quinta-feira, 22 de julho de 2021

Quem o come em chibo, não o come em bode... já garantia a minha sábia avó!

Com inusitada frequência surgem relatos de artistas a queixarem-se da magreza das suas pensões de reforma e, quase sempre, a lamentar que o país os deixe a viver no limiar da miséria. Queixinhas e lamentos deveras estranhos, diga-se. É que, atendendo à vida faustosa que ostentaram enquanto estiveram no activo, tudo leva a crer que ganharam uma maquia simpática. Mas, aos que alguns confessam, não amealharam um pecúlio que lhes permita ter uma velhice sem sobressaltos financeiros nem, tão-pouco, descontaram para a Segurança Social sobre os rendimentos efectivamente auferidos. Nenhuma destas circunstâncias me suscita qualquer critica. Relativamente às poupanças fizeram as opções que lhes pareceram melhores e quanto ao facto de terem fugido às contribuições que legalmente estavam obrigados a fazer eu próprio, se pudesse, faria o mesmo. Só perdem a razão quando se queixam. A vida é feita de escolhas e eles escolheram o que agora têm. Ou seja, pouco. Já o ganharam, esturraram e gozaram. Agora desemerdem-se, como diria o outro. E, sobretudo, não aborreçam os contribuintes, que já pagamos as tropelias de muitos vadios.


A propósito deste assunto e desta malta, ocorreu-me agora que foi esta gente que andou com o actual primeiro-ministro “ao colo” nas últimas campanhas eleitorais. Recordo-me até de inúmeros jantares, profusamente divulgados pelas televisões, de apoio ao PS, a António Costa e, depois, à geringonça. Sendo, ao que publicamente revelaram alguns destes artistas, a fuga aos impostos uma prática comum no sector, presumo que nas próximas campanhas eleitorais os diversos candidatos não queiram ver nem de perto esse pagode da cultura. Como já fazem aos do futebol.

5 comentários:

  1. Aplaudo de pé! Muito bem escrito!
    Cada um faz as suas escolhas ... têm que assumir as consequências.
    Também me custa todos os meses os descontos que faço ... daria para divertir-me muito e ter maravilhosas férias!

    Beijinhos, Kruzes
    Feliz Dia

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  2. Subscrevo inteiramente mas quantos patrões/empresários do quer que seja descontaram impostos aos trabalhadores e não os declararam? Enfim!
    Beijos

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  3. Não entregar os descontos dos trabalhadores foi uma situação muito comum noutros tempos. Hoje nem tanto, até porque qualquer um pode controlar isso e apresentar queixa. E os tribunais não são nada meigos nesses casos.

    Bom fim-de-semana!

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  4. A cóltura adora mostrar-se anti-sistema e uma espécie de consciência vigilante do regime. A cóltura nunca viu qualquer incoerência entre isso e estar permanentemente pendurada na lapela do PS - ao lado das outras nódoas de gordura. Esta cóltura, que agora se queixa, é a mesma que, em 2014, assinava manifestos intitulados "A Cultura Apoia António Costa", assinando com comentários hilariantes do género "Será uma lufada de ar fresco" (como se alguém que está, desde o berço, enterrado até ao pescoço na política, pudesse ser uma lufada fresca de qualquer coisa).

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  5. A malta da cultura acha que tem uma espécie de superioridade moral qualquer para exigir um tratamento especial e que o país deve ter para com eles um sentimento de gratidão. Ideias parvas de gente esquisita, é o que é.

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