
Ainda me lembro do tempo em que o problema era o turismo e os turistas. Eram aos montes, resmas deles, em todo o lado. Aquilo era uma chusma de gente que só contribuía para descaracterizar as nossas cidades e - não faltava quem garantisse - não gerava grande riqueza. Apenas meia-dúzia de empregos mal pagos, condescendiam nos dias em que acordavam bem humorados. Nada que compensasse o transtorno que nos causavam, a nós que já nem podíamos desfrutar dos encantos da nossa terra com o sossego que merecíamos. Assegurava a retórica dominante entre a intelectualidade alarve, passe a redundância.
Mas isso foi noutro tempo. Distante, já. Entrementes, descobriu-se o lítio, como potencial fonte geradora de recursos. Gerou-se, obviamente, o drama, o horror, a tragédia… Não queremos cá disso, berram. Afasta os turistas e não cale praticamente nada em termos económicos, argumentam. Ao contrário daquilo que os meus dois leitores atentos estão a pensar, não estou aqui a apontar nenhuma espécie de contradição. Pelo contrário. Quem usa este argumento está a ser coerente. O que esta gente não é que se crie riqueza. São contra o turismo, o lítio, o sol – vide o que se diz dos painéis solares – e tudo o mais que nos possa tornar um pouco menos pobres e menos subsidio-dependentes.
ResponderEliminarNão querem é que se crie riqueza ....
Beijinhos, Kruzes
Feliz Dia