentadas, dou por mim a constatar que um ou outro bitaite acaba por acertar em cheio. Quando da aprovação da nova lei do divórcio vaticinei, parecia-me por demais evidente, que a litigância e os processos em tribunal aumentariam substancialmente. De pronto houve quem me chamasse burro e que não estava a ver bem a genialidade da legislação produzida pelos deputados da nação. Lembraram-me de imediato que devia aprender a ler e tentar meter na minha cabecinha reaccionária que a separação de um casal deixaria de passar pelos tribunais, o que produziria, garantia um dos inteligentes críticos da minha opinião, um efeito exactamente ao contrário daquilo que eu previa. Constata-se agora que a minha previsão estava correcta. Segundo a comunicação social, só o Tribunal de Família a Menores de Lisboa recebeu mais 586 processos. Ou seja, um aumento de 40 por cento face a 2008.
Por estas, e também por outras, recomendo aos que acham os meus últimos posts uma aberração que contraria todos os ensinamentos das ciências económicas e próprios de um verdadeiro ignorante quanto a estas matérias, alguma contenção nas críticas e, principalmente, muita atenção a alguns sinais que aqui e ali vão surgindo. Nomeadamente a algumas vozes, insuspeitas quase todas, que sugerem prudência quando se fala de cortes nos vencimentos.
Se estiver errado, prometo que daqui por um ano escrevo um post sobre wrestling. Ou sobre moda.
terça-feira, 9 de março de 2010
PECzinho
Contrariamente ao que cheguei a pensar, problema meu porque ninguém me manda ser crédulo, o PEC não deu em nada. As medidas – medidinhas é capaz de ser mais apropriado – apresentadas, além de não se traduzirem, quanto à despesa, em poupança imediata, também não representam, em termos de receita, entrada rápida de dinheiro nos cofres do Estado. Mesmo aquelas que se afiguram mais racionais e capazes de gerar algum consenso na sociedade, como a introdução de portagens em várias scuts ou a criação de uma taxa de quarenta e cinco por cento, em sede de irs, para os titulares de rendimentos cima de cento e cinquenta mil euros, só começarão a produzir efeitos lá para o próximo ano. E o mesmo acontece com a anunciada redução de benefícios fiscais e com as privatizações que pouco, ou mesmo nenhum, impacto terão sobre as contas de dois mil e dez.
Afinal serão apenas os funcionários públicos a pagar a crise e os únicos que terão de apertar o cinto nos próximos três anos. Não constituindo isso uma surpresa assinalável confesso que cheguei a pensar que o engenheiro, ou além por ele, fosse capaz de tomar uma ou outra medida inteligente e que fizesse entrar quase de imediato alguns euros nos cofres da nação. Seguir o exemplo da Grécia e, por exemplo, criar uma taxa de iva de trinta ou trinta e cinco por cento para os bens de luxo ou aumentar em dez cêntimos o preço da gasolina. É que, pelo menos neste último caso, ninguém foge e todos contribuiríamos para o equilíbrio das contas públicas. Mas isso era se tivéssemos um primeiro-ministro inteligente em lugar de apenas esperto. E cobardolas, porque só sabe “bater” nos fracos.
segunda-feira, 8 de março de 2010
As virtudes do privado
domingo, 7 de março de 2010
O alter-ego
Diz que, tal como o robalo e a pescada, também o chicharro e a sardinha são óptimos para manter a forma. O que é fundamental, senão comem-nos vivos. Digo eu que, pelo menos ao que sei, não tenho nenhum alter-ego. Coisa que, não sendo primeiro-ministro, não é de admirar.
sábado, 6 de março de 2010
Gente do piorio
sexta-feira, 5 de março de 2010
Eles que vão mazé bardamerda!
Ainda a propósito da greve da administração pública, mesmo não alterando uma só vírgula em relação ao que ontem escrevi, não posso deixar de expressar a minha profunda indignação por umas quantas opiniões emitidas por outros tantos javardos, cabrões e filhos da puta. Tudo isto aplicável também em versão feminina. E não me estou a referir ao cidadão da rua, anónimo, que se sentiu lesado pelos efeitos da dita greve nem, sequer, a muitos ressabiados, geralmente ignorantes e mais burros que um asno, que por aí pululam e poluem as caixas de comentários de blogues, fóruns ou de sites de órgãos de comunicação social. A esses, débeis mentais e quase sempre movidos por uma inveja bacoca, nem ligo. As suas vozes não chegam mais alto que os meus tornozelos e, se fosse religioso, diria que deles é o abençoado reino dos céus.
Refiro-me, isso sim, a uma série de criaturas abjectas a quem pagam para emitir opinião nos mais variados meios de comunicação social e a uns quantos auto-intitulados jornalistas que muito provavelmente apenas o são porque a média obtida no ensino secundário não deu para mais. Muitos desses seres escrevem também em blogues de grupinhos, geralmente unidos pelo ideal político ou, simplesmente, pela fraca lucidez e inteligência que todos têm em comum. O pior é que esta cambada, ao contrário dos primeiros, tem voz e, pior ainda, é muitas vezes ouvida. Para esta trupe os funcionários públicos não têm direito a fazer greve. São, na opinião desses merdosos, possuidores de todos os defeitos – adjectivos não faltam e é só escolher, porque usaram-nos até à exaustão – e culpados de todos os males que afectam o país.
Por mim, que não tenho pais ricos, não pertenço à geração iogurte e – felizmente – não fui iluminado pelo dom da inteligência que brilhou quando esta malta nasceu, posso garantir que sou tão culpado quanto esses cabrões dos males que atormentam o rectângulo. Não nomeei um único funcionário, não contratei assessores, nem atribui vencimentos sumptuosos a ninguém. Não colecciono reformas douradas após meia dúzia de anos em funções obscuras, não recebo nem atribuo comissões a ninguém, nem nunca recebi avenças de lado nenhum. E também nunca estudei em universidades onde se pagava a fabulosa quantia de dois contos e trezentos por ano em propinas…Mas isso, calculo eu, não deve ter feito grande mal nas contas do défice. O ordenado do contínuo – esse malandro – é que causou esta tragédia orçamental. Vão, como se diz por cá, bardamerda!
quinta-feira, 4 de março de 2010
Greve
Hoje foi dia de greve da administração pública. Independentemente das razões que assistem aos funcionários públicos – e são muitas - não simpatizo por aí além com esta forma de luta. Primeiro porque ela, como é óbvio, não cativa a simpatia da população. Aliás os portugueses são um povo sui generis. Estão quase sempre do lado dos fracos, odeiam o patronato – normalmente conotado com os “ricos”, que quase todos detestam - mas quando estão em causa os empregados do Estado não hesitam em colocar-se do lado do patrão e a desejar todos os males ao mais fraco.
Em segundo lugar porque salvo uma ou outra excepção, cada vez menos significativa, a greve não representa um incómodo relevante para a população. Os maiores prejudicados por ela acabam por ser os próprios grevistas, que perdem um dia de salário e respectivo subsídio de almoço. O que, em vencimentos pequenos como são os da esmagadora maioria dos funcionários públicos, não deixa de causar transtorno e um rombo apreciável no orçamento mensal.
É por este conjunto de factores que prefiro a utilização de outras formas de luta. Ainda que silenciosas, não provoquem grande alarido, mas que prejudiquem mais o Estado e tragam algum benefício àqueles que as põem em prática. Quais? Bom, cada um encontrará certamente uma maneira alternativa - mais ou menos honesta, embora quando se trate de burlar este Estado de coisas não há que levar a consciência muito a sério - que compense o que se perde por não ter aumento de ordenado, não ser promovido ou descontar uma percentagem cada vez maior do ordenado. É uma questão de imaginação.
quarta-feira, 3 de março de 2010
PEC?! Ná...
Depois de a Grécia ter divulgado o seu, aguarda-se com expectativa – diz que vai ser Sábado - que o governo português apresente o “nosso” PEC. O tal Programa de Estabilidade e Crescimento de que tanto se tem ouvido falar nas últimas semanas e que, muito provavelmente, incluirá mais umas quantas medidas draconianas de cortes orçamentais, no lado da despesa, e faça umas quantas tentativas de aumentar as receitas.
Nem vou tecer qualquer consideração acerca do que, penso, lá estará incluído nem teorizar relativamente às consequências sociais e económicas que daí advirão. Já o fiz em textos anteriores e, infelizmente, os números que vão saindo encarregam-se de me dar razão. Desta feita trata-se de um estudo, recentemente divulgado, que estima que a economia paralela representa vinte e dois por cento do PIB - Produto Interno Bruto – o que constitui um valor significativamente acima da média europeia. Nada de surpreendente nem algo que fique sem uma cabal justificação do engenheiro e seus indefectíveis apoiantes, que envolverá a completa exclusão de culpa do nosso genial primeiro-ministro e, de maneira geral, deste PS.
Independentemente do que lá possa constar manifesto desde já a minha total discordância do tal PEC. Penso que, em vez disso, seria muito mais adequada a elaboração – e posterior execução - de um PICHA. Um verdadeiro Programa de Integração e Crescimento Harmonioso Alternativo que fosse suficientemente estimulante para os portugueses e potenciasse uma enérgica erecção da economia nacional.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Fantasmas
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Exemplar
O amigo Simão Serafim afirmou alto e bom som em certa ocasião, perante uma enorme plateia que não me deixa mentir, que os bons exemplos devem vir de cima. Sócrates, o engenheiro, proclamou por estes dias uma outra verdade vagamente relacionada com a anterior. Garante o primeiro-ministro que o país se deve inspirar nos bons exemplos.
Certamente não será abusivo da minha parte proclamar que o país se deve inspirar nos bons exemplos e que estes devem vir de cima. Ou, se preferirem, que os bons exemplos devem vir de cima e que o país se deve inspirar neles. É, contudo, absolutamente indiferente. Pelo topo os bons exemplos não abundam. A começar pelo primeiro que, perdoar-me-ão os apaniguados, não constitui grande exemplo para ninguém. Embora, estranhamente, ainda haja por aí muito boa gente – boa é uma maneira de dizer, porque alguma é mesmo ruinzinha – que insiste em imitar o “chefe”.
Por outro lado é o próprio líder que não faz uso adequado da máxima que evocou. Ou então, para além de não ser um bom exemplo, não está devidamente inspirado. O que é pena. Se há coisa que nós não precisamos é um primeiro-ministro desinspirado. Não nos transmite inspiração.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
A esquerda rabeta e a liberdade de expressão
Por mais que alguns pretendam fazer crer o contrário, existe mesmo em Portugal um défice de liberdade de expressão. Não propriamente aquele em que Sócrates e os seus boys, de forma quase sempre patética, pretendem silenciar as vozes que lhes são críticas - com os resultados que se conhecem - mas outro muito pior. A que poucos, de tão interiorizado que está em cada um de nós, reconhecem existência. É, como digo há largos anos, a ditadura do politicamente correcto. Uma espécie de pensamento único. Algo muito mais perigoso e que pode conduzir-nos a situações muitíssimo mais delicadas do que as que resultariam se os planos maquiavélicos do abominável engenheiro e seus pérfidos sequazes fossem concretizados.
A responsabilidade de termos chegado a este ponto é, em grande parte, de uma certa intelectualidade urbano deprimida não raras vezes conotada com uma certa esquerda rabeta. É essencialmente gente dessa laia que não tolera opiniões diferentes da sua. Quem não pensa como eles não tem direito a expressar as suas ideias e é frequentemente alvo de insultos, ameaças e vítima de tentativas públicas de achincalhamento. Tudo porque ainda vai havendo um ou outro perigoso mentecapto que tem o desplante de pensar de maneira diferente daquilo que certos vermes intelectualóides consideram ser a verdade suprema.
São esses macacos esquerdistas e apaneleirados que me enchem a caixa de comentários sempre que me refiro aqui à malta invertida. Contra a qual aliás, estou cansado de dizer, nada me move. Entendo é que esse grupo social não constitui nenhuma espécie de vacas sagradas acerca do qual não se podem fazer piadas, contar umas larachas ou criticar o comportamento que exibem em público. Era o que mais faltava. Quem não gosta ou não concorda com o que escrevo que vá navegar para outro lado!
Como penso ter já ficado amplamente demonstrado ao longo dos quase cinco anos de existência do KK, escrevo aqui o que muito bem entender sobre aquilo que me apetecer, independentemente de um ou outro parvo – tadinho – pensar que, através de comentários mais ou menos ameaçadores, pode influenciar o que vou publicando. É, como já deviam saber, tempo perdido. Esse tipo de comentários é de imediato apagado sem sequer me preocupar em tentar identificar, através do IP, os seus autores. Não vale a pena. Prosseguir com a mesma “linha editorial” já lhes deve causar aborrecimento suficiente.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
UFOs and circles
Igualmente me ocorreu poder tratar-se de uma manifestação artística em que a monotonia dos longos e contínuos espaços encerados era quebrada, aqui e ali, por suaves formas geométricas harmoniosamente desenhadas no pavimento.
Após uma análise mais atenta inclinei-me para, em alternativa, estar perante uma demonstração de competências técnicas adquiridas pela senhora da limpeza - ou senhor, porque esta é uma actividade que já não é exclusivamente desempenhada por senhoras - numa qualquer acção de formação profissional onde tivesse sido ministrada uma nova e revolucionária técnica na arte do enceramento de soalhos.
Receio, contudo, estar errado. Algo me diz que alguém se esqueceu de desviar os dois objectos de forma circular que ocupavam aquele espaço no momento em que o chão era coberto de cera. Acontece a todos. Até aos bons. E também às boas.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Campanhas idiotas
Uma campanha publicitária que actualmente passa em diversos meios de comunicação social pretende, supostamente, lutar contra o preconceito que existirá na sociedade acerca das pessoas que terão um comportamento sexual que não estará de acordo com os padrões vulgarmente considerados como normais. Não que a dita campanha me incomode, longe disso, mas acho que a ideia pode ser perigosa. Pode. Porque por enquanto é apenas parva. No entanto, se os activistas de outras causas igualmente detestáveis copiarem a ideia, é capaz de haver muita gente a não manifestar tanta tolerância como a que agora revela perante este tipo de publicidade.
Como sabe quem lê com regularidade este blogue, nada tenho contra os panascas. Nem contras as fufas. Digamos que a paneleiragem em geral incomoda-me muito menos que uma certa esquerdalha armada ao pingarelho. Isto só para que fique claro que não tenho nenhum preconceito, nem intuitos discriminatórios, relativamente a essa malta de gostos esquisitos. Até porque, como sempre digo, cada um com o respectivo cú – ou qualquer outra parte do corpo – faz o que muito bem entende.
Mas voltando à dita campanha. Que pensariam os portugueses, ou o mundo em geral, se um dia acordassem e vissem, em placards publicitários ou em qualquer outro meio de divulgação, mensagens de conteúdo semelhante mas onde os protagonistas fossem Hitler, Bin Laden ou Estaline, com a finalidade promover a tolerância para com os seus seguidores? Por mim não gostava. No entanto respeitaria a opção e o pensamento de quem assim agisse. Não sei se a pessoal da esquerda, que se auto proclama como guardiã da tolerância e da liberdade, teria igual abertura de espírito mas quero acreditar que, excepção feita ao Hitler, até era rapaziada para aplaudir tolerantemente a ideia.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Remate kruzado
Não vi o jogo de ontem entre o clube de futebol do Porto e o Braga. Mas terá, calculo, sido um grande jogo. Provavelmente terá sido o pior Braga da época – só assim se justifica que uma equipa que nos dezanove jogos anteriores apenas tenha sofrido oito golos encaixe cinco numa só partida – frente ao melhor Porto. Portistas que, recorde-se, sem a ajuda do arbitro, dos guarda-redes adversários, ou do Sporting, há muito que não marcavam tantos golos. Desde, pelos menos, que os estímulos causados pela fruta, o chocolate ou o café com leite começaram a perder algum do efeito motivador que tão bons resultados deu nos últimos trinta anos.
Seja por um motivo ou por outro a verdade é que o Braga, finalmente, claudicou. Provavelmente terá sido apenas uma noite má. Daquelas que acontecem com frequência às equipas orientadas por antigos jogadores da equipa do norte quando jogam contra o seu ex-clube. Nada que surpreenda. Aliás o mesmo já tinha acontecido ao Olhanense que, apesar de ter feito um grande jogo contra o Benfica, baqueou quando defrontou o Porto e perdeu por uns claros três a zero. Em comum, para além de ambos os treinadores terem jogado no clube do Porto, as duas equipas tem nas suas fileiras inúmeros jogadores emprestados – ou cedidos – pela equipa azul e branca.
Tudo coincidência, como é bom de ver. Porque não passará pela mente de ninguém pensar noutro motivo qualquer para justificar o facto de os jogadores daquelas equipas correrem muito mais e demonstrarem uma atitude muitíssimo mais agressiva quando jogam contra o Glorioso. Quando, numa das próximas jornadas o Braga se deslocar ao Estádio da Luz, veremos que qualquer semelhança entre a equipa que lá se apresentar e a que jogou ontem no Dragão será mera coincidência.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
A chuva
Gosto de chuva. Quase tanto como gosto de sol, de calor e não menos do que odeio neve. Mas, por mais que goste de ver a água a cair, confesso que por agora já chateia, começa a aborrecer e a causar incómodo. É por isso que sugiro a organização de uma procissão. Como aquelas que fizeram aqui há uns atrás em que um grupo de crentes “procissou” desde o centro da cidade até à igreja da Senhora da Conceição, nos arredores de Estremoz, para implorar à dita senhora a vinda de chuva. Desta vez a súplica teria o objectivo inverso e visaria interceder – meter uma cunha, vá - junto da dita divindade para que esta fizesse parar a chuva. Não sei se resultaria ou não, o mais provável seria os “procissantes” apanharem uma valente molha e continuar na mesma a chover, mas não custa nada tentar. Pelo sim pelo não o blogue “Kruzes Kanhoto” está disposto a patrocinar o evento colocando à disposição dos interessados uns quantos guarda-chuvas. Merchandising, claro.
Noutro âmbito – o das coisas sérias – quero expressar a minha solidariedade para com os leitores deste blogue que residem na ilha da Madeira. Nomeadamente ao Manjedoura e à habitual comentadora MFCC. Que estejam bem, tal como todos os que lhes são queridos, é o que desejo.
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