O que têm em comum Marta Temido e Passos Coelho? Pouca coisa, aparentemente. A não ser a capacidade de irritar, cada um deles, uma parte significativa dos portugueses.
Ainda me lembro do tempo em que Passos Coelho sugeriu aos portugueses que procurassem trabalho noutro lado. Que emigrassem, já que por cá não encontravam o emprego e a remuneração que pretendiam. A sugestão provocou um verdadeiro escândalo – um rasgar de vestes, diria – entre uma certa esquerda que, por acaso, até mostra um especial carinho pela mobilidade humana e nutre uma indisfarçável simpatia pelos movimentos migratórios em direcção a ocidente de gente que, garantem, apenas pretende uma vida melhor. Pessoas que, no fundo, seguem os conselhos dos “Passos” do respectivo país. Nada que a mim, habituado desde pequeno a apreciar a coerência da esquerda, me surpreenda por aí além.
Marta Temido, um dia destes, sugeriu o contrário do então primeiro-ministro. Criticou quem procura um ordenado melhor e sugeriu até que o SNS devia recrutar pessoas que se contentem em ganhar menos do que aquilo que, muito legitimamente, podem auferir noutro lado. Da canhota – sinistra, como dizem os italianos e eles lá saberão porquê – nem um pio. Nem admira. Eles gostam é de salários mínimos. Preferem um país onde todos ganhem e vivam de acordo com aquilo que o Estado determinar.
São dois conceitos de sociedade diametralmente opostos. Os portugueses, parece inequívoco, revêem-se maioritariamente no modelo defendido pela doutora Temido. Em resultado disso seremos, não tarda, o país mais pobre da União Europeia. Mas, ao menos, poderemos dizer todos ufanos que somos pobretes mas resilientes.
Digo-te apenas que politicamente nunca gostei do Passos e admiro e muito a Marta Temido porque faz possíveis com coisas impossíveis e põe-te no lugar dela e o que farias?
ResponderEliminarHá ondas nocivas para a derrubar mas eu mandava mais para as urtigas um ou outro ministro.
Governar numa altura que seria impensável é dose e claro que têm falhas, mas já agora o que me incomoda muito mais é a corrupção feita e com gente de todos os quadrantes políticos.
Desculpa amigo.
Abraços
No meu post não coloco em causa as aptidões técnicas da senhora nem, tão pouco, a maneira como tem gerido esta crise. Era o que mais faltava. Eu também fico fulo quando gente que não percebe a ponta de um corno do meu trabalho me vem dizer como o devo fazer.
ResponderEliminarSe reparares escrevi sobre as opções politicas da criatura. E essas rejeito-as liminarmente. Aliás, não só eu. Por esse mundo fora têm sido sistematicamente rejeitadas, em Portugal é que parece que são cada vez mais populares. Depois queixam-se que são pobres!
Quanto à corrupção...isso são outros quinhentos. Por mim não sou como os gajos do Chega que veem um corrupto em cada politico. Lá que os há, há e certamente não serão poucos mas, curiosamente, o povo até gosta deles.
Cumprimentos
Com o devido respeito, sabe... essa coisa da 'resiliência' faz-me, sempre, uma certa comichão quando a ouço ou leio.
ResponderEliminarResiliência é uma coisa, resistência, outra bem diferente. Se o tema lhe interessar, poderá ler o que sobre ele escrevi em https://mosaicosemportugues.blogspot.com/2021/08/ainda-nao-sabe-o-que-e-equitenencia_078350082.html
Não pretendo, evidentemente, 'corrigir' o que ou quem quer que seja. Apenas prestar um esclarecimento.
Desejo-lhe um ótimo fim de semana!
Resiliência não é palavra que use. No post estou apenas a citar.
ResponderEliminarObrigado pelo comentário, bom resto de domingo e uma boa semana!