O autarca de uma câmara lá para o norte – estas coisas têm uma inusitada tendência para acontecer no norte – está a ser acusado de ter feito um contrato para a realização de uma obra que nunca terá ocorrido. Cerca de cento e cinquenta mil euros, revela hoje a imprensa. A empresa a quem terá sido adjudicada a, alegadamente, empreitada imaginária era – surpresa – da familia do vice-presidente. Embora isso não tenha grande importância. Provavelmente terá sido a empresa considerada mais capacitada para realizar obras imaginárias. O que, convenhamos, é sempre um aspecto a ter conta. Uma pessoa, se quer fazer uma obra em condições, não pode estar apenas a olhar para o preço. Tem, também, de ter em conta a qualidade final do produto imaginado.
Já li, a propósito disto, umas quantas considerações pouco abonatórias relativamente ao imaginativo autarca. Gente sem visão estratégica absolutamente nenhuma, lamento ter de os chamar assim. A criatura, em lugar de estar a ser sujeita à perseguição da justiça, devia era estar a ser elogiada pela sua actuação visionária. Senão vejamos. O dinheiro terá circulado, melhorado a vida de uns quantos e a obra, por inexistente, não terá no futuro qualquer tipo de custos ou encargos para as gerações futuras, ao contrário de outros mamarrachos que se vão vendo um pouco por todo o lado. Sabe-se lá com que contrapartidas para quem os manda fazer. Embora às vezes se desconfie.
Percebo, contudo, a indignação que o caso suscita. O pagode gosta é dos que “roubam, mas fazem”. Independentemente do valor do roubo. E do rombo, que normalmente essas coisas provocam nas contas públicas.
Muiuto pagode, que até fala mal do corruptos, faz parte dos que recebem do bolo que provoca o rombo nas contas públicas.
ResponderEliminarO que se pode esperar dos discípulos de Sócrates?
ResponderEliminarPior. Fala mal dos corruptos mas depois vota neles!
ResponderEliminarO homem ainda hoje tem uma legião de fans que ou muito me engano ou ainda o farão Presidente da República.
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